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Como assinante dos alertas do Google recebo freqüentemente avisos sobre a publicação de notícias de meu interesse. Um dos alertas que configurei tem como termo de pesquisa a palavra “mórmon” — gosto de estar a par do que a mídia diz da Igreja e de seus membros. Geralmente são coisas boas, mas hoje o alerta do Google me trouxe isto: uma notícia sobre um site de e para “mórmons gays” chamado Afirmação.

Sempre soube da existência dessa organização e sempre combati o conceito de “mórmon gay” — no sentido de ser gay praticante e, ainda assim, ser membro da Igreja. Não existe isso. A pessoa ou é mórmon ou é gay. As condições são autoexcludentes.

Sei que há alguns membros da Igreja que se debatem contra a atração pelo mesmo sexo. Pessoalmente, não considero essas pessoas gays. Quando se diz que alguém é gay, geralmente entende-se que a pessoa se relaciona afetivamente e/ou fisicamente com outras do mesmo sexo. Os membros da Igreja que sentem esse tipo de atração e que se empenham em manter-se castos, conforme requer o evangelho, não mantém relacionamentos desse tipo, apesar da atração. Para mim, isso as descaracteriza como gays.

O problema com a expressão “mórmon gay” é a possibilidade de levar a opinião pública a supor que a Igreja aceita ou tolera a prática homossexual em seu meio. O que a Igreja aceita é a presença de homossexuais em suas reuniões. Todas as pessoas são bem-vindas para congregar conosco, gays inclusive. Mas a mera frequência às reuniões não torna ninguém membro da Igreja. A associação formal a ela se dá por meio do batismo por imersão realizado por quem tem a devida autoridade do sacerdócio de Deus. O candidato ao batismo precisa estar disposto a assumir e cumprir certos compromissos com Deus e com a Igreja para que possa ser aceito como membro formal. Um desses compromissos é a obediência ao que chamamos de Lei da Castidade, que requer abstinência sexual antes do casamento e fidelidade ao cônjuge do sexo oposto depois. Quem se relaciona fisicamente ou afetivamente com alguém que não o cônjuge do sexo oposto não se encaixa em nenhum dos casos, portanto não pode ser aceito pelo batismo na Igreja, a menos que abandone a prática. No caso dos homossexuais, ainda que conservem o sentimento de atração por pessoas do mesmo sexo, espera-se que ajam da mesma forma.

Se houver membros formais da Igreja praticando sexo fora do matrimônio (seja com pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo), serão incentivados a abandonar a prática. Caso não o façam, serão excomungados. A Primeira Presidência da Igreja declarou: “A lei de conduta moral do Senhor é a abstinência de relações sexuais fora do casamento legal, e fidelidade no casamento. As relações sexuais são corretas apenas entre marido e mulher, adequadamente expressas dentro dos laços do matrimônio. Qualquer outro contato sexual, incluindo fornicação, adultério e comportamento homossexual masculino ou feminino é pecaminoso”. (Carta da Primeira Presidência, 14 de novembro de 1991)

É importante ter em mente que membros excomungados continuam bem-vindos às reuniões dominicais de adoração, como sempre foram e como é qualquer pessoa. A diferença é que, como qualquer não-membro, essas pessoas não gozam de todos os direitos e privilégios dos membros regulares — por exemplo, não podem ser chamadas para servir em cargos eclesiásticos e não podem frequentar o templo —, mas podem participar de atividades abertas ao público, como as reuniões dominicais de adoração, bailes, esportes e lazer.

Espero com este artigo ter feito minha parte para esclarecer eventuais mal-entendidos ocasionados pela divulgação de notícias contendo a equivocada expressão “mórmon gay”.

Leitura adicional recomendada:

[ATUALIZADO em 18/12/07] — Nesta data o site Mix Brasil novamente publicou notícia sobre um suposto “mórmon gay” que teria ganho a 15ª edição de um programa tipo reality show. O site já tinha falado dele antes e eu prontamente enviei comentário apontando o equívoco de chamá-lo de “mórmon gay”. Aparentemente eles não deram a mínima para o que eu disse e preferiram continuar prestando um desserviço à opinião pública. Creio ser em momentos como esse que temos que levantar nossa voz contra essas infâmias, cumprindo a admoestação de nosso profeta que, em mensagem publicada na Liahona de setembro de 2004, conclamou todos os membros da Igreja a fazer com que nossa voz de oposição ao mal seja ouvida. É o que penso estar fazendo em meu blog e também na contestação de afirmações enganosas com as do Mix Brasil.

[ATUALIZADO em 22/08/2008] — A Igreja publicou livreto dirigido aos membros que sentem atração por pessoas do mesmo sexo e aos líderes incumbidos de ajudar essas pessoas intitulado Deus Ama Seus Filhos. O livreto começa dizendo:

Você é um filho ou filha de Deus, e temos o coração cheio de afeto e carinho por vocês. A despeito da atração que sentem atualmente por pessoas do mesmo sexo, vocês podem ser felizes nesta vida, ter uma vida moralmente limpa, realizar um serviço significativo na Igreja, desfrutar do convívio de outros membros da Igreja e, por fim, receber todas as bênçãos da vida eterna.

O profeta Néfi, no Livro de Mórmon, expressou os sentimentos de todos nós ao reconhecer que não “[conhecia] o significado de todas as coisas”. Mas ele testificou: “Sei que [Deus] ama seus filhos” (1 Néfi 11:17). Deus realmente ama todos os Seus filhos. No entanto, muitas dúvidas, inclusive algumas relacionadas à atração por pessoas do mesmo sexo, precisam aguardar uma resposta, talvez na vida futura. Mas Deus revelou verdades simples e imutáveis para guiar-nos. Ele ama todos os Seus filhos e, como Ele o ama, você pode confiar Nele.

O livreto pode ser lido na íntegra neste PDF.

 

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