Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes

Posts Tagged “Evangelho”

Sou uma pessoa deveras ocupada. Minha única e principal ferramenta de trabalho — o computador — geralmente fica ligada cerca de 17 horas por dia. As outras 7 costumam ser as horas que passo dormindo. Ou seja, do momento em que acordo até o momento de dormir, o computador trabalha sem parar, seja no desempenho de meu trabalho ou, em bem menor escala, na leitura de notícias ou em algo que me relaxe a mente. É óbvio que tenho minhas pausas para refeições, lanches, cochilos, família, saídas para resolver pepinos na rua, etc. — do contrário, já teria desenvolvido uma bela Lesão por Esforços Repetitivos (LER) — e justamente por isso é que preciso estender minhas horas de trabalho até tarde da noite para dar conta de tudo que me proponho a fazer.

Enquanto estou trabalhando preciso manter um elevado nível de concentração, o que, não raro, drena boa parte de minhas energias. Nesses momentos, costumo esquecer tudo que não diga respeito ao foco de minha atenção. O esquecimento não é voluntário, e sim fruto da necessidade de manter-me concentrado. O problema é que essa concentração costuma durar a maior parte dessas 17 horas diárias de atividade, de modo que, às vezes, outras necessidades são involuntariamente deixadas de lado. Não raro, isso gera atritos familiares quando tende-se a achar que meus esquecimentos são intencionais ou fruto de uma suposta indiferença de minha parte.

Quando cheguei para a primeira das reuniões dominicais na Igreja, nesta manhã, dei-me conta de que havia esquecido uma importante prioridade: estudar o capítulo de hoje do manual Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith (o conteúdo do manual, com texto em PDF e áudio em MP3, pode ser acessado aqui). Isso porque passei boa parte do sábado anterior concentrado em uma importante atividade ao computador — não era trabalho, mas era voltada a atender uma necessidade familiar — e pouca coisa além disso encontrou espaço em minha mente. Quando a hora de me recolher chegou, eu estava mentalmente exausto demais para tirar algum proveito do necessário estudo diário do Evangelho (que inclui o manual a que me refiro acima), que também exige concentração para que seja proveitosa.

Quando me dei conta disso, esta manhã, um sinal de advertência acendeu-se em minha mente. Senti-me mal por ter esquecido de estudar a lição de hoje do manual, até porque eu poderia muito bem ter sido requisitado para dá-la na classe do sacerdócio caso houvesse um desfalque de professor. Como membro do sumo-conselho de minha estaca, é minha responsabilidade estar sempre com lições e discursos preparados na eventualidade de ser necessário substituir um professor ou discursante faltoso. E hoje falhei com essa responsabilidade.

Ponderando a respeito, percebi que, nos últimos tempos, as distrações têm se colocado à minha frente em maior volume e com mais insistência. Infelizmente, o evento de hoje não foi único, mas precisa ser o último.

É sabido que essa é uma das táticas usadas pelo inimigo — que não é imaginário nem figurativo, mas bem real — para distrair nossa atenção e, em última instância, nos afastar do Espírito e de Deus. Sabemos que ele não descansa enquanto não consegue nos fazer cair. No caso de um irmão bem próximo a mim, essa queda foi e está sendo dramática e traumática para ele e sua família. E é justamente isso que nosso inimigo quer: tornar-nos tão miseráveis quanto ele próprio (veja 2 Néfi 2:27).

Se não tomarmos cuidado, o estudo do Evangelho ficará cada vez mais em planos inferiores. Esse pode ser o primeiro passo na direção do pecado e/ou da apostasia.

Tudo isso passou-me pela mente enquanto ponderava. Assustei-me com o tamanho do risco ao qual estava me expondo sem perceber. Que bom que acordei em tempo.

Durante o Sacramento de hoje, pedi ao Senhor perdão e ajuda para resistir às distrações que estavam começando a me fazer esquecer a necessidade de manter um estudo regular e consistente do Evangelho. Em resposta, o Senhor inundou-me com um sentimento de paz e de que meus pecados estavam perdoados, mas deixou em minha mente um alerta muito claro: “Se não te acautelares, cairás”.

Fico feliz e grato por saber que sou digno da atenção e do amoroso cuidado do Senhor e que Ele me aconselha pessoalmente sobre os rumos que devo tomar. Este blog e meu diário pessoal reservado estão repletos de relatos de interações Dele comigo, demonstrando que vale a pena manter-se digno da intercessão Dele em nosso favor. Se posso neste momento deixar com o leitor um conselho é o de que vale a pena voltar-se para Deus, mudar de vida e ser digno das bênçãos que, de outra forma, não se obtém. Faça o teste e diga-me depois se não tenho razão!

Tags:, , , , , , ,

Comments Nenhum comentário »

O que você vê ao lado é o recibo de pagamento do primeiro dízimo de meu filho, Giancarlo, de 4 anos. O recibo foi preenchido por ele mesmo. É claro que a iniciativa não foi dele, pois há poucas coisas na vida que ele já é capaz de compreender. Mas minha iniciativa tem o intuito de, no futuro, servir-lhe de lembrete da importância de obedecermos aos mandamentos de Deus e de nossa responsabilidade perante Ele de ensinar Seu Evangelho aos filhos.

Aceito sem reservas o dízimo como um mandamento de Deus. Cumpro-o fiel e integralmente. Já tive diversas demonstrações do cumprimento da promessa feita por Ele a quem paga o dízimo:

Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes.

E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos. (Malaquias 3:10-11)

Tenho uma marcante experiência que ilustra o cumprimento dessa promessa.

Em abril de 2003, a placa-mãe do computador portátil que eu usava para trabalhar foi danificada por um curto-circuito na fonte. A máquina já tinha três anos de uso. Além disso, a vida útil da bateria já havia terminado e passei alguns meses utilizando a máquina sem bateria mesmo. Uma nova custava algo em torno de 300 dólares (pela cotação da época, sairia por cerca de R$ 700, fora imposto de importação e frete) e eu não tinha esse dinheiro, nem mesmo para mandar consertar a máquina.

Minhas alternativas eram: ficar sem computador por não poder pagar uma pequena fortuna pelo conserto ou afundar-me ainda mais em dívidas para pagá-lo. Nenhuma das alternativas era boa e eu não via outras. Passei vários dias angustiado, sem saber o que fazer. Então resolvi recorrer ao Senhor em busca de socorro.

Minhas orações logo começaram a receber resposta. Passei a sentir-me mais aliviado e calmo em relação a essa aflição. A idéia de acionar o suporte do fabricante da máquina parou de causar-me arrepios pelo provável alto custo do reparo. Comecei a sentir que poderia confiar no Senhor para essa solução. Passei alguns dias ponderando a respeito dessas impressões até que decidi segui-las.

Antes de pegar o telefone e acionar o serviço de suporte, dobrei meus joelhos e disse ao Senhor o que estava prestes a fazer. Em resposta, senti-me absolutamente confortado. “Paz seja contigo. Confia em mim”, foram as palavras postas em minha mente naquele momento. Senti perfeita confiança no que estava por fazer, mesmo sem saber de antemão como poderia pagar pelo conserto. Imaginei que o Senhor providenciaria um meio de ganhar o dinheiro necessário para isso, talvez vendendo meus dicionários ou prestando algum serviço extra. Eu não sabia.

Fiquei sabendo semanas mais tarde. Através da secretária do gerente de suporte do fabricante, fui informado de que a troca do circuito danificado e da fonte de alimentação haviam sido aprovadas para serem feitas como se a máquina ainda estivesse na garantia, por algum misterioso motivo. Eis porquê o Senhor havia me dito que não me preocupasse: Ele havia preparado essa bênção para mim.

Por si só ela já era grande o bastante para me deixar prostrado perante Ele. Mesmo sem bateria, o importante era ter a máquina funcionando. Mas o tamanho da surpresa Dele para mim ainda estava para ser revelado.

Duas semanas depois da data estimada para a devolução da máquina, nem sinal dela. Liguei para o serviço de suporte pedindo notícias. Estavam aguardando a chegada de uma peça que tinham mandado importar. “Ué, mas a informação que me foi dada era de que a máquina já estava pronta!”, respondi à atendente. Foi então que ouvi a notícia que só não me fez cair de costas porque eu já estava sentado: a peça que haviam mandado importar, e que também foi incluída na garantia, era a bateria que eles não tinham obrigação nenhuma de trocar!

Atribuo essa bênção maravilhosa à obediência à lei do dízimo.

…e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu…

A melhor aula sobre o dízimo que já tive na vida foi dada pelo Élder Lynn G. Robbins, dos Setenta, na Conferência Geral de abril de 2005. Em seu discurso, ele deu uma bela lição sobre o assunto baseada no episódio bíblico da viúva de Sarepta, cuja leitura recomendo fortemente a quem quiser compreender melhor a importância da lei do dízimo e as bênçãos associadas a ela.

Eis porque estou ensinado esse princípio a meu filho desde sua tenra idade. Quero para ele as mesmas bênçãos que recebo e quero que sejam perpétuas. Que nosso Pai Celestial me ajude a incutir nele o sentimento de necessidade de ser-Lhe fiel até o fim.

Tags:, , , , ,

Comments 5 comentários »

Eu pretendia publicar este artigo somente quando estivesse de posse da cópia do vídeo do programa, pois queria editá-lo para divulgar apenas os trechos relevantes de minha participação. Como estou na dependência do envio da cópia que um amigo de São Paulo gravou e não sei quando a receberei dele, resolvi publicar o artigo primeiro e incluir o vídeo depois.

[ATUALIZADO em 8 de setembro: Os vídeos já estão disponíveis no fim do artigo.]

Então, como diz o Castelo Rá-Tim-Bum, “senta que lá vem a história“. :-)

Era 7:20 h da noite do último dia 4 de abril, sexta-feira. Eu estava ocupado com um de meus muitos afazeres no computador quando recebi por e-mail o aviso de que um novo comentário havia sido feito em meu antigo artigo “Diga NÃO ao casamento gay” (posteriormente substituído pelo “Por que sou contra o casamento gay“). O comentário dizia:

Olá, Marcelo. Por favor, entre em contato comigo.

Sobre o remetente, eu só sabia que se chamava Ana Paula. Respondi para o e-mail fornecido dizendo “Eis-me aqui. :-) ”.

Dois dias depois, a surpresa:

Sou do programa Superpop, da Luciana Gimenez. Nesta quinta-feira
(próxima) vamos fazer um programa debate sobre o casamento gay. Poderia
participar? Precisamos de alguém com opinião a respeito... O que acha?
Se puder, me passa seu contato para poder te explicar melhor a pauta.

Respondi confessando-me lisonjeado pelo convite, mas esclarecendo que eu não estava em São Paulo, e sim a milhares de quilômetros de distância, e não acreditava que a produção do programa me mandaria passagens de ida e volta.

E não é que mandou? :-)

Claro que houve uma boa quantidade de negociação antes de meu embarque. Primeiro, Ana Paula pediu para ver fotos minhas. Depois, foram vários telefonemas de lado a lado e até uma espécie de entrevista, na qual queria que eu lhe explicasse “ao vivo” o porquê de minha posição contrária ao casamento gay. Mesmo não sabendo o que mais eu poderia acrescentar além do que escrevi em meu artigo, ela queria ouvir a explanação de minha própria boca. Depois, disse ter achado importante ouvir de mim coisas como “eu acho”, “eu creio”, “para mim” — indicando que eu estava expressando opiniões pessoais e não fazendo uma pregação religiosa, na qual realmente não estavam interessados. É exatamente o que faço em meu artigo e foi o que chamou a atenção deles desde o início.

Ana Paula explicou também que a produção queria realizar um debate de alto nível e garantiu-me que não haveria qualquer “barraco” no programa. Respondi dizendo que eu seria o primeiro a não ir caso houvesse esse risco. Ela achou o nível de minha conversa equiparável ao pretendido para o debate, que seria levantado em função da transmissão ao vivo, dentro do Superpop, de uma cerimônia matrimonial gay. Era intenção da produção fazer-me estar acompanhado de outros opositores do casamento gay, que também foram convidados.

Finalizando, ela disse que levaria suas impressões a meu respeito para a direção do programa e perguntou-me se, na hipótese de o envio das passagens ser aprovado, eu realmente iria.

Até chegar a esse ponto, eu já tinha refletido bastante sobre a possibilidade de aceitar o convite. Achei que seria uma oportunidade de ouro de prestar meu testemunho pessoal do Evangelho de Jesus Cristo e de dizer às pessoas que creio existir um modelo de vida melhor que qualquer coisa oferecida pelo mundo. Eu já tinha feito várias consultas a nosso Pai Celestial em busca de Sua opinião. Tinha até conversado com meus líderes do sacerdócio e com o diretor regional de assuntos públicos da Igreja e de nenhum deles ouvi algo como “não vá”. Posso afirmar, com toda segurança, que me senti em paz em todas as minhas ponderações e orações sobre essa possibilidade. Por essa razão, dei à Ana Paula um sim como resposta.

Enquanto isso, comecei a comentar esses fatos com minha família. Tanto minha mulher quanto minha mãe mostraram-se receosas quanto a possíveis reações adversas vindas da comunidade gay. Nunca tive esse medo, pois sempre tratei o assunto com o respeito que os gays merecem e não via porquê desta vez deveria ser diferente. Mas isso não as tranqüilizou. Temiam que o barraco que me foi garantido que não aconteceria durante o programa acontecesse depois. Temiam até por minha integridade física. Mas nenhuma delas manifestou franca oposição a meu comparecimento ao programa.

Elas não eram as únicas com tais receios. Em uma comunidade do Orkut para membros da Igreja, várias pessoas tentaram me desencorajar. E também não faltaram críticas e deboches vindos de opositores da Igreja. Parte do deboche veio de uma atéia que disse: “Todo circo precisa de um palhaço. Honestamente, acho que o Marcelo foi chamado lá pra fazer esse papel. Ele var ser zoado”. Uma outra pessoa disse: “Vou rachar o bico de tanto rir do quanto ele vai se dar mal”. Parecia consenso entre todos que eu estava para ser massacrado e exposto ao ridículo.

Como foi bom provar que estavam todos errados! ;-)

Dois dias antes da viagem, Ana Paula ligou novamente dizendo que o diretor havia autorizado o envio das passagens. Reafirmei meu compromisso em comparecer ao programa. Eu realmente estava tranqüilo e sentia que não havia nada a temer.

Na noite anterior à viagem, recebi dela o localizador das passagens, com o qual fiz o checkin no site da companhia aérea e imprimi os cartões de embarque — aliás, o sistema é fantástico, pois dispensa o passageiro da obrigatoriedade de entrar na fila do checkin no balcão da empresa no aeroporto e permite que vá direto para a sala de embarque.

Satisfeito, procurei as duas mulheres de minha vida para contar que já estava com os cartões de embarque em mãos. Parece que foi só então que a ficha caiu na cabeça delas. “Ele vai mesmo!”, devem ter pensado. E o que antes era uma mera recomendação para que desistisse da idéia passou a assumir contornos de drama familiar. Insistiam que eu seria ridicularizado, humilhado, escarnecido e que isso poderia ir além de meros ataques verbais. Estavam levando isso a sério e, diante do que lhes pareceu desprezo meu por sua preocupação, sentiram-se ofendidas.

A coisa só piorou na manhã da viagem. Ouvi delas coisas que me deixaram muito triste, todas baseadas na certeza do cumprimento de suas profecias apocalipticas. O mal-estar entre nós foi tamanho que, mesmo já estando com os cartões de embarque em mãos, hotel reservado e com a produção do programa à minha espera, cheguei a considerar a possibilidade de desistir da viagem em prol da paz e da harmonia familiar. Eu detestaria sair em meio àquele mal-estar.

Poucas horas antes do embarque, liguei para a casa de Ana Paula dizendo: “Estou com um problema”. Relatei-lhe todo o ocorrido e perguntei que grande prejuízo haveria se eu não fosse ao programa. Nervosa, respondeu que poderia até perder o emprego se isso acontecesse, pois ela foi a porta-voz de minha palavra e seu diretor confiou nisso. Realmente, seria terrível quebrar minha promessa, obrigando alguém a encarar o risco de ir para o olho da rua por isso. Por outro lado, estava sendo terrível viver aquele drama dentro de casa.

Mas que sinuca!

Embora eu continuasse em paz com a idéia de participar do programa, não tive alternativa senão fazer o que sei que tenho o direito de fazer nesses momentos: pedir socorro a nosso sábio e onisciente Pai Celestial. Como é bom poder contar com a ajuda de um Pai que tudo sabe e tudo pode!

De joelhos, aos pés de minha cama, escancarei-Lhe meu coração e minha angústia. Disse-Lhe que, apesar de tudo, eu ainda queria muito ir, pois acreditava que aquela poderia ser uma oportunidade ímpar de lembrar a uma parte do mundo que a vida não se resume a seguir modismos inconseqüentes. Mesmo assim, eu estava disposto a abrir mão dessa oportunidade se Ele julgasse a viagem inoportuna devido ao problema em casa.

Foi então que, mais uma vez, vi cumprir-se a promessa feita pelo Senhor em D&C 9:8:

Mas eis que eu te digo que deves estudá-lo bem em tua mente; depois me deves perguntar se está certo e, se estiver certo, farei arder dentro de ti o teu peito; portanto sentirás que está certo.

Isso explica porquê criei coragem para enfrentar o ranger de dentes familiar e honrar o compromisso assumido com a Rede TV. Já que, para isso, eu estava criando um problema em casa, minha única saída seria fazer todo possível para que tudo aquilo valesse a pena.

O resultado foi visto ao vivo por milhões de pessoas, inclusive pelas que me aconselharam a desistir e pelas que debocharam de mim. Nenhum dos temores e das profecias apocalípticas se cumpriu. O programa transcorreu na mais perfeita e absoluta tranqüilidade e com um incomum nível de civilidade, conforme a própria Luciana reconheceu no ar três vezes (veja no vídeo).

Para mim, não foi nenhuma surpresa. Primeiro, porque era o que eu sentia. Segundo, porque não fui ao programa munido da intenção de condenar, criticar, desafiar, provocar e criar antagonismos. Ao invés, entrei no estúdio após ter me trancado no banheiro e feito uma última prece humilde ao Senhor pedindo-Lhe serenidade e inspiração, razão pela qual minha disposição era a de construir sobre bases comuns e oferecer um convite à reflexão sobre a possibilidade de haver um modelo de matrimônio melhor, que é o oferecido pelo Senhor e que explico em meu artigo “Por que sou contra o casamento gay“.

Como diz o velho ditado, “quando um não quer, dois não brigam”.

Quando cheguei ao hotel, já de madrugada, senti-me inundado por uma profunda sensação de alegria e satisfação espiritual pelo cumprimento do propósito de fazer com que alguns pelo menos ficassem com uma pulga atrás da orelha. Já mais calma e aliviada, minha mulher ligou para contar que (ao contrário do que havia dito) assistiu o programa e gostou de ver que não aconteceu nada do que temia. Fui dormir naquela noite sentindo-me muito satisfeito.

O resultado foi tão positivo que, na tarde seguinte, Ana Paula me ligou novamente agradecendo muito minha ida ao programa e dizendo que outras oportunidades poderão surgir. Choveram e-mails e telefonemas de congratulações e agradecimentos, inclusive de gente que nem conheço. É claro que houve críticas também, pois é impossível agradar a gregos e troianos — mas, felizmente, a quantidade de críticas não foi sequer próxima de ser considerada significativa e em sua maioria veio de opositores da Igreja.

Minha única ressalva a respeito do programa fica por conta da repetição da pergunta “você aprova o casamento gay?” feita por Luciana aos vários entrevistados participantes da festa do casal gay. Ora, se estavam lá para prestigiar o evento, que se poderia esperar que respondessem? ;-)

 

Curiosidades de bastidores

 

  • Antes de começar o programa, fiquei em uma sala esperando alguém da produção vir conversar comigo. O programa que estava no ar naquele momento era o TV Fama, apresentado pela ex-atriz global Adriana Lessa (foto), pela ex-BBB Íris Stefanelli e por Nelson Rubens. Por ser quinta-feira, às 20:30 h começou o horário político, então os apresentadores tiveram 10 minutos de intervalo. Adriana Lessa passou em frente à sala onde eu estava. Eu quis vê-la de perto quando voltasse, então fiquei à porta. Quando isso aconteceu, pude confirmar algo de que eu desconfiava sempre que a via na tela: ela é muito bonita! E é também mais alta do que parece: de salto, ficou quase da minha altura — e tenho 1,88 m. Como não sou tiete, não a parei para pedir autógrafo ou para tirar foto com ela. Eu simplesmente queria vê-la de perto. Dei-me por satisfeito.
  • Vi Íris Stefanelli também, que foi tomar água no bebedor em frente à sala. Entre as duas, gostei mais de Adriana — até porque é o nome da minha mulher. ;-)
  • Não vi Nelson Rubens. Acho que não perdi nada. :-)
  • Depois do programa, Luciana me perguntou: “O que os mórmons fazem de diferente?” Respondi que eu teria muito mais para contar do que seria possível fazer em cinco minutos (ela estava se preparando para gravar), mas que, se tivesse interesse, poderia começar sua pesquisa solicitando o vídeo do cartão de amizade que saquei do bolso da camisa — o mesmo que distribuí para vários membros da equipe de produção. Lamentei-me por não ter saído de casa com um bolo maior de cartões, eu queria tê-los distribuído a mais gente.
  • Aliás, com aquele tamanho todo, me pergunto por quê Luciana quer usar salto alto. Ficou mais alta que eu! Será que é para meter medo em alguém? ;-)
  • O maquiador me enganou! Ele aplicou um laquê em meu cabelo garantindo que não ficaria duro. Quando saí do programa, parecia que eu estava usando uma peruca de concreto!
  • O estúdio do Superpop é pequeno, mas bem montado. Gostei da produção e da organização do programa — vê-se que não é coisa de amadores. Mas, também, esta é a opinião de um leigo e não sei se quem é da área pensaria o mesmo.
  • A Rede TV não tem instalações nababescas e observa-se um tanto de improviso em várias partes. Mas os profissionais são dedicados e conseguem realizar um bom trabalho.
  • A gerente de produção me contou que muitos são os contrários ao casamento gay (inclusive dentre os próprios gays!!!) e que vários representantes dessa corrente foram convidados a participar do programa junto comigo para expôr suas idéias. Mas fui o ÚNICO que teve a coragem de mostrar a cara (as possíveis razões para isso também estão explicadas no artigo “Por que sou contra o casamento gay“). Ela me parabenizou pela coragem — que não é o adjetivo que explica melhor minha atitude: como contei mais acima, eu estava me sentindo em paz. Essa paz é fruto da segurança advinda da vivência do Evangelho. Como o próprio Senhor disse: “se estiverdes preparados, não temereis” (D&C 38:30, veja também este discurso do Pres. Gordon B. Hinckley).
  • Pude ver que a produção da Rede TV usa tecnologia Apple! :-)
  • Beto Sato — conhecido ativista da causa gay que participou do programa junto comigo — e um amigo dele me acompanharam no carro da emissora que me levou ao hotel após o programa. No caminho, Beto fez-me diversas perguntas interessantes sobre a Igreja e o Evangelho. A que me chamou mais a atenção foi feita depois que expliquei que, na segunda vinda do Salvador Jesus Cristo ao mundo, toda iniqüidade será varrida da Terra e o mundo voltará a ser como era no Jardim do Éden em termos de pureza e retidão. Então ele perguntou: “Se eu, sendo gay, estiver vivendo uma vida honrada e honesta, que acontecerá comigo?” Dei-lhe a única resposta possível: “Não sei. Essa é uma decisão que caberá ao Senhor. Não posso julgar por Ele”. Beto e o amigo também ficaram com um cartão de amizade que lhes dei. A motorista que nos conduzia fez questão de ficar com um também.
  • Ainda sobre o Beto, acho importante dizer que, nos momentos em que tive oportunidade de estar com ele e conversar, senti haver um espírito nobre dentro dele. É uma pessoa bem humorada, agradável, afável e articulada. Despedi-me dele com um abraço fraternal, desejando ter um dia a chance de continuar a conversa. Espero sinceramente que peça o vídeo do cartão que lhe dei.

Para encerrar, quero deixar registrado meu agradecimento à Ana Paula, à gerente de produção Cláudia e à assistente Priscila (com seu interessantíssimo celular-walkie-talkie preto permanentemente pregado ao ouvido), que foram meus anjos da guarda durante minha permanência nas dependências da emissora. Priscila, aquele lanche que você me trouxe estava ótimo! :-)

[ATUALIZAÇÃO em 8 de setembro: veja abaixo os trechos mais relevantes de minha participação no programa.]

Parte 1:

 

Parte 2:

 

Parte 3:

 

Tags:, , , , , , , , , , ,

Comments 54 comentários »

Última atualização: 18 de julho de 2010

Este artigo foi escrito em substituição ao “Diga NÃO ao casamento gay”, que escrevi há cinco meses e que retirei do blog. Senti a necessidade de reescrevê-lo depois de minha participação no programa Superpop, de Luciana Gimenez, que foi ao ar ao vivo pela Rede TV há dois dias (10 de abril). A partir de quando a produção convidou-me para participar de um debate sobre o casamento gay devido a minha posição abertamente contrária a ele, precisei refletir e orar muito em preparação a isso. Foi quando percebi que o artigo original não expressava muito bem o que tenho a dizer sobre o assunto.

Eis, portanto, a versão 2.0 de meus pensamentos e sentimentos sobre o tema.

Tal como no artigo anterior, eu gostaria de começar explicando minha posição contrária ao casamento gay dirigindo algumas palavras a eles primeiro.

 

Uma palavra aos gays

 
Antes de mais nada, gostaria de lhes deixar claro o seguinte:

Não os odeio nem tenho qualquer preconceito contra vocês!

Do contrário, estaria demonstrando não ter aprendido nada nas quase três décadas em que sou membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

O Evangelho de Jesus Cristo nos ensina a amar nossos semelhantes. Não me seria possível obedecer esse mandamento e, ao mesmo tempo, ter preconceito contra os gays. Seria incoerência e hipocrisia. Preconceito é sintoma de falta de amor e de vivência do Evangelho. Não é meu caso.

Isto posto, quero que saibam que meu propósito com este artigo é usufruir do mesmo direito à liberdade de expressão do qual vocês usufruem ao levantar suas bandeiras coloridas nas espalhafatosas paradas gays ao redor do mundo. Como tenho esse direito tanto quanto vocês, não me condenem por dizer o que penso. Não fazem vocês também o mesmo?

Se quiserem entender meu ponto de vista, por favor, leiam este artigo até o fim.

Deus não criou três sexos

Repare nos animais na Natureza, homem inclusive. Salvo raras exceções (os seres hermafroditas, por exemplo), a anatomia favorece a cópula apenas entre macho e fêmea. Os órgãos sexuais de ambos foram desenvolvidos para funcionar um com o outro. Não é o caso do que acontece entre dois machos e muito menos entre duas fêmeas. Esse fator por si só já é um forte indício de que nunca foi intenção do Criador que houvessem relações homossexuais ou homoafetivas. Essa conclusão inclusive é referendada por estudiosos que concluíram que ninguém nasce gay, como o sociólogo americano John Gagnon (leia entrevista dele publicada pela revista Época em 8 de maio de 2006).

Mas então por que o homossexualismo existe? Não sabemos, e talvez não venhamos a saber nesta vida, como disse o Élder Jeffrey R. Holland, do Quórum dos Doze Apóstolos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, no artigo Ajudar Os Que Lutam Contra a Atração pelo Mesmo Sexo publicado na revista A Liahona de outubro de 2007 (versão em PDF da revista pode ser baixada aqui). Só o que sabemos é que Deus não criou três sexos, e sim dois. Isso é tudo o que me limitarei a dizer.

O motivo pelo qual sou contra o casamento gay é puramente espiritual. Diz respeito ao conhecimento que tenho do que foi dito pelo Senhor Jesus Cristo nas escrituras, antigas e modernas, e no que Ele continua dizendo com Sua própria boca e voz (literalmente) hoje em dia.

O primeiro casamento

Creio firmemente ser verdadeiro o relato bíblico do Jardim do Éden e de Adão e Eva. Segundo esse relato, Adão e Eva foram dados por Deus em casamento um ao outro (veja Gênesis 2:18–25; Moisés 3:18–25; Abraão 5:14–21). Ali foi estabelecido o padrão Dele de casamento: homem com mulher. Em lugar algum das Escrituras (antigas ou modernas) lemos que em alguma época Ele tenha dado dois homens ou duas mulheres em casamento. Não há evidência escriturística alguma de que Ele aprova esse tipo de união (mas há várias evidências em contrário: Lev. 18:22; 20:13; Deut. 23:17; Isa. 3:9; Rom. 1:27; I Cor. 6:9–10; I Tim. 1:9–10; Jud. 1:7).

Como até então Adão e Eva eram imortais, esse casamento deveria durar para sempre. Foi nessa condição que receberam de Deus o mandamento de crescer, multiplicar e encher a Terra. Mesmo depois da introdução da morte no mundo em virtude da Queda de Adão, o modelo de casamento eterno dado por Deus permaneceu em vigor. Ele determinou que, mediante a obediência às leis e ordenanças do Evangelho, a perpetuação do relacionamento familiar mesmo após a morte se tornaria possível.

Aqueles que se dispõem a moldar suas vidas conforme o modelo estabelecido pelo Evangelho têm, dentre muitas gloriosas promessas, a de que seus relacionamentos familiares não precisam terminar com a morte do corpo físico. Isso significa que, quando marido e mulher que se amam fazem convênios especiais com Deus, seu casamento poderá durar para além desta vida, e não só “até que a morte os separe”. Esses convênios não podem ser feitos entre dois homens ou duas mulheres.

Os filhos nascidos sob esse convênio podem ser unidos aos pais também pela eternidade, de modo que os laços familiares não serão quebrados caso cada indivído mantenha-se fiel até o fim aos convênios feitos com Deus. Isso significa que os pais podem ter seus filhos pela eternidade, e estes os deles, e assim por diante, se cada qual fizer sua parte.

Creio que todos os que lêem este artigo devem amar seus filhos (caso os tenham) e seus pais. Então, que tal tê-los como seus filhos e pais pela eternidade? Ou que tal ter a pessoa amada a seu lado também pela eternidade? Se você responder que isso seria bom, então saiba que, para ser possível receber de Deus tal bênção, é preciso fazer as coisas à maneira Dele. E a maneira Dele não prevê a união entre pessoas do mesmo sexo.

O mandamento dado por Ele a Seus filhos para que se multiplicassem e enchessem a Terra continua em vigor. Homossexuais não podem desfrutar desse privilégio e, portanto, perdem bênçãos.

Além disso, Deus ordenou que os poderes sagrados de procriação sejam empregados somente entre homem e mulher, legalmente casados.

A família, segundo o padrão estabelecido no Jardim do Éden, foi ordenada por Deus. O casamento entre o homem e a mulher é essencial para Seu plano eterno. Os filhos têm o direito de nascer dentro dos laços do matrimônio e de ser criados por pai e mãe que honrem os votos matrimoniais com total fidelidade. A felicidade na vida familiar é mais provável de ser alcançada quando fundamentada nos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo — os quais não prevêem a opção do casamento gay.

A união civil homossexual, qualquer que seja seu propósito, quebra o modelo familiar de Deus. Gays e lésbicas que desejam ter filhos continuarão dependendo de quem possa fazer o que eles e elas não querem: gerar filhos. Querem ter filhos, mas não querem gerá-los. Não parece insensato e contraditório?

“Mas o que você tem a ver com isso?”

Você pode argumentar que, apesar de todas essas advertências, é seu direito optar pelo que melhor lhe convier. Está correto. Nunca poderei interferir em seu livre arbítrio, como nosso Pai também não interfere.

Mas isso não me impede de me importar e me incomodar com as escolhas que você fizer por dois motivos:

  1. Eu sinceramente desejo, do fundo de meu coração, que meus irmãos e irmãs homossexuais sejam herdeiros das mesmas bênçãos e promessas que me empenho em conquistar. Se o casamento gay for legalizado e eles se atrelarem a mais essa prática, ficará ainda mais difícil para eles conquistar essas bênçãos. Não lhes desejo isso.
  2. Também não desejo que a sociedade encare como normal e legal (mais) essa violação da lei de Deus. Às vezes me pergunto que critérios a sociedade usa para decidir qual dessas violações deverá tornar-se legal só porque uma minoria assim o quer (“minoria” não no sentido pejorativo, por favor!). Tome como exemplo o caso de um casal de irmãos com quatro filhos que luta para legalizar o incesto. Se a moda pega, daqui a pouco outras minorias — pedófilos, adúlteros, homicidas, traficantes de drogas/crianças/mulheres/órgãos humanos, contrabandistas, sonegadores de impostos, fanáticos religiosos… — vão querer que as leis sejam mudadas em favor de seus interesses. Tanto é verdade que isso já está acontecendo na Holanda, país que legalizou o casamento gay: sob a égide do jargão gay de que “qualquer forma de amor é válida” e reivindicando liberdade e diversidade, alguns holandeses fundaram um partido que pretende legalizar a pedofilia e a pornografia infantil, que, segundo eles, é somente mais uma forma de expressão de amor. Na opinião deles, as crianças também “amam” e a sexualidade delas foi reprimida pelos padrões e regras da sociedade, dos quais pretendem libertar as crianças. Não foi sob o mesmíssimo argumento da “liberdade e diversidade” que começou a história do casamento gay? Por que os gays podem e os pedófilos não, sendo que a violação aos mandamentos de Deus é a mesma? Dois pesos e duas medidas? (Não adianta contra-argumentar dizendo que os pedófilos são doentes. Tanto quanto os gays, os pedófilos não se acham doentes e, portanto, sentem-se igualmente no direito de lutar por seus “direitos”.)

Repudio veementemente o conceito geralmente aceito pela sociedade para justificar o casamento gay de que o amor é o que vale. Tenta-se até usar Deus nessa justificativa com o fragilíssimo argumento de que “Deus é amor”. É verdade que Ele é amor, mas também é verdade que Ele não é contra Seus próprios princípios. Sua misericórdia jamais suplantará Sua justiça. O amor, por si só, está bem longe de ser suficiente como justificativa para o casamento entre iguais pelo ponto de vista de Deus. Se assim não fosse, que problema haveria em legalizar o incesto e a pedofilia dos exemplos acima?

Até quando a sociedade vai achar que pode ignorar o que Deus REALMENTE pensa a respeito (e não o que ela quer ou espera que Ele pense) sem sofrer as conseqüências disso?

Como eu disse mais acima, a felicidade na vida familiar é mais provável de ser alcançada quando fundamentada nos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo — os quais não prevêem a opção do casamento gay.

Se, apesar de tudo, os homossexuais quiserem continuar unindo-se num tipo de matrimônio diferente do estabelecido por Ele, têm a liberdade de desejá-lo. Mas não podem esperar que Deus os abençôe. Se acham que podem viver sem isso, são livres para tentar. Mas não deve ser difícil imaginar que uma vida destituída das bênçãos e do favor de nosso Pai Celestial deve ser uma vida que, quando comparada à que poderiam ter, é vazia, com alegrias efêmeras, conquistas temporárias e recompensas que não satisfazem mais do que por um momento de sua existência mortal.

Queridos irmãos e irmãs homossexuais, a vida não precisa ser assim!

Além do mais, apelar para o caráter supostamente laico do Estado a fim de exigir a legalização do casamento gay poderá surtir efeito imediato, mas não permanente. Isso por um motivo bem simples: daqui a algum tempo o mundo será governado por uma teocracia. Isso ocorrerá quando o Salvador Jesus Cristo retornar para governar pessoalmente. Quando isso acontecer, tudo que não estiver de acordo com Suas leis será eliminado — o que inclui casamentos gays. Esse tipo de união sempre esteve e continua condenada à extinção. Portanto, para quê começar agora o que terá que ser desfeito depois?

Mais uma vez: não me censurem por dizer o que penso. Não sou seu inimigo, portanto não há razão para que sejam de mim. Devo-lhes amor, o mesmo que o Senhor nos ordenou ter uns pelos outros. É justamente por isso que lhes deixo o conselho de voltarem-se para Ele para que desfrutem das bênçãos de uma vida vivida sob os preceitos de Seu Evangelho. Só assim é que terão alegria e felicidade duradouras, e não passageiras. Isso é o que lhes desejo de todo coração.

 

Uma palavra aos demais

 
Se pararmos para pensar, fora do Evangelho de Jesus Cristo realmente não há motivos convincentes para nos opormos ao casamento gay. Não fosse pelo Evangelho, muito provavelmente eu também estaria levantando uma bandeira a favor da causa gay e teria ido ao programa da Luciana Gimenez para aplaudi-los. É justamente isso o que faz quem desconhece o Evangelho (se conhece, não o entende; se entende, não o vive). Por isso, todo o barulho feito pela comunidade gay acaba ocupando dentro das pessoas o espaço que deveria estar preenchido pelo Evangelho. Eis porquê a ideologia gay conquista mais e mais a simpatia da sociedade.

Nos bastidores do Superpop, a gerente de produção me contou que são muitos os contrários ao casamento gay (inclusive dentre os próprios gays!!!) e que vários representantes dessa corrente foram convidados a participar do programa junto comigo para expôr suas idéias. Mas fui o ÚNICO que teve a coragem de mostrar a cara.

Por que o restante se acovardou?

Não sei. Uma possível causa é a apontada pelo Élder Holland no artigo mencionado mais acima. Ele diz: “(…) é da natureza humana que as pessoas, quando se deparam com uma situação complexa, tendam a evitá-la. Isso é verdade, particularmente quanto à atração pelo mesmo sexo. Temos tão poucas informações confiáveis a respeito disso que os que desejam ajudar sentem-se um tanto inseguros.”

Não evitei e não evito a situação por um motivo bem simples: a vivência do Evangelho traz-me segurança, paz e confiança para enfrentar os desafios da vida. Quem não deve, não teme. Não tenho medo de dizer que o casamento gay — e o próprio homossexualismo em si — é contrário aos mandamentos de Deus e, portanto, pecado. Não fui eu quem quis que fosse assim. Se há quem acha que alguém deve ser responsabilizado por isso, deverá responsabilizar o próprio Deus (caso tenha essa audácia), não a mim. Eis porquê senti-me tremendamente à vontade diante das câmeras em rede nacional ao vivo para expôr a todo o país meus motivos para ser contra o casamento gay.

Mesmo que os contrários não compreendam muito bem os motivos que os levam a sentir que a união entre pessoas do mesmo sexo é um erro, é improvável que consigam algo pelo qual não se manifestam. Portanto, qualquer que seja seu motivo, se você acha que o casamento gay é um erro que deve ser evitado a todo custo…

…então mexa-se!

Que nossa voz também seja ouvida. Não defendo uma abordagem agressiva como a deles, com espalhafato, ousadia e ameaças. Devemos, contudo, sincera e honestamente, fazer chegar a quem de direito nossa voz. Falemos aos que elaboram as leis, aos que governam a nível local, estadual e nacional, aos administradores de escolas e a todos os formadores de opinião em qualquer esfera.

Lembremo-nos, principalmente, dos políticos. São eles, no final, os responsáveis por aprovar tudo o que vira lei. Mandemos-lhes cartas, faxes, e-mails, expressando-lhes nossa vontade e lembrando-os de que não terão nosso voto se não nos ouvirem. O voto ainda é nossa melhor arma, já que o Estado se declara laico (apenas quando lhe convém) e argumentos baseados em religião não são tão eficazes quanto deveriam — este é um caso que demonstra porquê o caráter supostamente laico do Estado pode ser uma maldição ao invés de bênção e porquê nenhum Estado será laico quando Cristo voltar.

Se desejar algo em que se inspirar nessa batalha, recomendo a leitura do artigo “Oposição ao mal”, de Gordon B. Hinckley, que se encontra na edição de setembro de 2004 da revista A Liahona, que pode ser baixada em versão PDF aqui.

Este artigo representa um pequeno esforço no sentido de cumprir a admoestação do Pres. Hinckley. Se você tem bons argumentos adicionais contra o casamento gay e desejar contribuir com meu esforço, não deixe de expressar seus pensamentos na área reservada a comentários, abaixo. Obrigado.

Tags:, , , , , , , , , , , , ,

Comments 83 comentários »

No dia 14 empreendemos mais uma viagem ao templo. Tive a grata satisfação de liderar nossa caravana mais uma vez. E, mais uma vez, viajamos um belo ônibus dotado de dois andares, ar condicionado, suspensão a ar, DVD/som ambiente, frigobar, banheiro e espaço maior entre as poltronas — detalhe fundamental para um “baixinho” como eu.

Na viagem de ida exibi para os irmãos um filme de três horas sobre a vida do Rei Davi, do Velho Testamento. Na volta, também com três horas, um filme sobre Moisés.

A viagem foi tranqüila na ida e na volta. Mas na ida presenciamos um fato que, somado a outro ocorrido com o ônibus da caravana de uma das estacas de Natal, deu-me uma demonstração da veracidade das palavras de Davi em um de seus Salmos.

Tudo transcorria tranqüilamente na viagem de ida até que, por volta de 10 da noite, bem próximo à entrada da cidade de Palmares, em Pernambuco, uma carreta carregada de milho que seguia bem à nossa frente capotou. Embora eu estivesse sentado na primeira fileira de poltronas no andar de cima e, portanto, desfrutando de uma ampla visão panorâmica da estrada, eu estava distraído com o filme sobre Davi, por isso não vi o acidente acontecer. Só me dei conta do ocorrido depois que nosso ônibus parou bem atrás da carreta capotada. Ela ficou atravessada, tombada para o lado direito, ocupando mais da metade da largura da pista simples. A cabine entrou dentro de um canavial à beira da estrada.

A carga de milho da carreta esparramou-se pela pista, tornando até o caminhar difícil para quem desceu dos veículos. Foi como tentar andar em um chão coberto de bolinhas de gude. Um motoqueiro que tentou passar caiu, pois não conseguiu controlar a moto.

Um bispo de outra ala que nos acompanhava foi ver se podia fazer algo para socorrer os ocupantes do veículo. Ele conseguiu resgatar uma mulher que havia ficado com a cabeça presa na cabine da carreta. Era a esposa do motorista. Ambos estavam embriagados.

Apesar dos cortes que mancharam de sangue a camisa branca do bispo, a mulher do motorista saiu andando da carreta e não parecia ter sofrido maiores ferimentos. Não fiquei sabendo a condição de seu marido.

Não faço idéia de como o motorista da carreta conseguiu tombá-la numa linha reta e num trecho da estrada sem irregularidades ou buracos. A única hipótese que me ocorre é que, como estava embriagado, deve ter perdido a concentração e começado a sair da estrada em direção ao acostamento à direita. Ao perceber isso, deve ter feito um movimento brusco para a esquerda, esperando voltar para a estrada. Isso explicaria o tombamento para a direita. Com o veículo carregado e talvez em alta velocidade, não deve ter sido difícil fazê-lo tombar.

Nosso motorista comentou comigo depois que, com a pista coberta por grãos de milho, ficou com medo de pisar no freio, pois corria o risco de não conseguir parar e bater na carreta tombada. Mesmo assim, paramos em segurança.

Isso fez-me pensar no risco em potencial corrido por motoristas que vinham em sentido contrário no momento do capotamento e mesmo pelos que vinham logo atrás, como nós. Um motorista embriagado é um perigo em qualquer circunstância.

Cerca de vinte minutos depois, já com os paramédicos prestando os primeiros socorros, seguimos viagem.

No dia seguinte, já no templo, ouvi uma história que me fez ficar igualmente reflexivo. O ônibus da caravana de uma das estacas de Natal foi vítima de uma tentativa de assalto na estrada. Bandidos atiraram uma enorme pedra contra o parabrisa do ônibus para que, ao parar, o veículo fosse assaltado. Já ciente da tática dos bandidos, o motorista não parou e seguiu viagem com o parabrisa quebrado mesmo.

A pedra atirada contra o ônibus dos irmãos de Natal não era simplesmente uma pedra: era um pedaço do asfalto da pista. Ao atingir o ônibus, estourando com violência o parabrisa direito e penetrando na cabine, ela passou entre o motorista e um irmão sentado no assento do assistente, não atingindo nenhum dos dois.

Contaram os irmãos de Natal que, mais adiante, o motorista parou em um posto policial. Havia lá nada menos que três outros ônibus com o parabrisa quebrado pelo mesmo motivo.

Ambos os episódios mostraram-me a importância de, mediante nossa dignidade, termos direito à proteção do Senhor para não sermos vitimados pela iniquidade alheia. A carreta tombada por causa da embriaguez do motorista poderia ter atingido outros veículos, como o nosso. A pedra atirada por bandidos no parabrisa do ônibus dos irmãos de Natal poderia ter acertado o motorista, caso em que um grave acidente poderia ter ocorrido. Em ambos os casos, todos saíram ilesos e puderam chegar em segurança e paz à Casa do Senhor para servir-Lhe.

Antes de iniciarmos a viagem de volta e antes de fazermos a oração, contei aos irmãos o ocorrido com a caravana de Natal e de como, assim como fez conosco, o Senhor abençoou e protegeu aqueles nossos irmãos para que chegassem em segurança e paz à Sua Casa. Lembrei-os que tínhamos muito o que agradecer ao Senhor e que devíamos pedir-Lhe que, da mesma forma, nos protegesse de males e perigos na volta para casa. E Ele assim o fez.

Nenhum dos dois episódios foi capaz de abalar minha tranqüilidade e confiança na proteção do Senhor. Não senti medo na viagem de volta. Eu sabia que Seus santos anjos estavam a nosso redor, protegendo-nos. Um doce e profundo sentimento de satisfação preencheu-me em certo momento da viagem. Esse sentimento era o envelope de uma mensagem enviada a mim pelo Senhor, na qual Ele dizia estar satisfeito com meu empenho em servir-Lhe no Evangelho. Realmente, eu não tinha e não tenho rigorosamente nada a temer.

Se o Senhor não guardar os ônibus e seus motoristas e passageiros, em vão se torna toda a segurança dos veículos e o treinamento dos condutores. Como disse Davi: “se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” (Salmos 127:1).

Tags:, , , , , , , , , ,

Comments 1 comentário »

Copyright © 2007-2010 Marcelo Todaro. Todos os direitos reservados.