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Posts Tagged “Igreja”

Neste fim de semana tivemos mais uma Conferência de Estaca. Foi especial por ter sido aquela na qual conhecemos o homem escolhido pelo Senhor para ser o novo presidente de nossa estaca após nove anos da gestão do anterior, que foi honrosamente desobrigado. A desobrigação do antigo presidente foi acompanhada por largas manifestações espirituais nas quais o Senhor demonstrava estar mesmo honrando aquele homem por seu serviço abnegado e humilde. Como Ele próprio disse:

Pois assim diz o Senhor: Eu, o Senhor, (…) deleito-me em honrar aqueles que me servem em retidão e verdade até o fim. (D&C 76:5)

Por ter sido uma conferência de reorganização de presidência de estaca, foi presidida por uma Autoridade Geral, o Élder Ulisses Soares. Tive o privilégio de ser entrevistado por ele e assistir três sessões de conferência com ele. Constatei ser um homem muito inspirado. Suas palavras soaram como bálsamo para a mente e o espírito. Os momentos em que ouvi aquele homem espiritualmente poderoso falar transportaram-me à atmosfera do templo, único local sobre a face da Terra em que podemos sentir o espírito do Reino Celestial. O Élder Soares conseguiu trazer esse espírito para nossa conferência. Não conseguirei me lembrar de muitas das palavras ditas por ele daqui a algum tempo, mas certamente me lembrarei do Espírito que reinava enquanto ele falava. Que maravilha! Foi como se o Milênio já tivesse começado.

Digo essas coisas não por causa de sua envolvente eloquência ou de seu profundo conhecimento das escrituras, mas porque suas palavras foram acompanhadas do necessário testemunho prestado pelo Espírito do Senhor, graças ao que todos pudemos saber que ele dizia a verdade de Deus e não a dos homens. Esse testemunho prestado por Deus através de Seu Espírito não nos permite duvidar dessa verdade quando nos é apresentada.

Isso me faz pensar por que há tanta gente no mundo incapaz de receber esse testemunho. É tão fácil! Primeiro, basta desejar sinceramente recebê-lo. Depois, é preciso buscá-lo com fé, sinceridade e humildade perante o Senhor, pronto para ouvir o que Ele tem a dizer, mesmo que isso eventualmente vá contra aquilo em que acreditamos — afinal, qual é a opinião que vale, a nossa ou a Dele? Quando Ele manifestar-Se, é preciso ter a coragem de colocar Suas palavras em prática — do contrário, de que terá adiantado recebê-las?

“Uma Bíblia! Uma Bíblia!”

Há uma infinidade de explicações para o porquê de muitos serem incapazes de obter de Deus esse testemunho, mas eu gostaria de comentar um caso em particular: o dos que acham que, como já têm a Bíblia, não precisam de mais nada. Quem pensa assim age como se tentasse colocar uma mordaça em Deus, supondo que Ele não tem mais nada a dizer e que tudo o que havia a ser dito já está na Bíblia. Será que Ele está de acordo com isso? Vejamos o que disse a respeito:

E porque minhas palavras hão de silvar — muitos dos gentios clamarão: Uma Bíblia, uma Bíblia! Temos uma Bíblia e não pode haver qualquer outra Bíblia.

Mas assim diz o Senhor Deus: Ó tolos! Eles terão uma Bíblia e virá dos judeus, meu antigo povo do convênio. E que agradecimento dão aos judeus pela Bíblia que recebem deles? Sim, que pretendem dizer com isto os gentios? Lembram-se eles dos sofrimentos e dos labores e das aflições dos judeus e de sua diligência para comigo em levar a salvação aos gentios?

Ó vós, gentios, vós vos lembrastes dos judeus, meu antigo povo do convênio? Não, mas os amaldiçoastes e odiastes e não haveis procurado recuperá-los. Eis, porém, que farei voltar todas estas coisas sobre vossa cabeça; porque eu, o Senhor, não me esqueci do meu povo.

Tu, néscio, que dirás: Uma Bíblia, temos uma Bíblia e não necessitamos de mais Bíblia! Teríeis obtido uma Bíblia se não fosse pelos judeus?

Não sabeis que há mais de uma nação? Não sabeis que eu, o Senhor vosso Deus, criei todos os homens e que me lembro dos que estão nas ilhas do mar? E que governo nas alturas dos céus e embaixo, na Terra; e revelo minha palavra aos filhos dos homens, sim, a todas as nações da Terra?

Por que murmurais por receberdes mais palavras minhas? Não sabeis que o depoimento de duas nações é um testemunho a vós de que eu sou Deus, de que me recordo tanto de uma como de outra nação? Portanto digo as mesmas palavras, tanto a uma nação como a outra. E quando as duas nações caminharem juntas, os testemunhos das duas nações também caminharão juntos.

E isto eu faço para provar a muitos que sou o mesmo ontem, hoje e para sempre; e que pronuncio minhas palavras segundo minha própria vontade. E porque eu disse uma palavra não deveis supor que não possa dizer outras; pois meu trabalho ainda não está terminado nem estará até o fim do homem nem desde aí para sempre.

Portanto, porque tendes uma Bíblia, não deveis supor que ela contenha todas as palavras minhas; nem deveis supor que eu não fiz com que se escrevesse mais. (2 Néfi 29:3-10)

A conferência deste fim de semana fez-me ver, mais uma vez, quantas bênçãos maravilhosas essas pessoas estão perdendo! Elas nem fazem idéia. O fato de termos escrituras adicionais, revelação, profecia, dons espirituais, profetas e apóstolos — enfim, o fato de o Evangelho ter sido restaurado no mundo em toda sua plenitude por Ele pessoalmente é uma bênção tal como nunca houve igual na história da humanidade. E há quem a despreze por achar que já sabe o suficiente e que não pode haver mais conhecimento a ser obtido de Deus além do que está na Bíblia. Que tristeza!

Este meu diário está repleto de manifestações de alegria e gratidão pela imensa bênção de ser membro da Igreja de Jesus Cristo. Se você quiser ter uma vaga noção de como me sinto por isso, assista o vídeo abaixo. que mostra o Coro do Tabernáculo Mórmon cantando o hino “Creio em Cristo”. Ao final, preste atenção à emoção que estará sentindo em seu coração. Então multiplique essa emoção por dez e talvez consiga ter uma idéia da dimensão e profundidade de minha alegria, gratidão e orgulho por ser membro da Igreja de Jesus Cristo e por ter o Evangelho Restaurado em minha vida. Não há sobre a face da Terra ninguém mais feliz que eu por isso.

Leitura adicional recomendada:

 

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O mundo testemunhou fatos históricos esta semana. O mais significativo deles foi a eleição de Barack Obama para presidente dos Estados Unidos. Aproveitando o dia de eleição, um grupo de Estados americanos incluiu no pleito de terça-feira (5) propostas sobre diversos assuntos, incluindo mudanças na legislação sobre aborto, drogas, educação e casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em três desses Estados — Califórnia, Flórida e Arizona —, a maioria da população optou por dizer não ao casamento gay. No caso da Califórnia, cerca de 52% dos eleitores decidiram aprovar a inclusão na Constituição estadual da seguinte frase: “Apenas o casamento entre um homem e uma mulher é válido e reconhecido na Califórnia”. Ao todo, 27 Estados americanos já haviam proibido o casamento gay antes desta eleição, casamento que havia sido legalizado na Califórnia pela Suprema Corte estadual em junho.

Inconformados, cerca de dois mil homossexuais californianos organizaram muitos protestos contra a proibição, conhecida como Proposition Nº 8. Parte desses protestos concentrou-se ao redor do Templo de Los Angeles, provocando o fechamento temporário do templo. Os manifestantes gritavam palavras de ordem contra a Igreja por ter apoiado a Proposta 8 e incentivado os membros a apoiá-la inclusive com doações financeiras. Os membros californianos da Igreja atenderam ao chamado da Primeira Presidência e, segundo estimativas, doaram ao todo cerca de US$ 20 milhões à causa vencedora. Por isso, os homossexuais revoltados acusam a Igreja de ter comprado o resultado, dentre outras calúnias bem menos suaves.

No cerco que promoveram ao Templo de Los Angeles, os enraivecidos defensores da causa gay picharam e escalaram seus muros gritando “Vergonha!” e “Fanáticos!”. O site do jornal Los Angeles Times publicou dezenas de fotos dos manifestantes escalando os muros do templo, fazendo sinais e, nos casos mais inflamados, sendo presos pela polícia. De acordo com notícias, um ativista gay ligou para o templo dizendo que estariam protestando do lado de fora em caráter permanente enquanto o casamento gay não fosse legalizado. Dentre as pichações no muro do templo lia-se “Voltem para Utah” e “Mórmons vão para o inferno”.

Ainda segundo notícias, os manifestantes prometeram perseguir a Igreja, atacar sua condição de isenta de impostos e infernizar a vida dos membros que fizeram doações em dinheiro à causa anti-casamento gay, relacionados no site Mormonsfor8.com.

Um artigo do site FamilyLeader.info conta que um membro da Igreja residente na área comentou o episódio dizendo: “Não entendo bem a reposta de nossa polícia (embora eu mesmo seja policial). Se isso estivesse acontecendo em uma sinagoga de judeus ou em uma igreja católica, estaríamos prendendo pessoas por crime de ódio. Tal como as coisas estão neste momento, os manifestantes estão sentados no muro do templo e a polícia está no chão, do lado de dentro. Membros da Igreja em nossa região foram convocados na noite passada para irem à sede da estaca e passarem a noite lá para proteger o edifício do vandalismo — é como se fosse há 150 anos”.

Curiosamente, a política de raivosa intimidação promovida pelos ativistas gays contra a Igreja deixou de lado todas as demais agremiações religiosas que também apoiaram a Proposta 8. Embora nenhum prédio de outras igrejas tenha sido atacado como foi o Templo de Los Angeles, gays e aliados têm destilado veneno contra cristãos de modo geral.

Um artigo do site WorldNetDaily.com observa que blogs gays têm efervescido em ameaças contra os que professam crença em Cristo. “Queimem suas igrejas e depois cobrem impostos das cinzas”, escreveu um ativista gay em um blog. Em outro, alguém disse: “Espero que os anti-8 tenham facas bem grandes”. Escreveu-se também: “Alguém na Califórnia poderia botar fogo nos templos mórmons de lá, POR FAVOR? Falo sério! Façam isso!”

Ameaças contra a vida também foram feitas pelos gays, segundo o WorldNetDaily. Um deles disse: “Creia-me: tenho uma longa lista de nomes de mórmons e católicos que foram grandes apoiadores da Proposta 8… Aconselho-os a tomarem cuidado”. Outro escreveu: “Se você estiver planejando um casamento heterossexual na Califórnia… esteja preparado para enfrentar os piqueteiros. Designem alguém para tomar conta do estacionamento… Vocês terão muitas despesas inesperadas. Adicionem US$ 500 a seu orçamento para segurança… Estejam preparados para colocar flores em outros locais além da recepção… ou para um gosto esquisito no bolo de casamento. Tenham medo. Tenham muito medo. Estamos em toda parte”.

Em Salt Lake City, cidade onde se situa a sede da Igreja, também houve hostilidades contra ela. Segundo este artigo (com vídeo) do KLS.com, entre 3 e 5 mil pessoas se concentraram ao redor da Praça do Templo gritando ofensas contra a Igreja. Testemunhas disseram que houve quem fizesse ameaças de morte ao Presidente da Igreja, Thomas S. Monson.

Mas entre os gays também há pessoas de bom senso que, embora aborrecidas, condenam tais atitudes extremadas. De acordo com o artigo do WorldNetDaily, Matt Barber, diretor de assuntos culturais do Liberty Counsel, chamou as ameaças de “crimes de ódio” por seu intento de gerar violência contra alguém por causa de sua crença e convocou o Human Rights Project, o National Gay and Lesbian Task Force e “outros líderes dentro do lobby homossexual” a incentivar o fim de tais ameaças.

Jacob Whipple, organizador da manifestação de Salt Lake City, teve que se desculpar pelos ânimos exaltados de alguns. “Peço desculpas. Isso passou um pouco do limite. Não quero ferir sentimentos de qualquer lado do problema”. Um membro do legislativo do Estado de Utah lembrou à multidão que o mundo os estava observando. “Que protestemos com civilidade e respeito, pois apreciamos a liberdade de religião e de expressão”.

Em resposta aos prostestos, a Igreja pronunciou-se dizendo:

É perturbador que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tenha sido a única a levantar a voz como parte de seu direito democrático em uma eleição livre.

Os membros da Igreja na Califórnia e milhões de outros de todas as religiões, etnias e afiliações políticas que votaram a favor da Proposição 8 exerceram o mais sacrossanto e individual direito dos Estados Unidos: o de livre expressão e voto.

Apesar de aqueles que discordam de nossa posição terem o direito de fazerem seus sentimentos serem conhecidos, é errado transformar a Igreja e seus lugares sagrados de adoração em alvo, já que são parte do processo democrático.

Novamente, conclamamos aos envolvidos no debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo a agir em espírito de respeito mútuo e civilidade uns para com os outros. Ninguém, em nenhum dos lados da questão, deve ser difamado, perseguido ou submetido a informação errônea.

Sensibilizada por tais eventos, a Igreja Católica Apostólica Romana prestou apoio formal a A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias na luta pela família e contra o casamento gay.

Agora, a minha opinião.

Ódio não é coisa de Deus. Quem quer que o promova está a serviço do inimigo de Deus, que é Satanás. Mesmo quem não acredita em Deus (ou em Satanás) sabe que fomentar o ódio é errado. Essa não é a maneira certa de se lutar por um ideal.

Se a lista de igrejas e instituições que apoiaram a Proposta 8 tem várias páginas de extensão — batistas, católicos, episcopais, protetantes, cristãos sem denominação específica, judeus, negros, etc. —, por que só nós é que estamos sendo alvo do ódio gay? Por quê só um pequeno grupo em particular tem que estar sob ataque quando a maioria de uma população expressou sua opinião através de uma eleição livre?

Nós, membros da Igreja, somos ensinados a votar e agir de acordo com os ditames de nossa consciência e concedemos a todos o mesmo direito.

Tenho amigos gays e por eles sinto amor fraternal. Não concordo com o estilo de vida deles e eles sabem disso, mas nem por isso perco o respeito por eles. Na Igreja somos ensinados a amar os pecadores, mas não o pecado.

Acredito que os gays e seus aliados que deixaram sua indignação transformar-se em vandalismo acabaram prestando um desserviço à própria causa. O pedido de Matt Barber, as desculpas de Jacob Whipple e as palavras do legislador de Utah são prova disso.

Pessoalmente, fiquei satisfeito em saber que a Proposição 8 foi aceita e a Constituição da Califórnia terá a inclusão da definição de casamento como sendo apenas entre um homem e uma mulher. Meus motivos para isso estão claramente expostos em meu artigo Por que sou contra o casamento gay. A diferença é que, se minha causa tivesse saído perdedora, como a deles saiu, eu não iria para a rua vandalizar os gays nem escreveria ameaças contra eles em blogs. Por mais antinatural e atentador contra as leis de Deus eu ache que é o homossexualismo e por mais que me sinta incomodado pela atitude gay de tentar impor sua vontade à força e no berro, isso não me dá o direito de querer fazer o mesmo. O que vimos nessas manifestações foi claramente a poderosa e perniciosa influência de Satanás na vida de pessoas sem Deus.

Por lei, a Igreja tem o direito de se manifestar em questões de ordem moral. E é também o que faço neste blog. Foi o que fiz quando me manifestei contra o casamento gay ao vivo em rede nacional de TV. Dentro dos limites estabelecidos pelas leis de Deus e dos homens, todos temos o direito de manifestar nossas idéias. Mas o que os gays fizeram ultrapassou em muito esses limites. Tais atitudes devem ser condenadas e reprimidas. Se acham que têm o direito de lutar pela aprovação de seus valores pela lei dos homens (já que jamais conseguirão mudar as leis de Deus em favor de seus interesses), devem fazê-lo na arena correta: a dos poderes legislativo e judiciário. Foi exatamente isso o que a Igreja fez. Essa é a maneira certa. Se uma guerra não pode ser evitada, que seja de idéias, não de pedras. Convoco meus irmãos homossexuais a fazerem o mesmo. O espaço para comentários deste artigo está aberto para isso.

[ATUALIZAÇÃO, 10/nov/2008]: Meu amigo Oswaldo de Moura mandou-me artigo escrito por um oficial da polícia de Los Angeles, Paul Bishop, que é membro da Igreja e que participou do trabalho de vigiar os protestos dos gays. Ele resumiu o que viu, ouviu, sentiu e aprendeu com as manifestações de ódio dos gays e de seus aliados e, no fim, dá conselhos de deslumbrande beleza e inspiração sobre como lidar com esse tipo de oposição — conselhos que me fizeram perceber que preciso me arrepender em alguns pontos.

Leia o artigo completo (em inglês), ilustrado com diversas fotos, em www.ldsmag.com/ideas/081110hate.html.

[ATUALIZAÇÃO, 14/nov/2008]: Enquanto mais capelas estão sendo vandalizadas, vidros quebrados, muros pichados e outras coisas mais nos estados de Utah e da Califórnia, um envelope branco contendo um pó branco foi encontrado em meio à correspondência endereçada ao Templo de Salt Lake. Os bombeiros foram chamados, o templo foi evacuado e pessoas que tocaram o envelope estão sendo examinadas enquanto não se sabe o que o envelope contém. Outro envelope com pó branco foi enviado ao Templo de Los Angeles. A polícia e o FBI estão investigando o caso. Veja reportagem (em inglês) com vídeo. Há também reportagens em português das agências Reuters e Associated Press.

Sete localidades e edifícios já foram queimados desde 16 de agosto em Brigham City, no norte de Utah, cidade fundada por Brigham Young onde se concentra grande grupo de descendentes dos pioneiros e é a cidade natal do Élder Boyd K. Packer, do Quórum dos Doze, e também onde o Pres. Lorenzo Snow está enterrado. Os silos de grãos incendiados e outras duas propriedades são de pessoas que doaram dinheiro para a campanha pró-Proposição 8. Veja reportagem (em inglês) com vídeo.

Inconformado e sem entender o porquê de toda essa sandice, um católico que doou US$ 20 mil a favor da Proposição 8 escreveu protesto solidário a A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Leia (em inglês) aqui.

Os élderes Dallin H. Oaks, do Quórum dos Doze, e Lance B. Wickman, dos Setenta, deram entrevista em que falam sobre a Proposta 8.

Comentário interessante que li em uma comunidade do Orkut:

“Os mais liberais (homosexuais), que cobram das pessoas uma mente aberta e sem preconceitos e levantam a bandeira da aceitação e da igualdade, estão dando uma bela demonstração de como lidar com os que não aceitam sua maneira de ser.”

É o velho “faça o que digo, mas não faça o que faço”. Isso tem um nome: hipocrisia.

[ATUALIZAÇÃO, 15/nov/2008]: A Primeira Presidência da Igreja emitiu nota oficial em que diz:

Desde quando o povo da Califórnia votou por reafirmar a santidade do casamento tradicional entre homem e mulher, em 4 de novembro de 2008, locais de adoração têm sido alvo de opositores da Proposição 8 com protestos e, em alguns casos, vandalismo. Pessoas de fé têm sido intimidadas por simplesmente exercer seus direitos democráticos. Estas não são ações dignas dos ideais democráticos de nossa nação. O fim de uma eleição livre e justa não deve ser o início de uma resposta hostil nos EUA.

A Igreja tem plena consciência das diferenças de opinião neste assunto sensível e difícil. Os motivos desta posição em defesa do casamento já foram divulgados. No entanto, parte do que temos visto desde que os californianos votaram a favor da Proposição 8 tem sido profundamente desapontador.

Ataques a igrejas e intimidação a pessoas de fé não têm lugar no discurso civil sobre questões controversas. Pessoas de fé têm o direito democrático de expressar sua visão em praça pública sem temer represálias. Esforços para tirar cidadãos da discussão pública devem ser deplorados por pessoas de boa vontade em todo lugar.

Conclamamos os que têm discordâncias honestas sobre o assunto a desencorajar a prática de atos extremos por alguns que estão polarizando ainda mais nossas comunidades e fazer com que ajam em espírito de respeito mútuo e civilidade uns para com os outros.

[ATUALIZAÇÃO, 3/dezembro/2008]: O site do jornal Los Angeles Times publicou ontem opinião do editor em que se diz abismado com a reação ilógica e incoerente dos gays e liberais californianos contra a Igreja, considerando que, se a iniciativa de incentivar firmemente seus membros a apoiar a Proposição 8 tivesse vindo, por exemplo, dos judeus, não só não teria havido tamanha revolta dos gays e liberais como também, se tivesse havido, a reação da sociedade teria sido bem mais pungente. Ele se pergunta o porquê dessa diferença de tratamento e pondera: “É que os mórmons são a mais vulnerável das denominações religiosas culturalmente conservadoras e, portanto, o alvo mais fácil para uma campanha organizada contra a liberdade de consciência religiosa”. A leitura do artigo completo é altamente recomendável para ampliar a compreensão da questão.

 

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Já faz algum tempo que me sinto compelido a publicar algo que esclarecesse um triste episódio envolvendo membros da Igreja do Séc. XIX e que críticos da Igreja adoram usar contra ela.

O texto abaixo é uma tradução livre deste artigo publicado na edição de setembro de 2007 da revista Ensign, às pgs. 14-21.

Meu desejo é o de que este artigo chegue aos olhos e corações de todos os interessados em conhecer a posição oficial da Igreja e compreendam que ela não tem motivos para desculpar-se por algo que não fez.

Como leitura adicional, sugiro esta notícia (em inglês) do Deseret News, que informa não terem sido descobertas evidências de que Brigham Young, presidente da Igreja na época, ordenou o massacre.


 

O Massacre de Mountain Meadows

Por Richard E. Turley Jr.
Diretor do Departamento de Família e História da Igreja

Este mês [setembro de 2007] marca o 150° aniversário de um terrível episódio na história de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Em 11 de setembro de 1857, cerca de 50 a 60 milicianos do sul de Utah, ajudados por aliados indígenas americanos, massacraram aproximadamente 120 emigrantes que viajavam em carroças para a Califórnia. O crime horrível, que poupou apenas 17 crianças de até seis anos, ocorreu em um vale montanhoso chamado Mountain Meadows, cerca de 35 milhas a sudeste de Cedar City. As vítimas, a maioria do Arkansas, estavam a caminho da Califórnia sonhando com um futuro brilhante.

Por um século e meio, o Massacre de Mountain Meadows tem chocado e angustiado quem toma ciência dele. A tragédia provocou profundo pesar nos parentes das vítimas, inflingiu dor e sentimentos de culpa coletiva nos descendentes dos perpretadores e nos Santos dos Últimos Dias em geral, provocou críticas contra a Igreja e levantou questionamentos dolorosos e difíceis. Como pôde isso ter acontecido? Como pôde ter havido participação de membros da Igreja em tal crime?

Dois fatos tornam o caso ainda mais difícil de compreender. Primeiro, nada que nenhum dos emigrantes aparentemente fez ou disse, mesmo que seja tudo verdade, chega perto de justificar suas mortes. Segundo, a grande maioria dos perpretadores levava uma vida decente e pacífica antes e depois do massacre.

Como qualquer episódio histórico, os fatos compreendendo os eventos de 11 de setembro de 1857 requerem compreensão das condições da época, mas apenas um breve resumo deles pode ser compartilhado em poucas páginas de um artigo nesta revista. Para uma leitura mais completa e documentada do evento, o leitor deve consultar o livro O Massacre de Mountain Meadows. [O livro, de autoria dos historiadores SUD Ronald W. Walker, Richard E. Turley e Glen M. Leonard, será publicado em breve pela Oxford University Press.]

Panorama histórico

Em 1857, um exército de cerca de 1500 soldados dos Estados Unidos marchava em direção ao Território de Utah, com mais que viriam em seguida. Nos anos anteriores, discórdias, falhas na comunicação, preconceitos e disputas políticas de ambos os lados criaram um crescente racha entre o território e o governo federal. Diante de tal retrospecto, é fácil ver que ambos os lados exageraram na reação — o governo enviou um exército para acabar com uma suposta traição em Utah e os membros da Igreja criam que o exército vinha para oprimi-los, compeli-los ou mesmo destrui-los.

Em 1858, esse conflito — posteriormente chamado de Guerra de Utah — foi resolvido através de uma conferência de paz e negociação. Uma vez que os milicianos de Utah e as tropas do exército dos EUA nunca chegaram a lutar em campo de batalha, a Guerra de Utah foi caracterizada como “sem sangue”. Mas a atrocidade em Mountain Meadows tornou-a longe de ser sem sangue.

Tal como as tropas estavam a caminho do oeste no verão de 1857, assim também estavam milhares de emigrantes. Alguns deles eram membros da Igreja convertidos indo para Utah, mas a maioria tinha a Califórnia como destino, muitos deles com grandes rebanhos de gado. A temporada de emigração trouxe muitas companhias de carroças a Utah, uma vez que os Santos dos Últimos Dias preparavam-se para o que acreditavam que seria uma invasão militar hostil. Eles já haviam sido violentamente expulsos do Missouri e de Illinois nas duas décadas anteriores e temiam que a história se repetisse.

Brigham Young, presidente da Igreja e governador do território, e seus conselheiros formaram políticas baseadas nessa percepção. Eles instruíram as pessoas a economizar grãos e a preparar-se para guardá-los nas montanhas caso precisassem fugir para lá quando as tropas chegassem. Nem uma semente de grão deveria ser perdida ou vendida a mercadores ou emigrantes de passagem. As pessoas também estavam guardando munição e mantendo suas armas de fogo em ordem, e os milicianos do território foram postos em alerta para defender o território contra a aproximação das tropas, se necessário.

Essas ordens e instruções foram espalhadas para os líderes em todo o território. O Élder George A. Smith, do Quórum dos Doze Apóstolos, levou-as ao sul de Utah. Ele, Brigham Young e outros líderes pregaram ardentemente contra o inimigo que percebiam no exército que se aproximava e buscaram aliança com os índios para resistir às tropas.

Essas políticas de guerra exacerbaram as tensões e conflitos entre os emigrantes que iam em direção à Califórnia e os colonos Santos dos Últimos Dias conforme as caravanas passavam pelos assentamentos de Utah. Os emigrantes ficavam frustrados quando não conseguiam se reabastecer no território como esperavam. Tiveram dificuldades para comprar grãos e munição e seus rebanhos, alguns dos quais contendo centenas de cabeças de gado, tinham que competir com os rebanhos dos colonos pelo pasto e água limitados ao longo do caminho.

Algumas histórias tradicionais de Utah sobre o que ocorreu em Mountain Meadows incorporaram a alegação de que envenenamento também contribuiu para aumentar o conflito — os emigrantes do Arkansas teriam deliberadamente envenenado uma nascente e uma carcaça de boi próximos à cidade de Fillmore, no centro de Utah, causando doença e morte dentre os índios locais. De acordo com essa história, os índios enfureceram-se e seguiram os emigrantes até Mountain Meadows, onde teriam cometido a atrocidade sozinhos ou forçado hesitantes colonos Santos dos Últimos Dias a unirem-se a eles no ataque. A pesquisa histórica mostra que essas histórias não são precisas.

Embora seja verdade que parte dos rebanhos dos emigrantes estivesse morrendo ao longo do caminho, inclusive próximo a Fillmore, as mortes pareceram resultado de uma doença que afetou os rebanhos nas jornadas da década de 1850. Os humanos contraíam a doença dos animais infectados através de cortes, ferimentos ou pelo consumo da carne contaminada. Sem essa compreensão moderna, as pessoas suspeitavam que o problema tivesse sido causado por envenenamento.

A escalada da tensão

O plano de atacar a companhia de emigrantes foi originado dentre a liderança local da Igreja em Cedar City, que havia sido recentemente alertada de que as tropas federais poderiam entrar a qualquer momento através da passagem ao sul de Utah. Cedar City era a última cidade na rota para a Califórnia para o reabastecimento de grãos e suprimentos, mas ali também os emigrantes se frustraram. Produtos básicos não estavam disponíveis na loja da cidade e o dono do moinho cobrou um boi inteiro — um preço exorbitante — para moer algumas dúzias de medidas de grãos. Semanas de frustrações logo cobraram seu preço. Com a tensão crescendo, um dos emigrantes alegou possuir a arma que matou Joseph Smith. Outros ameaçaram unir-se às tropas federais contra os Santos dos Últimos Dias. Alexander Fancher, capitão da caravana dos emigrantes, repreendeu esses homens.

As afirmações daqueles homens muito provavelmente foram ameaças vazias feitas no calor do momento, mas, no ambiente em transformação de 1857, os líderes de Cedar City levaram as declarações daqueles homens a sério. O delegado da cidade tentou prender alguns dos emigrantes sob a alegação de intoxicação pública e blasfêmia, mas foi forçado a recuar. A companhia de carroças seguiu seu caminho para sair da cidade cerca de uma hora depois, mas os agitados líderes de Cedar City não estavam dispostos a deixar o assunto morrer. Planejaram chamar a milícia local para perseguir e prender os ofensores e talvez confiscar parte de seu gado. Carne e grãos faziam parte da comida que os Santos dos Últimos Dias pretendiam usar para sobreviver se tivessem que fugir para as montanhas quando as tropas chegassem.

O prefeito de Cedar City, o comandante da milícia e o presidente de estaca Isaac Haight descreveram o descontentamento contra os emigrantes e pediram permissão para chamar a milícia em um despacho expresso ao comandante distrital da milícia, William Dame, que vivia nas proximidades de Parowan. Dame era também presidente da estaca de Parowan. Após convencer um conselho a discutir o assunto, Dame negou o pedido. “Não dêem importância às ameaças deles”, escreveu ele no despacho de volta à Cedar City. “Palavras são como o vento: elas não injuriam ninguém. Mas se eles (os emigrantes) cometerem atos de violência contra os cidadãos, informem-me imediatamente e tais medidas serão adotadas para assegurar a tranquilidade”. [James H. Martineau, “The Mountain Meadow Catastrophy,” July 23, 1907, Church Archives, The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints.]

Ainda querendo punir os emigrantes, os líderes de Cedar City então formularam um novo plano. Como não podiam usar a milícia para prender os ofensores, persuadiriam os índios Paiute para darem à companhia do Arkansas uma “lição”, matando alguns ou todos os homens e roubando seu rebanho. [John D. Lee, Mormonism Unveiled: The Life and Confessions of the Late Mormon Bishop, John D. Lee (1877), 219.]

O ataque foi planejado para uma parte da caravana para a Califórnia que fugiu por uma passagem estreita do cânion do Rio Santa Clara, várias milhas ao sul de Mountain Meadows. Essa área estava sob a jurisdição da milícia do Fort Harmony, liderada por John D. Lee, que foi convencido a participar do plano. Lee era também um “fazendeiro indígena” fundeado pelo governo federal para os índios Paiutes locais. Lee e Haight tiveram uma longa conversa durante a noite sobre os emigrantes, na qual Lee disse a Haight que acreditava que os Paiutes “matariam a todos, homens, mulheres e crianças” se fossem incitados a atacar. [Mormonism Unveiled, 220.] Haight concordou e os dois planejaram depositar toda a culpa pela matança aos pés dos índios.

Os normalmente pacíficos Paiutes relutaram quando foram apresentados ao plano pela primeira vez. Apesar de ocasionalmente assaltarem os estoques de emigrantes em busca de comida, não tinham tradição de ataques em larga escala. Mas os líderes de Cedar City prometeram-lhes uma pilhagem e os convenceram de que os emigrantes estavam alinhados com as tropas “inimigas” que matariam os índios junto com os colonos mórmons.

Em 6 de setembro, domingo, Haight apresentou o plano ao conselho de líderes locais que ocupavam posições eclesiásticas, civis e militares. O plano encontrou resistência dos que o ouviram pela primeira vez, produzindo um acalorado debate. Finalmente, o conselho de membros perguntou a Haight se ele havia consultado o Presidente Brigham Young a respeito. Respondendo que não, Haight concordou em enviar um mensageiro expresso a Salt Lake City com uma carta explicando a situação e pedindo orientação.

O cerco de cinco dias

Mas, no dia seguinte, pouco antes de Haight enviar a carta a Brigham Young, Lee e os índios fizeram um ataque prematuro ao campo de emigrantes em Mountain Meadows ao invés de no local planejado no cânion de Santa Clara. Vários dos emigrantes foram mortos, mas os que sobraram resistiram ao ataque, forçando um recuo. Os emigrantes rapidamente organizaram seus carroções em círculo, protegendo-se dentro dele. Dois outros ataques ocorreram nos dois dias seguintes dos cinco que durou o cerco.

Após o ataque inicial, dois milicianos de Cedar City, julgando ser necessário conter a volatilidade da situação, atiraram em dois cavaleiros emigrantes descobertos poucas milhas fora do círculo. Eles mataram um dos cavaleiros, mas o outro escapou e voltou para o círculo, levando a notícia de que os matadores de sua companhia eram homens brancos, não índios.

Os conspiradores foram apanhados em sua teia de enganos. Seu ataque aos emigrantes tinha falhado. Seu comandante militar logo saberia que eles tinham grosseiramente desobedecido suas ordens. Um despacho havia sido enviado a Brigham Young em Salt Lake City. Uma testemunha do envolvimento dos brancos havia espalhado a notícia dentre os emigrantes. Se os emigrantes sobreviventes fossem libertados e seguissem seu caminho para a Califórnia, logo se espalharia a notícia de que os mórmons estavam envolvidos no ataque. Um exército já se aproximava do território e, se a notícia de sua participação no ataque chegasse a eles, criam os conspiradores, resultaria em ação militar retaliatória que ameaçaria suas vidas e as vidas de seu povo. Além disso, esperava-se para qualquer dia a chegada de outras caravanas de emigrantes para a Califórnia em Cedar City e depois a Mountain Meadows.

Ignorando a decisão do conselho

Em 9 de setembro, Haight viajou a Parowan com Elias Morris, um dos dois capitães da milícia e seu conselheiro na presidência da estaca. Novamente, pediram permissão a Dame para convocar a milícia e, novamente, Dame reuniu o conselho de Parowan, que decidiu que homens deveriam ser enviados para ajudar os combalidos emigrantes a prosseguir em seu caminho em paz. Posteriormente, Haight lamentou: “Eu daria um mundo, se o tivesse, se tivéssemos sustentado a decisão do conselho”. [Andrew Jenson, notas da conversa com William Barton, Jan. 1892, arquivo Mountain Meadows, Jenson Collection, Church Archives.]

Ao invés, quando a reunião terminou, Haight e seu conselheiro encontraram Dame sozinho e compartilharam com ele informações que não tinham dito ao conselho: os emigrantes encurralados provavelmente sabiam que homens brancos estavam envolvidos nos ataques iniciais. Essa informação levou Dame, agora isolado do moderado consenso de seu conselho, a repensar sua decisão anterior. Tragicamente, ele cedeu. Quando a conversa terminou, Haight achou que tinha sua permissão para usar a milícia.

Na chegada a Cedar City, Haight imediatamente convocou duas dúzias de milicianos, a maioria policiais, para juntar-se aos que já esperavam próximo ao acampamento dos emigrantes em Mountain Meadows. Aqueles que haviam deplorado a violência contra seu próprio povo no Missouri e em Illinouis estavam agora prestes a virtualmente seguir o mesmo padrão de violência contra outros, mas em escala mortal.

O massacre

Na sexta-feira, 11 de setembro, Lee entrou no acampamento dos emigrantes com uma bandeira branca e, de certa forma, convenceu-os a aceitar termos perigosos. Ele lhes disse que a milícia os escoltaria em segurança na passagem pelos índios de volta a Cedar City, mas tinham que deixar para trás seus bens e entregar as armas, sinalizando aos índios suas intenções pacíficas. Os desconfiados emigrantes debateram o que fazer, mas, no fim, aceitaram os termos, já que não tinham alternativa melhor. Estavam sitiados há dias, com pouca água, os feridos estavam morrendo e não tinham munição suficiente para suportar mais um ataque.

Como combinado, as crianças mais novas feridas deixaram o acampamento primeiro, levadas em dois carroções, seguidos pelas mulheres e crianças que podiam andar. Os homens e garotos mais velhos ficaram por último, cada um escoltado por milicianos armados. A procissão marchou por cerca de uma milha até que, num sinal previamente combinado, cada miliciano virou-se e atirou no emigrante próximo a ele, enquanto os índios saíram de seus esconderijos para atacar as aterrorizadas mulheres e crianças. Os milicianos que acompanhavam os dois primeiros carroções mataram os feridos. Apesar dos planos de culpar os Paiutes pelo massacre — e dos persistentes esforços posteriores em fazê-lo —, Nephi Johnson depois susteve que seus companheiros milicianos foram responsáveis pela maior parte da matança.

Comunicado tardio

A mensagem expressa de resposta do Presidente Young a Haight, datada de 10 de setembro, chegou em Cedar City dois dias depois do massacre. Sua carta relatava notícias recentes de que não havia tropas do exército americano em condições de alcançar o território antes do inverno. “Portanto, vejam que o Senhor respondeu nossas preces e, novamente, evitou a desgraça concebida para cair sobre nossas cabeças”, escreveu ele.

“No que diz respeito às caravanas de emigrantes passando por nossos assentamentos”, prosseguiu Young, “não devemos interferir nelas antes de serem notificadas a seguirem seu curso. Vocês não devem se meter com elas. Esperamos que os índios façam o que acharem melhor, mas vocês devem tentar preservar um bom relacionamento com eles. Não há outras caravanas indo para o Sul, que eu saiba. (…) Os que estão lá devem deixá-los ir em paz. Apesar de precisarmos estar alertas e sempre prontos, devemos também possuir a nós mesmos com paciência, preservando-nos e tendo sempre em mente os mandamentos de Deus.” [Brigham Young to Isaac C. Haight, Sept. 10, 1857, Letterpress Copybook 3:827–28, Brigham Young Office Files, Church Archives.]

Quando Haight leu as palavras de Young, chorou como criança e só conseguiu dizer as palavras “tarde demais, tarde demais”. [James H. Haslam, entrevista por S. A. Kenner, relatado por Josiah Rogerson, Dec. 4, 1884, material impresso, 11, em Josiah Rogerson, Transcripts and Notes of John D. Lee Trials, Church Archives.]

Conseqüências

As 17 crianças sobreviventes, consideradas “novas demais para contar histórias”, foram adotadas por famílias locais. [John D. Lee, “Lee’s Last Confession,” San Francisco Daily Bulletin Supplement, Mar. 24, 1877.] Representantes do governo resgataram as crianças em 1859 e as devolveram aos membros de suas famílias no Arkansas. O massacre ceifou cerca de 120 vidas e afetou irremediavelmente as vidas das crianças sobreviventes e de seus parentes. Um século e meio depois, o massacre permanece sendo um assunto profundamente doloroso para seus descendentes e outros parentes.

Embora Brigham Young e outros líderes da Igreja em Salt Lake City tenham sabido do massacre logo após o ocorrido, a percepção da extensão do envolvimento dos assentados e os terríveis detalhes do crime só chegaram aos poucos ao longo do tempo. Em 1859, eles desobrigaram de seus chamados o presidente de estaca Isaac Haight e outros proeminentes líderes da Igreja em Cedar City que tiveram participação no massacre. Em 1870, excomungaram Isaac Haight e John D. Lee da Igreja.

Em 1874, um juri territorial acusou judicialmente nove homens por sua participação no massacre. A maioria deles eventualmente foi presa, embora apenas Lee tenha sido julgado, condenado e executado pelo crime. Outros acusados tornaram-se provas do Estado e outros ficaram foragidos da lei por muitos anos. Outros milicianos que participaram do massacre lutaram pelo resto de suas vidas contra um terrível sentimento de culpa e tiveram pesadelos recorrentes por causa do que fizeram e testemunharam.

As famílias dos homens que planejaram o crime sofreram com o ostracismo imposto por seus vizinhos ou com alegações de que maldições haviam caído sobre eles. Por décadas, os Paiutes também sofreram injustamente, pois muitos os consideravam culpados pelo crime, chamando-os e a seus descendentes de “quemiadores de carroções”, “selvagens” e “hostis”. O massacre tornou-se uma mancha indelével na história da região.

Hoje, alguns dos descendentes das vítimas do massacre e seus parentes são Santos dos Últimos Dias. Esses indivíduos estão em uma posição incomum, pois sabem como é ser um membro da Igreja e também um parente de vítima.

James Sanders é bisneto de Nancy Saphrona Huff, uma das crianças que sobreviveram ao massacre. “Ainda sinto dor; ainda sinto raiva e tristeza por causa do massacre”, disse o irmão Sanders. “Mas sei que as pessoas que fizeram isso responderão perante o Senhor e isso me traz paz”. O irmão Sanders, que serve como consultor de história da família em sua ala no Arizona, disse que saber que um ancestral seu foi morto no massacre “não afeta minha fé, pois ela é baseada em Jesus Cristo, não em nenhuma pessoa da Igreja”.

Sharon Chambers, de Salt Lake City, é bisneta da sobrevivente Rebecca Dunlap. “As pessoas que fizeram isso perderam seu rumo. Não sei o que havia em suas mentes ou em seus corações”, disse ela. “Sinto pesar pelo que aconteceu a meus ancestrais. Também sinto pesar pelo fato de haver quem culpe todo um grupo, ou toda uma religião, pelos atos de alguns”.

O Massacre de Mountain Meadows tem causado dor e controvérsia por 150 anos. Nas últimas duas décadas, os descendentes e outros parentes dos emigrantes e dos perpretadores têm às vezes trabalhado juntos para preservar a memória das vítimas. Esses esforços tiveram o apoio do Presidente Gordon B. Hinckley [décimo-quinto presidente da Igreja, falecido em janeiro de 2008], representantes do Estado de Utah e de outras instituições e indivíduos. Dentre os frutos dessa cooperação estão a construção de dois memoriais no local do massacre e a colocação de placas em homenagem aos emigrantes do Arkansas. Grupos de descendentes, líderes e membros da Igreja e autoridades civis continuam a trabalhar pela reconciliação e participarão de vários serviços memoriais neste mês em Mountain Meadows.

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Ilustração do futuro Templo de Manaus

Na bela manhã ensolarada de hoje (20/6), às margens do Rio Negro, em Manaus, líderes e membros da Igreja na região puderam participar de um evento tão esperado: a cerimônia de abertura de terra para a construção do Templo de Manaus Brasil.

A temperatura era de 30 graus, amena para um lugar conhecido pelo forte calor. O céu, com um lindo azul, trouxe ainda mais alegria para aqueles que testemunharam o início de uma obra que trará mais luz e entendimento ao povo da cidade.

Presidida pelo Élder Charles Didier, que estava acompanhado de seus conselheiros na Presidência da Área Brasil, Élderes Ulisses Soares e Stanley G. Ellis, juntamente com suas respectivas esposas, a cerimônia contou com a presença do prefeito da Cidade de Manaus, Serafim Corrêa, e do vereador Arlindo Jr., além do Élder Itinose, Setenta de Área e atualmente servindo como presidente da Missão Brasil Manaus.

“Hoje é um dia de preparação”, disse o Élder Ellis, palavras endossadas pelo Élder Didier, que deixou a mensagem final e proferiu a oração dedicatória para a construção do templo. Élder Soares contou que o terreno havia sido escolhido há 13 anos e que “chegou o dia tão esperado”.


Presidência da Área Brasil: Élder Ulisses Soares (2º Cons., à esq.),
Élder Charles Didier (Pres.) e Élder Stanley G. Ellis (1º Cons.)

Há 18 anos foi organizada a Missão Brasil Manaus, em julho de 1990. O então presidente da Missão, Cláudio Costa, ensinava aos missionários a importância de encontrar e batizar famílias completas. “Templo significa famílias. Para uma dia termos um templo nesta cidade, precisamos batizar famílias hoje”, enfocava o presidente Costa. Atualmente na Presidência dos Setenta, o Élder Claudio R. M. Costa afirmou: “A Casa do Senhor será a maior bênção concedida à cidade de Manaus. O Templo de Manaus será um dos mais movimentados do mundo”. Ele relatou que os membros da Igreja na região fizeram grandes sacrifícios, primeiro viajando sete dias para irem ao Templo de São Paulo, depois quarenta horas para irem ao Templo de Caracas na Venezuela. O Pres. Geraldo Lima, presidente da Estaca Manaus Cidade Nova que já liderou 13 das 20 caravanas ao templo na Venezuela, contou: “Sempre que voltávamos do Templo de Caracas havia muita felicidade, apesar do grande sacrifício. Em breve teremos essa mesma alegria todos os dias aqui em nossa cidade com o futuro Templo de Manaus.”

Para Alice Chaves, 35 anos e batizada desde os 14, “Esta é a maior bênção neste momento de nossas vidas. Lembrei-me de quando tudo começou, quando me batizei e agora vejo as promessas se cumprindo como um milagre”, recordou emocionada e feliz.

Após a oração dedicatória, os membros da Presidência da Área Brasil pegaram a pá e abriram a terra de forma simbólica. Élder Didier então convidou algumas irmãs para fazerem o mesmo, enfatizando: “Irmãs, vocês vão ajudar muito neste futuro templo.”

Nesses 18 anos da Missão Manaus, a cidade que tinha só uma estaca em 1990, tem hoje 8 delas com mais de 44 mil membros que se reúnem em 22 capelas aos domingos.

Além da matéria publicada hoje pelo jornal Amazonas em Tempo, estiveram presentes outros repórteres de rádio e TV locais.

O Templo de Manaus Brasil foi anunciado no dia 23 de maio de 2007 e será o sexto templo construído no País, depois de São Paulo, Recife, Porto Alegre, Campinas e mais recentemente, Curitiba.

Com informações do departamento de assuntos públicos da Igreja

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Não lembro exatamente quando entrei no Orkut, nem a convite de quem. Quando me associei a ele, o Orkut ainda era um serviço jovem: foi inaugurado em 24 de janeiro de 2004 pelo programador turco Orkut Büyükkokten, funcionário da Google Inc. que emprestou seu nome ao serviço controlado pela empresa.

(Se você ainda não sabe o que é o Orkut, saiba aqui.)

Na época, o serviço não existia em português e a grande maioria dos associados era de orígem norte-americana, por isso escrevi em inglês todos os dados da primeira versão de meu perfil. Mas já estava em curso a grande invasão de brasileiros que veio a tomar o Orkut de assalto. Essa invasão despertou a ira de certos grupos de usuários americanos (seguramente “aborrecentes” com vento na cabeça), que até chegaram a criar comunidades de fomento ao ódio contra a maciça presença de brasileiros no Orkut. Não adiantou. Hoje, os brasileiros predominam: são 53,94%, contra apenas 15,1% de americanos, segundo dados estatísticos de junho de 2008.

Ainda segundo estatísticas recentes, 61,46% dos inscritos têm entre 18 e 25 anos. Isso pode explicar a fenomenal proliferação de comunidades dedicadas a temas totalmente boçais, como “Nunca andei de zebra”, “Ih, chuveu! Cabelo ecolheu“, “Eu já fui um espermatozóide”, “É pavê ou pacomê?” (e chega por aqui, pois boçalidade pode ser contagiosa). Outras há dedicadas a enaltecer a miséria espiritual humana, como a “Te INCOMODO?? Que peeena!”, em torno da qual deve orbitar gente que pensa que pode atingir o sucesso pisando em todos e achando-se com razão — no momento da redação deste artigo havia nessa comunidade mais de quatro milhões de inscritos, nenhum deles conversando sobre o tópico da comunidade.

Eu estava inscrito em apenas três: a “Todaro Family”, criada por mim para tentar reunir interessados na pesquisa genealógica da família; a “Data Control Maceió”, dedicada a ex-professores e alunos da filial da implodida rede de ensino de informática na qual trabalhei como instrutor; e a “Mormon Thought”, para membros, pesquisadores, opositores e caluniadores da Igreja.

Lamento ter que dizer que esta última teve grande peso em minha decisão de sair do Orkut.

Quando assim decidi, minha lista de amigos somava 130 pessoas, em sua maioria membros da Igreja. Do restante, quase todos eram pessoas com quem eu compartilhava o sobrenome, as quais “fisguei” ao longo do tempo na vã esperança de que se interessassem em contribuir com uma pesquisa genealógica que poderia beneficiar também a eles próprios. Umas poucas pessoas formavam um terceiro grupo sem relação com os outros dois. Sempre procurei manter essa lista o mais enxuta possível, eliminando desconhecidos cujo motivo para tê-los adicionado eu sequer conseguia lembrar — portanto, que não representavam para mim nada além de um número na lista. Prefiro qualidade à quantidade.

Das três comunidades, a única da qual eu ocasionalmente participava era a Mormon Thought. Nunca apreciei nela o fato de ser aberta a difamadores e caluniadores da Igreja. Minha única motivação para permanecer nela era a boa quantidade de grandes conhecedores da doutrina e da história da Igreja, além de outros membros cujas opiniões demonstravam grande afinidade com o Evangelho Restaurado de Jesus Cristo e com os quais eu me identificava. Seu criador é um dos que reúnem ambos os atributos. Ele justifica a abertura da comunidade aos críticos dizendo que o debate ajuda a esclarecer dúvidas de pesquisadores genuínos e crê na validade da prática da argumentação. Ele gosta de debater. Foi com esse intuito que sugeriu ao UOL a criação do fórum “mormonismo” na época em que o UOL hospedava fóruns sobre os mais variados assuntos. Depois que o UOL acabou com eles, criou a comunidade Mormon Thought no Orkut, igualmente aberta ao debate entre membros e não-membros (leia-se críticos). Ele também está inscrito no meu grupo Mórmons do Brasil, mas como as regras do grupo não admitem críticas à Igreja, ele não tem com quem debater e essa deve ser a razão pela qual não participa ativamente do grupo.

No que me diz respeito, a presença de críticos na Mormon Thought não seria problema não fosse o fato de haver gente interessada unicamente em atirar pedras, atitude reprimida apenas quando ultrapassado certo limite que, para mim, era frouxo demais. Eu não tinha prazer em participar dessa comunidade por esse motivo. Não vejo qualquer razão para ser preciso ficar respondendo críticas maliciosas de certos opositores ignorantes, mal informados ou mal intencionados, respostas essas que alimentam mais críticas e assim por diante. Sempre que via isso acontecer, lembrava-me da seguinte passagem do Livro de Mórmon:

Não obstante, houve alguns entre eles que quiseram interrogá-los para ver se, com seus astutos ardis, conseguiriam enredá-los em suas próprias palavras e, assim, obter um testemunho contra eles (Alma 10:13).

Creio ser contra esse tipo de situação que o Senhor nos adverte ao dizer:

Não haverá disputas entre vós, como até agora tem havido; nem haverá disputas entre vós sobre os pontos de minha doutrina, como até agora tem havido. Pois em verdade, em verdade vos digo que aquele que tem o espírito de discórdia não é meu, mas é do diabo, que é o pai da discórdia e leva a cólera ao coração dos homens, para contenderem uns com os outros. Eis que esta não é minha doutrina, levar a cólera ao coração dos homens, uns contra os outros; esta, porém, é minha doutrina: que estas coisas devem cessar. (3º Néfi 11:28-30).

Eis porque nunca me envolvi em debates dessa natureza. Não vejo nisso rigorosamente nenhum proveito. Aquele que tem o “espírito de discórdia” mencionado pelo Senhor não está pronto para abraçar o Evangelho, portanto a discussão é inútil, além de violar o mandamento do Senhor citado acima. Quando estiver pronto, o pesquisador sincero se enquadrará na situação descrita pelo Senhor em D&C 29:7: “meus eleitos ouvem minha voz e não endurecem o coração”, caso em que nenhum debate será necessário.

Quando o momento era oportuno, minha participação na Mormon Thought limitava-se a contar experiências, prestar testemunho e divulgar artigos de meu blog que eu jugava de interesse dos membros fiéis da Igreja lá presentes — e apenas deles.

Foi nessa comunidade que fiquei sabendo da existência de outra, dedicada exclusivamente a ex-membros da Igreja hoje congregados nela apenas para cuspir no prato em que comeram. Curioso para saber o que diziam, eu a visitava com alguma regularidade. Mas, sempre que o fazia, saia dela enojado. A profusão de calúnias e escárnios gratuitos contra tudo que diga respeito à Igreja e todos os envolvidos com ela — líderes, especialmente — é algo impossível de entender. Mentem sem pudor. Salvo raras e honrosas exceções, aqueles apóstatas estão tão afundados no erro que não percebem a sordidez e a falsidade impregnadas nas próprias palavras.

Um exemplo significativo das mentiras a que me refiro é o que disse de mim um ex-membro que hoje se declara ateu: “O Todaro só posta na Mormon Thought quando é pra fazer propaganda do seu blog” — mentira do tipo que aqueles apóstatas adoram espalhar. O ateu em questão sabe que é mentira, ainda assim optou por mentir. Dizer a verdade não dá ibope entre eles.

Outra mentira, do tipo que faz a alegria dos amantes da violação do 9º dos Dez Mandamentos — “Não dirás falso testemunho contra teu próximo” —, foi proferida por alguém que afirmou que meu único intuito ao divulgar meus artigos na Mormon Thought é procurar trabalho (pois neste blog informo que sou webmaster).

O interessante é que nenhum deles me critica “na cara”. Todos o fazem pelas costas. Que cada um julgue por si para saber que nome se dá a esse tipo de atitude.

Há outros exemplos. O ex-missionário que fez de mim alvo da tentativa de assédio moral de que trato no artigo Esses antimórmons são uma graça! foi mais longe. Publicou em seu blog um artigo absolutamente fantasioso sobre minha participação no Superpop de Luciana Gimenez. Ele parece estar obcecado pelo fato de eu não ter usado o programa para armar um grande barraco contra os gays, como queria. Por isso, todo seu texto é carregado de injúrias, calúnias e difamações contra mim. Depois, produziu um vídeo em que lê e interpreta sua criação, que poderia muito bem servir de roteiro de uma comédia pastelão (devo reconhecer que, pelo menos, ele interpreta bem). Como tenho o vídeo do Superpop, seria muito fácil para mim — e humilhante para ele — provar o caráter alucinado de seu texto, se eu quisesse. Mas não vou meter a mão nesse vespeiro por tão pouco. Afinal, que grande dano ele está causando? Rigorosamente nenhum! Como contou o Pres. Gordon B. Hinckley em seu discurso Tardio em irar-se, proferido na Conferência Geral de outubro de 2007:

Certa ocasião, um homem que fora difamado por um jornal “procurou Edward Everett para perguntar o que deveria fazer a respeito. Everett disse: ‘Não faça nada! Metade das pessoas que compraram o jornal jamais viram o artigo. Metade dos que o viram, não leram. Metade dos que o leram, não entenderam. Metade dos que entenderam, não acreditaram. Metade dos que acreditaram não deram a mínima importância’” (Sunny Side of the Street, novembro de 1989; ver também Zig Ziglar, “Staying Up, Up, Up in a Down, Down World” [2000], p. 174).

Tantos de nós fazem um grande estardalhaço por coisas sem importância. Ficamos ofendidos com muita facilidade. Feliz é o homem que pode deixar de lado os comentários ofensivos de outrem e seguir seu caminho.

Estou convencido de que tanta pobreza espiritual não pode ter origem unicamente humana. Eis porque afirmo ser pesada a influência de Satanás naquele meio, ele que é “o pai de todas as mentiras” (Moisés 4:4). É como escrevi em meu artigo Esses antimórmons são uma graça!: “Que apostatem, se quiserem, mas não percam a dignidade! Nada há mais triste que um apóstata moralmente vazio”.

Em visita recente ao grupo deles, encontrei um ex-professor do Instituto de Religião da Igreja, hoje convertido à fé evangélica batista, queixando-se de ter sido vítima de uma injustiça cometida por uma mulher que ele afirmava — sem qualquer prova substancial — ser membro da Igreja. Segundo ele, a mulher o acusou de algo que não fez e o ameaçou de processo judicial. No intuito de ajudá-lo, inscrevi-me na comunidade para dizer-lhe, entre outras coisas, o seguinte: “Se você não fez aquilo de que ela lhe acusa, não tem porquê se preocupar. Deixe que ela se vire tentando provar a acusação, caso seja capaz, e vá dormir tranqüilo”. A partir daí, começamos a trocar algumas mensagens particulares e por algum tempo pareceu-me que eu tinha conquistado uma nova amizade, tanto que me senti à vontade para aceitar seu convite de adição como amigo no Orkut. O fato de eu também ter sido evangélico batista por um breve período de minha adolescência serviu como ponto de afinidade.

Só que, para minha decepção, as afinidades acabaram quando descobri que meu novo amigo era um dos que se empenhava em jogar gasolina na fogueira dos erros daquele grupo de apóstatas. Ele também participa da Mormon Thought, na qual critica abertamente a Igreja e suas práticas e doutrina, às vezes fazendo exatamente o que descreve Amuleque em Alma 10:13. Fiquei triste em vê-lo atirando lama no nome da Igreja, sem qualquer fundamento para tal, em diversos tópicos de ambas as comunidades. Descobri também que ele aplaude e enaltece a obra de meu principal “fã”. Aliás, ele bem que tentou incendiar as coisas entre esse “fã” e eu e, quando viu que eu não entraria na onda dele, exclamou: “Que pena!”. É público e notório que ele se diverte vendo o circo pegar fogo, por isso vive tentando ateá-lo.

Para ser franco, não sei porquê fiquei surpreso. Afinal, onde foi que o conheci? Numa comunidade de apóstatas escarnecedores. O que se poderia esperar dele? Dentre os 130 integrantes de minha lista de amigos, ele era o único que não demonstrava qualquer respeito por minha tão amada religião — que também foi dele, aliás. Por isso, removi-o da lista explicando-lhe que eu não estaria sendo coerente comigo mesmo se permitisse que permanecesse nela. Sua remoção não significava uma declaração de inimizade, mas do fim das afinidades que justificavam sua permanência dentre os 130. Como posso considerar amigo alguém que pisa e cospe em algo que me é tão caro e que demonstra não ter qualquer respeito e consideração pela fé alheia?

Foi somente então que percebi quanto tempo eu estava desperdiçando no Orkut, preocupado em saber o que os detratores diziam da Igreja à qual um dia pertenceram, tanto na comunidade criada para eles quanto naquela na qual acho que não deveriam estar. Que queiram ter um espaço só para eles, tudo bem, mas eu não via e ainda não vejo qualquer necessidade de conviver com a apostasia. A preocupação em saber o que diziam tinha se tornado um vício que precisava ser quebrado. Sair meramente da Mormon Thought não resolveria o problema, pois seu conteúdo é público e a curiosidade acabaria levando-me lá de volta, quando então começaria tudo de novo. A maneira que encontrei de fazê-lo foi semelhante à que se faz no combate de alguns tipos de vício: cortando o mal pela raiz.

Eliminar um vício em alguns casos pode ser um processo longo e penoso. Que o digam os viciados em tabaco e outras drogas, por exemplo. No caso do meu vício da “vigilância” sobre aqueles apóstatas do Orkut, o único pesar que senti pelo corte radical foi a perda de contato com alguns dos 130 que me eram realmente caros — o missionário que me batizou em 1984, a missionária que ensinou minha mulher, alguns membros de minha ala e alguns parentes, dentre outros de quem me orgulhava em ter em minha lista. Fora isso, a transição se deu de modo absolutamente sereno. Acredito que tal serenidade deve demonstrar maturidade emocional e espiritual suficientes para permitir-me pensar sempre em termos de elevação de minha reverência e estatura espiritual. De fato, se há algo que NÃO se pode dizer sobre minha experiência com aqueles apóstatas é que foi edificante e inspiradora. Pelo contrário, foi deprimente e lamentável. Compare-se isso com a experiência de ler a transcrição da mensagem deixada pelo Pres. Thomas S. Monson em Brasília, no último dia 2, na qual transmitiu palavras que, se seguidas, aproximam qualquer criatura de seu Sublime Criador.

O problema com o Orkut não é o Orkut em si, e sim o que se faz nele. O Orkut é meramente um dos incontáveis serviços disponíveis na Internet que podem servir de bênção ou de maldição, dependendo de como são usados. A partir de quando percebi que meu rumo nele começou a ser desviado em direção à maldição, tratei de cortar o mal pela raiz, como disse acima. Essa decisão seguramente não é definitiva nem irrevogável, pois o Orkut pode perfeitamente servir a propósitos dignos, edificantes e inspiradores. É o que pretendo fazer tão logo me sinta desintoxicado do veneno destilado pelos que se empenham em crucificar Cristo mais uma vez.


ATUALIZADO em 29/6:

Eu sabia que meu exílio voluntário não duraria muito. Acabou hoje.

O que me incentivou a voltar foi o convite de Sister Muir, esposa do presidente da Missão Brasil Maceió. O casal está concluíndo seu chamado missionário de três anos e amanhã embarca de volta para seu lar, em Utah, EUA. Ao se despedir de minha mulher e de mim, convidou-nos a nos reencontrarmos no Orkut. Não tive como recusar. Sinto-me honrado pela companhia de pessoas assim dignas, ainda que seja uma companhia virtual.

Sim, o Orkut também serve a propósitos relevantes e inspiradores. É o único uso que pretendo fazer dele daqui por diante.

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