As bênçãos do templo

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Templo do Recife Brasil

No dia 20 estive no templo mais uma vez. E o Senhor presenteou-me com uma singela porém significativa bênção decorrente de meu serviço em Sua casa. E faço questão de registrá-la para minha posteridade em reconhecimento por Sua bondade e amor.

Para que o significado dessa bênção seja compreendido, porém, preciso primeiro falar de como estavam sendo meus dias e semanas antes da viagem.

Já há muito tempo venho tendo dias estafantes, mesmo trabalhando em casa. Tenho que dividir minha atenção e energias entre vários assuntos importantes e com freqüência concomitantes e inadiáveis. A redação de artigos, por exemplo, é uma atividade que exige muita concentração e toma quase todo meu tempo. Como a família consome a outra parte de minhas energias, sobra-me o sossego da noite para fazer o que não foi possível ser feito durante o dia. Tornou-se comum ter hora para acordar e não ter para ir dormir à noite, ou de madrugada. O primeiro sintoma de sobrecarga sobre minha mente, surgido já há vários meses, foi o progressivo falhar de minha memória, a ponto de impedir-me de lembrar de coisas triviais.

Na semana da viagem ao templo comecei a sentir uma constante dor de cabeça e uma sensação de esgotamento físico. Achei que era uma nova virose querendo me pegar, mas não era. Era exaustão mesmo. Noites mal dormidas, dias extenuantes, excesso de trabalho e de preocupações e falta de descanso incorporaram-se à minha rotina. Tal qual bateria esgotada, meu organismo já tinha começado a dar sinais de que iria falhar.

Foi nessas condições que cheguei ao templo liderando a caravana de minha ala, nos primeiros minutos do dia 20. Aquela seria mais uma noite de sono escasso, igual a quase todas as que eu vinha tendo nos últimos meses. Chegamos por volta de meia-noite e meia. Até que eu distribuísse os irmãos pelos quartos do alojamento, até que todos os de meu quarto se acomodassem e parassem de tagarelar e até que eu conseguisse pegar no sono, já era mais de duas da manhã. E eu fazia questão de estar na porta do templo no momento em que fosse aberto, às seis, como sempre faço, e para isso eu teria que vencer a inglória tarefa de levantar às 5:30. Mas minha vontade de servir no templo sempre é maior que qualquer cansaço. É disso que tiro forças para conseguir levantar da cama na mesma madrugada que me viu deitar.

Entrei no templo, trajei-me com as roupas de oficiante que sou e, assim pronto para começar o trabalho, fechei-me em uma cabine do vestiário e dirigi ao Senhor palavras de satisfação e gratidão por estar em Sua casa novamente para servir-Lhe com toda a alegria e amor que tenho por Sua obra. Disse-Lhe também que estava aberto a qualquer coisa que tivesse reservada para mim naquele dia.

Só me dei conta da bênção que recebi Dele cinco dias depois.

Após voltar para casa, voltei também à velha exaustiva rotina. Mas desta vez havia algo diferente. Não na rotina, e sim em minha reação a ela. Não me senti esgotado como antes. Nem minimamente cansado. Era como se meus dias tivessem passado a ter horários bem definidos, boas horas de sono e quase nenhuma preocupação ou ansiedade. E dentro do peito eu estava inundado por um denso e quase palpável sentimento de paz — o mesmo tipo de paz desfrutada por quem vive o Evangelho da maneira mais perfeita de que é capaz, só que em dose maior. O revigoramento não foi só físico, mas também mental e espiritual.

Nada mudou em minha rotina na semana antes e depois da ida ao templo. O que fez a diferença foi o templo. Creio firmemente que o Senhor reconheceu meu sacrifício de serviço em favor de Sua obra e me recompensou com esse refrigério físico, mental e espiritual e com uma dose extra da mesma paz que sempre senti, mesmo quando parecia que o mundo caía sobre minha cabeça. Estou convencido que, mais uma vez, o Senhor cumpriu a promessa de cuidar de Seus filhos que lutam por ser-Lhe fiéis.

Novamente, testifico ao mundo que nada disso teria acontecido se eu estivesse dedicando-me à causa errada. Nada disso aconteceria se o templo verdadeiramente não fosse a Casa do Senhor, lugar onde Ele Se manifesta pessoalmente a quem já está digno de Sua presença. Nem essa nem nenhuma das majestosas experiências espirituais que já tive naquele lugar sagrado teriam acontecido se esta não fosse a única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo na face da Terra — não apenas mais uma organização religiosa que pretende ser de Cristo, mas a única que Ele reconhece como sendo Sua, pois não foi construída pela mão de homens, e sim por Sua própria mão, literalmente. A eternidade não é tempo bastante para que eu agradeça a Ele pelo privilégio de fazer parte dessa alegria. Só o que posso fazer em retribuição é ser obediente a Seus mandamentos, o que se reverterá em mais bênçãos, que serão revertidas em mais obediência, e assim por diante até o dia perfeito.

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7 comentários em As bênçãos do templo

  1. Adriano disse:

    Sou membro recém converso de A igreja de jesus cristo dos santos do últimos dias, não posso ainda ir ao templo mas mas sei que vou quando estiver autorizado pelo que falam deve ser incrível entrar na verdadeira casa de deus.

  2. Irmão Marcelo é com prazer que li sua singela, mas edificante narrativa sobre sua experiência no templo. Ela me ajudou bastante, ajudou de uma forma inimaginável. Sou grato por termos pessoas que como vc mesmo colocou: “… o mesmo tipo de paz desfrutada por quem vive o Evangelho da maneira mais perfeita de que é capaz,…

    um grande abraço !

  3. Otavio Gois disse:

    Gostei muito de seu testemunho, irmão Todaro. Muito me inspirou e me fez lembrar do quanto as ordenanças da Casa do Senhor fazem a diferença na vida de minha família. Eu e minha esposa fomos os pioneiros do Rio Grande do Norte a sermos selados, abrimos o caminho para outros casais. Você me fez lembrar um montão de coisas boas que passamos na Casa do Senhor. Se pôde me inspirar, certamente fará a outros que visitarem esse teu blog.
    É um privilégio ter conhecido uma pessoa tão especial quanto vc. Espero um dia te conhecer pessoalmente.
    Forte abraço

  4. Targino Silveira disse:

    Meu caro amigo Marcelão, muito obrigado por sua experiencia, ela me deu uma boa injeção de animo pra fazer o possivel pra ir ao templo agora em dezembro na caravana da estaca que estou de certa forma pertencendo.

    Um forte abraço.

  5. Katiana Santos disse:

    Oi irmão, seu testemunho fortaleceu mais ainda a minha vontade de ir ao Templo. Há 10 anos me batizei. Mas antes de completar 1 ano , me afastei, por causa das minhas racionalizações, daqueles “achismos” de praxe , sobre a certeza de que poderia convecer uma pessoa que eu amava muito, não era membro da igreja, de se tornar membro e ai então eu voltaria a “hora” que eu quisesse. Sofri muito. Há quase 4 anos estou de volta. Agora estou me preparando para ir ao Templo. Só poderei ir no ano que vem. Hoje, como sempre, os “Testemunhas de Jeová”, bateram na minha porta e então eu disse: Eu sou cristã, membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos Ultimos Dias. Então eles me encheram de perguntas , assuntos referidos a Bíblia. Então pedi licença, entrei em casa e trouxe as escrituras, pedi a eles se eu poderia ler algo pra eles, e disse: Para que voces saibam e não tenham mais duvidas sobre nós mórmons, em que acreditamos e li as Regras de Fé, e dei lhes um cartão da amizade, para fazerem o pedido do Livro de Mórmom. E então eles fizeram mais uma ultima pergunta: Voce sabe o que está em Isaias 24:14, e então eu li, diz que todos aqueles que são testemunhas de Jeová, devem testificar deles e então veio a pergunta: Voce sabe , quem são os testemunhas de Jeová? e então respondi: Todos nós, que temos o Seu testemunho. E então eles disseram : Não, nós somos os verdadeiros Testemunhas de Jeová, é que devemos testificar de Cristo.
    Agradeço a voce ,irmão , sobre o seu testemunho e assim como irmãos unos de coração pelo amor a Cristo, presto meu testemunho também de que Ele vive.

  6. Anna Paula disse:

    Irmão Marcelo,
    Obrigada por compartilhar essa experiência…
    Me motivou mais a ir na próxima visita ao Templo.
    Realmente é maravilhoso saber que sei que Este é o único e verdadeiro evangelho na face da Terra, e que Ele nos guia nos tempos atuais.
    Obrigada também por demonstrar que nenhum cansaço e nenhuma tarefa deve ocupar o tempo que é reservado a Ele, todas as coisas contribuem para nosso bem quando apenas fazemos a Sua vontade. Pode ser um tanto trabalhoso, exaustivo porém recompensador.
    Obrigada pelo exemplo que és.

  7. Marília Magalhães disse:

    Irmão Marcelo, sua experiência me lembrou um discurso que o Élder David A. Bednar, então presidente da BYU-Idaho, deu numa devocional da Universidade em 23/10/2001. Tomando Mosias 3:19 como base, ele falou de como o Sacrifício Expiatório de Cristo REALMENTE nos modifica e que, sabendo disso, não devemos orar para que as circunstâncias difíceis e adversas mudem, mas nossa postura e nossa capacidade de suportar seja outra. Ele deu alguns exemplos, como o de Néfi descrito em I Néfi 7:17: ele não pediu que as cordas lhe fossem desatadas, mas que ele tivesse forças. Faz toda diferença, né?

    Obrigada por compartilhar sua experiência conosco. É mais um exemplo simples e rotineiro de que Deus é o mesmo e que milagres acontecem todos os dias para Seus filhos.

    Eu sei que o Salvador Jesus Cristo vive. Sou grata por conhecer as verdades do evangelho e por, um pouco mais a cada dia, entender melhor da Expiação de Cristo e do seu efeito nas nossas vidas.

 

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