“Eis que falarei em tua mente e em teu coração”

O Guia de Estudo das Escrituras define o termo escritura como “palavras escritas ou faladas por homens santos de Deus quando sob a inspiração do Espírito Santo”. Considerando que o Espírito inspira muitos desses homens santos no desempenho da obra do Senhor, muita escritura nova é produzida a cada dia. Eis porque diversos profetas modernos nos ensinaram e continuam ensinando que devemos manter registros pessoais das coisas que recebemos de Deus por inspiração do Espírito, pois esse registro se torna escritura sagrada para quem o escreve e o lê. Meu próprio diário pessoal já se revelou uma poderosa escritura sagrada para mim mesmo e para outros, como testifico neste artigo deste blog.

Tenho um caderno no qual costumo registrar tópicos das reuniões de liderança das quais participo na Igreja. Ele está repleto de anotações sobre tarefas a fazer, citações de escrituras inspiradoras, designações de minha liderança e muitas outras coisas. Uma seção especial desse caderno foi destinada a registrar instruções dadas por uma autoridade-geral da Igreja que presidiu a conferência de minha estaca em janeiro de 2006. Era o Élder César Milder, dos Setenta. Com exceção dos poucos membros do Quórum dos Doze Apóstolos cujo privilégio de ouvir pessoalmente já tive, o Élder Milder é um dos homens mais inspirados de quem já recebi instruções.

Na seção do sacerdócio daquela conferência, o Élder Milder projetou diversos slides com instruções e mensagens inspiradoras. Fiz questão de anotar cada vírgula do que nos mostrou. Sorver todo aquele conhecimento, experiência e inspiração foi uma experiência assaz edificante para mim. Muitas pérolas de conhecimento doutrinário e inspiração do Espírito nos foram transmitidas na ocasião. Foi por meio daquele homem muito especial que recebi uma das mais poderosas revelações de minha vida, por meio da qual o Senhor manifestou-me, de uma maneira que me fez estremecer, Sua opinião sobre algo que eu planejava fazer e que mudou o curso de minha vida, o de minha família e, conseqüentemente, nossos destinos eternos. Posso dizer que, se hoje tenho uma família selada a mim no templo, em grande parte foi graças ao que o Élder Milder testificou ter sido inspirado a dizer-nos naquela conferência. Como poderia eu deixar de registrar tão marcantes instruções e impressões?

Parte das instruções e ensinamentos que nos deu naquela seção do sacerdócio diz respeito justamente ao recebimento de revelações pessoais de Deus. Os slides que nos mostrou diziam:

  • Sem revelações, não podemos governar a Igreja do Senhor (nem nossas vidas, nem nossas famílias);
  • Trata-se geralmente de um processo sereno e interior, porém real e muito poderoso;
  • Somente com revelação podemos fazer o trabalho do Senhor conforme a vontade Dele, à maneira Dele e no momento Dele;
  • A maior parte das revelações é recebida da seguinte maneira: Sim, eis que eu te falarei em tua mente e em teu coração, pelo Espírito Santo que virá sobre ti e que habitará em teu coração. Ora, eis que este é o espírito de revelação; eis que este é o espírito pelo qual Moisés conduziu os filhos de Israel através do Mar Vermelho, em terra seca. (D&C 8:2-3);
  • Vivemos bem aquém de nossos privilégios;
  • À medida que nos elevarmos à altura de nossos privilégios de revelação, poderemos erguer a Igreja como nunca (ou nossa vida, ou nossa família);
  • Revelação não acontece apertando botões, mas esforçando-nos freqüentemente com o auxílio do jejum, do estudo das escrituras e de reflexão pessoal;
  • Pedimos que ensinem outras pessoas a respeito da revelação;
  • Temos confiança em sua capacidade de procurar e receber revelação pessoal;
  • Nossos rebanhos na Igreja merecem pastores que conheçam Jesus Cristo e saibam como receber revelação.

Isso e muito mais está registrado naquele caderno que não vendo nem ao preço de meu peso em ouro (quase 100 kg).

Muitas pessoas já receberam revelação por meio da visão de seres celestiais, ou ouvindo uma voz, ou por sonhos. Na maioria das vezes, contudo, a revelação vem através de impressões resultantes da mescla de pensamentos e sentimentos confirmadores de sua origem celestial. Não há uma fórmula única para todos: cada um está sujeito a receber revelações de Deus da maneira como atender melhor a Seus propósitos. Minha experiência pessoal com o recebimento de revelações me ensinou que, conforme evoluímos espiritualmente, o Espírito pode nos transmitir a vontade ou conselho do Senhor por meio de pensamentos que nem sempre vêm acompanhados de sentimentos confirmadores, mas sobre cuja origem divina não há dúvidas. Somente a prática e o desenvolvimento do dom do discernimento podem nos ensinar a separar os pensamentos oriundos Dele dos de nossa própria mente.

Esta manhã tive mais uma dessas experiências, a qual gostaria de compartilhar com o leitor.

Como membro do sumo-conselho de minha estaca, dirigi-me bem cedo à capela sede da estaca para mais uma reunião. Como tenho algum conhecimento musical, a presidência da estaca geralmente me convida a reger o hino de abertura das reuniões. Outro irmão é convidado a fazer a primeira oração e um terceiro, a deixar um pensamento espiritual. Então começam as deliberações do dia.

Enquanto aguardava o início, decidi ler as escrituras. Mas meus pensamentos foram externamente conduzidos no sentido de abrir um volume de escritura ao qual eu não vinha dando atenção ultimamente: justamente aquele meu caderno de anotações.

Seguindo a inspiração que recebi, comecei a folheá-lo desde o início. Ele me trouxe doces recordações da época em que servi como conselheiro no bispado de minha ala. Algumas páginas mais e alcancei o trecho em que fiz as anotações da conferência presidida pelo Élder Milder. A inspiração agora foi no sentido de deter-me naquele trecho e lê-lo com atenção. Eu não sabia porquê deveria fazê-lo, simplesmente senti que deveria. Como sei que essa é a maneira de conduzir do Espírito, deixei-me levar por tal sentimento de dever. Não sou tolo para questionar o Espírito do Senhor.

Alguns minutos mais tarde, a reunião foi aberta. Como de praxe, fui convidado para reger. Mas o hino escolhido era um dos poucos que eu ainda não conhecia. Então outro irmão foi convidado a reger, ao passo que fui designado a dar o pensamento. Enquanto cantávamos o hino, eu pensava sobre o quê poderia falar para inspirar meus irmãos. E, enquanto ponderava, veio mais uma inspiração: eu deveria falar sobre o que havia lido no caderno.

Foi então que entendi porquê fui compelido a reler as anotações de meu caderno: porque eu deveria falar delas para meus irmãos. Algum deles deveria estar precisando ouvir o que eu iria dizer.

Quando me dei conta disso, fui tomado por um penetrante sentimento de satisfação e gratidão ao Senhor por ter sido instrumento em Suas mãos para ajudar a edificar a fé de alguém.

E, mais uma vez, registro e compartilho essa experiência em cumprimento ao ensinamento do Pres. Wilford Woodruff:

Exorto-os a fazerem um registro de todos os atos oficiais de sua vida. Se vocês batizarem, confirmarem, ordenarem ou abençoarem qualquer pessoa ou ministrarem aos enfermos, façam um registro disso. (…) Se o poder e as bênçãos de Deus se manifestarem quando vocês forem protegidos de perigos, (…) registrem tais acontecimentos. Façam um relato das interações de Deus com vocês diariamente. Registrei por escrito todas as bênçãos que recebi e não as venderia nem por ouro.

Acaso não devemos respeitar Deus o bastante para fazermos um registro das bênçãos que Ele derrama sobre nós e dos atos oficiais que realizamos em Seu nome na face da Terra? Creio que sim.

Em vez de negligenciar esta parte de nosso trabalho, todos que puderem devem manter um diário e registrar os acontecimentos à medida que se descortinarem perante nós no cotidiano. Isso será um legado valioso para nossos filhos e de grande benefício para as gerações futuras, pois lhes transmitiremos um histórico verdadeiro da ascenção e progresso da Igreja e reino de Deus na Terra nesta última dispensação, em vez de deixarmos o terreno aberto para que nossos inimigos redijam uma história falsa da verdadeira Igreja de Cristo. (”Ensinamentos dos Presidentes da Igreja — Wilford Woodruff”, capítulo 13, pg. 130-131. A íntegra do capítulo sobre a importância da manutenção de registros pessoais pode ser lida na versão em PDF do livro, que pode ser baixada neste endereço do site da Igreja.)

(Visited 125 times, 1 visits today)

Artigos relacionados:

Publicado em Diário pessoal com a(s) tag(s) , , , , , , , , , , . Adicione o link permanente deste artigo a seus favoritos.

 

REGRAS PARA COMENTAR NOS ARTIGOS:

  1. Não use agressividade, provocações, insultos, ironias, deboches, maledicências, palavrões e coisas desse tipo, ou seu comentário será sumariamente apagado. Aceito críticas, sim, o que não aceito é falta de educação e de respeito.
  2. Não use e-mail falso ou seu comentário poderá ser apagado.

Deixe seu comentário - mas observe as regras acima!