Posts Tagged “gay”
Publicado por Marcelo Todaro e arquivado em Diário pessoal
Neste momento tramita no Senado Federal o Projeto de Lei Complementar 122/2006, que pretende ampliar o espectro dos crimes resultantes do preconceito de raça ou de cor para incluir também crimes de preconceito sexual.
Até aí, tudo bem.
O que não está tudo bem é que o projeto está cheio de erros e vícios jurídicos e dará privilégios a uns enquanto rouba a liberdade de pensamento, expressão e culto de outros. Do jeito que está, esse projeto (também conhecido como “lei da mordaça gay”), se aprovado, transformará os homossexuais em pessoas acima de todos os demais brasileiros.
O projeto cria um crime chamado repressão ou restrição à manifestação homoafetiva, mas ninguém sabe exatamente o que é isso. De repente, um ministro religioso que se negue a casar um par homossexual pode ser preso. Alguém que pegue a Bíblia e leia, por exemplo, uma das cartas do apóstolo Paulo, também poderia estar cometendo crime.
É importante lembrar que qualquer pessoa vítima de preconceito pode se defender usando as leis civil e penal, que descrevem os crimes de injúria e ameaça e prevêem indenizações por danos morais. Não é preciso criar uma lei nova para o mesmo fim.
Mas, já que se quer fazê-lo, é preciso que essa nova lei contenha dispositivos que façam clara distinção entre o que é a tal repressão ou restrição à manifestação homoafetiva e a liberdade de opinião, de crença e de culto. Com o projeto do jeito que está, se um líder religioso disser para sua congregação que o homossexualismo é pecado — conforme, aliás, a própria Bíblia afirma — e se houver na congregação um homossexual ou simpatizante que se sinta ofendido por isso, poderá processar o líder e sua igreja. A falta de dispositivos jurídicos que impeçam o cerceamento da liberdade de crença e de culto pode perfeitamente fazer com que um juiz dê razão ao querelante e condene o religioso e sua igreja por crime de homofobia.
Se creio na Bíblia e se creio que o homossexualismo realmente é pecado, conforme ela afirma, por que devo ser impedido de manifestar essa crença?
Reconheço que o projeto é cheio de boas intenções ao pretender impedir injustiças como violência, ódio, discriminação e preconceito. Mas, como diz o velho ditado, “de boas intenções o inferno está cheio”. Veja exemplos do que pode acontecer se um projeto como esse virar lei:
- Um padre de uma paróquia na Espanha, o segundo nas últimas semanas, tornou-se alvo de uma ação judicial por causa de uma alegada “humilhação pública” de um militante homossexual que desejava receber a comunhão. O padre Domingo Garcia Dobao, da Igreja da Imaculada Conceição, em Jaén, Espanha, foi processado por Juan Diego Fuentes Medina após o padre ter-lhe negado a comunhão por causa de sua união gay com Angel de los Reyes. O padre Garcia explicou sua decisão dizendo que aquela é uma situação que a Igreja ensina ser imoral, que “eles não podem receber a Comunhão”. (Fonte: www.highbeam.com/doc/1G1-131362951.html)
- Em 2002, o pastor evangélico Stephen Boisson, de Alberta, Canadá, escreveu uma carta ao editor do seu jornal local, o RedDeer, denunciando o avanço da militância homossexual como “perversa” e afirmando que “crianças de cinco e seis anos de idade estão sendo submetidas psicologicamente e fisiologicamente a uma literatura pró-homossexual prejudicial, assim como orientação nas escolas públicas, tudo sob o disfarce fraudulento de direitos iguais”. Um ativista gay sentiu-se ofendido pelo que leu e processou o pastor. Um tribunal canadense de direitos humanos condenou-o a renunciar à sua fé e nunca mais expressar oposição moral ao homossexualismo baseado em sua perspectiva bíblica, além de pagar multa de US$ 7 mil por “dolo e sofrimento” e pedir desculpas ao ativista que se sentiu ofendido. (Fonte: www.wnd.com/index.php?fa=PAGE.view&pageId=66704).
- Na Inglaterra, um pregador foi preso depois de ter dito durante sermão na rua que homossexualismo é pecado. (http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/05/pregador-e-preso-na-inglaterra-por-dizer-que-homossexualismo-e-pecado.html)
Se esse Projeto de Lei Complementar 122/2006 for aprovado e virar lei, poderemos ter coisas semelhantes acontecendo aqui também. Se você acha que esse erro deve ser evitado a todo custo,…
…ENTÃO MEXA-SE!!!
O que você deve fazer
- Votar contra o projeto na enquete do Senado, localizada na coluna lateral direita;
- Ligar para o Alô Senado, 0800 612211, pedindo aos senadores da Comissão de Direitos Humanos, incluindo os de seu Estado, que rejeitem o projeto tal como está;
- Ao ligar, denuncie a facilidade com que a enquete acima pode ser fraudada simplesmente limpando o histórico do navegador do votante, o que permite votar inúmeras vezes;
- Entre no site da Câmara e envie mensagem para todos os deputados de seu Estado pedindo-lhes para participar da audiência na Comissão de Direitos Humanos do Senado e dizer NÃO ao PLC 122/2006, ainda que ele pareça “bom aos olhos”.
Leia o texto do projeto aqui.
Para encerrar: quero deixar claro que NÃO sou a favor do preconceito, da discriminação e do ódio contra os homossexuais. O que sou contra é a aprovação desse projeto sem garantias de liberdade de crença e de culto. Quando for melhorado para impedir o risco a essa liberdade, aí sim, serei a favor dele.
[ATUALIZAÇÃO]: Enviei e-mail para todos os deputados e senadores do Congresso. O Senador Sérgio Guerra respondeu-me dizendo:
Acuso o recebimento de sua mensagem eletrônica e informo que estou atento ao assunto.
Cordialmente,
Senador Sérgio Guerra
[ATUALIZAÇÃO 2]: Segundo o site Notícias Pro-Família, o pastor canadense Stephen Boisson foi absolvido da acusação de homofobia após sete anos de uma desgastante e cara briga judicial contra seu acusador homossexual. Ainda que a justiça tenha tardado mas não falhado, esse é o tipo do tormento pelo qual ninguém merece passar. Faça sua parte.
Tags: 122/2006, gay, homofobia, homossexualidade, homossexualismo, lei da mordaça gay, Senador Sérgio Guerra
15 comentários »
Dos editores do Meridian Magazine: os produtores da série “Big Love”, do canal de TV a cabo HBO, exibirão um episódio no próximo domingo, 15 de março, que pretende ser uma descrição das cerimônias de um templo SUD. O produtor executivo Mark Olsen diz que contratou um ex-mórmon para “ajudar recriar o cenário e o figurino até nos mínimos detalhes”. No entanto, no início da produção da série, os executivos do “Big Love” garantiram à Igreja que nunca, jamais descreveriam nossas cerimônias sagradas em seus episódios. Dustin Black, roteirista-chefe da atual temporada, que recentemente recebeu um Oscar por MILK, foi criado como mórmon, portanto está familiarizado com nossa cultura.
Um diretor de relações públicas notou que “Big Love” não é um seriado de grande sucesso e está programado para ser encerrado neste ano. Não queremos chamar a atenção para ele nem dignificá-lo com nossa resposta e atenção. No entanto, membros da Igreja têm alertado uns aos outros via e-mail sobre o programa e têm estado compreensivelmente preocupados com a perspectiva de ver coisas sagradas reveladas.
Certamente que uma das principais características de uma sociedade civilizada é a garantia que damos uns aos outros de reverenciar coisas sagradas alheias. Se um grupo ou indivíduos assumem algo como sagrado, uma sociedade avançada e compassiva lhes concede esse privilégio e procura não profaná-lo. (…) A HBO violou esse conceito crítico e a Igreja SUD com sua inadequada descrição [de nossas coisas sagradas]. Se você optar por escrever uma mensagem à HBO, certifique-se de ser digno e razoável e observe o conselho da Igreja dado abaixo.
Tal como outros grandes grupos religiosos, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias às vezes encontra-se na situação de receber muita atenção de Hollywood ou da Broadway, de séries de TV ou de livros e de veículos da mídia. Algumas vezes, descrições feitas da Igreja e de seus membros são bem precisas. Em outras, as imagens são falsas ou baseadas em estereótipos. Ocasionalmente, são de um espantoso mau gosto.
Como católicos, judeus e muçulmanos já sabem há séculos, tal atenção é inevitável quando a instituição ou grupo religioso atinge tamanho ou proeminência suficiente para chamar a atenção. Mesmo assim, os Santos dos Últimos Dias — às vezes conhecidos como mórmons — se perguntam se e como devem responder quando notícias ou a mídia de entretenimento banaliza ou deturpa crenças ou práticas sagradas de maneira insensível.
Os membros da Igreja podem estar para enfrentar essa questão mais uma vez. Antes que a série Big Love da HBO entrasse no ar, há mais de dois anos, os criadores do programa e executivos da HBO garantiram à Igreja que a série não seria sobre os mórmons. No entanto, referências ao Big Love encontradas na Internet indicam que mais e mais temas mórmons estão sendo inseridos no programa e que os personagens geralmente são figuras antipáticas retratadas como metidas a santa e fanáticas. E, de acordo com o TV Guide, agora parece que os roteiristas do programa estão para mostrar o que entendem ser as cerimônias sagradas do templo.
Certamente que os membros da Igreja sentem-se ofendidos quando suas práticas mais sagradas são deturpadas ou apresentadas fora de contexto. Na semana passada, alguns membros da Igreja começaram uma campanha por e-mail convocando assinantes do [provedor de acesso à Internet e de conteúdo online] AOL — o qual, tal como a HBO, é de propriedade do grupo Time Warner — a cancelar suas assinaturas. Certamente que tal boicote por centenas de milhares de membros da Igreja que dominam a informática poderia causar um impacto financeiro na empresa. Enquanto indivíduos, os membros da Igreja têm o direito de tomar tais atitudes, se quiserem.
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, como instituição, não incentiva boicotes. Tal atitude simplesmente geraria o tipo de controvérsia que a mídia adora e, no fim, resultaria em mais audiência para a série. Como disseram recentemente os élderes M. Russel Ballard e Robert D. Hales, do Quórum dos Doze Apóstolos, os Santos dos Últimos Dias na arena pública devem conduzir-se com dignidade e consideração.
Não apenas esse é o modelo ensinado e demonstrado por Jesus Cristo em Sua própria vida como também reflete a realidade da força e maturidade dos membros da Igreja de hoje. Como disse alguém recentemente, “Não estamos mais em 1830 e não somos mais apenas seis”. Em outras palavras, com 13,5 milhões de membros em todo o mundo, não há necessidade de se sentir na defensiva quando a Igreja se move à frente tão rapidamente. A força da Igreja está em seus membros fiéis em mais de 170 países e não há evidência de que deturpações extremas na mídia que tem apelo a apenas uma pequena audiência tenha qualquer efeito negativo a longo prazo sobre a Igreja.
Exemplos:
- Durante a campanha de Mitt Romney à presidência dos Estados Unidos, o comentarista Lawrence O’Donnell fez comentários abusivos contra a Igreja em um momento na TV que se tornou conhecido dentre muitos membros da Igreja como o “desvario de O’Donnel”. Hoje, suas afirmações são lembradas apenas como um testamento à intolerância e ignorância. Eles não tiveram qualquer efeito mensurável sobre a Igreja.
- Quando os roteiristas do humorístico South Park produziram um retrato grosseiro da história da Igreja, alguns membros sem dúvida sentiram-se desconfortáveis. Mas, novamente, isso não causou qualquer dano perceptível ou durável sobre a Igreja, que cresce à taxa de pelo menos um quarto de milhão de novos membros a cada ano.
- Quando uma produtora independente de filmes produziu uma versão grosseiramente distorcida do Massacre de Mountain Meadows, há dois anos, a Igreja o ignorou. Talvez como resultado parcial da recusa em entrar na controvérsia pretendida pelos produtores, o filme foi um fracasso e deu prejuízo de milhões.
- Em meses recentes, alguns ativistas gays atraíram grande atenção da mídia com acusações de atitudes de “ódio” dos membros da Igreja que apoiaram a Proposição 8 na Califórnia, que manteve a definição tradicional de casamento. Eles até organizaram uma marcha de protesto em torno do Templo de Salt Lake. Novamente, a Igreja recusou-se a entrar em polêmica sendo atraída em uma batalha mórmons x gays e simplesmente afirmou sua posição em tom respeitoso e razoável. Enquanto isso, o trabalho missionário e os membros da Igreja na Califórnia permanecem tão robustos e vibrantes como nunca e o apoio à Igreja veio de muitas partes inesperadas — inclusive de alguns ex-críticos e de outras igrejas.
Agora vêm aí outros episódios de Big Love e, apesar das garantias anteriores da HBO, ela novamente obscurece a distinção entre A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e os personagens não-mórmons de ficção e suas práticas. Tais coisas dizem muito mais sobre a falta de sensibilidade de roteiristas, produtores e executivos de TV do que sobre os Santos dos Últimos Dias.
Se a Igreja permitisse que críticos e opositores escolhessem o terreno onde as batalhas são travadas, correria o risco de perder o foco na missão que tem sido bem sucedida em perseguir por quase 180 anos. Ao invés, a própria Igreja é quem vai determinar seu curso à medida que prossegue pregando o evangelho restaurado de Jesus Cristo pelo mundo.
(Este artigo foi preparado pela assessoria de imprensa de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em lds.org.)
Usado com permissão de Meridian Magazine. Copyright © 2009 Meridian Magazine. Todos os direitos reservados. Artigo original em inglês em www.ldsmag.com/churchupdate/090310respond.html
[ATUALIZADO em 11/3 às 9:40 h]
Os produtores do Big Love desculparam-se por qualquer eventual ofensa contra a Igreja por causa da exibição de rituais sagrados em um de seus episódios, mas deixaram claro que vão, sim, levar o controverso episódio ao ar conforme planejado, segundo este artigo do TVNZ.
De acordo com o TVNZ, o canal HBO publicou nota dizendo: “Obviamente, não era nossa intenção fazer nada desrespeitoso à Igreja, mas àqueles que poderão sentir-se ofendidos oferecemos nossas sinceras desculpas”.
O Meridian Magazine publicou comentário sobre as “desculpas” da HBO, dizendo: “Desculpas são inválidas quando não são seguidas pela intenção de corrigir o erro. [O que a HBO publicou] não são desculpas, mas uma jogada de relações públicas, um truque de entretenimento para roubar seu doce. Desculpando-se, tentam parecer bons e até sensíveis, mas, na verdade, não mostram nenhum pesar pela tentativa de roubar e expor algo sagrado, do contrário não manteriam os planos de levar o episódio ao ar”.
Tags: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, AOL, Big Love, Broadway, Dustin Black, gay, HBO, Hollywood, Lawrence O'Donnell, M. Russel Ballard, Mark Olsen, Meridian Magazine, Mitt Romney, mórmon, Mountain Meadows, Quórum dos Doze Apóstolos, Robert D. Hales, South Park, Time Warner
7 comentários »
Publicado por Marcelo Todaro e arquivado em Diário pessoal
Última atualização: 18 de julho de 2010
Este artigo foi escrito em substituição ao “Diga NÃO ao casamento gay”, que escrevi há cinco meses e que retirei do blog. Senti a necessidade de reescrevê-lo depois de minha participação no programa Superpop, de Luciana Gimenez, que foi ao ar ao vivo pela Rede TV há dois dias (10 de abril). A partir de quando a produção convidou-me para participar de um debate sobre o casamento gay devido a minha posição abertamente contrária a ele, precisei refletir e orar muito em preparação a isso. Foi quando percebi que o artigo original não expressava muito bem o que tenho a dizer sobre o assunto.
Eis, portanto, a versão 2.0 de meus pensamentos e sentimentos sobre o tema.
Tal como no artigo anterior, eu gostaria de começar explicando minha posição contrária ao casamento gay dirigindo algumas palavras a eles primeiro.
Uma palavra aos gays
Antes de mais nada, gostaria de lhes deixar claro o seguinte:
Não os odeio nem tenho qualquer preconceito contra vocês!
Do contrário, estaria demonstrando não ter aprendido nada nas quase três décadas em que sou membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
O Evangelho de Jesus Cristo nos ensina a amar nossos semelhantes. Não me seria possível obedecer esse mandamento e, ao mesmo tempo, ter preconceito contra os gays. Seria incoerência e hipocrisia. Preconceito é sintoma de falta de amor e de vivência do Evangelho. Não é meu caso.
Isto posto, quero que saibam que meu propósito com este artigo é usufruir do mesmo direito à liberdade de expressão do qual vocês usufruem ao levantar suas bandeiras coloridas nas espalhafatosas paradas gays ao redor do mundo. Como tenho esse direito tanto quanto vocês, não me condenem por dizer o que penso. Não fazem vocês também o mesmo?
Se quiserem entender meu ponto de vista, por favor, leiam este artigo até o fim.
Deus não criou três sexos
Repare nos animais na Natureza, homem inclusive. Salvo raras exceções (os seres hermafroditas, por exemplo), a anatomia favorece a cópula apenas entre macho e fêmea. Os órgãos sexuais de ambos foram desenvolvidos para funcionar um com o outro. Não é o caso do que acontece entre dois machos e muito menos entre duas fêmeas. Esse fator por si só já é um forte indício de que nunca foi intenção do Criador que houvessem relações homossexuais ou homoafetivas. Essa conclusão inclusive é referendada por estudiosos que concluíram que ninguém nasce gay, como o sociólogo americano John Gagnon (leia entrevista dele publicada pela revista Época em 8 de maio de 2006).
Mas então por que o homossexualismo existe? Não sabemos, e talvez não venhamos a saber nesta vida, como disse o Élder Jeffrey R. Holland, do Quórum dos Doze Apóstolos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, no artigo Ajudar Os Que Lutam Contra a Atração pelo Mesmo Sexo publicado na revista A Liahona de outubro de 2007 (versão em PDF da revista pode ser baixada aqui). Só o que sabemos é que Deus não criou três sexos, e sim dois. Isso é tudo o que me limitarei a dizer.
O motivo pelo qual sou contra o casamento gay é puramente espiritual. Diz respeito ao conhecimento que tenho do que foi dito pelo Senhor Jesus Cristo nas escrituras, antigas e modernas, e no que Ele continua dizendo com Sua própria boca e voz (literalmente) hoje em dia.
O primeiro casamento
Creio firmemente ser verdadeiro o relato bíblico do Jardim do Éden e de Adão e Eva. Segundo esse relato, Adão e Eva foram dados por Deus em casamento um ao outro (veja Gênesis 2:18–25; Moisés 3:18–25; Abraão 5:14–21). Ali foi estabelecido o padrão Dele de casamento: homem com mulher. Em lugar algum das Escrituras (antigas ou modernas) lemos que em alguma época Ele tenha dado dois homens ou duas mulheres em casamento. Não há evidência escriturística alguma de que Ele aprova esse tipo de união (mas há várias evidências em contrário: Lev. 18:22; 20:13; Deut. 23:17; Isa. 3:9; Rom. 1:27; I Cor. 6:9–10; I Tim. 1:9–10; Jud. 1:7).
Como até então Adão e Eva eram imortais, esse casamento deveria durar para sempre. Foi nessa condição que receberam de Deus o mandamento de crescer, multiplicar e encher a Terra. Mesmo depois da introdução da morte no mundo em virtude da Queda de Adão, o modelo de casamento eterno dado por Deus permaneceu em vigor. Ele determinou que, mediante a obediência às leis e ordenanças do Evangelho, a perpetuação do relacionamento familiar mesmo após a morte se tornaria possível.
Aqueles que se dispõem a moldar suas vidas conforme o modelo estabelecido pelo Evangelho têm, dentre muitas gloriosas promessas, a de que seus relacionamentos familiares não precisam terminar com a morte do corpo físico. Isso significa que, quando marido e mulher que se amam fazem convênios especiais com Deus, seu casamento poderá durar para além desta vida, e não só “até que a morte os separe”. Esses convênios não podem ser feitos entre dois homens ou duas mulheres.
Os filhos nascidos sob esse convênio podem ser unidos aos pais também pela eternidade, de modo que os laços familiares não serão quebrados caso cada indivído mantenha-se fiel até o fim aos convênios feitos com Deus. Isso significa que os pais podem ter seus filhos pela eternidade, e estes os deles, e assim por diante, se cada qual fizer sua parte.
Creio que todos os que lêem este artigo devem amar seus filhos (caso os tenham) e seus pais. Então, que tal tê-los como seus filhos e pais pela eternidade? Ou que tal ter a pessoa amada a seu lado também pela eternidade? Se você responder que isso seria bom, então saiba que, para ser possível receber de Deus tal bênção, é preciso fazer as coisas à maneira Dele. E a maneira Dele não prevê a união entre pessoas do mesmo sexo.
O mandamento dado por Ele a Seus filhos para que se multiplicassem e enchessem a Terra continua em vigor. Homossexuais não podem desfrutar desse privilégio e, portanto, perdem bênçãos.
Além disso, Deus ordenou que os poderes sagrados de procriação sejam empregados somente entre homem e mulher, legalmente casados.
A família, segundo o padrão estabelecido no Jardim do Éden, foi ordenada por Deus. O casamento entre o homem e a mulher é essencial para Seu plano eterno. Os filhos têm o direito de nascer dentro dos laços do matrimônio e de ser criados por pai e mãe que honrem os votos matrimoniais com total fidelidade. A felicidade na vida familiar é mais provável de ser alcançada quando fundamentada nos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo — os quais não prevêem a opção do casamento gay.
A união civil homossexual, qualquer que seja seu propósito, quebra o modelo familiar de Deus. Gays e lésbicas que desejam ter filhos continuarão dependendo de quem possa fazer o que eles e elas não querem: gerar filhos. Querem ter filhos, mas não querem gerá-los. Não parece insensato e contraditório?
“Mas o que você tem a ver com isso?”
Você pode argumentar que, apesar de todas essas advertências, é seu direito optar pelo que melhor lhe convier. Está correto. Nunca poderei interferir em seu livre arbítrio, como nosso Pai também não interfere.
Mas isso não me impede de me importar e me incomodar com as escolhas que você fizer por dois motivos:
- Eu sinceramente desejo, do fundo de meu coração, que meus irmãos e irmãs homossexuais sejam herdeiros das mesmas bênçãos e promessas que me empenho em conquistar. Se o casamento gay for legalizado e eles se atrelarem a mais essa prática, ficará ainda mais difícil para eles conquistar essas bênçãos. Não lhes desejo isso.
- Também não desejo que a sociedade encare como normal e legal (mais) essa violação da lei de Deus. Às vezes me pergunto que critérios a sociedade usa para decidir qual dessas violações deverá tornar-se legal só porque uma minoria assim o quer (“minoria” não no sentido pejorativo, por favor!). Tome como exemplo o caso de um casal de irmãos com quatro filhos que luta para legalizar o incesto. Se a moda pega, daqui a pouco outras minorias — pedófilos, adúlteros, homicidas, traficantes de drogas/crianças/mulheres/órgãos humanos, contrabandistas, sonegadores de impostos, fanáticos religiosos… — vão querer que as leis sejam mudadas em favor de seus interesses. Tanto é verdade que isso já está acontecendo na Holanda, país que legalizou o casamento gay: sob a égide do jargão gay de que “qualquer forma de amor é válida” e reivindicando liberdade e diversidade, alguns holandeses fundaram um partido que pretende legalizar a pedofilia e a pornografia infantil, que, segundo eles, é somente mais uma forma de expressão de amor. Na opinião deles, as crianças também “amam” e a sexualidade delas foi reprimida pelos padrões e regras da sociedade, dos quais pretendem libertar as crianças. Não foi sob o mesmíssimo argumento da “liberdade e diversidade” que começou a história do casamento gay? Por que os gays podem e os pedófilos não, sendo que a violação aos mandamentos de Deus é a mesma? Dois pesos e duas medidas? (Não adianta contra-argumentar dizendo que os pedófilos são doentes. Tanto quanto os gays, os pedófilos não se acham doentes e, portanto, sentem-se igualmente no direito de lutar por seus “direitos”.)
Repudio veementemente o conceito geralmente aceito pela sociedade para justificar o casamento gay de que o amor é o que vale. Tenta-se até usar Deus nessa justificativa com o fragilíssimo argumento de que “Deus é amor”. É verdade que Ele é amor, mas também é verdade que Ele não é contra Seus próprios princípios. Sua misericórdia jamais suplantará Sua justiça. O amor, por si só, está bem longe de ser suficiente como justificativa para o casamento entre iguais pelo ponto de vista de Deus. Se assim não fosse, que problema haveria em legalizar o incesto e a pedofilia dos exemplos acima?
Até quando a sociedade vai achar que pode ignorar o que Deus REALMENTE pensa a respeito (e não o que ela quer ou espera que Ele pense) sem sofrer as conseqüências disso?
Como eu disse mais acima, a felicidade na vida familiar é mais provável de ser alcançada quando fundamentada nos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo — os quais não prevêem a opção do casamento gay.
Se, apesar de tudo, os homossexuais quiserem continuar unindo-se num tipo de matrimônio diferente do estabelecido por Ele, têm a liberdade de desejá-lo. Mas não podem esperar que Deus os abençôe. Se acham que podem viver sem isso, são livres para tentar. Mas não deve ser difícil imaginar que uma vida destituída das bênçãos e do favor de nosso Pai Celestial deve ser uma vida que, quando comparada à que poderiam ter, é vazia, com alegrias efêmeras, conquistas temporárias e recompensas que não satisfazem mais do que por um momento de sua existência mortal.
Queridos irmãos e irmãs homossexuais, a vida não precisa ser assim!
Além do mais, apelar para o caráter supostamente laico do Estado a fim de exigir a legalização do casamento gay poderá surtir efeito imediato, mas não permanente. Isso por um motivo bem simples: daqui a algum tempo o mundo será governado por uma teocracia. Isso ocorrerá quando o Salvador Jesus Cristo retornar para governar pessoalmente. Quando isso acontecer, tudo que não estiver de acordo com Suas leis será eliminado — o que inclui casamentos gays. Esse tipo de união sempre esteve e continua condenada à extinção. Portanto, para quê começar agora o que terá que ser desfeito depois?
Mais uma vez: não me censurem por dizer o que penso. Não sou seu inimigo, portanto não há razão para que sejam de mim. Devo-lhes amor, o mesmo que o Senhor nos ordenou ter uns pelos outros. É justamente por isso que lhes deixo o conselho de voltarem-se para Ele para que desfrutem das bênçãos de uma vida vivida sob os preceitos de Seu Evangelho. Só assim é que terão alegria e felicidade duradouras, e não passageiras. Isso é o que lhes desejo de todo coração.
Uma palavra aos demais
Se pararmos para pensar, fora do Evangelho de Jesus Cristo realmente não há motivos convincentes para nos opormos ao casamento gay. Não fosse pelo Evangelho, muito provavelmente eu também estaria levantando uma bandeira a favor da causa gay e teria ido ao programa da Luciana Gimenez para aplaudi-los. É justamente isso o que faz quem desconhece o Evangelho (se conhece, não o entende; se entende, não o vive). Por isso, todo o barulho feito pela comunidade gay acaba ocupando dentro das pessoas o espaço que deveria estar preenchido pelo Evangelho. Eis porquê a ideologia gay conquista mais e mais a simpatia da sociedade.
Nos bastidores do Superpop, a gerente de produção me contou que são muitos os contrários ao casamento gay (inclusive dentre os próprios gays!!!) e que vários representantes dessa corrente foram convidados a participar do programa junto comigo para expôr suas idéias. Mas fui o ÚNICO que teve a coragem de mostrar a cara.
Por que o restante se acovardou?
Não sei. Uma possível causa é a apontada pelo Élder Holland no artigo mencionado mais acima. Ele diz: “(…) é da natureza humana que as pessoas, quando se deparam com uma situação complexa, tendam a evitá-la. Isso é verdade, particularmente quanto à atração pelo mesmo sexo. Temos tão poucas informações confiáveis a respeito disso que os que desejam ajudar sentem-se um tanto inseguros.”
Não evitei e não evito a situação por um motivo bem simples: a vivência do Evangelho traz-me segurança, paz e confiança para enfrentar os desafios da vida. Quem não deve, não teme. Não tenho medo de dizer que o casamento gay — e o próprio homossexualismo em si — é contrário aos mandamentos de Deus e, portanto, pecado. Não fui eu quem quis que fosse assim. Se há quem acha que alguém deve ser responsabilizado por isso, deverá responsabilizar o próprio Deus (caso tenha essa audácia), não a mim. Eis porquê senti-me tremendamente à vontade diante das câmeras em rede nacional ao vivo para expôr a todo o país meus motivos para ser contra o casamento gay.
Mesmo que os contrários não compreendam muito bem os motivos que os levam a sentir que a união entre pessoas do mesmo sexo é um erro, é improvável que consigam algo pelo qual não se manifestam. Portanto, qualquer que seja seu motivo, se você acha que o casamento gay é um erro que deve ser evitado a todo custo…
…então mexa-se!
Que nossa voz também seja ouvida. Não defendo uma abordagem agressiva como a deles, com espalhafato, ousadia e ameaças. Devemos, contudo, sincera e honestamente, fazer chegar a quem de direito nossa voz. Falemos aos que elaboram as leis, aos que governam a nível local, estadual e nacional, aos administradores de escolas e a todos os formadores de opinião em qualquer esfera.
Lembremo-nos, principalmente, dos políticos. São eles, no final, os responsáveis por aprovar tudo o que vira lei. Mandemos-lhes cartas, faxes, e-mails, expressando-lhes nossa vontade e lembrando-os de que não terão nosso voto se não nos ouvirem. O voto ainda é nossa melhor arma, já que o Estado se declara laico (apenas quando lhe convém) e argumentos baseados em religião não são tão eficazes quanto deveriam — este é um caso que demonstra porquê o caráter supostamente laico do Estado pode ser uma maldição ao invés de bênção e porquê nenhum Estado será laico quando Cristo voltar.
Se desejar algo em que se inspirar nessa batalha, recomendo a leitura do artigo “Oposição ao mal”, de Gordon B. Hinckley, que se encontra na edição de setembro de 2004 da revista A Liahona, que pode ser baixada em versão PDF aqui.
Este artigo representa um pequeno esforço no sentido de cumprir a admoestação do Pres. Hinckley. Se você tem bons argumentos adicionais contra o casamento gay e desejar contribuir com meu esforço, não deixe de expressar seus pensamentos na área reservada a comentários, abaixo. Obrigado.
Tags: Adão, casamento, casamento gay, eternidade, Eva, Evangelho, família, gay, homossexual, homossexualismo, Jardim do Éden, Jesus Cristo, lesbianismo, união civil homossexual
83 comentários »
Publicado por Marcelo Todaro e arquivado em Outros assuntos
Como assinante dos alertas do Google recebo freqüentemente avisos sobre a publicação de notícias de meu interesse. Um dos alertas que configurei tem como termo de pesquisa a palavra “mórmon” — gosto de estar a par do que a mídia diz da Igreja e de seus membros. Geralmente são coisas boas, mas hoje o alerta do Google me trouxe isto: uma notícia sobre um site de e para “mórmons gays” chamado Afirmação.
Sempre soube da existência dessa organização e sempre combati o conceito de “mórmon gay” — no sentido de ser gay praticante e, ainda assim, ser membro da Igreja. Não existe isso. A pessoa ou é mórmon ou é gay. As condições são autoexcludentes.
Sei que há alguns membros da Igreja que se debatem contra a atração pelo mesmo sexo. Pessoalmente, não considero essas pessoas gays. Quando se diz que alguém é gay, geralmente entende-se que a pessoa se relaciona afetivamente e/ou fisicamente com outras do mesmo sexo. Os membros da Igreja que sentem esse tipo de atração e que se empenham em manter-se castos, conforme requer o evangelho, não mantém relacionamentos desse tipo, apesar da atração. Para mim, isso as descaracteriza como gays.
O problema com a expressão “mórmon gay” é a possibilidade de levar a opinião pública a supor que a Igreja aceita ou tolera a prática homossexual em seu meio. O que a Igreja aceita é a presença de homossexuais em suas reuniões. Todas as pessoas são bem-vindas para congregar conosco, gays inclusive. Mas a mera frequência às reuniões não torna ninguém membro da Igreja. A associação formal a ela se dá por meio do batismo por imersão realizado por quem tem a devida autoridade do sacerdócio de Deus. O candidato ao batismo precisa estar disposto a assumir e cumprir certos compromissos com Deus e com a Igreja para que possa ser aceito como membro formal. Um desses compromissos é a obediência ao que chamamos de Lei da Castidade, que requer abstinência sexual antes do casamento e fidelidade ao cônjuge do sexo oposto depois. Quem se relaciona fisicamente ou afetivamente com alguém que não o cônjuge do sexo oposto não se encaixa em nenhum dos casos, portanto não pode ser aceito pelo batismo na Igreja, a menos que abandone a prática. No caso dos homossexuais, ainda que conservem o sentimento de atração por pessoas do mesmo sexo, espera-se que ajam da mesma forma.
Se houver membros formais da Igreja praticando sexo fora do matrimônio (seja com pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo), serão incentivados a abandonar a prática. Caso não o façam, serão excomungados. A Primeira Presidência da Igreja declarou: “A lei de conduta moral do Senhor é a abstinência de relações sexuais fora do casamento legal, e fidelidade no casamento. As relações sexuais são corretas apenas entre marido e mulher, adequadamente expressas dentro dos laços do matrimônio. Qualquer outro contato sexual, incluindo fornicação, adultério e comportamento homossexual masculino ou feminino é pecaminoso”. (Carta da Primeira Presidência, 14 de novembro de 1991)
É importante ter em mente que membros excomungados continuam bem-vindos às reuniões dominicais de adoração, como sempre foram e como é qualquer pessoa. A diferença é que, como qualquer não-membro, essas pessoas não gozam de todos os direitos e privilégios dos membros regulares — por exemplo, não podem ser chamadas para servir em cargos eclesiásticos e não podem frequentar o templo —, mas podem participar de atividades abertas ao público, como as reuniões dominicais de adoração, bailes, esportes e lazer.
Espero com este artigo ter feito minha parte para esclarecer eventuais mal-entendidos ocasionados pela divulgação de notícias contendo a equivocada expressão “mórmon gay”.
Leitura adicional recomendada:
[ATUALIZADO em 18/12/07] — Nesta data o site Mix Brasil novamente publicou notícia sobre um suposto “mórmon gay” que teria ganho a 15ª edição de um programa tipo reality show. O site já tinha falado dele antes e eu prontamente enviei comentário apontando o equívoco de chamá-lo de “mórmon gay”. Aparentemente eles não deram a mínima para o que eu disse e preferiram continuar prestando um desserviço à opinião pública. Creio ser em momentos como esse que temos que levantar nossa voz contra essas infâmias, cumprindo a admoestação de nosso profeta que, em mensagem publicada na Liahona de setembro de 2004, conclamou todos os membros da Igreja a fazer com que nossa voz de oposição ao mal seja ouvida. É o que penso estar fazendo em meu blog e também na contestação de afirmações enganosas com as do Mix Brasil.
[ATUALIZADO em 22/08/2008] — A Igreja publicou livreto dirigido aos membros que sentem atração por pessoas do mesmo sexo e aos líderes incumbidos de ajudar essas pessoas intitulado Deus Ama Seus Filhos. O livreto começa dizendo:
Você é um filho ou filha de Deus, e temos o coração cheio de afeto e carinho por vocês. A despeito da atração que sentem atualmente por pessoas do mesmo sexo, vocês podem ser felizes nesta vida, ter uma vida moralmente limpa, realizar um serviço significativo na Igreja, desfrutar do convívio de outros membros da Igreja e, por fim, receber todas as bênçãos da vida eterna.
O profeta Néfi, no Livro de Mórmon, expressou os sentimentos de todos nós ao reconhecer que não “[conhecia] o significado de todas as coisas”. Mas ele testificou: “Sei que [Deus] ama seus filhos” (1 Néfi 11:17). Deus realmente ama todos os Seus filhos. No entanto, muitas dúvidas, inclusive algumas relacionadas à atração por pessoas do mesmo sexo, precisam aguardar uma resposta, talvez na vida futura. Mas Deus revelou verdades simples e imutáveis para guiar-nos. Ele ama todos os Seus filhos e, como Ele o ama, você pode confiar Nele.
O livreto pode ser lido na íntegra neste PDF.
Tags: gay, gay mórmon, homossexual, homossexualismo, Lei da Castidade, mórmon gay, pederastia
83 comentários »
|