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Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.
É nesses termos que o artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela ONU em 10 de dezembro de 1948, define a liberdade de religião e de opinião.
A questão da liberdade religiosa é extremamente complexa e delicada. Complexa porque a compreensão desse tema depende de uma abordagem interdisciplinar e, por conseguinte, de incursões que vão além da ciência jurídica (direito), envolvendo também história, teologia, antropologia, ciência da religião e filosofia. Delicada porque revela o desafio de se conviver num mundo plural, em que a intolerância religiosa ainda está presente em vários países do mundo, como China, Paquistão, Irã e Arábia Saudita.
Mas, mesmo em países que se orgulham em ostentar o estandarte da liberdade religiosa, a questão começa a preocupar por haver grupos e organizações empenhados em retroceder a evolução social aos níveis de séculos atrás, em que as pessoas não podiam professar livremente suas crenças sob risco de serem presas e condenadas.

Élder Dallin H. Oaks, do Quórum dos Doze Apóstolos |
O élder Dallin H. Oaks (foto), membro do Quórum dos Doze Apóstolos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, alertou recentemente para o fato de que a liberdade religiosa nos EUA está sendo ameaçada por forças sociais que intimidam pessoas que desejam expressar publicamente seus pontos de vista religiosos.
Tendo estado na linha de frente da observação do que chama de “significativa deterioração do respeito à liberdade religiosa” na vida pública, o élder Oaks falou recentemente a estudantes do campus de Idaho da Brigham Young University sobre a importância de preservar as liberdades religiosas garantidas pela constituição americana.
Antes de ser chamado para servir como membro do Quórum dos Doze, o élder Oaks teve uma brilhante carreira no Direito. Serviu como juiz da Corte Suprema do Estado de Utah, foi professor da Escola de Direito da Universidade de Chicago e da Escola de Direito J. Reuben Clark da Brigham Young University. Foi também secretário do juiz Earl Warren, da Suprema Corte dos EUA.
Em sua palestra aos estudantes da BYU, ele comparou os incidentes ocorridos por ocasição da aprovação da Proposição 8 na Califórnia (que baniu o casamento homossexual naquele estado) à amplamente condenada intimidação sobre eleitores negros em estados do sul daquele país.
Ele disse que os membros da Igreja não devem se sentir coagidos a manter-se em silêncio por causa de ameaças. “Temos que insistir em nosso direito constitucional e no dever de exercer nossa religião, de votar de acordo com nossa consciência em questões públicas e de participar de eleições e debates públicos e nas salas de justiça”.
O élder Oaks disse que a liberdade religiosa está sendo ameaçada por alegações de novos supostos direitos humanos. Como exemplo, citou um conjunto de princípios publicados por um grupo internacional de defesa dos direitos humanos que pressiona governos a assegurar que todas as pessoas tenham o direito de praticar suas crenças religiosas independente de sua opção ou identidade sexual. O élder Oaks disse: “Isso aparemente propõe que os governos exijam das igrejas que ignorem as diferenças de gênero. Qualquer esforço no sentido de pressionar governos a invadir religiões e passar por cima de doutrinas religiosas deve ser combatido por todos os praticantes”.
Nesse sentido, ele deu cinco conselhos aos membros da Igreja:
- Falar com amor e mostrar paciência, compreensão e compaixão pelos que têm pontos de vista diferentes;
- Não se deixar coagir pela intimidação de opositores, insistindo que as igrejas e seus membros devem poder falar de seus pontos de vista sem retaliações;
- Insistir na liberdade de pregar as doutrinas de sua fé;
- Ser sábio no ativismo político, mantendo uma postura respeitosa em relação a quem não compartilha de sua crença e contribuindo com um debate razoável;
- Ter cuidado de nunca apoiar ou atuar em favor da idéia de que uma pessoa precisa assumir um conjunto específico de crenças religiosas para que lhe seja permitido qualificar-se a algum ofício público.
“Os valores religiosos e as realidades políticas estão tão interligados na origem e na perpetuação desta nação que não podemos perder a influência do Cristianismo na area pública sem ameaçar seriamente nossas liberdades”, disse o élder Oaks. “Insisto que este é um fato político, bem qualificado para a discussão no cenário público por religiosos cuja liberdade de crer e agir precisa sempre ser protegida pelo que pode ser apropriadamente chamado de ‘Primeira Liberdade’, o livre exercício da religião”. (Veja transcrição do pronunciamento completo do élder Oaks.)
Um amigo residente nos EUA manifestou-se alarmado com a perspectiva de aprovação de projeto de lei que inclui homossexuais na definição de crimes de ódio. Para ele, isso eventualmente poderá trazer graves consequências à Igreja, que não aceita a filiação formal de homossexuais praticantes.
Quando lhe perguntei o porquê de tanta preocupação, ele explicou:
No Canadá existe uma lei muito parecida com esta e um pastor de uma igreja deu um discurso dizendo que homossexualismo era pecado. Uma organização de gays soube disso e processou o pastor e sua igreja.
Aqui nos EUA, nossa Igreja está sendo muito perseguida pelos gays e pelos que apóiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A Igreja foi e está sendo muito perseguida, especialmente na Califórnia, pois ela incentivou seus membros a contribuir para uma organização ecumênica contra o casamento gay.
Essa nova lei, que se espera passar e ser promulgada, poderá impedir que a Igreja impeça gays casados de entrar no templo ou que se fale no púlpito contra o homossexualismo. Bastará um bispo de uma ala qualquer proferir um discurso que diga que homossexualismo é pecado e, se na congregação houver um simpatizante gay, aquele bispo e a Igreja poderão ser levados à justiça. O movimento gay é muito organizado e tem um apoio financeiro quase ilimitado. Eles estão sempre procurando uma brecha na lei para processar nossa Igreja e essa lei poderá ser a brecha que tanto buscam. Poderão nos acusar de discriminação e perseguição e, se perdermos, poderíamos até perder nossa condição de isentos de impostos.
Aqui nos EUA, muitas vezes, organizações financeiramente poderosas levam pessoas ou outras organizações à justiça e ganham a causa. Por que ganham? Porque a defesa pode custar milhões de dólares e a pessoa ou organização acusada às vezes vai à falência no processo. Na maioria dos casos, não existe justiça de fato e de direito, quem ganha a causa é quem tem mais dinheiro para contratar o melhor advogado.
Existe uma organização aqui nos EUA que é conhecida pela sigla ACLU (American Civil Liberties Union). A ACLU é uma organização de esquerda, ultra-liberal, que certamente irá defender a causa gay. Essa organização defende causas de direitos humanos. Ela tem um apoio financeiro sem limites e tem por hábito processar igrejas e organizações que supostamente violam prováveis direitos humanos. Essa organização é responsável pela proibição de orações nas escolas e qualquer menção religiosa, mesmo em redações. Uma criança pode fazer uma redação falando de Satanás, mas é proibida de fazer uma redação falando de Jesus Cristo, mesmo como personalidade histórica. Ultimamente estão tentando retirar uma cruz que está no meio de um deserto na Califórnia que foi erigida 75 anos atrás em homenagem aos combatentes mortos em guerras passadas. A cruz está num terreno de propriedade do governo e, portanto, devido à separação entre religião e estado, dizem que a cruz é inconstitucional. Devido a essa organização, não é mais permitido monumentos aos Dez Mandamentos que antes eram costumeiros nas cortes americanas. Governos estaduais estão gastando milhões de dólares na remoção e reconstrução de lugares que antes tinham uma lápide ou monumento que continham as placas dos Dez Mandamentos e outros símbolos de conotação religiosa. Uma organização como essa, se estivesse no Rio de Janeiro, por exemplo, iria processar o governo e obrigá-lo a retirar o Cristo Redentor do Corcovado por estar em terras públicas.
A separação entre estado e religião na constituição dos EUA tinha como finalidade proibir que o governo criasse uma religião oficial, como havia na Inglaterra, e não para proibir qualquer menção religiosa em propriedades públicas. Naquela época, na Inglaterra, se um individuo não fosse anglicano, perderia o direito inclusive a possuir propriedades. Aqui nos EUA, no sul do pais, antes da promulgação da Constituição, não era permitido que católicos possuissem terras. De fato, desde a primeira reunião do congresso americano, em 1776, se faz uma oração de abertura. Se a constituição tivesse a intenção de proibir qualquer menção religiosa, a oração teria sido a primeira coisa abolida, mas até hoje a tradição é levada a cabo. A ACLU cada vez mais está tirando Deus do governo e do povo, estão tentando até retirar a frase “In God We Trust” das notas de dinheiro.
A declaração de independencia dos EUA diz: “We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness”. Veja a menção ao Criador na declaração. Todos os homens são criados iguais e dotados pelo seu Criador.
As coisas aqui cada vez mais estão sendo deturpadas, dando uma interpretação diferente da original.
Creio que deu pra entender as consequências que esta lei poderá trazer à nossa Igreja e à demais nos EUA.
Minha resposta a ele:
Ficou faltando contar alguns detalhes relevantes: tudo bem que o pastor e a igreja canadenses foram processados, mas foram condenados? Se sim, recorreram? A coisa já foi para última instância? Qual foi o resultado?
Por que essa tal ACLU não tenta processar os autores da Bíblia também?
Olha, não vejo como quem quer que seja consiga forçar a Igreja a aceitar o que não quer. Podem até tentar, mas daí a conseguir vai uma distância. E eu DUVIDO que o Senhor permita isso! Se a Igreja fosse uma organização de homens eu nem diria nada, mas não é.
E, mesmo que Ele permita, algum sábio propósito Dele deverá haver.
Em qualquer dos casos, não vejo motivo para alarme. Ele está no comando. Então, confiemos Nele e sigamos em frente. Como o próprio Senhor disse: “se estiverdes preparados, não temereis” (D&C 38:30, veja também este discurso do Pres. Gordon B. Hinckley).
Tags: ACLU, American Civil Liberties Union, casamento gay, casamento homossexual, Dallin H. Oaks, liberdade religiosa, Proposição 8, religião
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SALT LAKE CITY, 26 de maio de 2009 — A decisão de hoje da Suprema Corte da Califórnia é bem vinda. O problema resolvido pela corte era se os cidadãos da Califórnia expressaram de forma válida seu direito de apoiar sua própria constituição para definir o casamento como sendo entre um homem e uma mulher. A corte reafirmou categoricamente a ação deles.
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias reconhece os sentimentos profundamente defendidos por ambos os lados, mas afirma enfaticamente sua crença de que o casamento deve ser entre homem e mulher. A sólida instituição do casamento entre homem e mulher tem profundas implicações em nossa sociedade. Tais implicações vão desde o que é ensinado a nossas crianças nas escolas às liberdades individuais e coletivas de expressão e prática religiosa.
De acordo com isso, a Igreja mantém-se firme no que crê ser o melhor para a saúde e o bem estar da sociedade como um todo. Ao fazê-lo, novamente reafirma que todos somos filhos de Deus e merecemos ser tratados com respeito. A Igreja crê que o debate sério sobre tais problemas não é ajudado quando elementos extremos dos lados do debate demonizam um ao outro.
Original em inglês neste artigo da Sala de Imprensa da Igreja.
Tags: casamento gay, Proposição 8
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O mundo testemunhou fatos históricos esta semana. O mais significativo deles foi a eleição de Barack Obama para presidente dos Estados Unidos. Aproveitando o dia de eleição, um grupo de Estados americanos incluiu no pleito de terça-feira (5) propostas sobre diversos assuntos, incluindo mudanças na legislação sobre aborto, drogas, educação e casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em três desses Estados — Califórnia, Flórida e Arizona —, a maioria da população optou por dizer não ao casamento gay. No caso da Califórnia, cerca de 52% dos eleitores decidiram aprovar a inclusão na Constituição estadual da seguinte frase: “Apenas o casamento entre um homem e uma mulher é válido e reconhecido na Califórnia”. Ao todo, 27 Estados americanos já haviam proibido o casamento gay antes desta eleição, casamento que havia sido legalizado na Califórnia pela Suprema Corte estadual em junho.
Inconformados, cerca de dois mil homossexuais californianos organizaram muitos protestos contra a proibição, conhecida como Proposition Nº 8. Parte desses protestos concentrou-se ao redor do Templo de Los Angeles, provocando o fechamento temporário do templo. Os manifestantes gritavam palavras de ordem contra a Igreja por ter apoiado a Proposta 8 e incentivado os membros a apoiá-la inclusive com doações financeiras. Os membros californianos da Igreja atenderam ao chamado da Primeira Presidência e, segundo estimativas, doaram ao todo cerca de US$ 20 milhões à causa vencedora. Por isso, os homossexuais revoltados acusam a Igreja de ter comprado o resultado, dentre outras calúnias bem menos suaves.
No cerco que promoveram ao Templo de Los Angeles, os enraivecidos defensores da causa gay picharam e escalaram seus muros gritando “Vergonha!” e “Fanáticos!”. O site do jornal Los Angeles Times publicou dezenas de fotos dos manifestantes escalando os muros do templo, fazendo sinais e, nos casos mais inflamados, sendo presos pela polícia. De acordo com notícias, um ativista gay ligou para o templo dizendo que estariam protestando do lado de fora em caráter permanente enquanto o casamento gay não fosse legalizado. Dentre as pichações no muro do templo lia-se “Voltem para Utah” e “Mórmons vão para o inferno”.
Ainda segundo notícias, os manifestantes prometeram perseguir a Igreja, atacar sua condição de isenta de impostos e infernizar a vida dos membros que fizeram doações em dinheiro à causa anti-casamento gay, relacionados no site Mormonsfor8.com.
Um artigo do site FamilyLeader.info conta que um membro da Igreja residente na área comentou o episódio dizendo: “Não entendo bem a reposta de nossa polícia (embora eu mesmo seja policial). Se isso estivesse acontecendo em uma sinagoga de judeus ou em uma igreja católica, estaríamos prendendo pessoas por crime de ódio. Tal como as coisas estão neste momento, os manifestantes estão sentados no muro do templo e a polícia está no chão, do lado de dentro. Membros da Igreja em nossa região foram convocados na noite passada para irem à sede da estaca e passarem a noite lá para proteger o edifício do vandalismo — é como se fosse há 150 anos”.
Curiosamente, a política de raivosa intimidação promovida pelos ativistas gays contra a Igreja deixou de lado todas as demais agremiações religiosas que também apoiaram a Proposta 8. Embora nenhum prédio de outras igrejas tenha sido atacado como foi o Templo de Los Angeles, gays e aliados têm destilado veneno contra cristãos de modo geral.
Um artigo do site WorldNetDaily.com observa que blogs gays têm efervescido em ameaças contra os que professam crença em Cristo. “Queimem suas igrejas e depois cobrem impostos das cinzas”, escreveu um ativista gay em um blog. Em outro, alguém disse: “Espero que os anti-8 tenham facas bem grandes”. Escreveu-se também: “Alguém na Califórnia poderia botar fogo nos templos mórmons de lá, POR FAVOR? Falo sério! Façam isso!”
Ameaças contra a vida também foram feitas pelos gays, segundo o WorldNetDaily. Um deles disse: “Creia-me: tenho uma longa lista de nomes de mórmons e católicos que foram grandes apoiadores da Proposta 8… Aconselho-os a tomarem cuidado”. Outro escreveu: “Se você estiver planejando um casamento heterossexual na Califórnia… esteja preparado para enfrentar os piqueteiros. Designem alguém para tomar conta do estacionamento… Vocês terão muitas despesas inesperadas. Adicionem US$ 500 a seu orçamento para segurança… Estejam preparados para colocar flores em outros locais além da recepção… ou para um gosto esquisito no bolo de casamento. Tenham medo. Tenham muito medo. Estamos em toda parte”.
Em Salt Lake City, cidade onde se situa a sede da Igreja, também houve hostilidades contra ela. Segundo este artigo (com vídeo) do KLS.com, entre 3 e 5 mil pessoas se concentraram ao redor da Praça do Templo gritando ofensas contra a Igreja. Testemunhas disseram que houve quem fizesse ameaças de morte ao Presidente da Igreja, Thomas S. Monson.
Mas entre os gays também há pessoas de bom senso que, embora aborrecidas, condenam tais atitudes extremadas. De acordo com o artigo do WorldNetDaily, Matt Barber, diretor de assuntos culturais do Liberty Counsel, chamou as ameaças de “crimes de ódio” por seu intento de gerar violência contra alguém por causa de sua crença e convocou o Human Rights Project, o National Gay and Lesbian Task Force e “outros líderes dentro do lobby homossexual” a incentivar o fim de tais ameaças.
Jacob Whipple, organizador da manifestação de Salt Lake City, teve que se desculpar pelos ânimos exaltados de alguns. “Peço desculpas. Isso passou um pouco do limite. Não quero ferir sentimentos de qualquer lado do problema”. Um membro do legislativo do Estado de Utah lembrou à multidão que o mundo os estava observando. “Que protestemos com civilidade e respeito, pois apreciamos a liberdade de religião e de expressão”.
Em resposta aos prostestos, a Igreja pronunciou-se dizendo:
É perturbador que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tenha sido a única a levantar a voz como parte de seu direito democrático em uma eleição livre.
Os membros da Igreja na Califórnia e milhões de outros de todas as religiões, etnias e afiliações políticas que votaram a favor da Proposição 8 exerceram o mais sacrossanto e individual direito dos Estados Unidos: o de livre expressão e voto.
Apesar de aqueles que discordam de nossa posição terem o direito de fazerem seus sentimentos serem conhecidos, é errado transformar a Igreja e seus lugares sagrados de adoração em alvo, já que são parte do processo democrático.
Novamente, conclamamos aos envolvidos no debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo a agir em espírito de respeito mútuo e civilidade uns para com os outros. Ninguém, em nenhum dos lados da questão, deve ser difamado, perseguido ou submetido a informação errônea.
Sensibilizada por tais eventos, a Igreja Católica Apostólica Romana prestou apoio formal a A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias na luta pela família e contra o casamento gay.
Agora, a minha opinião.
Ódio não é coisa de Deus. Quem quer que o promova está a serviço do inimigo de Deus, que é Satanás. Mesmo quem não acredita em Deus (ou em Satanás) sabe que fomentar o ódio é errado. Essa não é a maneira certa de se lutar por um ideal.
Se a lista de igrejas e instituições que apoiaram a Proposta 8 tem várias páginas de extensão — batistas, católicos, episcopais, protetantes, cristãos sem denominação específica, judeus, negros, etc. —, por que só nós é que estamos sendo alvo do ódio gay? Por quê só um pequeno grupo em particular tem que estar sob ataque quando a maioria de uma população expressou sua opinião através de uma eleição livre?
Nós, membros da Igreja, somos ensinados a votar e agir de acordo com os ditames de nossa consciência e concedemos a todos o mesmo direito.
Tenho amigos gays e por eles sinto amor fraternal. Não concordo com o estilo de vida deles e eles sabem disso, mas nem por isso perco o respeito por eles. Na Igreja somos ensinados a amar os pecadores, mas não o pecado.
Acredito que os gays e seus aliados que deixaram sua indignação transformar-se em vandalismo acabaram prestando um desserviço à própria causa. O pedido de Matt Barber, as desculpas de Jacob Whipple e as palavras do legislador de Utah são prova disso.
Pessoalmente, fiquei satisfeito em saber que a Proposição 8 foi aceita e a Constituição da Califórnia terá a inclusão da definição de casamento como sendo apenas entre um homem e uma mulher. Meus motivos para isso estão claramente expostos em meu artigo Por que sou contra o casamento gay. A diferença é que, se minha causa tivesse saído perdedora, como a deles saiu, eu não iria para a rua vandalizar os gays nem escreveria ameaças contra eles em blogs. Por mais antinatural e atentador contra as leis de Deus eu ache que é o homossexualismo e por mais que me sinta incomodado pela atitude gay de tentar impor sua vontade à força e no berro, isso não me dá o direito de querer fazer o mesmo. O que vimos nessas manifestações foi claramente a poderosa e perniciosa influência de Satanás na vida de pessoas sem Deus.
Por lei, a Igreja tem o direito de se manifestar em questões de ordem moral. E é também o que faço neste blog. Foi o que fiz quando me manifestei contra o casamento gay ao vivo em rede nacional de TV. Dentro dos limites estabelecidos pelas leis de Deus e dos homens, todos temos o direito de manifestar nossas idéias. Mas o que os gays fizeram ultrapassou em muito esses limites. Tais atitudes devem ser condenadas e reprimidas. Se acham que têm o direito de lutar pela aprovação de seus valores pela lei dos homens (já que jamais conseguirão mudar as leis de Deus em favor de seus interesses), devem fazê-lo na arena correta: a dos poderes legislativo e judiciário. Foi exatamente isso o que a Igreja fez. Essa é a maneira certa. Se uma guerra não pode ser evitada, que seja de idéias, não de pedras. Convoco meus irmãos homossexuais a fazerem o mesmo. O espaço para comentários deste artigo está aberto para isso.
[ATUALIZAÇÃO, 10/nov/2008]: Meu amigo Oswaldo de Moura mandou-me artigo escrito por um oficial da polícia de Los Angeles, Paul Bishop, que é membro da Igreja e que participou do trabalho de vigiar os protestos dos gays. Ele resumiu o que viu, ouviu, sentiu e aprendeu com as manifestações de ódio dos gays e de seus aliados e, no fim, dá conselhos de deslumbrande beleza e inspiração sobre como lidar com esse tipo de oposição — conselhos que me fizeram perceber que preciso me arrepender em alguns pontos.
Leia o artigo completo (em inglês), ilustrado com diversas fotos, em www.ldsmag.com/ideas/081110hate.html.
[ATUALIZAÇÃO, 14/nov/2008]: Enquanto mais capelas estão sendo vandalizadas, vidros quebrados, muros pichados e outras coisas mais nos estados de Utah e da Califórnia, um envelope branco contendo um pó branco foi encontrado em meio à correspondência endereçada ao Templo de Salt Lake. Os bombeiros foram chamados, o templo foi evacuado e pessoas que tocaram o envelope estão sendo examinadas enquanto não se sabe o que o envelope contém. Outro envelope com pó branco foi enviado ao Templo de Los Angeles. A polícia e o FBI estão investigando o caso. Veja reportagem (em inglês) com vídeo. Há também reportagens em português das agências Reuters e Associated Press.
Sete localidades e edifícios já foram queimados desde 16 de agosto em Brigham City, no norte de Utah, cidade fundada por Brigham Young onde se concentra grande grupo de descendentes dos pioneiros e é a cidade natal do Élder Boyd K. Packer, do Quórum dos Doze, e também onde o Pres. Lorenzo Snow está enterrado. Os silos de grãos incendiados e outras duas propriedades são de pessoas que doaram dinheiro para a campanha pró-Proposição 8. Veja reportagem (em inglês) com vídeo.
Inconformado e sem entender o porquê de toda essa sandice, um católico que doou US$ 20 mil a favor da Proposição 8 escreveu protesto solidário a A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Leia (em inglês) aqui.
Os élderes Dallin H. Oaks, do Quórum dos Doze, e Lance B. Wickman, dos Setenta, deram entrevista em que falam sobre a Proposta 8.
Comentário interessante que li em uma comunidade do Orkut:
“Os mais liberais (homosexuais), que cobram das pessoas uma mente aberta e sem preconceitos e levantam a bandeira da aceitação e da igualdade, estão dando uma bela demonstração de como lidar com os que não aceitam sua maneira de ser.”
É o velho “faça o que digo, mas não faça o que faço”. Isso tem um nome: hipocrisia.
[ATUALIZAÇÃO, 15/nov/2008]: A Primeira Presidência da Igreja emitiu nota oficial em que diz:
Desde quando o povo da Califórnia votou por reafirmar a santidade do casamento tradicional entre homem e mulher, em 4 de novembro de 2008, locais de adoração têm sido alvo de opositores da Proposição 8 com protestos e, em alguns casos, vandalismo. Pessoas de fé têm sido intimidadas por simplesmente exercer seus direitos democráticos. Estas não são ações dignas dos ideais democráticos de nossa nação. O fim de uma eleição livre e justa não deve ser o início de uma resposta hostil nos EUA.
A Igreja tem plena consciência das diferenças de opinião neste assunto sensível e difícil. Os motivos desta posição em defesa do casamento já foram divulgados. No entanto, parte do que temos visto desde que os californianos votaram a favor da Proposição 8 tem sido profundamente desapontador.
Ataques a igrejas e intimidação a pessoas de fé não têm lugar no discurso civil sobre questões controversas. Pessoas de fé têm o direito democrático de expressar sua visão em praça pública sem temer represálias. Esforços para tirar cidadãos da discussão pública devem ser deplorados por pessoas de boa vontade em todo lugar.
Conclamamos os que têm discordâncias honestas sobre o assunto a desencorajar a prática de atos extremos por alguns que estão polarizando ainda mais nossas comunidades e fazer com que ajam em espírito de respeito mútuo e civilidade uns para com os outros.
[ATUALIZAÇÃO, 3/dezembro/2008]: O site do jornal Los Angeles Times publicou ontem opinião do editor em que se diz abismado com a reação ilógica e incoerente dos gays e liberais californianos contra a Igreja, considerando que, se a iniciativa de incentivar firmemente seus membros a apoiar a Proposição 8 tivesse vindo, por exemplo, dos judeus, não só não teria havido tamanha revolta dos gays e liberais como também, se tivesse havido, a reação da sociedade teria sido bem mais pungente. Ele se pergunta o porquê dessa diferença de tratamento e pondera: “É que os mórmons são a mais vulnerável das denominações religiosas culturalmente conservadoras e, portanto, o alvo mais fácil para uma campanha organizada contra a liberdade de consciência religiosa”. A leitura do artigo completo é altamente recomendável para ampliar a compreensão da questão.
Tags: Barack Obama, Califórnia, casamento gay, católica, Igreja, Jesus Cristo, Los Angeles, mórmon, Proposition nº 8, Santos dos Últimos Dias, templo
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Eu pretendia publicar este artigo somente quando estivesse de posse da cópia do vídeo do programa, pois queria editá-lo para divulgar apenas os trechos relevantes de minha participação. Como estou na dependência do envio da cópia que um amigo de São Paulo gravou e não sei quando a receberei dele, resolvi publicar o artigo primeiro e incluir o vídeo depois.
[ATUALIZADO em 8 de setembro: Os vídeos já estão disponíveis no fim do artigo.]
Então, como diz o Castelo Rá-Tim-Bum, “senta que lá vem a história“.
Era 7:20 h da noite do último dia 4 de abril, sexta-feira. Eu estava ocupado com um de meus muitos afazeres no computador quando recebi por e-mail o aviso de que um novo comentário havia sido feito em meu antigo artigo “Diga NÃO ao casamento gay” (posteriormente substituído pelo “Por que sou contra o casamento gay“). O comentário dizia:
Olá, Marcelo. Por favor, entre em contato comigo.
Sobre o remetente, eu só sabia que se chamava Ana Paula. Respondi para o e-mail fornecido dizendo “Eis-me aqui. ”.
Dois dias depois, a surpresa:
Sou do programa Superpop, da Luciana Gimenez. Nesta quinta-feira
(próxima) vamos fazer um programa debate sobre o casamento gay. Poderia
participar? Precisamos de alguém com opinião a respeito... O que acha?
Se puder, me passa seu contato para poder te explicar melhor a pauta.
Respondi confessando-me lisonjeado pelo convite, mas esclarecendo que eu não estava em São Paulo, e sim a milhares de quilômetros de distância, e não acreditava que a produção do programa me mandaria passagens de ida e volta.
E não é que mandou?
Claro que houve uma boa quantidade de negociação antes de meu embarque. Primeiro, Ana Paula pediu para ver fotos minhas. Depois, foram vários telefonemas de lado a lado e até uma espécie de entrevista, na qual queria que eu lhe explicasse “ao vivo” o porquê de minha posição contrária ao casamento gay. Mesmo não sabendo o que mais eu poderia acrescentar além do que escrevi em meu artigo, ela queria ouvir a explanação de minha própria boca. Depois, disse ter achado importante ouvir de mim coisas como “eu acho”, “eu creio”, “para mim” — indicando que eu estava expressando opiniões pessoais e não fazendo uma pregação religiosa, na qual realmente não estavam interessados. É exatamente o que faço em meu artigo e foi o que chamou a atenção deles desde o início.
Ana Paula explicou também que a produção queria realizar um debate de alto nível e garantiu-me que não haveria qualquer “barraco” no programa. Respondi dizendo que eu seria o primeiro a não ir caso houvesse esse risco. Ela achou o nível de minha conversa equiparável ao pretendido para o debate, que seria levantado em função da transmissão ao vivo, dentro do Superpop, de uma cerimônia matrimonial gay. Era intenção da produção fazer-me estar acompanhado de outros opositores do casamento gay, que também foram convidados.
Finalizando, ela disse que levaria suas impressões a meu respeito para a direção do programa e perguntou-me se, na hipótese de o envio das passagens ser aprovado, eu realmente iria.
Até chegar a esse ponto, eu já tinha refletido bastante sobre a possibilidade de aceitar o convite. Achei que seria uma oportunidade de ouro de prestar meu testemunho pessoal do Evangelho de Jesus Cristo e de dizer às pessoas que creio existir um modelo de vida melhor que qualquer coisa oferecida pelo mundo. Eu já tinha feito várias consultas a nosso Pai Celestial em busca de Sua opinião. Tinha até conversado com meus líderes do sacerdócio e com o diretor regional de assuntos públicos da Igreja e de nenhum deles ouvi algo como “não vá”. Posso afirmar, com toda segurança, que me senti em paz em todas as minhas ponderações e orações sobre essa possibilidade. Por essa razão, dei à Ana Paula um sim como resposta.
Enquanto isso, comecei a comentar esses fatos com minha família. Tanto minha mulher quanto minha mãe mostraram-se receosas quanto a possíveis reações adversas vindas da comunidade gay. Nunca tive esse medo, pois sempre tratei o assunto com o respeito que os gays merecem e não via porquê desta vez deveria ser diferente. Mas isso não as tranqüilizou. Temiam que o barraco que me foi garantido que não aconteceria durante o programa acontecesse depois. Temiam até por minha integridade física. Mas nenhuma delas manifestou franca oposição a meu comparecimento ao programa.
Elas não eram as únicas com tais receios. Em uma comunidade do Orkut para membros da Igreja, várias pessoas tentaram me desencorajar. E também não faltaram críticas e deboches vindos de opositores da Igreja. Parte do deboche veio de uma atéia que disse: “Todo circo precisa de um palhaço. Honestamente, acho que o Marcelo foi chamado lá pra fazer esse papel. Ele var ser zoado”. Uma outra pessoa disse: “Vou rachar o bico de tanto rir do quanto ele vai se dar mal”. Parecia consenso entre todos que eu estava para ser massacrado e exposto ao ridículo.
Como foi bom provar que estavam todos errados!
Dois dias antes da viagem, Ana Paula ligou novamente dizendo que o diretor havia autorizado o envio das passagens. Reafirmei meu compromisso em comparecer ao programa. Eu realmente estava tranqüilo e sentia que não havia nada a temer.
Na noite anterior à viagem, recebi dela o localizador das passagens, com o qual fiz o checkin no site da companhia aérea e imprimi os cartões de embarque — aliás, o sistema é fantástico, pois dispensa o passageiro da obrigatoriedade de entrar na fila do checkin no balcão da empresa no aeroporto e permite que vá direto para a sala de embarque.
Satisfeito, procurei as duas mulheres de minha vida para contar que já estava com os cartões de embarque em mãos. Parece que foi só então que a ficha caiu na cabeça delas. “Ele vai mesmo!”, devem ter pensado. E o que antes era uma mera recomendação para que desistisse da idéia passou a assumir contornos de drama familiar. Insistiam que eu seria ridicularizado, humilhado, escarnecido e que isso poderia ir além de meros ataques verbais. Estavam levando isso a sério e, diante do que lhes pareceu desprezo meu por sua preocupação, sentiram-se ofendidas.
A coisa só piorou na manhã da viagem. Ouvi delas coisas que me deixaram muito triste, todas baseadas na certeza do cumprimento de suas profecias apocalipticas. O mal-estar entre nós foi tamanho que, mesmo já estando com os cartões de embarque em mãos, hotel reservado e com a produção do programa à minha espera, cheguei a considerar a possibilidade de desistir da viagem em prol da paz e da harmonia familiar. Eu detestaria sair em meio àquele mal-estar.
Poucas horas antes do embarque, liguei para a casa de Ana Paula dizendo: “Estou com um problema”. Relatei-lhe todo o ocorrido e perguntei que grande prejuízo haveria se eu não fosse ao programa. Nervosa, respondeu que poderia até perder o emprego se isso acontecesse, pois ela foi a porta-voz de minha palavra e seu diretor confiou nisso. Realmente, seria terrível quebrar minha promessa, obrigando alguém a encarar o risco de ir para o olho da rua por isso. Por outro lado, estava sendo terrível viver aquele drama dentro de casa.
Mas que sinuca!
Embora eu continuasse em paz com a idéia de participar do programa, não tive alternativa senão fazer o que sei que tenho o direito de fazer nesses momentos: pedir socorro a nosso sábio e onisciente Pai Celestial. Como é bom poder contar com a ajuda de um Pai que tudo sabe e tudo pode!
De joelhos, aos pés de minha cama, escancarei-Lhe meu coração e minha angústia. Disse-Lhe que, apesar de tudo, eu ainda queria muito ir, pois acreditava que aquela poderia ser uma oportunidade ímpar de lembrar a uma parte do mundo que a vida não se resume a seguir modismos inconseqüentes. Mesmo assim, eu estava disposto a abrir mão dessa oportunidade se Ele julgasse a viagem inoportuna devido ao problema em casa.
Foi então que, mais uma vez, vi cumprir-se a promessa feita pelo Senhor em D&C 9:8:
Mas eis que eu te digo que deves estudá-lo bem em tua mente; depois me deves perguntar se está certo e, se estiver certo, farei arder dentro de ti o teu peito; portanto sentirás que está certo.
Isso explica porquê criei coragem para enfrentar o ranger de dentes familiar e honrar o compromisso assumido com a Rede TV. Já que, para isso, eu estava criando um problema em casa, minha única saída seria fazer todo possível para que tudo aquilo valesse a pena.
O resultado foi visto ao vivo por milhões de pessoas, inclusive pelas que me aconselharam a desistir e pelas que debocharam de mim. Nenhum dos temores e das profecias apocalípticas se cumpriu. O programa transcorreu na mais perfeita e absoluta tranqüilidade e com um incomum nível de civilidade, conforme a própria Luciana reconheceu no ar três vezes (veja no vídeo).
Para mim, não foi nenhuma surpresa. Primeiro, porque era o que eu sentia. Segundo, porque não fui ao programa munido da intenção de condenar, criticar, desafiar, provocar e criar antagonismos. Ao invés, entrei no estúdio após ter me trancado no banheiro e feito uma última prece humilde ao Senhor pedindo-Lhe serenidade e inspiração, razão pela qual minha disposição era a de construir sobre bases comuns e oferecer um convite à reflexão sobre a possibilidade de haver um modelo de matrimônio melhor, que é o oferecido pelo Senhor e que explico em meu artigo “Por que sou contra o casamento gay“.
Como diz o velho ditado, “quando um não quer, dois não brigam”.
Quando cheguei ao hotel, já de madrugada, senti-me inundado por uma profunda sensação de alegria e satisfação espiritual pelo cumprimento do propósito de fazer com que alguns pelo menos ficassem com uma pulga atrás da orelha. Já mais calma e aliviada, minha mulher ligou para contar que (ao contrário do que havia dito) assistiu o programa e gostou de ver que não aconteceu nada do que temia. Fui dormir naquela noite sentindo-me muito satisfeito.
O resultado foi tão positivo que, na tarde seguinte, Ana Paula me ligou novamente agradecendo muito minha ida ao programa e dizendo que outras oportunidades poderão surgir. Choveram e-mails e telefonemas de congratulações e agradecimentos, inclusive de gente que nem conheço. É claro que houve críticas também, pois é impossível agradar a gregos e troianos — mas, felizmente, a quantidade de críticas não foi sequer próxima de ser considerada significativa e em sua maioria veio de opositores da Igreja.
Minha única ressalva a respeito do programa fica por conta da repetição da pergunta “você aprova o casamento gay?” feita por Luciana aos vários entrevistados participantes da festa do casal gay. Ora, se estavam lá para prestigiar o evento, que se poderia esperar que respondessem?
Curiosidades de bastidores
Antes de começar o programa, fiquei em uma sala esperando alguém da produção vir conversar comigo. O programa que estava no ar naquele momento era o TV Fama, apresentado pela ex-atriz global Adriana Lessa (foto), pela ex-BBB Íris Stefanelli e por Nelson Rubens. Por ser quinta-feira, às 20:30 h começou o horário político, então os apresentadores tiveram 10 minutos de intervalo. Adriana Lessa passou em frente à sala onde eu estava. Eu quis vê-la de perto quando voltasse, então fiquei à porta. Quando isso aconteceu, pude confirmar algo de que eu desconfiava sempre que a via na tela: ela é muito bonita! E é também mais alta do que parece: de salto, ficou quase da minha altura — e tenho 1,88 m. Como não sou tiete, não a parei para pedir autógrafo ou para tirar foto com ela. Eu simplesmente queria vê-la de perto. Dei-me por satisfeito.
- Vi Íris Stefanelli também, que foi tomar água no bebedor em frente à sala. Entre as duas, gostei mais de Adriana — até porque é o nome da minha mulher.
- Não vi Nelson Rubens. Acho que não perdi nada.
- Depois do programa, Luciana me perguntou: “O que os mórmons fazem de diferente?” Respondi que eu teria muito mais para contar do que seria possível fazer em cinco minutos (ela estava se preparando para gravar), mas que, se tivesse interesse, poderia começar sua pesquisa solicitando o vídeo do cartão de amizade que saquei do bolso da camisa — o mesmo que distribuí para vários membros da equipe de produção. Lamentei-me por não ter saído de casa com um bolo maior de cartões, eu queria tê-los distribuído a mais gente.
- Aliás, com aquele tamanho todo, me pergunto por quê Luciana quer usar salto alto. Ficou mais alta que eu! Será que é para meter medo em alguém?
- O maquiador me enganou! Ele aplicou um laquê em meu cabelo garantindo que não ficaria duro. Quando saí do programa, parecia que eu estava usando uma peruca de concreto!
- O estúdio do Superpop é pequeno, mas bem montado. Gostei da produção e da organização do programa — vê-se que não é coisa de amadores. Mas, também, esta é a opinião de um leigo e não sei se quem é da área pensaria o mesmo.
- A Rede TV não tem instalações nababescas e observa-se um tanto de improviso em várias partes. Mas os profissionais são dedicados e conseguem realizar um bom trabalho.
- A gerente de produção me contou que muitos são os contrários ao casamento gay (inclusive dentre os próprios gays!!!) e que vários representantes dessa corrente foram convidados a participar do programa junto comigo para expôr suas idéias. Mas fui o ÚNICO que teve a coragem de mostrar a cara (as possíveis razões para isso também estão explicadas no artigo “Por que sou contra o casamento gay“). Ela me parabenizou pela coragem — que não é o adjetivo que explica melhor minha atitude: como contei mais acima, eu estava me sentindo em paz. Essa paz é fruto da segurança advinda da vivência do Evangelho. Como o próprio Senhor disse: “se estiverdes preparados, não temereis” (D&C 38:30, veja também este discurso do Pres. Gordon B. Hinckley).
- Pude ver que a produção da Rede TV usa tecnologia Apple!
- Beto Sato — conhecido ativista da causa gay que participou do programa junto comigo — e um amigo dele me acompanharam no carro da emissora que me levou ao hotel após o programa. No caminho, Beto fez-me diversas perguntas interessantes sobre a Igreja e o Evangelho. A que me chamou mais a atenção foi feita depois que expliquei que, na segunda vinda do Salvador Jesus Cristo ao mundo, toda iniqüidade será varrida da Terra e o mundo voltará a ser como era no Jardim do Éden em termos de pureza e retidão. Então ele perguntou: “Se eu, sendo gay, estiver vivendo uma vida honrada e honesta, que acontecerá comigo?” Dei-lhe a única resposta possível: “Não sei. Essa é uma decisão que caberá ao Senhor. Não posso julgar por Ele”. Beto e o amigo também ficaram com um cartão de amizade que lhes dei. A motorista que nos conduzia fez questão de ficar com um também.
- Ainda sobre o Beto, acho importante dizer que, nos momentos em que tive oportunidade de estar com ele e conversar, senti haver um espírito nobre dentro dele. É uma pessoa bem humorada, agradável, afável e articulada. Despedi-me dele com um abraço fraternal, desejando ter um dia a chance de continuar a conversa. Espero sinceramente que peça o vídeo do cartão que lhe dei.
Para encerrar, quero deixar registrado meu agradecimento à Ana Paula, à gerente de produção Cláudia e à assistente Priscila (com seu interessantíssimo celular-walkie-talkie preto permanentemente pregado ao ouvido), que foram meus anjos da guarda durante minha permanência nas dependências da emissora. Priscila, aquele lanche que você me trouxe estava ótimo!
[ATUALIZAÇÃO em 8 de setembro: veja abaixo os trechos mais relevantes de minha participação no programa.]
Parte 1:
Parte 2:
Parte 3:
Tags: Adriana Lessa, Beto Sato, casamento gay, Evangelho, homossexual, homossexualidade, homossexualismo, Íris Stefanelli, Jesus Cristo, Luciana Gimenez, Rede TV, Superpop
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Publicado por Marcelo Todaro e arquivado em Diário pessoal
Última atualização: 18 de julho de 2010
Este artigo foi escrito em substituição ao “Diga NÃO ao casamento gay”, que escrevi há cinco meses e que retirei do blog. Senti a necessidade de reescrevê-lo depois de minha participação no programa Superpop, de Luciana Gimenez, que foi ao ar ao vivo pela Rede TV há dois dias (10 de abril). A partir de quando a produção convidou-me para participar de um debate sobre o casamento gay devido a minha posição abertamente contrária a ele, precisei refletir e orar muito em preparação a isso. Foi quando percebi que o artigo original não expressava muito bem o que tenho a dizer sobre o assunto.
Eis, portanto, a versão 2.0 de meus pensamentos e sentimentos sobre o tema.
Tal como no artigo anterior, eu gostaria de começar explicando minha posição contrária ao casamento gay dirigindo algumas palavras a eles primeiro.
Uma palavra aos gays
Antes de mais nada, gostaria de lhes deixar claro o seguinte:
Não os odeio nem tenho qualquer preconceito contra vocês!
Do contrário, estaria demonstrando não ter aprendido nada nas quase três décadas em que sou membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
O Evangelho de Jesus Cristo nos ensina a amar nossos semelhantes. Não me seria possível obedecer esse mandamento e, ao mesmo tempo, ter preconceito contra os gays. Seria incoerência e hipocrisia. Preconceito é sintoma de falta de amor e de vivência do Evangelho. Não é meu caso.
Isto posto, quero que saibam que meu propósito com este artigo é usufruir do mesmo direito à liberdade de expressão do qual vocês usufruem ao levantar suas bandeiras coloridas nas espalhafatosas paradas gays ao redor do mundo. Como tenho esse direito tanto quanto vocês, não me condenem por dizer o que penso. Não fazem vocês também o mesmo?
Se quiserem entender meu ponto de vista, por favor, leiam este artigo até o fim.
Deus não criou três sexos
Repare nos animais na Natureza, homem inclusive. Salvo raras exceções (os seres hermafroditas, por exemplo), a anatomia favorece a cópula apenas entre macho e fêmea. Os órgãos sexuais de ambos foram desenvolvidos para funcionar um com o outro. Não é o caso do que acontece entre dois machos e muito menos entre duas fêmeas. Esse fator por si só já é um forte indício de que nunca foi intenção do Criador que houvessem relações homossexuais ou homoafetivas. Essa conclusão inclusive é referendada por estudiosos que concluíram que ninguém nasce gay, como o sociólogo americano John Gagnon (leia entrevista dele publicada pela revista Época em 8 de maio de 2006).
Mas então por que o homossexualismo existe? Não sabemos, e talvez não venhamos a saber nesta vida, como disse o Élder Jeffrey R. Holland, do Quórum dos Doze Apóstolos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, no artigo Ajudar Os Que Lutam Contra a Atração pelo Mesmo Sexo publicado na revista A Liahona de outubro de 2007 (versão em PDF da revista pode ser baixada aqui). Só o que sabemos é que Deus não criou três sexos, e sim dois. Isso é tudo o que me limitarei a dizer.
O motivo pelo qual sou contra o casamento gay é puramente espiritual. Diz respeito ao conhecimento que tenho do que foi dito pelo Senhor Jesus Cristo nas escrituras, antigas e modernas, e no que Ele continua dizendo com Sua própria boca e voz (literalmente) hoje em dia.
O primeiro casamento
Creio firmemente ser verdadeiro o relato bíblico do Jardim do Éden e de Adão e Eva. Segundo esse relato, Adão e Eva foram dados por Deus em casamento um ao outro (veja Gênesis 2:18–25; Moisés 3:18–25; Abraão 5:14–21). Ali foi estabelecido o padrão Dele de casamento: homem com mulher. Em lugar algum das Escrituras (antigas ou modernas) lemos que em alguma época Ele tenha dado dois homens ou duas mulheres em casamento. Não há evidência escriturística alguma de que Ele aprova esse tipo de união (mas há várias evidências em contrário: Lev. 18:22; 20:13; Deut. 23:17; Isa. 3:9; Rom. 1:27; I Cor. 6:9–10; I Tim. 1:9–10; Jud. 1:7).
Como até então Adão e Eva eram imortais, esse casamento deveria durar para sempre. Foi nessa condição que receberam de Deus o mandamento de crescer, multiplicar e encher a Terra. Mesmo depois da introdução da morte no mundo em virtude da Queda de Adão, o modelo de casamento eterno dado por Deus permaneceu em vigor. Ele determinou que, mediante a obediência às leis e ordenanças do Evangelho, a perpetuação do relacionamento familiar mesmo após a morte se tornaria possível.
Aqueles que se dispõem a moldar suas vidas conforme o modelo estabelecido pelo Evangelho têm, dentre muitas gloriosas promessas, a de que seus relacionamentos familiares não precisam terminar com a morte do corpo físico. Isso significa que, quando marido e mulher que se amam fazem convênios especiais com Deus, seu casamento poderá durar para além desta vida, e não só “até que a morte os separe”. Esses convênios não podem ser feitos entre dois homens ou duas mulheres.
Os filhos nascidos sob esse convênio podem ser unidos aos pais também pela eternidade, de modo que os laços familiares não serão quebrados caso cada indivído mantenha-se fiel até o fim aos convênios feitos com Deus. Isso significa que os pais podem ter seus filhos pela eternidade, e estes os deles, e assim por diante, se cada qual fizer sua parte.
Creio que todos os que lêem este artigo devem amar seus filhos (caso os tenham) e seus pais. Então, que tal tê-los como seus filhos e pais pela eternidade? Ou que tal ter a pessoa amada a seu lado também pela eternidade? Se você responder que isso seria bom, então saiba que, para ser possível receber de Deus tal bênção, é preciso fazer as coisas à maneira Dele. E a maneira Dele não prevê a união entre pessoas do mesmo sexo.
O mandamento dado por Ele a Seus filhos para que se multiplicassem e enchessem a Terra continua em vigor. Homossexuais não podem desfrutar desse privilégio e, portanto, perdem bênçãos.
Além disso, Deus ordenou que os poderes sagrados de procriação sejam empregados somente entre homem e mulher, legalmente casados.
A família, segundo o padrão estabelecido no Jardim do Éden, foi ordenada por Deus. O casamento entre o homem e a mulher é essencial para Seu plano eterno. Os filhos têm o direito de nascer dentro dos laços do matrimônio e de ser criados por pai e mãe que honrem os votos matrimoniais com total fidelidade. A felicidade na vida familiar é mais provável de ser alcançada quando fundamentada nos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo — os quais não prevêem a opção do casamento gay.
A união civil homossexual, qualquer que seja seu propósito, quebra o modelo familiar de Deus. Gays e lésbicas que desejam ter filhos continuarão dependendo de quem possa fazer o que eles e elas não querem: gerar filhos. Querem ter filhos, mas não querem gerá-los. Não parece insensato e contraditório?
“Mas o que você tem a ver com isso?”
Você pode argumentar que, apesar de todas essas advertências, é seu direito optar pelo que melhor lhe convier. Está correto. Nunca poderei interferir em seu livre arbítrio, como nosso Pai também não interfere.
Mas isso não me impede de me importar e me incomodar com as escolhas que você fizer por dois motivos:
- Eu sinceramente desejo, do fundo de meu coração, que meus irmãos e irmãs homossexuais sejam herdeiros das mesmas bênçãos e promessas que me empenho em conquistar. Se o casamento gay for legalizado e eles se atrelarem a mais essa prática, ficará ainda mais difícil para eles conquistar essas bênçãos. Não lhes desejo isso.
- Também não desejo que a sociedade encare como normal e legal (mais) essa violação da lei de Deus. Às vezes me pergunto que critérios a sociedade usa para decidir qual dessas violações deverá tornar-se legal só porque uma minoria assim o quer (“minoria” não no sentido pejorativo, por favor!). Tome como exemplo o caso de um casal de irmãos com quatro filhos que luta para legalizar o incesto. Se a moda pega, daqui a pouco outras minorias — pedófilos, adúlteros, homicidas, traficantes de drogas/crianças/mulheres/órgãos humanos, contrabandistas, sonegadores de impostos, fanáticos religiosos… — vão querer que as leis sejam mudadas em favor de seus interesses. Tanto é verdade que isso já está acontecendo na Holanda, país que legalizou o casamento gay: sob a égide do jargão gay de que “qualquer forma de amor é válida” e reivindicando liberdade e diversidade, alguns holandeses fundaram um partido que pretende legalizar a pedofilia e a pornografia infantil, que, segundo eles, é somente mais uma forma de expressão de amor. Na opinião deles, as crianças também “amam” e a sexualidade delas foi reprimida pelos padrões e regras da sociedade, dos quais pretendem libertar as crianças. Não foi sob o mesmíssimo argumento da “liberdade e diversidade” que começou a história do casamento gay? Por que os gays podem e os pedófilos não, sendo que a violação aos mandamentos de Deus é a mesma? Dois pesos e duas medidas? (Não adianta contra-argumentar dizendo que os pedófilos são doentes. Tanto quanto os gays, os pedófilos não se acham doentes e, portanto, sentem-se igualmente no direito de lutar por seus “direitos”.)
Repudio veementemente o conceito geralmente aceito pela sociedade para justificar o casamento gay de que o amor é o que vale. Tenta-se até usar Deus nessa justificativa com o fragilíssimo argumento de que “Deus é amor”. É verdade que Ele é amor, mas também é verdade que Ele não é contra Seus próprios princípios. Sua misericórdia jamais suplantará Sua justiça. O amor, por si só, está bem longe de ser suficiente como justificativa para o casamento entre iguais pelo ponto de vista de Deus. Se assim não fosse, que problema haveria em legalizar o incesto e a pedofilia dos exemplos acima?
Até quando a sociedade vai achar que pode ignorar o que Deus REALMENTE pensa a respeito (e não o que ela quer ou espera que Ele pense) sem sofrer as conseqüências disso?
Como eu disse mais acima, a felicidade na vida familiar é mais provável de ser alcançada quando fundamentada nos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo — os quais não prevêem a opção do casamento gay.
Se, apesar de tudo, os homossexuais quiserem continuar unindo-se num tipo de matrimônio diferente do estabelecido por Ele, têm a liberdade de desejá-lo. Mas não podem esperar que Deus os abençôe. Se acham que podem viver sem isso, são livres para tentar. Mas não deve ser difícil imaginar que uma vida destituída das bênçãos e do favor de nosso Pai Celestial deve ser uma vida que, quando comparada à que poderiam ter, é vazia, com alegrias efêmeras, conquistas temporárias e recompensas que não satisfazem mais do que por um momento de sua existência mortal.
Queridos irmãos e irmãs homossexuais, a vida não precisa ser assim!
Além do mais, apelar para o caráter supostamente laico do Estado a fim de exigir a legalização do casamento gay poderá surtir efeito imediato, mas não permanente. Isso por um motivo bem simples: daqui a algum tempo o mundo será governado por uma teocracia. Isso ocorrerá quando o Salvador Jesus Cristo retornar para governar pessoalmente. Quando isso acontecer, tudo que não estiver de acordo com Suas leis será eliminado — o que inclui casamentos gays. Esse tipo de união sempre esteve e continua condenada à extinção. Portanto, para quê começar agora o que terá que ser desfeito depois?
Mais uma vez: não me censurem por dizer o que penso. Não sou seu inimigo, portanto não há razão para que sejam de mim. Devo-lhes amor, o mesmo que o Senhor nos ordenou ter uns pelos outros. É justamente por isso que lhes deixo o conselho de voltarem-se para Ele para que desfrutem das bênçãos de uma vida vivida sob os preceitos de Seu Evangelho. Só assim é que terão alegria e felicidade duradouras, e não passageiras. Isso é o que lhes desejo de todo coração.
Uma palavra aos demais
Se pararmos para pensar, fora do Evangelho de Jesus Cristo realmente não há motivos convincentes para nos opormos ao casamento gay. Não fosse pelo Evangelho, muito provavelmente eu também estaria levantando uma bandeira a favor da causa gay e teria ido ao programa da Luciana Gimenez para aplaudi-los. É justamente isso o que faz quem desconhece o Evangelho (se conhece, não o entende; se entende, não o vive). Por isso, todo o barulho feito pela comunidade gay acaba ocupando dentro das pessoas o espaço que deveria estar preenchido pelo Evangelho. Eis porquê a ideologia gay conquista mais e mais a simpatia da sociedade.
Nos bastidores do Superpop, a gerente de produção me contou que são muitos os contrários ao casamento gay (inclusive dentre os próprios gays!!!) e que vários representantes dessa corrente foram convidados a participar do programa junto comigo para expôr suas idéias. Mas fui o ÚNICO que teve a coragem de mostrar a cara.
Por que o restante se acovardou?
Não sei. Uma possível causa é a apontada pelo Élder Holland no artigo mencionado mais acima. Ele diz: “(…) é da natureza humana que as pessoas, quando se deparam com uma situação complexa, tendam a evitá-la. Isso é verdade, particularmente quanto à atração pelo mesmo sexo. Temos tão poucas informações confiáveis a respeito disso que os que desejam ajudar sentem-se um tanto inseguros.”
Não evitei e não evito a situação por um motivo bem simples: a vivência do Evangelho traz-me segurança, paz e confiança para enfrentar os desafios da vida. Quem não deve, não teme. Não tenho medo de dizer que o casamento gay — e o próprio homossexualismo em si — é contrário aos mandamentos de Deus e, portanto, pecado. Não fui eu quem quis que fosse assim. Se há quem acha que alguém deve ser responsabilizado por isso, deverá responsabilizar o próprio Deus (caso tenha essa audácia), não a mim. Eis porquê senti-me tremendamente à vontade diante das câmeras em rede nacional ao vivo para expôr a todo o país meus motivos para ser contra o casamento gay.
Mesmo que os contrários não compreendam muito bem os motivos que os levam a sentir que a união entre pessoas do mesmo sexo é um erro, é improvável que consigam algo pelo qual não se manifestam. Portanto, qualquer que seja seu motivo, se você acha que o casamento gay é um erro que deve ser evitado a todo custo…
…então mexa-se!
Que nossa voz também seja ouvida. Não defendo uma abordagem agressiva como a deles, com espalhafato, ousadia e ameaças. Devemos, contudo, sincera e honestamente, fazer chegar a quem de direito nossa voz. Falemos aos que elaboram as leis, aos que governam a nível local, estadual e nacional, aos administradores de escolas e a todos os formadores de opinião em qualquer esfera.
Lembremo-nos, principalmente, dos políticos. São eles, no final, os responsáveis por aprovar tudo o que vira lei. Mandemos-lhes cartas, faxes, e-mails, expressando-lhes nossa vontade e lembrando-os de que não terão nosso voto se não nos ouvirem. O voto ainda é nossa melhor arma, já que o Estado se declara laico (apenas quando lhe convém) e argumentos baseados em religião não são tão eficazes quanto deveriam — este é um caso que demonstra porquê o caráter supostamente laico do Estado pode ser uma maldição ao invés de bênção e porquê nenhum Estado será laico quando Cristo voltar.
Se desejar algo em que se inspirar nessa batalha, recomendo a leitura do artigo “Oposição ao mal”, de Gordon B. Hinckley, que se encontra na edição de setembro de 2004 da revista A Liahona, que pode ser baixada em versão PDF aqui.
Este artigo representa um pequeno esforço no sentido de cumprir a admoestação do Pres. Hinckley. Se você tem bons argumentos adicionais contra o casamento gay e desejar contribuir com meu esforço, não deixe de expressar seus pensamentos na área reservada a comentários, abaixo. Obrigado.
Tags: Adão, casamento, casamento gay, eternidade, Eva, Evangelho, família, gay, homossexual, homossexualismo, Jardim do Éden, Jesus Cristo, lesbianismo, união civil homossexual
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