Igreja responde à intenção de descrever cerimônias do templo no seriado ‘Big Love’

Dos editores do Meridian Magazine: os produtores da série “Big Love”, do canal de TV a cabo HBO, exibirão um episódio no próximo domingo, 15 de março, que pretende ser uma descrição das cerimônias de um templo SUD. O produtor executivo Mark Olsen diz que contratou um ex-mórmon para “ajudar recriar o cenário e o figurino até nos mínimos detalhes”. No entanto, no início da produção da série, os executivos do “Big Love” garantiram à Igreja que nunca, jamais descreveriam nossas cerimônias sagradas em seus episódios. Dustin Black, roteirista-chefe da atual temporada, que recentemente recebeu um Oscar por MILK, foi criado como mórmon, portanto está familiarizado com nossa cultura.

Um diretor de relações públicas notou que “Big Love” não é um seriado de grande sucesso e está programado para ser encerrado neste ano. Não queremos chamar a atenção para ele nem dignificá-lo com nossa resposta e atenção. No entanto, membros da Igreja têm alertado uns aos outros via e-mail sobre o programa e têm estado compreensivelmente preocupados com a perspectiva de ver coisas sagradas reveladas.

Certamente que uma das principais características de uma sociedade civilizada é a garantia que damos uns aos outros de reverenciar coisas sagradas alheias. Se um grupo ou indivíduos assumem algo como sagrado, uma sociedade avançada e compassiva lhes concede esse privilégio e procura não profaná-lo. (…) A HBO violou esse conceito crítico e a Igreja SUD com sua inadequada descrição [de nossas coisas sagradas]. Se você optar por escrever uma mensagem à HBO, certifique-se de ser digno e razoável e observe o conselho da Igreja dado abaixo.

Tal como outros grandes grupos religiosos, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias às vezes encontra-se na situação de receber muita atenção de Hollywood ou da Broadway, de séries de TV ou de livros e de veículos da mídia. Algumas vezes, descrições feitas da Igreja e de seus membros são bem precisas. Em outras, as imagens são falsas ou baseadas em estereótipos. Ocasionalmente, são de um espantoso mau gosto.

Como católicos, judeus e muçulmanos já sabem há séculos, tal atenção é inevitável quando a instituição ou grupo religioso atinge tamanho ou proeminência suficiente para chamar a atenção. Mesmo assim, os Santos dos Últimos Dias — às vezes conhecidos como mórmons — se perguntam se e como devem responder quando notícias ou a mídia de entretenimento banaliza ou deturpa crenças ou práticas sagradas de maneira insensível.

Os membros da Igreja podem estar para enfrentar essa questão mais uma vez. Antes que a série Big Love da HBO entrasse no ar, há mais de dois anos, os criadores do programa e executivos da HBO garantiram à Igreja que a série não seria sobre os mórmons. No entanto, referências ao Big Love encontradas na Internet indicam que mais e mais temas mórmons estão sendo inseridos no programa e que os personagens geralmente são figuras antipáticas retratadas como metidas a santa e fanáticas. E, de acordo com o TV Guide, agora parece que os roteiristas do programa estão para mostrar o que entendem ser as cerimônias sagradas do templo.

Certamente que os membros da Igreja sentem-se ofendidos quando suas práticas mais sagradas são deturpadas ou apresentadas fora de contexto. Na semana passada, alguns membros da Igreja começaram uma campanha por e-mail convocando assinantes do [provedor de acesso à Internet e de conteúdo online] AOL — o qual, tal como a HBO, é de propriedade do grupo Time Warner — a cancelar suas assinaturas. Certamente que tal boicote por centenas de milhares de membros da Igreja que dominam a informática poderia causar um impacto financeiro na empresa. Enquanto indivíduos, os membros da Igreja têm o direito de tomar tais atitudes, se quiserem.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, como instituição, não incentiva boicotes. Tal atitude simplesmente geraria o tipo de controvérsia que a mídia adora e, no fim, resultaria em mais audiência para a série. Como disseram recentemente os élderes M. Russel Ballard e Robert D. Hales, do Quórum dos Doze Apóstolos, os Santos dos Últimos Dias na arena pública devem conduzir-se com dignidade e consideração.

Não apenas esse é o modelo ensinado e demonstrado por Jesus Cristo em Sua própria vida como também reflete a realidade da força e maturidade dos membros da Igreja de hoje. Como disse alguém recentemente, “Não estamos mais em 1830 e não somos mais apenas seis”. Em outras palavras, com 13,5 milhões de membros em todo o mundo, não há necessidade de se sentir na defensiva quando a Igreja se move à frente tão rapidamente. A força da Igreja está em seus membros fiéis em mais de 170 países e não há evidência de que deturpações extremas na mídia que tem apelo a apenas uma pequena audiência tenha qualquer efeito negativo a longo prazo sobre a Igreja.

Exemplos:

  • Durante a campanha de Mitt Romney à presidência dos Estados Unidos, o comentarista Lawrence O’Donnell fez comentários abusivos contra a Igreja em um momento na TV que se tornou conhecido dentre muitos membros da Igreja como o “desvario de O’Donnel”. Hoje, suas afirmações são lembradas apenas como um testamento à intolerância e ignorância. Eles não tiveram qualquer efeito mensurável sobre a Igreja.
  • Quando os roteiristas do humorístico South Park produziram um retrato grosseiro da história da Igreja, alguns membros sem dúvida sentiram-se desconfortáveis. Mas, novamente, isso não causou qualquer dano perceptível ou durável sobre a Igreja, que cresce à taxa de pelo menos um quarto de milhão de novos membros a cada ano.
  • Quando uma produtora independente de filmes produziu uma versão grosseiramente distorcida do Massacre de Mountain Meadows, há dois anos, a Igreja o ignorou. Talvez como resultado parcial da recusa em entrar na controvérsia pretendida pelos produtores, o filme foi um fracasso e deu prejuízo de milhões.
  • Em meses recentes, alguns ativistas gays atraíram grande atenção da mídia com acusações de atitudes de “ódio” dos membros da Igreja que apoiaram a Proposição 8 na Califórnia, que manteve a definição tradicional de casamento. Eles até organizaram uma marcha de protesto em torno do Templo de Salt Lake. Novamente, a Igreja recusou-se a entrar em polêmica sendo atraída em uma batalha mórmons x gays e simplesmente afirmou sua posição em tom respeitoso e razoável. Enquanto isso, o trabalho missionário e os membros da Igreja na Califórnia permanecem tão robustos e vibrantes como nunca e o apoio à Igreja veio de muitas partes inesperadas — inclusive de alguns ex-críticos e de outras igrejas.

Agora vêm aí outros episódios de Big Love e, apesar das garantias anteriores da HBO, ela novamente obscurece a distinção entre A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e os personagens não-mórmons de ficção e suas práticas. Tais coisas dizem muito mais sobre a falta de sensibilidade de roteiristas, produtores e executivos de TV do que sobre os Santos dos Últimos Dias.

Se a Igreja permitisse que críticos e opositores escolhessem o terreno onde as batalhas são travadas, correria o risco de perder o foco na missão que tem sido bem sucedida em perseguir por quase 180 anos. Ao invés, a própria Igreja é quem vai determinar seu curso à medida que prossegue pregando o evangelho restaurado de Jesus Cristo pelo mundo.

(Este artigo foi preparado pela assessoria de imprensa de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em lds.org.)

Usado com permissão de Meridian Magazine. Copyright © 2009 Meridian Magazine. Todos os direitos reservados. Artigo original em inglês em www.ldsmag.com/churchupdate/090310respond.html


[ATUALIZADO em 11/3 às 9:40 h]

Os produtores do Big Love desculparam-se por qualquer eventual ofensa contra a Igreja por causa da exibição de rituais sagrados em um de seus episódios, mas deixaram claro que vão, sim, levar o controverso episódio ao ar conforme planejado, segundo este artigo do TVNZ.

De acordo com o TVNZ, o canal HBO publicou nota dizendo: “Obviamente, não era nossa intenção fazer nada desrespeitoso à Igreja, mas àqueles que poderão sentir-se ofendidos oferecemos nossas sinceras desculpas”.

O Meridian Magazine publicou comentário sobre as “desculpas” da HBO, dizendo: “Desculpas são inválidas quando não são seguidas pela intenção de corrigir o erro. [O que a HBO publicou] não são desculpas, mas uma jogada de relações públicas, um truque de entretenimento para roubar seu doce. Desculpando-se, tentam parecer bons e até sensíveis, mas, na verdade, não mostram nenhum pesar pela tentativa de roubar e expor algo sagrado, do contrário não manteriam os planos de levar o episódio ao ar”.


[ATUALIZADO em 1 de novembro de 2010]

A HBO, produtora do seriado Big Love, anunciou o fim da série. Mais detalhes aqul.

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