A fé é racional, senão não é fé, é fideísmo

Gosto muito do Programa do Jô, mas o horário em que é apresentado me costuma ser proibitivo. Também não tenho tempo de ficar assistindo os vídeos do programa no site. Por isso, acho bastante significativo o fato de que, numa das raras oportunidades que tenho de ir ao site do programa procurar alguma entrevista interessante para assistir, eu tenha me deparado justamente com a do arqueólogo Rodrigo Pereira da Silva.

Em 29 de novembro último o programa exibiu entrevista com ele, que é doutor em Teologia Bíblica e tem pós doutorado em arqueologia bíblica pela Andrews University (EUA), na qual mostrou alguns artefatos contemporâneos de Jesus Cristo e, do meio da entrevista, introduziu o assunto ressurreição de Jesus falando de vários dos muitos elementos históricos que comprovam esse fato.

Chamou-me a atenção a quase irracional teimosia do Jô em duvidar desses elementos históricos para sustentar que crer ou não na ressurreição de Jesus — e, portanto, no testemunho dos apóstolos e no de uma multidão de pessoas que estiveram com Ele após Sua ressurreição — é uma mera questão de fé, não um fato comprovável por qualquer meio. É o mesmo que dizer que daqui a 2 mil anos dependerá da fé acreditar no que hoje está escrito neste blog. Juro como eu queria estar no lugar de Rodrigo naquele momento para dizer ao Jô umas coisas. Mas isso foi antes de ouvir a estupenda resposta de Rodrigo, tão estupenda que deixou até o próprio Jô sem palavras.

Em resumo, Rodrigo concordou com ele sobre ser uma questão de fé, mas não deixou a coisa restrita ao vácuo factual em que a fé costuma ser compartimentalizada pelos que não a entendem (e não entendem porque não querem, diga-se de passagem). Nesse ponto, Rodrigo pronunciou a frase que, de tão abrangente e verdadeira, motivou até este artigo: “A fé é racional, senão não é fé, é fideísmo”.

A reação de rendida surpresa de Jô atiçou minha curiosidade sobre o termo do qual eu nunca havia ouvido falar. Imediatamente parei o vídeo da entrevista para procurar o significado de fideísmo. Segundo a Wikipédia, fideísmo é:

Doutrina religiosa que prega que as verdades metafísicas, morais e religiosas, como a existência de Deus, a justiça divina após a morte e a imortalidade, são inalcançáveis através da razão, e só serão compreendidas por intermédio da fé.

(…)

Os fideístas procuram se esquivar de qualquer tipo de argumentação para que possam apoiar sua fé em Deus sem qualquer tipo de racionalização. Porém, esta corrente teológica é flagrada em aparente contradição quando utiliza a própria razão para expor sua doutrina e depois negar seu emprego em questões de fé.

Não foi só o Jô que ficou de boca aberta com a conclusão de que fé irracional é fideísmo: eu também. Nunca tinha pensado nisso. Fiquei feliz em comprovar o que eu intuitivamente já sabia: não sou fideísta. Não creio por crer, meramente. Não lido bem com o que não tem racionalidade ou lógica. Eis porque sou fã do personagem Sr. Spock, da série Jornada nas Estrelas. Acho até que, se tivesse nascido no Séc. XXIII, eu seria um vulcano ideal.

Sou perfeitamente capaz de apresentar a quem quiser saber o bem definido racional de minha fé. Racionalidade e lógica têm a ver com inteligência. E sabemos que “a glória de Deus é inteligência” (D&C 93:36) e que “a inteligência apega-se à inteligência” (D&C 88:40). Portanto, quanto mais inteligente eu me tornar, mais atraído pela inteligência vou me sentir. E, como não há em todo o Universo ser mais inteligente que nosso Pai Celestial nem obra mais inteligente que a da Criação, isso explica meu instintivo apego a Ele e às Suas obras.

Mas essa é só parte da explicação do racional de minha fé. É preciso algo mais. Esse ingrediente especial surgiu quando comecei a agir de acordo com minha fé para saber Dele Sua opinião sobre certas coisas. Como nunca neguei a Ele o direito de Se expressar — com posturas soberbas ou presunçosas como a de que já sei o suficiente, ou Ele não fala, ou Ele não existe — e fui atrás de respostas por meio do estudo e da fé, obtive como magnífica recompensa Suas frequentes, confortadoras e orientadoras manifestações a mim. Em outras palavras, fui capaz de desenvolver um relacionamento íntimo e pessoal com nosso Pai. Tenho uma experiência pessoal e quase tangível com Ele. Não há como duvidar dessa relação de causa e efeito, tão bem explicada pelas leis da Física. Isso explica a rígida solidez de meu testemunho sobre Ele e sobre tudo que diz respeito à Sua obra.

Eis aí o racional de minha fé e o porquê não é fideísmo.

Convido o leitor a assistir abaixo a parte final da interessante entrevista do arqueólogo Rodrigo Pereira da Silva e a se deixar levar por sua intrigante proposição. No mínimo, você poderá ter algo em que pensar nesta virada de ano. (Recomendo assistir também a entrevista completa pelo rico valor histórico e cultural dos artefatos arqueológicos que Rodrigo levou ao programa.)

Caso deseje algo mais em que pensar, assista também o video abaixo (apenas 4 minutos):

 

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