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O mundo testemunhou fatos históricos esta semana. O mais significativo deles foi a eleição de Barack Obama para presidente dos Estados Unidos. Aproveitando o dia de eleição, um grupo de Estados americanos incluiu no pleito de terça-feira (5) propostas sobre diversos assuntos, incluindo mudanças na legislação sobre aborto, drogas, educação e casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em três desses Estados — Califórnia, Flórida e Arizona —, a maioria da população optou por dizer não ao casamento gay. No caso da Califórnia, cerca de 52% dos eleitores decidiram aprovar a inclusão na Constituição estadual da seguinte frase: “Apenas o casamento entre um homem e uma mulher é válido e reconhecido na Califórnia”. Ao todo, 27 Estados americanos já haviam proibido o casamento gay antes desta eleição, casamento que havia sido legalizado na Califórnia pela Suprema Corte estadual em junho.

Inconformados, cerca de dois mil homossexuais californianos organizaram muitos protestos contra a proibição, conhecida como Proposition Nº 8. Parte desses protestos concentrou-se ao redor do Templo de Los Angeles, provocando o fechamento temporário do templo. Os manifestantes gritavam palavras de ordem contra a Igreja por ter apoiado a Proposta 8 e incentivado os membros a apoiá-la inclusive com doações financeiras. Os membros californianos da Igreja atenderam ao chamado da Primeira Presidência e, segundo estimativas, doaram ao todo cerca de US$ 20 milhões à causa vencedora. Por isso, os homossexuais revoltados acusam a Igreja de ter comprado o resultado, dentre outras calúnias bem menos suaves.

No cerco que promoveram ao Templo de Los Angeles, os enraivecidos defensores da causa gay picharam e escalaram seus muros gritando “Vergonha!” e “Fanáticos!”. O site do jornal Los Angeles Times publicou dezenas de fotos dos manifestantes escalando os muros do templo, fazendo sinais e, nos casos mais inflamados, sendo presos pela polícia. De acordo com notícias, um ativista gay ligou para o templo dizendo que estariam protestando do lado de fora em caráter permanente enquanto o casamento gay não fosse legalizado. Dentre as pichações no muro do templo lia-se “Voltem para Utah” e “Mórmons vão para o inferno”.

Ainda segundo notícias, os manifestantes prometeram perseguir a Igreja, atacar sua condição de isenta de impostos e infernizar a vida dos membros que fizeram doações em dinheiro à causa anti-casamento gay, relacionados no site Mormonsfor8.com.

Um artigo do site FamilyLeader.info conta que um membro da Igreja residente na área comentou o episódio dizendo: “Não entendo bem a reposta de nossa polícia (embora eu mesmo seja policial). Se isso estivesse acontecendo em uma sinagoga de judeus ou em uma igreja católica, estaríamos prendendo pessoas por crime de ódio. Tal como as coisas estão neste momento, os manifestantes estão sentados no muro do templo e a polícia está no chão, do lado de dentro. Membros da Igreja em nossa região foram convocados na noite passada para irem à sede da estaca e passarem a noite lá para proteger o edifício do vandalismo — é como se fosse há 150 anos”.

Curiosamente, a política de raivosa intimidação promovida pelos ativistas gays contra a Igreja deixou de lado todas as demais agremiações religiosas que também apoiaram a Proposta 8. Embora nenhum prédio de outras igrejas tenha sido atacado como foi o Templo de Los Angeles, gays e aliados têm destilado veneno contra cristãos de modo geral.

Um artigo do site WorldNetDaily.com observa que blogs gays têm efervescido em ameaças contra os que professam crença em Cristo. “Queimem suas igrejas e depois cobrem impostos das cinzas”, escreveu um ativista gay em um blog. Em outro, alguém disse: “Espero que os anti-8 tenham facas bem grandes”. Escreveu-se também: “Alguém na Califórnia poderia botar fogo nos templos mórmons de lá, POR FAVOR? Falo sério! Façam isso!”

Ameaças contra a vida também foram feitas pelos gays, segundo o WorldNetDaily. Um deles disse: “Creia-me: tenho uma longa lista de nomes de mórmons e católicos que foram grandes apoiadores da Proposta 8… Aconselho-os a tomarem cuidado”. Outro escreveu: “Se você estiver planejando um casamento heterossexual na Califórnia… esteja preparado para enfrentar os piqueteiros. Designem alguém para tomar conta do estacionamento… Vocês terão muitas despesas inesperadas. Adicionem US$ 500 a seu orçamento para segurança… Estejam preparados para colocar flores em outros locais além da recepção… ou para um gosto esquisito no bolo de casamento. Tenham medo. Tenham muito medo. Estamos em toda parte”.

Em Salt Lake City, cidade onde se situa a sede da Igreja, também houve hostilidades contra ela. Segundo este artigo (com vídeo) do KLS.com, entre 3 e 5 mil pessoas se concentraram ao redor da Praça do Templo gritando ofensas contra a Igreja. Testemunhas disseram que houve quem fizesse ameaças de morte ao Presidente da Igreja, Thomas S. Monson.

Mas entre os gays também há pessoas de bom senso que, embora aborrecidas, condenam tais atitudes extremadas. De acordo com o artigo do WorldNetDaily, Matt Barber, diretor de assuntos culturais do Liberty Counsel, chamou as ameaças de “crimes de ódio” por seu intento de gerar violência contra alguém por causa de sua crença e convocou o Human Rights Project, o National Gay and Lesbian Task Force e “outros líderes dentro do lobby homossexual” a incentivar o fim de tais ameaças.

Jacob Whipple, organizador da manifestação de Salt Lake City, teve que se desculpar pelos ânimos exaltados de alguns. “Peço desculpas. Isso passou um pouco do limite. Não quero ferir sentimentos de qualquer lado do problema”. Um membro do legislativo do Estado de Utah lembrou à multidão que o mundo os estava observando. “Que protestemos com civilidade e respeito, pois apreciamos a liberdade de religião e de expressão”.

Em resposta aos prostestos, a Igreja pronunciou-se dizendo:

É perturbador que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tenha sido a única a levantar a voz como parte de seu direito democrático em uma eleição livre.

Os membros da Igreja na Califórnia e milhões de outros de todas as religiões, etnias e afiliações políticas que votaram a favor da Proposição 8 exerceram o mais sacrossanto e individual direito dos Estados Unidos: o de livre expressão e voto.

Apesar de aqueles que discordam de nossa posição terem o direito de fazerem seus sentimentos serem conhecidos, é errado transformar a Igreja e seus lugares sagrados de adoração em alvo, já que são parte do processo democrático.

Novamente, conclamamos aos envolvidos no debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo a agir em espírito de respeito mútuo e civilidade uns para com os outros. Ninguém, em nenhum dos lados da questão, deve ser difamado, perseguido ou submetido a informação errônea.

Sensibilizada por tais eventos, a Igreja Católica Apostólica Romana prestou apoio formal a A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias na luta pela família e contra o casamento gay.

Agora, a minha opinião.

Ódio não é coisa de Deus. Quem quer que o promova está a serviço do inimigo de Deus, que é Satanás. Mesmo quem não acredita em Deus (ou em Satanás) sabe que fomentar o ódio é errado. Essa não é a maneira certa de se lutar por um ideal.

Se a lista de igrejas e instituições que apoiaram a Proposta 8 tem várias páginas de extensão — batistas, católicos, episcopais, protetantes, cristãos sem denominação específica, judeus, negros, etc. —, por que só nós é que estamos sendo alvo do ódio gay? Por quê só um pequeno grupo em particular tem que estar sob ataque quando a maioria de uma população expressou sua opinião através de uma eleição livre?

Nós, membros da Igreja, somos ensinados a votar e agir de acordo com os ditames de nossa consciência e concedemos a todos o mesmo direito.

Tenho amigos gays e por eles sinto amor fraternal. Não concordo com o estilo de vida deles e eles sabem disso, mas nem por isso perco o respeito por eles. Na Igreja somos ensinados a amar os pecadores, mas não o pecado.

Acredito que os gays e seus aliados que deixaram sua indignação transformar-se em vandalismo acabaram prestando um desserviço à própria causa. O pedido de Matt Barber, as desculpas de Jacob Whipple e as palavras do legislador de Utah são prova disso.

Pessoalmente, fiquei satisfeito em saber que a Proposição 8 foi aceita e a Constituição da Califórnia terá a inclusão da definição de casamento como sendo apenas entre um homem e uma mulher. Meus motivos para isso estão claramente expostos em meu artigo Por que sou contra o casamento gay. A diferença é que, se minha causa tivesse saído perdedora, como a deles saiu, eu não iria para a rua vandalizar os gays nem escreveria ameaças contra eles em blogs. Por mais antinatural e atentador contra as leis de Deus eu ache que é o homossexualismo e por mais que me sinta incomodado pela atitude gay de tentar impor sua vontade à força e no berro, isso não me dá o direito de querer fazer o mesmo. O que vimos nessas manifestações foi claramente a poderosa e perniciosa influência de Satanás na vida de pessoas sem Deus.

Por lei, a Igreja tem o direito de se manifestar em questões de ordem moral. E é também o que faço neste blog. Foi o que fiz quando me manifestei contra o casamento gay ao vivo em rede nacional de TV. Dentro dos limites estabelecidos pelas leis de Deus e dos homens, todos temos o direito de manifestar nossas idéias. Mas o que os gays fizeram ultrapassou em muito esses limites. Tais atitudes devem ser condenadas e reprimidas. Se acham que têm o direito de lutar pela aprovação de seus valores pela lei dos homens (já que jamais conseguirão mudar as leis de Deus em favor de seus interesses), devem fazê-lo na arena correta: a dos poderes legislativo e judiciário. Foi exatamente isso o que a Igreja fez. Essa é a maneira certa. Se uma guerra não pode ser evitada, que seja de idéias, não de pedras. Convoco meus irmãos homossexuais a fazerem o mesmo. O espaço para comentários deste artigo está aberto para isso.

[ATUALIZAÇÃO, 10/nov/2008]: Meu amigo Oswaldo de Moura mandou-me artigo escrito por um oficial da polícia de Los Angeles, Paul Bishop, que é membro da Igreja e que participou do trabalho de vigiar os protestos dos gays. Ele resumiu o que viu, ouviu, sentiu e aprendeu com as manifestações de ódio dos gays e de seus aliados e, no fim, dá conselhos de deslumbrande beleza e inspiração sobre como lidar com esse tipo de oposição — conselhos que me fizeram perceber que preciso me arrepender em alguns pontos.

Leia o artigo completo (em inglês), ilustrado com diversas fotos, em www.ldsmag.com/ideas/081110hate.html.

[ATUALIZAÇÃO, 14/nov/2008]: Enquanto mais capelas estão sendo vandalizadas, vidros quebrados, muros pichados e outras coisas mais nos estados de Utah e da Califórnia, um envelope branco contendo um pó branco foi encontrado em meio à correspondência endereçada ao Templo de Salt Lake. Os bombeiros foram chamados, o templo foi evacuado e pessoas que tocaram o envelope estão sendo examinadas enquanto não se sabe o que o envelope contém. Outro envelope com pó branco foi enviado ao Templo de Los Angeles. A polícia e o FBI estão investigando o caso. Veja reportagem (em inglês) com vídeo. Há também reportagens em português das agências Reuters e Associated Press.

Sete localidades e edifícios já foram queimados desde 16 de agosto em Brigham City, no norte de Utah, cidade fundada por Brigham Young onde se concentra grande grupo de descendentes dos pioneiros e é a cidade natal do Élder Boyd K. Packer, do Quórum dos Doze, e também onde o Pres. Lorenzo Snow está enterrado. Os silos de grãos incendiados e outras duas propriedades são de pessoas que doaram dinheiro para a campanha pró-Proposição 8. Veja reportagem (em inglês) com vídeo.

Inconformado e sem entender o porquê de toda essa sandice, um católico que doou US$ 20 mil a favor da Proposição 8 escreveu protesto solidário a A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Leia (em inglês) aqui.

Os élderes Dallin H. Oaks, do Quórum dos Doze, e Lance B. Wickman, dos Setenta, deram entrevista em que falam sobre a Proposta 8.

Comentário interessante que li em uma comunidade do Orkut:

“Os mais liberais (homosexuais), que cobram das pessoas uma mente aberta e sem preconceitos e levantam a bandeira da aceitação e da igualdade, estão dando uma bela demonstração de como lidar com os que não aceitam sua maneira de ser.”

É o velho “faça o que digo, mas não faça o que faço”. Isso tem um nome: hipocrisia.

[ATUALIZAÇÃO, 15/nov/2008]: A Primeira Presidência da Igreja emitiu nota oficial em que diz:

Desde quando o povo da Califórnia votou por reafirmar a santidade do casamento tradicional entre homem e mulher, em 4 de novembro de 2008, locais de adoração têm sido alvo de opositores da Proposição 8 com protestos e, em alguns casos, vandalismo. Pessoas de fé têm sido intimidadas por simplesmente exercer seus direitos democráticos. Estas não são ações dignas dos ideais democráticos de nossa nação. O fim de uma eleição livre e justa não deve ser o início de uma resposta hostil nos EUA.

A Igreja tem plena consciência das diferenças de opinião neste assunto sensível e difícil. Os motivos desta posição em defesa do casamento já foram divulgados. No entanto, parte do que temos visto desde que os californianos votaram a favor da Proposição 8 tem sido profundamente desapontador.

Ataques a igrejas e intimidação a pessoas de fé não têm lugar no discurso civil sobre questões controversas. Pessoas de fé têm o direito democrático de expressar sua visão em praça pública sem temer represálias. Esforços para tirar cidadãos da discussão pública devem ser deplorados por pessoas de boa vontade em todo lugar.

Conclamamos os que têm discordâncias honestas sobre o assunto a desencorajar a prática de atos extremos por alguns que estão polarizando ainda mais nossas comunidades e fazer com que ajam em espírito de respeito mútuo e civilidade uns para com os outros.

[ATUALIZAÇÃO, 3/dezembro/2008]: O site do jornal Los Angeles Times publicou ontem opinião do editor em que se diz abismado com a reação ilógica e incoerente dos gays e liberais californianos contra a Igreja, considerando que, se a iniciativa de incentivar firmemente seus membros a apoiar a Proposição 8 tivesse vindo, por exemplo, dos judeus, não só não teria havido tamanha revolta dos gays e liberais como também, se tivesse havido, a reação da sociedade teria sido bem mais pungente. Ele se pergunta o porquê dessa diferença de tratamento e pondera: “É que os mórmons são a mais vulnerável das denominações religiosas culturalmente conservadoras e, portanto, o alvo mais fácil para uma campanha organizada contra a liberdade de consciência religiosa”. A leitura do artigo completo é altamente recomendável para ampliar a compreensão da questão.

 

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