Esses antimórmons são uma graça! (Parte II)

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Recentemente fui contactado por um irmão da Igreja pedindo minha opinião a respeito da autenticidade dos textos publicados num blog de oposição à Igreja. Esse blog — cuja dona não se identifica alegando temer “perseguição” — traz logo na capa a seguinte advertência: Continue lendo

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O papel da mulher no plano de Deus

Recentemente vi-me na necessidade de mostrar a uma certa mulher o quão enganada estava a respeito de sua responsabilidade perante o marido, um digno portador do sacerdócio a quem não honrava como tal.

Procurando no material da Igreja referências a respeito do papel da mulher no plano de Deus, lembrei-me de um artigo publicado na seção Notícias Locais de uma edição antiga da revista A Liahona — provavelmente de maio de 2003 — que, de tão importante que me pareceu na época, fiz questão de escanear e guardar nos meus arquivos para que o tempo não o apagasse das páginas da revista e de minha memória.

Então, para essa minha amiga e para todos (e todas) que se perguntam o que Deus espera delas, Continue lendo

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Por que comemoramos o Natal

Antes de responder essa pergunta, eu gostaria de convidá-lo a assistir o seguinte vídeo.

O mundo cristão costuma esquecer-se da razão da existência do Natal. Não que eu tenha algo contra a festa consumista típica da época, afinal também gosto de dar e ganhar presentes. Mas por qual motivo existe esse costume?

Para entender isso, precisamos voltar no tempo e saber como surgiu o Natal.

Suas origens remontam à história antiga. O início dessa festividade encontra-se na adoração pagã, muito antes da introdução do cristianismo. O deus Mitra era adorado pelos antigos arianos e essa adoração gradualmente se espalhou pela Índia e Pérsia. Mitra a princípio era o deus da luz celeste dos céus brilhantes e, mais tarde, no período romano, foi adorado como a deidade do sol, ou o deus do sol: Sol Invictus Mithra.

No primeiro século antes de Cristo, Pompeu fez conquistas ao longo da costa sul da Cilícia, na Ásia Menor, e muitos dos prisioneiros feitos nessas ações militares foram levados cativos para Roma. Isso deu início à adoração pagã de Mitra em Roma, porque esses prisioneiros espalharam a religião entre os soldados romanos. A adoração tornou-se popular, particularmente entre as fileiras do exército romano. Encontramos hoje, nas ruínas das cidades do extenso império romano, os santuários de Mitra. O mitraísmo floresceu no mundo romano e se tornou o mais importante concorrente do cristianismo entre as crenças religiosas do povo.

Uma época festiva para os adoradores do sol acontecia imediatamente após o solstício de inverno, o dia mais curto do ano — época em que o sol se detém após sua descida anual para o hemisfério sul. O começo de sua ascensão desse ponto mais baixo era considerado como o renascimento de Mitra. Os romanos comemoravam seu nascimento no dia 25 de dezembro de cada ano. Havia uma grande festividade nesse dia: festivais e festas, presentes dados aos amigos e as casas eram decoradas com sempre-vivas.

Gradualmente, o cristianismo foi sobrepujando o mitraísmo, que tinha sido seu rival mais forte, e a festa em que se comemorava o nascimento de Mitra foi adotada pelos cristãos para comemorar o nascimento de Cristo. A adoração pagã do sol, profundamente arraigada na cultura romana, foi substituída por uma das maiores festas cristãs. O Natal chegou até nós como um dia de ação de graças e regozijo, um dia de alegria e boa vontade entre os homens. Embora esteja associado a coisas terrenas em seu significado, seu conteúdo é divino. Essa antiga comemoração cristã foi continuamente preservada ao longo dos séculos.

A lenda do Papai Noel, a árvore de Natal, as decorações brilhantes e o azevinho, bem como a troca de presentes, tudo isso expressa para nós o espírito desse dia comemorativo; mas o verdadeiro espírito do Natal é muito mais profundo. Ele se encontra na vida do Salvador, nos princípios que Ele ensinou, em Seu sacrifício expiatório — que é o nosso grande legado.

O verdadeiro Natal acontece para aquele que adota Cristo em sua vida como força motivadora, dinâmica e vivificante. O verdadeiro espírito do Natal encontra-se na vida e missão do Mestre.

Se você quer encontrar o verdadeiro espírito do Natal e partilhar seus doces frutos, gostaria de dar-lhe uma sugestão. Em meio a toda agitação dessa época festiva do Natal, encontre um tempo para voltar seu coração a Deus. Talvez nos momentos tranquilos, em um lugar sossegado, ajoelhado — sozinho ou acompanhado de seus entes queridos — agradeça pelas coisas boas que recebeu e peça que Seu Espírito habite em você, ao esforçar-se sinceramente para Servi-Lo e guardar Seus mandamentos. Ele o conduzirá pela mão e Suas promessas serão cumpridas.

Adaptado de discurso proferido pelo Presidente Howard W. Hunter em reunião devocional realizada na Universidade Brigham Young em 5 de dezembro de 1972 e citado em O Verdadeiro Natal, A Liahona, dezembro de 2005.

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Thank you, Steve

jobs Thank you, Steve, for having applied your enviable talent to turn personal technology into something more attractive.

Thank you for changing the way the world sees the computer.

Thank you for preventing Microsoft from also ruling the mobile world with its bad taste and utterly lack of vision.

Thank you for the always pleasant Macintosh.

Thank you for your obsessive attention to detail, which is, after all, what makes the difference.

Thank you for Apple, for Pixar and for being a dreammer and a visionary.

Thank you, Steve, for everything you have given to the world.

Rest assured that the gifts and talents God blessed you with served to make life a little bit more interesting and fun.

From a big Brazilian fan of yours,

Marcelo

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Por que ser a favor do ‘Dia do Orgulho Hétero’

orgulhoheteroTramita na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo o projeto de lei 670/2011, que institui em todo o estado o Dia do Orgulho Heterossexual.

De autoria do deputado estadual Dilmo dos Santos (PV), a lei, se aprovada, valerá em todos os 645 municípios paulistas, criando data que será comemorada no 3º domingo de dezembro de cada ano e que deverá constar do calendário oficial do estado.

O projeto inspira-se em lei similar aprovada pela Câmara Municipal de São Paulo (mas ainda não sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab), de autoria do vereador paulistano Carlos Apolinário (DEM), e também estabelece que o Executivo envidará esforços no sentido de divulgar a data instituída pela lei, objetivando conscientizar e estimular a população a resguardar a moral e os bons costumes.

Em sua justificativa, Dilmo afirma que “os homossexuais, se dizendo discriminados ou perseguidos, estão tentando aprovar leis que na realidade concedem a eles verdadeiros privilégios”. Ele diz que respeita os homossexuais, mas diz não concordar com a “apologia ao homossexualismo”.

Agora, meus dois tostões:

O Projeto de Lei Complementar 122/2006, que tramita no Congresso Nacional, originalmente dava aos gays direitos e privilégios maiores que os do restante da população ao transformá-los em cidadãos acima de qualquer crítica (leia artigo em que falo a respeito). Felizmente o projeto sofreu o revés que merecia e agora está sendo reescrito pela senadora Marta Suplicy em parceria com o senador Marcelo Crivella para tentar evitar os inexoráveis abusos que certamente ocorreriam caso fosse aprovado e dos quais falo no artigo do link acima.

Mas quero deixar claro que não tenho nada contra os gays nem contra o que fazem de suas vidas. Tenho é contra a massificação da cultura deles. Como diz Leonardo Bruno em seu artigo Homossexualidade e o totalitarismo das minorias:

Quando o movimento gay exige leis ‘anti-homofóbicas’ para tentar criminalizar qualquer crítica contra a conduta homossexual ou mesmo criminalizar os sentimentos e pensamentos cristãos da comunidade, ele está querendo ditar idéias, palavras do imaginário e princípios éticos. Ou seja, se qualquer crítica à homossexualidade pode causar sanções penais aos seus críticos, o inverso não é verdadeiro: os homossexuais podem destruir os modelos familiares vigentes, inverter os padrões sexuais da sociedade e transformar a homossexualidade num culto sacralizado.

O pior é que os gays e seus simpatizantes estão revoltados com a proposta do deputado Dilmo, assim como ficaram com a do vereador Apolinário, tanto que pressionaram o prefeito Kassab para vetá-la. Só não entendo por quê. Se eles podem levantar suas bandeiras coloridas nas espalhafatosas paradas gays ao redor do mundo para celebrar seu tão aclamado orgulho gay, que os faz pensar que o resto do mundo — dentro do qual são um grupo minoritário, diga-se de passagem — não pode ter o mesmo direito?

Essas pessoas parecem ignorar o fato de que a maioria da sociedade não aceita a totalidade do que a causa gay defende. Isso ficou claro no resultado de pesquisa recente do Ibope mostrando que a maioria da população brasileira é contra a união estável gay, independente do que dizem novelistas da Globo, magistrados e legisladores (que, aliás, não consultaram a população antes de tomarem suas decisões).

Por isso, convoco todos quantos vierem a ler este artigo a fazer coro comigo no apoio ao deputado Dilmo. Diga SIM ao Dia do Orgulho Hétero! Devemos mostrar que também temos voz e que ela também merece ser ouvida.

Com informações do G1.

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Igreja completa 60 anos em Ponta Grossa/PR

Os membros da Igreja na cidade de Ponta Grossa/PR comemoraram em junho de 2011 os 60 anos da presença da Igreja naquela cidade.

Para celebrar a data e homenagear a Igreja o irmão Rawley Samways produziu um filme de 45 minutos e doou a produção à Igreja. O filme está dividido em quatro partes, que podem ser vistas a seguir.

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Igreja lança novo filme sobre Joseph Smith; assista

Pela primeira vez, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias disponibiliza para ser assistido online um longa metragem produzido por ela. O filme chama-se Joseph Smith: o Profeta da Restauração.

A intenção da Igreja ao produzir e divulgar o filme é ajudar a opinião pública a entender melhor a crença dos santos dos últimos dias (como são chamados os membros da Igreja) em profetas modernos, no propósito dos templos e na natureza eterna das famílias, segundo afirma a Igreja em nota à imprensa.

Há também um contexto adicional em eventos históricos como a Primeira Visão — quando Deus, o Pai, e Jesus Cristo apareceram a Joseph Smith quando tinha 14 anos de idade, diz a nota.

John Garbett, produtor do filme, espera que as pessoas que não estão familiarizadas com a história compreendam bem o papel de Joseph na restauração da Igreja de Jesus Cristo.

“Há menos foco no homem Joseph e mais no profeta Joseph”, disse Garbett.

O filme é narrado por uma atriz representando Lucy Mack Smith, mãe de Joseph.

“Escolhemos esse meio para contar a história porque Lucy Mack Smith foi testemunha ocular de tudo que aconteceu”, disse Garbett. “É uma mãe falando de seu filho em suas próprias palavras”.

No momento o filme está disponível apenas em inglês, mas, segundo a nota, no futuro será oferecido em mais idiomas.

Outros detalhes sobre o filme e sua produção na nota da Igreja à imprensa.

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A revista Veja e as ‘várias esposas’ de Joseph Smith

Cena do filme Emma Smith: Minha História

Cena do filme Emma Smith: Minha História

Recebi ontem mais um exemplar da revista Veja (ed. 2201, 26 de janeiro de 2011), da qual sou assinante. Abri a revista aleatoriamente e caí num artigo que comenta a última temporada do seriado Big Love (pg. 110).

Para quem não sabe, Big Love é um seriado da TV americana sobre uma família poligâmica. O personagem Bill Henrickson (vivido pelo ator Bill Paxton) é um polígamo contemporâneo que vive no subúrbio de Salt Lake City, estado de Utah, Estados Unidos, com três esposas, sete filhos e uma avalanche de responsabilidades. Senador e dono de uma promissora cadeia de lojas de artigos domésticos, o personagem — que também é mórmon — luta para manter o equilíbrio entre as necessidades financeiras e emocionais de suas esposas e ainda manter em segredo seu estilo de vida, uma vez que a poligamia foi proibida pela igreja mórmon há mais de um século e é crime pela lei dos EUA.

A produção do programa já se envolveu em polêmicas ao ter anunciado que exibiria em um dos episódios parte das cerimônias de nossos templos, cerimônias essas que consideramos tão sagradas que sequer falamos delas fora deles. A celeuma levou a Igreja a manifestar-se incentivando os membros a darem ao fato a importância que realmente tem (nenhuma) e ensinando que reagir furiosamente ao atrevimento dos produtores só lhes daria mais publicidade. O escritor e crítico literário Orson Scott Card, membro da Igreja, inclusive produziu artigo minimizando a importância do que os produtores de Big Love pretendiam fazer.

Coincidência ou não, após esse episódio a produção anunciou o fim da série para este ano.

Então a revista Veja produziu artigo em que analisa o contexto social e político da última temporada da trama, que começa a ser exibida hoje (23/01) no Brasil no canal pago HBO, em que o senador decide expor sua proscrita condição de polígamo, atirando-se com a família num caldeirão fervente de execração pública e encrencas legais.

Até aí, tudo bem.

O que não está bem é o festival de asneiras sobre a Igreja com que Veja decidiu fechar o artigo, do qual extraio o seguinte trecho:

O primeiro polígamo mórmon foi o fundador da religião. Joseph Smith (1805-1844) dizia ter recebido a orientação divina do direito ao ‘casamento plural’ quando já acumulava dezenas de mulheres. Há coincidências entre sua trajetória e a do herói de Big Love. Smith arriscou-se também na política — em 1844, foi candidato derrotado à Presidência dos EUA. Ele foi aos poucos perdendo o pudor de se exibir publicamente com seu harém, o que ajudou a alimentar o ódio popular que redundaria no seu assassinato por uma multidão enfurecida, aos 38 anos. Smith buscou as justificativas para a poligamia em patriarcas bíblicos como Abraão e Jacó.

Acho que não foi por acaso que abri a revista justamente nesse artigo. Eu não podia ficar calado diante de tanta sandice. Imediatamente saquei meu laptop e mandei ao diretor de redação da Veja o seguinte e-mail:

Como membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias há quase 30 anos, cumpre-me o dever de informá-lo de erros contidos no artigo "Todas as mulheres do senador", erros esses que demonstram que Veja não fez a lição de casa com uma pesquisa básica antes de publicar o que não sabe.

Não é verdade que Joseph Smith "já acumulava dezenas de mulheres" quando recebeu do Senhor a instrução de reiniciar a prática da poligamia ou, mais corretamente, a poliginia (casamento de mais de uma mulher com o mesmo homem). A instrução foi dada a ele em 1831, quando era casado com Emma Hale e apenas com ela (mas só começou a ser praticada bem mais tarde). A grande maioria dos casamentos plurais do período de Joseph não envolvia um relacionamento conubial, mas eram selamentos feitos no templo que teriam validade apenas após a vida mortal. Não há qualquer evidência histórica que suporte a presunção de que Joseph apresentava-se "publicamente com o seu harém".

O ódio de um setor da sociedade que o levou a ser assassinado tinha menos a ver com a prática do casamento plural pela Igreja do que com a crescente influência política de Joseph, que inclusive pretendia lançar-se candidato à presidência dos Estados Unidos. Historiadores acreditam que isso tenha contribuído para o seu assassinato e o de seu irmão, Hyrum Smith, em 27 de junho de 1844. Justamente por isso e ao contrário do que Veja afirma, Joseph nunca foi derrotado porque não chegou a concorrer.

Também não é verdade que Joseph "buscou justificativas para a poligamia em patriarcas bíblicos como Abraão e Jacó". Enquanto estudava o Velho Testamento, Joseph encontrou referências de antigos patriarcas e profetas bíblicos que tiveram mais de uma esposa ao mesmo tempo. Questionando-se acerca disso, ele orou a Deus pedindo mais luz e conhecimento a esse respeito. Suas orações, em 1831, resultaram na instrução divina de reinstituir a prática (ver D&C 132:34-40, 45).

Os conversos do século XIX tinham sido criados em lares tradicionais e monógamos e tiveram dificuldade em aceitar a idéia de um homem ter mais de uma esposa. Isso era algo muito estranho para eles, como o seria para a maioria das famílias do mundo ocidental nos dias atuais. Até Brigham Young, sucessor de Joseph e que posteriormente teve várias esposas e filhos, confessou sua aversão inicial ao princípio do casamento plural.

O historiador Richard E. Turley Jr. acredita que isso demonstra fortemente a fé que esses homens tinham em seus antigos líderes, a ponto de estarem dispostos a aceitar o casamento plural e muito mais o fato de praticarem-no fielmente.

"Os santos dos últimos dias adotaram o casamento plural porque acreditavam que Deus os ordenara a fazê-lo", disse Turley, que é diretor administrativo do Departamento de História e Família da Igreja.

De acordo com Turley, esperava-se que os homens e mulheres que praticavam o casamento plural demonstrassem os mais altos padrões de moralidade, lealdade e devoção às esposas.

"O casamento plural era um princípio religioso. Essa é a única explicação válida para o motivo pelo qual a prática foi mantida, a despeito de décadas de perseguição", disse ele.

Embora nem todas as famílias praticassem o casamento plural, ele era bastante difundido entre os antigos colonizadores dentro de fora do território de Utah, a ponto de a oposição política à prática começar a aumentar em outros lugares dos Estados Unidos.

Frente a uma oposição oficial do governo e uma inclemente campanha antipoligamia, muitas mulheres da Igreja que adotavam o casamento plural surpreenderam as mulheres dos estados do Leste -- que imaginavam que o casamento plural fosse sinônimo de opressão -- ao participarem de demonstrações públicas em favor de seu direito de adotarem o casamento plural como princípio religioso.

Em janeiro de 1870, milhares de mulheres se reuniram no Tabernáculo de Salt Lake para manifestar seu desagrado e protestar contra as leis antipoligamia. Turley diz que elas a chamaram de "a Grande Reunião de Indignação".

A despeito da manifestação das mulheres e dos esforços legais da Igreja, a atitude pública e legislativa para com os membros da Igreja que praticavam a poligamia tornou-se cada vez mais agressiva no final do século XIX. O governo tornou a prática ilegal, prendeu muitos líderes da Igreja e confiscou propriedades da Igreja, inclusive os templos, e ameaçou confiscar mais. O futuro da Igreja parecia sombrio.

Além disso, o abandono do casamento plural foi uma condição exigida pelas autoridades para que o território de Utah pudesse receber a condição de Estado. Essa condição foi algo muitas vezes solicitado pelos membros da Igreja desde a metade do século XIX, mesmo antes de Utah ser organizado como território por intermédio do empenho de Brigham Young, segundo presidente da Igreja e sucessor de Joseph.

Foi nesse clima que em 1890 o presidente Wilford Woodruff, quarto presidente da Igreja, recebeu a revelação na qual Deus rescinde o mandamento referente à prática do casamento plural.

"O Senhor mostrou-me, por meio de visão e revelação, exatamente o que ocorreria se não abandonássemos essa prática", disse Woodruff aos membros da Igreja. "Se não a tivéssemos abandonado, não haveria utilidade para nenhum dos homens deste templo [de Logan] (...) pois [os sacramentos do templo] seriam interrompidos em toda a terra. (...) Reinaria confusão (...) e muitos homens seriam encarcerados. O problema afetaria toda a Igreja e seríamos obrigados a abandonar a prática."

O presidente Woodruff promulgou o que seria conhecido como "Manifesto", uma declaração por escrito aos membros da Igreja e ao público em geral que deu fim à prática do casamento plural. Nesse documento ele salienta: "E agora declaro publicamente que meu conselho aos santos dos últimos dias é que se abstenham de celebrar casamentos proibidos pelas leis do país".

O Manifesto não faz nenhuma menção à condição de Estado.

"Os meios de comunicação e historiadores frequentemente sugerem que a poligamia foi descontinuada em troca da condição de Estado", disse Turley. "Isso não faz sentido. Os membros da Igreja sofreram enormes perseguições, mas nada que já não tivessem visto antes. A idéia de que a Igreja abandonaria um princípio-chave em troca da condição de Estado é falha. Toda mudança tinha que vir por revelação".

O próprio Woodruff disse isso. Numa conferência em Logan, Utah, em novembro de 1891, ele disse aos membros ali reunidos: "Eu teria deixado que os templos nos escapassem das mãos; teria ido eu próprio para a prisão e permitido que isso acontecesse a muitos de vós, não tivesse o Deus do céu me ordenado fazer o que fiz (...). Escrevi o que Ele ordenou que eu escrevesse."

O Manifesto, formalmente aceito pela Igreja em 1890, resultou numa visível mudança de atitude em relação à Igreja. Em 1896, Utah recebeu a condição de Estado dos Estados Unidos.

"É importante para os observadores de hoje compreender que os líderes de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias não se desculpam pela prática histórica do casamento plural", disse Turley. "Isso foi visto como um mandamento de Deus para aquela época. Hoje, esse mandamento não está mais em vigor e os líderes da Igreja combatem a prática".

Se Veja quiser se informar melhor e pesquisar o assunto, recomendo as seguintes leituras:

1. "The Encyclopedia of Mormonism", 5 vols., ed. Daniel H. Ludlow (New York: Macmillan, 1992), 3:1091-1095.

2. "Encyclopedia of Latter-day Saint History", eds. Arnold K. Garr, Donald Q. Cannon and Richard O. Cowan (Salt Lake City: Deseret Book Co., 2000), 927-929.

3. "The Mormon Experience", Leonard J. Arrington and Davis Bitton (New York: Alfred A. Knopf, 1979), 185-205.

4. Artigo A TALE OF TWO MARRIAGE SYSTEMS: PERSPECTIVES ON POLYANDRY AND JOSEPH SMITH, que discorre bastante sobre a natureza dos casamentos de Joseph Smith.

Para encerrar, eu gostaria de convidar Veja a abrir os olhos para a maneira hipócrita com que o ocidente vê a questão da poligamia lendo o artigo POLIGAMIA: Uma visão Islâmica do Assunto, da Sociedade Islâmica do Rio de Janeiro.

Sei que Veja jamais publicará meu e-mail, mas se pelo menos fizer a lição de casa e parar de publicar bobagens sobre a Igreja já me darei por satisfeito.

Antes que alguém se ponha a atirar pedras contra Joseph Smith e a Igreja por causa da prática do casamento plural no início de sua história (a famosa frase “aquele que não tem pecado que atire a primeira pedra” [João 8:7] lembra alguma coisa?) deve primeiro perguntar a si mesmo: se isso é tão errado, por que Deus consentiu que Seus profetas antigos tivessem mais de uma esposa?

Em primeiro lugar, se fossem culpados de adultério, Deus não os teria mantido como profetas e representantes Dele. Não bastassem os exemplos de Abraão, Isaque, Jacó e vários outros profetas de Deus casados com mais de uma mulher ao mesmo tempo (veja Gênesis 16:1–11; 29:21–28; 30:4, 9, 26; Êxodo 21:10), em II Samuel 5 vemos o relato de como a poligamia não era vista como iniquidade pelo Senhor. No versículo 13 lemos:

“Tomou Davi mais concubinas e mulheres de Jerusalém, depois que viera de Hebrom, e nasceram-lhe filhos e filhas”.

Mais adiante, lemos que os filisteus fazem guerra contra Israel. Davi consulta o Senhor e recebe Dele próprio revelação e instrução de como deve agir. Fosse Davi um pecador por estar cometendo adultério com muitas mulheres e concubinas, o Senhor não estaria ao seu lado. Isso fica evidente pela forma como Ele demonstra estar defendendo e apoiado Davi nos versículos 19 e 23:

“Davi consultou ao Senhor, dizendo: Subirei contra os filisteus? Entregar-nos-ás nas mãos? Respondeu-lhe o Senhor: sobe, porque certamente entregarei os filisteus nas tuas mãos…”

“Davi consultou o Senhor e este lhe respondeu: Não subirás; rodeia por detrás deles, e ataca-os por defronte das amoreiras.”

Independente disso, mais tarde o profeta Natã lembra Davi que suas muitas esposas foram-lhe dadas pelo próprio Deus e Ele o favoreceu grandemente (II Samuel 12:7-8). Davi foi condenado apenas por cometer adultério com Batseba e tramar a morte do marido dela, Urias, para casar-se com ela (II Samuel 12:9). Ou seja, o pecado de Davi não foi ter tido muitas mulheres, e sim ter cobiçado uma que não lhe era lícito ter, com ela ter cometido adultério e, por causa dela, assassinato. Inclusive, em II Samuel 11 e II Samuel 12, na alegoria utilizada pelo profeta Natã, o homem rico não é condenado por ter várias “ovelhas”, mas sim por ter tomado a “única ovelhinha” do seu vizinho.

O profeta que escreveu o livro de Reis (provavelmente Jeremias), ao descrever os atos de Davi, não viu nenhum pecado nas concubinas e mulheres que tomou em Jerusalém, conforme citado acima (II Samuel 5:13), atribuindo o caso de Urias como o único grande pecado de Davi:

“Porquanto Davi fez o que era reto perante o Senhor e não se desviou de tudo quanto lhe ordenara em todos os dias da sua vida, senão só no caso de Urias, o heteu.” (I Reis 15:5)

Já nos tempos de Jesus, por Marcos 12:18-22 vemos que a Lei do Levirato estava em pleno vigor entre os judeus, a qual implicava em casamento plural: o cunhado, fosse casado ou não, tinha de tomar a esposa de seu irmão falecido a fim de lhe levantar posteridade. Alguns dos primeiros cristãos devem ter sido igualmente polígamos. Mesmo depois da total abolição da lei judaica entre os cristãos, a poligamia ainda existia na Igreja primitiva, tanto que um dos cânones do Concílio de Laodicéia discorre:

Cânon 1: “Está certo, de acordo com o cânon eclesiástico, que a comunhão deva ser dada por indulgência àqueles que espontânea e legalmente uniram-se em segundos casamentos, não tendo antes entrado em casamento secreto (ou seja, que não adulteraram antes do segundo casamento ser legalizado) após um breve espaço de tempo o qual deve ser por estes devotados ao jejum e à oração.”

Vemos então, por este cânon, que membros bígamos gozavam de perfeita comunhão com os outros membros. Aliás, a Igreja cristã primitiva nunca condenou a prática do casamento plural, que somente seria condenada muito mais tarde, no Concílio de Trento, realizado entre 1545-1563.

À luz desses fatos, você deve pensar duas vezes antes de julgar e condenar os primeiros líderes e membros da Igreja por terem sido obedientes a Deus. E deve pensar também no porquê Deus os mandaria — bem como os antigos patriarcas do Velho Testamento — casar com mais de uma mulher. Creia-me: isso não se deu por acaso, muito menos para satisfazer supostos desejos lascivos e egoístas desses homens. Tudo tem uma explicação racional, a qual, no seu devido tempo, será conhecida de todos.

Quando fazemos o que Deus manda estamos sempre certos, não importa o que o mundo pense disso.

[ATUALIZAÇÃO em 19/11/2014] — Neste mês a Igreja publicou em seu site artigo intitulado “Plural Marriage in Kirtland and Nauvoo”, no qual esclarece as circunstâncias históricas e espirituais em que ocorreram os casamentos plurais da época de Joseph Smith. Repleto de referências, o artigo é leitura obrigatória para o investigador imparcial interessado em fontes confiáveis em vez de em fofocas cunhadas por críticos e opositores mal informados ou mal intencionados interessados apenas em denegrir a imagem de Joseph e da Igreja. O artigo pode ser lido aqui.

Leitura adicional recomendada:

 

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A fé é racional, senão não é fé, é fideísmo

Gosto muito do Programa do Jô, mas o horário em que é apresentado me costuma ser proibitivo. Também não tenho tempo de ficar assistindo os vídeos do programa no site. Por isso, acho bastante significativo o fato de que, numa das raras oportunidades que tenho de ir ao site do programa procurar alguma entrevista interessante para assistir, eu tenha me deparado justamente com a do arqueólogo Rodrigo Pereira da Silva.

Em 29 de novembro último o programa exibiu entrevista com ele, que é doutor em Teologia Bíblica e tem pós doutorado em arqueologia bíblica pela Andrews University (EUA), na qual mostrou alguns artefatos contemporâneos de Jesus Cristo e, do meio da entrevista, introduziu o assunto ressurreição de Jesus falando de vários dos muitos elementos históricos que comprovam esse fato.

Chamou-me a atenção a quase irracional teimosia do Jô em duvidar desses elementos históricos para sustentar que crer ou não na ressurreição de Jesus — e, portanto, no testemunho dos apóstolos e no de uma multidão de pessoas que estiveram com Ele após Sua ressurreição — é uma mera questão de fé, não um fato comprovável por qualquer meio. É o mesmo que dizer que daqui a 2 mil anos dependerá da fé acreditar no que hoje está escrito neste blog. Juro como eu queria estar no lugar de Rodrigo naquele momento para dizer ao Jô umas coisas. Mas isso foi antes de ouvir a estupenda resposta de Rodrigo, tão estupenda que deixou até o próprio Jô sem palavras.

Em resumo, Rodrigo concordou com ele sobre ser uma questão de fé, mas não deixou a coisa restrita ao vácuo factual em que a fé costuma ser compartimentalizada pelos que não a entendem (e não entendem porque não querem, diga-se de passagem). Nesse ponto, Rodrigo pronunciou a frase que, de tão abrangente e verdadeira, motivou até este artigo: “A fé é racional, senão não é fé, é fideísmo”.

A reação de rendida surpresa de Jô atiçou minha curiosidade sobre o termo do qual eu nunca havia ouvido falar. Imediatamente parei o vídeo da entrevista para procurar o significado de fideísmo. Segundo a Wikipédia, fideísmo é:

Doutrina religiosa que prega que as verdades metafísicas, morais e religiosas, como a existência de Deus, a justiça divina após a morte e a imortalidade, são inalcançáveis através da razão, e só serão compreendidas por intermédio da fé.

(…)

Os fideístas procuram se esquivar de qualquer tipo de argumentação para que possam apoiar sua fé em Deus sem qualquer tipo de racionalização. Porém, esta corrente teológica é flagrada em aparente contradição quando utiliza a própria razão para expor sua doutrina e depois negar seu emprego em questões de fé.

Não foi só o Jô que ficou de boca aberta com a conclusão de que fé irracional é fideísmo: eu também. Nunca tinha pensado nisso. Fiquei feliz em comprovar o que eu intuitivamente já sabia: não sou fideísta. Não creio por crer, meramente. Não lido bem com o que não tem racionalidade ou lógica. Eis porque sou fã do personagem Sr. Spock, da série Jornada nas Estrelas. Acho até que, se tivesse nascido no Séc. XXIII, eu seria um vulcano ideal.

Sou perfeitamente capaz de apresentar a quem quiser saber o bem definido racional de minha fé. Racionalidade e lógica têm a ver com inteligência. E sabemos que “a glória de Deus é inteligência” (D&C 93:36) e que “a inteligência apega-se à inteligência” (D&C 88:40). Portanto, quanto mais inteligente eu me tornar, mais atraído pela inteligência vou me sentir. E, como não há em todo o Universo ser mais inteligente que nosso Pai Celestial nem obra mais inteligente que a da Criação, isso explica meu instintivo apego a Ele e às Suas obras.

Mas essa é só parte da explicação do racional de minha fé. É preciso algo mais. Esse ingrediente especial surgiu quando comecei a agir de acordo com minha fé para saber Dele Sua opinião sobre certas coisas. Como nunca neguei a Ele o direito de Se expressar — com posturas soberbas ou presunçosas como a de que já sei o suficiente, ou Ele não fala, ou Ele não existe — e fui atrás de respostas por meio do estudo e da fé, obtive como magnífica recompensa Suas frequentes, confortadoras e orientadoras manifestações a mim. Em outras palavras, fui capaz de desenvolver um relacionamento íntimo e pessoal com nosso Pai. Tenho uma experiência pessoal e quase tangível com Ele. Não há como duvidar dessa relação de causa e efeito, tão bem explicada pelas leis da Física. Isso explica a rígida solidez de meu testemunho sobre Ele e sobre tudo que diz respeito à Sua obra.

Eis aí o racional de minha fé e o porquê não é fideísmo.

Convido o leitor a assistir abaixo a parte final da interessante entrevista do arqueólogo Rodrigo Pereira da Silva e a se deixar levar por sua intrigante proposição. No mínimo, você poderá ter algo em que pensar nesta virada de ano. (Recomendo assistir também a entrevista completa pelo rico valor histórico e cultural dos artefatos arqueológicos que Rodrigo levou ao programa.)

Caso deseje algo mais em que pensar, assista também o video abaixo (apenas 4 minutos):

 

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Élder Dallin H. Oaks discursa na Estaca Maceió Brasil

Elder Dallin H. OaksNo último domingo (31/10) tivemos o sagrado privilégio de receber nova visita de outro dos apóstolos do Senhor Jesus Cristo. Desta vez foi o Élder Dallin H. Oaks. Foi a terceira visita de um apóstolo em dois anos e meio a uma cidade distante de onde esse tipo de visita costuma acontecer com mais frequência.

Ao contrário do ocorrido nas outras ocasiões, desta vez ele veio falar exclusivamente aos membros de nossa estaca. A razão de tamanho privilégio desconheço, mas não faz diferença. O fato é que a notícia se espalhou como fogo em palha seca e a capela ficou pequena para tanta gente de várias estacas que não quis perder essa bênção.

Cheguei à capela uns 20 minutos antes do início da conferência. Para minha grata surpresa, quem estava servindo de recepcionista à entrada do salão sacramental era o próprio Élder Oaks! Sublime demonstração de humildade e simpatia. Dei-lhe um sorriso largo, apertei sua mão e disse-lhe: “Muito obrigado por estar entre nós hoje. É um enorme prazer e privilégio tê-lo aqui. Muito obrigado!” Ele sorriu e respondeu: “É uma alegria muito grande para mim estar aqui”. Então eu disse: “Para nós também é uma grande alegria. Muito obrigado mais uma vez”.

A seguir, algumas de minhas anotações pessoais sobre seu edificante e inspirador discurso.

O dever cívico de votar

Por ser dia de eleições, o Élder Oaks começou seu discurso lembrando-nos de nossas responsabilidades cívicas como eleitores. Comentou que, dois dias depois, seria dia de eleição também nos EUA e observou que, embora naquele país o voto não é obrigatório como no Brasil, os membros da Igreja são incentivados a ser bons cidadãos indo votar.

Discursos por inspiração

Contou que estava dando seu quarto discurso desde sua chegada a Maceió sendo que não havia trazido nenhum discurso preparado. “Estou apenas confiando no Senhor para que me inspire sobre o que deseja que seja dito a Seus filhos”, disse ele.

A Igreja no Brasil

O Élder Oaks confessou-se impressionado com o vigoroso crescimento e amadurecimento da Igreja no Brasil, comparando-a com um jovem adulto que entra nas responsabilidades da vida adulta querendo ocupar um lugar nesse mundo de adultos. Observou que no mundo todo apenas México (com mais de 1 milhão de membros) e EUA (com 5 milhões) têm mais membros da Igreja que o Brasil (pouco mais de 1 milhão), mas tem mais missões (27) que o México e que a taxa de crescimento da Igreja no Brasil é maior até que a dos EUA, razão pela qual disse que, se continuar crescendo assim, em uma geração provavelmente haverá mais membros no Brasil do que nos EUA.

O amor incondicional do Pai

Ele destacou que, pelo modelo de casamento e família dado por Deus a Seus filhos e por ter nos ensinado que um homem não pode ser salvo sem uma mulher nem uma mulher sem um homem, somos filhos de Pai e Mãe Celestiais. O amor de ambos por cada um de nós fica evidente nos detalhes de Seu Plano de Salvação, que prevê sermos exaltados como Eles são mediante nossa fidelidade e honra aos convênios feitos com o Pai no batismo e no templo.

Ele lembrou também que viemos a este mundo com um propósito: receber este corpo mortal e mostrar a Deus que guardaríamos Seus mandamentos. Para isso, teríamos que ter um Salvador, pois todos que vivem neste mundo seriam manchados por pecados. Por isso, o Plano de Salvação nos permitiria sermos limpos. Ele comparou a necessidade de sermos limpos à de lavarmos regularmente as roupas que usamos. Por isso, precisamos tomar o sacramento semanalmente. O fato de nos ter sido oferecido um Salvador, por cujo sacrifício expiatório podemos ser perdoados e limpos se tão somente nos arrependermos de nossos pecados, é uma prova do grande ato de amor tanto do Pai — por nos ter oferecido Seu Filho em sacrifício — quanto de Jesus Cristo — por ter sofrido esse sacrifício por nós.

Para nos dar outro exemplo desse amor, o Élder Oaks contou uma experiência vivida por ele numa conferência de estaca nos EUA que lhe ensinou uma lição pessoal sobre o amor de Deus. Segundo ele, iniciada a conferência, sentiu-se compelido pelo Espírito do Senhor a convidar uma irmã que estava no meio da congregação para subir ao púlpito e prestar um testemunho. A irmã contou ser enfermeira e trabalhar uma entidade assistencial na qual havia um interno que, nas palavras dela, era o homem mais feio e repulsivo do mundo. Ele era cheio de ódio. Odiava as enfermeiras que cuidavam dele e fazia tudo que podia para tornar a vida delas mais difícil. Até cuspia no chão só para que tivessem que limpar. Usava linguagem profana e falava coisas muito vulgares. Mas foi com ele que a irmã teve uma experiência muito incomum. Segundo ela, no meio da noite, quando estava em meu posto de trabalho, ouviu um forte barulho vindo de um quarto no fim do corredor e correu para ver o que era. O barulho veio do quarto do homem. Ele havia caído da cama e se debatia no chão, com a cabeça ferida e sangrando em meio a uma grande bagunça, em uma convulsão que lhe pareceu ser a última de sua vida. Segundo o Élder Oaks, ela descreveu da seguinte forma o que aconteceu ao entrar no quarto: “Foi como se uma grande corrente elétrica estivesse fluindo de nosso Pai Celestial até aquele Seu filho. Quando entrei no quarto, senti como se eu tivesse entrado naquela corrente. Era uma corrente de amor. Senti o amor que Deus tinha por aquele Seu filho tão desajustado. Foi um sentimento de amor tão profundo que me ajoelhei ao lado dele, segurei-o em meus braços e lhe dei um beijo na testa. Então ele me disse: ‘Posso ir para casa agora?’ Respondi: ‘Sim, pode’. Beijei-o novamente e senti o amor que Deus tinha por ele. Logo em seguida, ele morreu”.

O Élder Oaks comentou que aquela experiência ensinou-lhe uma maneira nova de pensar no amor do Pai por Seus filhos ao perceber que era fácil para ele entender como Deus pode amar quem O ama e honra Seu nome, mas nunca havia compreendido como o Pai pode amar quem age de maneira oposta. Foi quando entendeu que Deus ama todos os Seus filhos incondicionalmente, não importa como sejam, pelo simples fato de serem Seus filhos. O Élder Oaks comentou que Deus nos deu a oportunidade de entender esse princípio ao termos nossos próprios filhos e os vermos fazendo coisas que não queremos que façam.

Outro exemplo do amor do Pai por Seus filhos, conforme destacado pelo Élder Oaks, é o fato de haver reinos de glória reservados até a quem não fez por merecer as maiores de Suas recompensas mas que são pessoas boas e honradas. Essas pessoas não receberão as bênçãos do reino celestial, mas serão ressuscitadas para um reino de glória muito mais bonito e maravilhoso que esta Terra. Segundo o Élder Oaks, isso é uma expressão do amor de Deus por todos os Seus filhos.

Em seguida, leu duas escrituras, João 13:34-35 (“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”) e Gálatas 5:13-14 (“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”), destacando que a maneira como demonstramos esse amor uns pelos outros é servindo uns aos outros. “O serviço é algo que fazemos para mostrar nosso amor”, disse.

Fofocas

Mas também há como demonstrar amor pelo que não fazemos ou dizemos, salientou ele. Em Levítico 19:16 (“Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo”) o Senhor advertiu os filhos de Israel contra o pecado da fofoca, que era um problema também para os membros da Igreja dos tempos de Jesus Cristo, época em que havia muita fofoca uns contra os outros e isso infligia dor em seu próximo. O Élder Oaks destacou que, no Guia de Estudo das Escrituras, o termo “mexerico” mostra várias passagens de escritura que falam desse assunto. Uma delas traz palavras ditas pelo Senhor aos membros da Igreja de hoje em dia, quando abordou esse assunto por meio do profeta Joseph Smith, em D&C 42:27: “Não falarás mal de teu próximo nem lhe farás mal algum”.

Os jovens da Igreja

O Élder Oaks compartilhou conosco outra experiência ocorrida também numa conferência de estaca, desta vez na Inglaterra, para mostrar como gosta dos jovens por, entre outros motivos, terem o dom de dizer franca e abertamente o que pensam e sentem. Na conferência, recebeu uma carta de uma menina de 10 em que agradecia a ele por estar lá, o elogiava dizendo que ele era “muito bonito, gentil e legal” e pedia-lhe que dissesse ao presidente Ezra Taft Benson e aos outros onze apóstolos que eles também eram muito bonitos, gentis e legais. Ao final da carta, contou o Élder Oaks, a menina desenhou a cabeça dele (lembrando que ele é careca) e, ao lado do desenho, escreveu: “Sei que você é um apóstolo porque você é limpo e sua cabeça brilha”. É esse tipo de franqueza e espontaneidade que ele acha cativante nos jovens.

Não há elevação ou rebaixamento na Igreja

Ele ensinou também que, quando alguém recebe um chamado para servir na Igreja ou quando é desobrigado desse chamado, isso não significa uma elevação ou rebaixamento em seu status como membro. Ao invés, a pessoa pode andar para frente ou para trás, conforme suas atitudes ao ser chamada e desobrigada. Segundo ele, andamos para frente quando guardamos nossos convênios e para trás quando não o fazemos. E destacou que o certo é pensar em termos de andar para frente ou para trás, e não para cima ou para baixo.

Para ilustrar esse princípio, compartilhou conosco algumas experiências que teve com pessoas que foram desobrigadas de posições proeminentes na Igreja, começando por si próprio. Quando era presidente da Universidade Brigham Young, um dia foi comunicado pelo presidente da Igreja que seria desobrigado de seu chamado e que essa desobrigação seria anunciada no dia seguinte. Mas, por causa da falta de cuidado com a confidencialidade do assunto por parte de alguém que trabalhava nos escritórios da Igreja, a notícia acabou vazando e foi anunciada numa estação de rádio antes mesmo que ele conseguisse chegar em casa. Isso tirou dele o privilégio de contar à sua família e aos colaboradores com quem trabalhou por nove anos que estava sendo desobrigado. Pior ainda: alguns pensaram que estava sendo desobrigado por ter sido infiel ou desonesto ou algum outro motivo e começaram a fazer comentários. Isso o deixou magoado. Mesmo assim, contou ele, empenhou-se em aplicar o princípio de demostrar amor ficando em silêncio e confiando no fato de que com o tempo as pessoas saberiam a verdade, como de fato souberam. “Qualquer coisa que eu dissesse poderia piorar a situação”, observou.

Então ele comentou que, sempre que é designado para desobrigar um presidente de estaca, pensa em sua própria experiência e tenta conduzir a desobrigação de modo que ninguém seja magoado como ele foi. Contou da desobrigação de um presidente de estaca no Arizona que tinha 39 anos e havia servido por 9 anos. Imaginando como ele se sentiria não sendo mais um presidente de estaca, perguntou a ele e à sua esposa como se sentiam com a desobrigação. O jovem ex-presidente respondeu dizendo sentirem-se ótimos, pois seu bispo já os havia chamado para outra responsabilidade: serem os novos líderes do berçário de sua ala. Na opinião do Élder Oaks, aquele era um exemplo maravilhoso de como não se vai para cima ou para baixo na Igreja, e sim para frente ou para trás. Aquele era um ex-presidente de estaca que andou para frente ao se sentir feliz deixando de ser presidente de estaca para ser líder do berçário de sua ala.

No lado oposto, houve também um caso compartilhado pelo Élder Oaks que ilustra a postura errada nesses momentos. Ele desobrigou um presidente de estaca no Japão e depois ficou sabendo que, por causa da desobrigação, o homem havia se afastado da Igreja. Segundo o Élder Oaks, na cultura japonesa a reputação de uma pessoa é tida como algo extremamente importante em sua vida e, quando alguém é desobrigado numa cultura dessas, é muito difícil descer da posição em que estava — que é como vêem a situação. Nesse caso, aquele ex-presidente andou para trás.

Brincando com a situação de ser desobrigado, o Élder Oaks observou que qualquer um dos presentes àquela conferência estava em situação muito melhor que a dele, pois, pela natureza do chamado dele como apóstolo de Jesus Cristo, quando for desobrigado haverá um funeral.

O chamado de pai e mãe

Ele destacou que o propósito de nosso serviço é tornarmo-nos como Deus quer que nos tornemos e que, quando somos desobrigados de nossos chamados na Igreja, não somos desobrigados de nossos chamados como pai e mãe. Então contou que, em recente reunião do Quórum dos Doze Apóstolos, o presidente do Quórum dos Doze, o Élder Boyd K. Packer, ensinou esse princípio dizendo que, no julgamento final, é pouco provável que o Senhor nos pergunte que tipo de bispo, presidente ou outro líder fomos, e sim que tipo de pai fomos.

Responsabilidade missionária

O Élder Oaks disse que, em conferências de estaca, gosta de discursar sobre o trabalho missionário usando uma única frase. Para fazê-lo, primeiro pediu a todos os missionários de tempo integram que ficassem em pé. Em seguida, pediu a todos que têm uma responsabilidade missionária que ficassem em pé. Toda a congregação se levantou. Então o Élder Oaks agradeceu e explicou que havia acabado de dar seu discurso de uma só frase sobre o trabalho missionário. Ou seja, fez com que todos reconhecessem sua própria responsabilidade missionária.

A importância do sacramento

Ele disse que, em seus discursos em conferências, costuma enfatizar a importância do sacramento lembrando que somos batizados apenas uma vez, que os homens são ordenados apenas uma vez, que recebemos a investidura do templo apenas uma vez e nos casamos para a eternidade numa única cerimônia, mas temos o mandamento de receber a ordenança do sacramento todas as semanas e por milhares de vezes ao longo da vida. Segundo ele, isso é muito importante para recebermos a limpeza regular de nossos pecados, a renovação regular de nossos convênios e o lembrete regular da existência de nosso Salvador Jesus Cristo.

Testemunho apostólico

O Élder Oaks disse que, como apóstolo do Senhor Jesus Cristo, teve o privilégio de assinar, no início do milênio (ano 2000) a proclamação sobre o Cristo vivo. Então leu dela o seguinte trecho: “Oferecemos nosso testemunho da realidade de Sua vida incomparável e o infinito poder de Seu grande sacrifício expiatório. (…) Ele ensinou as verdades da eternidade, a realidade de nossa existência pré-mortal, o propósito de nossa vida na Terra e o potencial que os filhos e filhas de Deus têm em relação à vida futura. Ele instituiu o sacramento como lembrança de Seu grande sacrifício expiatório”.

No último parágrafo da proclamação, leu: “Prestamos testemunho, como Apóstolos Seus, devidamente ordenados, de que Jesus é o Cristo Vivo, o Filho imortal de Deus. Ele é o grande Rei Emanuel, que hoje Se encontra à direita de Seu Pai. Ele é a luz, a vida e a esperança do mundo. Seu caminho é aquele que conduz à felicidade nesta vida e à vida eterna no mundo vindouro”. Testificou que isso é verdade, que somos guiados por um profeta, que temos a plenitude de Seu evangelho e que temos o poder de Seu sacerdócio. Encerrou invocando as bênçãos do Pai sobre nós conforme buscarmos cumprir nossas responsabilidades na Igreja e no lar.

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A alegria de ser membro da Igreja (parte IV)

Neste fim de semana tivemos mais uma Conferência de Estaca. Foi especial por ter sido aquela na qual conhecemos o homem escolhido pelo Senhor para ser o novo presidente de nossa estaca após nove anos da gestão do anterior, que foi honrosamente desobrigado. A desobrigação do antigo presidente foi acompanhada por largas manifestações espirituais nas quais o Senhor demonstrava estar mesmo honrando aquele homem por seu serviço abnegado e humilde. Como Ele próprio disse:

Pois assim diz o Senhor: Eu, o Senhor, (…) deleito-me em honrar aqueles que me servem em retidão e verdade até o fim. (D&C 76:5)

Por ter sido uma conferência de reorganização de presidência de estaca, foi presidida por uma Autoridade Geral, o Élder Ulisses Soares. Tive o privilégio de ser entrevistado por ele e assistir três sessões de conferência com ele. Constatei ser um homem muito inspirado. Suas palavras soaram como bálsamo para a mente e o espírito. Os momentos em que ouvi aquele homem espiritualmente poderoso falar transportaram-me à atmosfera do templo, único local sobre a face da Terra em que podemos sentir o espírito do Reino Celestial. O Élder Soares conseguiu trazer esse espírito para nossa conferência. Não conseguirei me lembrar de muitas das palavras ditas por ele daqui a algum tempo, mas certamente me lembrarei do Espírito que reinava enquanto ele falava. Que maravilha! Foi como se o Milênio já tivesse começado.

Digo essas coisas não por causa de sua envolvente eloquência ou de seu profundo conhecimento das escrituras, mas porque suas palavras foram acompanhadas do necessário testemunho prestado pelo Espírito do Senhor, graças ao que todos pudemos saber que ele dizia a verdade de Deus e não a dos homens. Esse testemunho prestado por Deus através de Seu Espírito não nos permite duvidar dessa verdade quando nos é apresentada.

Isso me faz pensar por que há tanta gente no mundo incapaz de receber esse testemunho. É tão fácil! Primeiro, basta desejar sinceramente recebê-lo. Depois, é preciso buscá-lo com fé, sinceridade e humildade perante o Senhor, pronto para ouvir o que Ele tem a dizer, mesmo que isso eventualmente vá contra aquilo em que acreditamos — afinal, qual é a opinião que vale, a nossa ou a Dele? Quando Ele manifestar-Se, é preciso ter a coragem de colocar Suas palavras em prática — do contrário, de que terá adiantado recebê-las?

“Uma Bíblia! Uma Bíblia!”

Há uma infinidade de explicações para o porquê de muitos serem incapazes de obter de Deus esse testemunho, mas eu gostaria de comentar um caso em particular: o dos que acham que, como já têm a Bíblia, não precisam de mais nada. Quem pensa assim age como se tentasse colocar uma mordaça em Deus, supondo que Ele não tem mais nada a dizer e que tudo o que havia a ser dito já está na Bíblia. Será que Ele está de acordo com isso? Vejamos o que disse a respeito:

E porque minhas palavras hão de silvar — muitos dos gentios clamarão: Uma Bíblia, uma Bíblia! Temos uma Bíblia e não pode haver qualquer outra Bíblia.

Mas assim diz o Senhor Deus: Ó tolos! Eles terão uma Bíblia e virá dos judeus, meu antigo povo do convênio. E que agradecimento dão aos judeus pela Bíblia que recebem deles? Sim, que pretendem dizer com isto os gentios? Lembram-se eles dos sofrimentos e dos labores e das aflições dos judeus e de sua diligência para comigo em levar a salvação aos gentios?

Ó vós, gentios, vós vos lembrastes dos judeus, meu antigo povo do convênio? Não, mas os amaldiçoastes e odiastes e não haveis procurado recuperá-los. Eis, porém, que farei voltar todas estas coisas sobre vossa cabeça; porque eu, o Senhor, não me esqueci do meu povo.

Tu, néscio, que dirás: Uma Bíblia, temos uma Bíblia e não necessitamos de mais Bíblia! Teríeis obtido uma Bíblia se não fosse pelos judeus?

Não sabeis que há mais de uma nação? Não sabeis que eu, o Senhor vosso Deus, criei todos os homens e que me lembro dos que estão nas ilhas do mar? E que governo nas alturas dos céus e embaixo, na Terra; e revelo minha palavra aos filhos dos homens, sim, a todas as nações da Terra?

Por que murmurais por receberdes mais palavras minhas? Não sabeis que o depoimento de duas nações é um testemunho a vós de que eu sou Deus, de que me recordo tanto de uma como de outra nação? Portanto digo as mesmas palavras, tanto a uma nação como a outra. E quando as duas nações caminharem juntas, os testemunhos das duas nações também caminharão juntos.

E isto eu faço para provar a muitos que sou o mesmo ontem, hoje e para sempre; e que pronuncio minhas palavras segundo minha própria vontade. E porque eu disse uma palavra não deveis supor que não possa dizer outras; pois meu trabalho ainda não está terminado nem estará até o fim do homem nem desde aí para sempre.

Portanto, porque tendes uma Bíblia, não deveis supor que ela contenha todas as palavras minhas; nem deveis supor que eu não fiz com que se escrevesse mais. (2 Néfi 29:3-10)

A conferência deste fim de semana fez-me ver, mais uma vez, quantas bênçãos maravilhosas essas pessoas estão perdendo! Elas nem fazem idéia. O fato de termos escrituras adicionais, revelação, profecia, dons espirituais, profetas e apóstolos — enfim, o fato de o Evangelho ter sido restaurado no mundo em toda sua plenitude por Ele pessoalmente é uma bênção tal como nunca houve igual na história da humanidade. E há quem a despreze por achar que já sabe o suficiente e que não pode haver mais conhecimento a ser obtido de Deus além do que está na Bíblia. Que tristeza!

Este meu diário está repleto de manifestações de alegria e gratidão pela imensa bênção de ser membro da Igreja de Jesus Cristo. Se você quiser ter uma vaga noção de como me sinto por isso, assista o vídeo abaixo. que mostra o Coro do Tabernáculo Mórmon cantando o hino “Creio em Cristo”. Ao final, preste atenção à emoção que estará sentindo em seu coração. Então multiplique essa emoção por dez e talvez consiga ter uma idéia da dimensão e profundidade de minha alegria, gratidão e orgulho por ser membro da Igreja de Jesus Cristo e por ter o Evangelho Restaurado em minha vida. Não há sobre a face da Terra ninguém mais feliz que eu por isso.

Leitura adicional recomendada:

 

 

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Igreja responde a petição pró cultura gay

O texto a seguir é uma tradução livre de nota à imprensa divulgada pela Igreja nesta terça-feira (12), cujo original pode ser acessado aqui (vídeo disponível no fim).

Meu nome é Michael Otterson. Estou aqui representando a liderança de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias para falar do assunto da petição apresentada hoje pelo Human Rights Campaign.

Embora discordemos do Human Rights Campaign em muitos aspectos, também compartilhamos alguns pensamentos em comum. Na semana passada, testemunhamos mortes trágicas ocorridas pelo país como resultado de bullying ou intimidação de rapazes gays. Unimos nossa voz a outras na irrestrita condenação de atos de crueldade ou tentativas de menosprezar ou debochar de qualquer grupo ou indivíduo que seja diferente — sejam tais diferenças de raça, religião, desafios intelectuais, status social, orientação sexual ou de qualquer outro tipo. Tais atos simplesmente não têm lugar em nossa sociedade.

Esta Igreja sentiu o amargo ferrão da perseguição e da marginalização no início de sua história, quando éramos muito poucos em número para nos protegermos adequadamente e as autoridades não pareciam dispostas a nos ajudar. Nossos pais, nossos jovens adultos, adolescentes e crianças devem, portanto, ser especialmente sensíveis aos vulneráveis da sociedade e sentirem-se desejosos de se pronunciar contra o bullying ou a intimidação, onde quer que ocorra. Isso é particularmente verdadeiro em nossa própria congregação de santos dos últimos dias. Cada indivíduo e família de santos dos últimos dias deve avaliar cuidadosamente se suas atitudes e ações refletem apropriadamente o segundo grande mandamento de Jesus Cristo: amar uns aos outros.

Como Igreja, nossa posição doutrinária é clara: qualquer atividade sexual fora do casamento é errada e definimos casamento como sendo entre homem e mulher. No entanto, isso jamais deve ser usado como justificativa para a agressão. Jesus Cristo, a quem seguimos, foi claro em Sua condenação da imoralidade sexual, mas nunca cruel. Seu interesse sempre foi elevar o indivíduo, nunca humilhá-lo.

A doutrina da Igreja baseia-se no amor. Cremos que nosso propósito na vida é aprender, crescer e desenvolver e que o irrestrito amor de Deus capacita cada um de nós a alcançar nosso potencial. Nenhum de nós está limitado por nossos sentimentos ou inclinações. Por fim, somos livres para agir por nós mesmos.

A Igreja reconhece que aqueles de seus membros que sentem atração pelo mesmo sexo experimentam profundos sentimentos emocionais, sociais e físicos. A Igreja faz distinção entre sentimentos e inclinações de um lado e comportamento de outro. Não é pecado ter sentimentos, mas ceder à tentação é.

Não há dúvida de que é difícil, mas os líderes e membros da Igreja estão prontos para estender a mão, ajudar e encorajar seus irmãos desejosos de seguir a doutrina da Igreja. A luta deles é a nossa luta. Os membros que sentem atração pelo mesmo sexo mas permanecem fiéis aos ensinamentos da Igreja podem ser felizes durante a vida e prestar relevantes serviços à Igreja. Podem desfrutar de plena comunhão com outros membros, o que inclui frequentar e servir nos templos, e receber todas as bênçãos garantidas a quem vive os mandamentos de Deus.

Obviamente, há quem discorde de nós. Esperamos que qualquer discórdia baseie-se numa total compreensão de nossa posição e não em distorções ou interpretações parciais. A Igreja continuará a se pronunciar para assegurar-se de que sua posição seja corretamente compreendida.

A paternidade e o amor universais de Deus enche cada um de nós com um inato e reverente reconhecimento de nossa dignidade humana. Devemos amar uns aos outros. Devemos nos tratar com respeito como irmão e irmãs e filhos de Deus, não importa o quanto possamos diferir uns dos outros.

Esperamos e cremos firmemente que nesta comunidade e em outras a gentileza, a persuasão e a boa vontade possam prevalecer.

Artigo relacionado:

  • Por que sou contra o casamento gay

     

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    A controversa questão da adoção de crianças por casais gays

    crianca_casal_gayNos comentários de meu artigo Por que sou contra o casamento gay um defensor da causa afirma que uma criança criada por pais homossexuais não sofre nenhuma consequência ruim. Não mesmo? Vejamos:

    • Como observou um colunista do jornal The New York Times no artigo Gay Parents and the Marriage Debate, “o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma experiência social e, como na maioria das experiências, levará tempo para se compreender suas consequências”.
    • Estudo do professor Walter Schumm, da Universidade do Kansas, publicado no “Journal of Biosocial Science”, Volume 42, edição 6, novembro de 2010, páginas 721-742, demonstrou que grande parte dos jovens na casa dos vinte anos que foram criados por pais homossexuais (gays ou lésbicas) assumem a homossexualidade: 58% dos jovens criados por pares de lésbicas e 33% dos jovens criados pares de gays descrevem-se a si mesmos como homossexuais.
    • Estudo científico publicado pelo Prof. Mark Regenerus, sociólogo da Universidade do Texas em Austin, no periódico Social Science Research, volume 41 (2012), páginas 752–770 — provavelmente um dos mais importantes estudos dos últimos anos por sua rigorosa metodologia científica — derruba a sabedoria acadêmica convencional de que tais crianças não sofrem nenhuma desvantagem. No estudo, o prof. Regenerus observou que, quando comparadas com crianças criadas por pai e mãe casados, as educadas por pares do mesmo sexo são mais propensas a requerer psicoterapia, a identificarem-se como homossexuais, a contrair doenças sexualmente transmissíveis, a serem sexualmente molestadas, a consumir álcool exageradamente e fumar maconha.
    • Nem foi preciso esperar muito para termos um relato em primeira pessoa sobre quão negativa pode ser a influência de pais gays na criação de filhos. Em seu livro Out From Under, a canadense Dawn Stefanowicz conta como foi ter sido criada por pais gays dos quais um morreu de AIDS. Após a publicação do livro, ela conta que mais de 50 adultos que foram criados por pais LGBT a procuraram para partilhar suas preocupações sobre casamento e paternidade gay. “Muitos de nós sofrem com a própria sexualidade e senso de gênero por causa da influência do ambiente familiar em que crescemos”, diz ela no artigo Um Alerta do Canadá: O Casamento Gay Erode Direitos Fundamentais.

    Os defensores da causa gay dizem que permitir a adoção de crianças por casais gays é um favor que se faz a elas para tirá-las do abandono. O detalhe é que o abandono de crianças é só mais uma das muitas perversas mazelas sociais decorrentes da sistemática violação da lei de Deus. Se há crianças abandonadas é porque alguém transgrediu essa lei. A solução para isso não é entregá-las a casais gays, e sim fazer com que os transgressores se arrependam.

    “As únicas soluções reais para os muitos problemas graves que o mundo atual enfrenta são espirituais, e não políticas ou econômicas. O racismo, a violência, [o abandono de crianças] e os crimes de ódio, por exemplo, são problemas espirituais, e sua única solução real é espiritual.” (Élder Wilford W. Andersen, Religião e Governo, A Liahona, julho de 2015.)

    Essas crianças devem ser criadas pelos próprios pais, como manda Aquele que as enviou ao mundo. Quando isso acontecer, não haverá mais crianças em orfanatos ou na rua. Querer entregar uma criança dessas nas mãos de um casal gay é tentar corrigir um erro cometendo outro.

    Acho que tudo na vida sempre deve ser feito à maneira do Mestre para que não haja consequências nocivas a ninguém. Se cada indivíduo pensasse menos em si mesmo e mais Nele, a vida em sociedade seria muito melhor e haveria bem menos desventuras no mundo.

    Não estou defendendo uma tirânica imposição da lei de Deus. Sei que não vivemos numa teocracia e que o Estado é laico. Mas seria bom se a sociedade já fosse se acostumando à ideia de que no grande Milênio, que será inaugurado com o retorno de Cristo, as coisas não serão como são hoje. Na ocasião, o mundo voltará a ser como era na época do Jardim do Éden e será governado por uma teocracia. A lei que estará em vigor é a mesma lei de Deus hoje desprezada pela sociedade.

    “Um dia o Salvador vai voltar. É Seu direito governar e reinar como Rei dos reis e nosso grande Sumo Sacerdote. Então, o cetro do governo e o poder do sacerdócio se tornarão um só.” (Ibidem.)

    Quando isso acontecer, Ele assumirá o governo da Terra e consertará tudo que estiver errado em todas as esferas. Por isso, tudo que não estiver de acordo com Sua lei será removido do mundo, o que inclui casamentos gays e adoção de crianças por casais gays. Se houver crianças abandonadas na ocasião, elas não serão entregues para adoção por casais gays (se é que eles existirão). Então esse modelo que está na moda hoje está também com os dias contados.

    No documento A Família: Proclamação ao Mundo, a Igreja diz:

    “Os filhos têm o direito de nascer dentro dos laços do matrimônio e de ser criados por PAI E MÃE que honrem os votos matrimoniais com total fidelidade.” (Destaque meu.)

    Em meu artigo Por que sou contra o casamento gay escrevi:

    É justamente isso o que faz quem desconhece o Evangelho (se conhece, não o entende; se entende, não o vive). Por isso, todo o barulho feito pela comunidade gay acaba ocupando dentro das pessoas o espaço que deveria estar preenchido pelo Evangelho. Eis porquê a ideologia gay conquista mais e mais a simpatia da sociedade.

    O que acho é que os de nós que são contrários a esse estado de coisas têm que se manifestar. Por que a ideologia gay está tomando a sociedade de assalto? Além do motivo exposto acima, é porque os que discordam dela se omitem de fazer sua voz ser ouvida também. Simplesmente acham ruim, mas não se manifestam. Isso, aliás, vai contra o conselho dado no artigo Oposição ao mal, de Gordon B. Hinckley:

    As restrições legais aos comportamentos imorais estão perdendo a força por causa de decretos legislativos e decisões judiciais. Isso é feito em nome da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa e da liberdade de escolha nos assim chamados assuntos pessoais. Mas o fruto amargo dessas supostas liberdades tem sido a escravização das pessoas a hábitos e comportamentos imorais que somente conduzem à destruição. Um profeta, falando há muito tempo, descreveu esse processo de modo muito preciso, ao declarar: “E assim o diabo engana suas almas e os conduz cuidadosamente ao inferno”. (2 Néfi 28:21)

    (…)

    A edificação do sentimento público começa com umas poucas vozes sinceras. Não defendo um ataque agressivo, com gritos, gestos e ameaças, aos legisladores. Mas creio que devemos sincera e honestamente expressar positivamente nossas convicções aos que têm a pesada responsabilidade de elaborar e implementar nossas leis. A triste verdade é que a minoria que exige maior liberdade, que vende e consome pornografia, que incentiva as exibições licenciosas e lucram com isso, fazem suas vozes serem ouvidas até que nossos legisladores passam a acreditar que eles representam a vontade da maioria. Não é provável que consigamos algo pelo qual não nos manifestamos.

    Que nossa voz seja ouvida. Espero que não seja de modo estridente, mas que falemos com tamanha convicção que aqueles a quem nos dirigimos saibam da força de nosso sentimento e da sinceridade de nosso empenho. Consequências notáveis fluirão de uma carta bem escrita num envelope selado. Resultados notáveis decorrerão de uma conversa tranquila com aqueles que possuem pesadas responsabilidades.

    (…)

    Falem aos que elaboram as normas, estatutos e leis; aos que governam a nível local, estadual e nacional; e aos que ocupam cargos de responsabilidade como administradores de nossas escolas.

    (…)

    Creio que o Senhor nos diria: “levanta-te e põe-te sobre teus pés e manifesta-te em defesa da virtude e da decência”.

    Que estamos fazendo para seguir o conselho de Hinckley? No que me diz respeito, parte do que estou fazendo está relatado no artigo Diga NÃO ao Projeto de Lei Complementar 122/2006.

    Se ninguém acredita que a popularização da cultura gay poderá levar a sociedade ainda mais à ruína, é só esperar para ver. A história já nos deu alguns exemplos disso, não terá sido suficiente?

     

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    Nem tudo que reluz é ouro, já dizia minha avó

    Este artigo relata o surpreendente (e um tanto frustrante) desdobramento do caso que contei no artigo Ganhar (muito!) dinheiro com pornografia? Não, obrigado. Se você ainda não conhece o caso, sugiro ler aquele artigo antes deste para situar-se no contexto.

    O leitor Raphael Coelho, após ler o relato daquela experiência, comentou:

    Posso estar errado, mas isso está parecendo uma clara tentativa de alguém que na verdade queria vê-lo ceder para depois publicar e desmoralizá-lo.

    Respondi que não acreditava nisso, pois eu já havia constatado que a pessoa em questão de fato existia.

    Mas é com consternação que devo reconhecer que ele tinha razão.

    Anteontem (26/3) a verdade veio à tona. Tudo não passou de uma encenação bolada e executada por alguém que, de fato, tentou armar para cima de mim. Essa pessoa acabou confessando tudo. Ele disse:

    Quero dar um fim nisso. Primeiro não sou [aquela pessoa]. Achei seu site no Google e li vários absurdos nele. Dai pensei em te botar pilha, mas vi que tu é um cara legal. Bom, me desculpe. Foi uma criancice minha.

    Ele acabou me contando que é de São Paulo e criou um e-mail novo com o único propósito de fazer-se passar pela atriz pornô (que de fato existe, mas nomes não vêm ao caso) e por sua suposta secretária, que fala português porque já teria participado de um programa de intercâmbio no Brasil. A história prosseguiu por quase dois meses além do ponto em que encerrei o artigo anterior. Nesse meio tempo (e sempre escrevendo em ótimo inglês, para dar mais autenticidade à encenação), teceu toda uma teia de histórias, argumentações e dramas pessoais que levaram-me a crer que eu realmente falava com quem achava que falava. Ainda que algumas peças do quebra-cabeças não encaixassem, foi tão criativo, convincente e rico em detalhes no desempenho das duas personagens que jamais passou por minha cabeça que alguém pudesse estar inventando aquilo tudo e por tanto tempo. Devo tirar o chapéu para sua encenação.

    Mas, depois de algum tempo, ele decidiu encerrar o teatro. Confessou (em português mesmo) dizendo o que disse acima e acrescentou depois:

    Me desculpe. Favor me perdoar. 🙁

    Respondi-lhe:

    Perdoar é algo que costumo fazer mesmo que não me peçam. É o que o Salvador ensinou e o que procuro fazer o melhor que posso.

    Devo reconhecer que você foi bastante criativo em sua atuação, em cada detalhe. E me convenceu de que eu estava falando com quem achava que estava.

    Não se preocupe, não me sinto ofendido. De um modo ou de outro, sua brincadeira acabou servindo a um bom propósito, que foi provar minha determinação em manter-me fiel a meus princípios e dar exemplo disso a outros.

    Embora me sinta frustrado pela constatação da enganação, consegui extrair algum dividendo espiritual da “criancice” do ator, diretor e roteirista dessa peça. Se o caso tivesse sido real — para mim estava sendo —, o resultado teria sido rigorosamente o mesmo. Quando fazemos escolhas certas, aumentamos nosso poder e capacidade de fazer mais escolhas certas.

    Ele, no entanto, parece ter tirado pouco ou nenhum proveito da experiência. Na condição de ateu, veio tentar provar a inutilidade de minha fé em Deus pelo fato de Ele não ter me alertado que tudo não passava de uma farsa. “Se Deus fala com você, por que não te avisou?”, alfinetou.

    Porque não era necessário. Eu não estava sob risco e, no fim, eu ficaria sabendo a verdade. Se houvesse algum perigo iminente de qualquer natureza para o qual eu devesse ser alertado, Ele o teria feito. Isso já aconteceu um sem número de vezes ao longo de minha vida.

    Além do mais, o tempo todo em que falei com você crendo ser [a estrela pornô], eu estava pondo à prova minha fé, demonstrando ao Senhor o quanto estou comprometido com Ele e com o bem estar espiritual das pessoas com quem me relaciono.

    Então, como eu disse, sua brincadeira acabou servindo a um bom propósito. Isso, e o fato de que eu acabaria sabendo a verdade, podem ter sido os motivos pelos quais não fui avisado.

    Não satisfeito, tentou que eu provasse que Deus fala comigo impondo um teste: queria que eu perguntasse a Ele qual era seu nome. Se eu acertasse, então ele acreditaria. Ou seja, estava me pedindo um sinal. As escrituras nos dão exemplos do que pode acontecer a quem tenta o Senhor dessa forma (veja Jacó 7:13–20, Alma 30:48–60). O sujeito passou esse tempo todo me testando e não cedi, então não seria agora que eu iria pisar na bola perante Ele.

    Releia a mensagem sobre fé que lhe enviei. Quando você conseguir desenvolver fé, terá todas as provas espirituais que quiser, inclusive poderá saber por si mesmo se Deus efetivamente fala comigo ou não. É assim que as coisas de Deus funcionam: por meio da fé. E adivinhar seu nome não ajudaria você a desenvolver fé em Jesus Cristo — que é a exata razão pela qual Ele não me diria seu nome mesmo se eu perguntasse. E se fosse realmente necessário que eu soubesse seu nome para cumprir algum propósito Dele, eu já o saberia mesmo sem ter que pedir-Lhe.

    Eu estava tentando ensinar-lhe que não devemos buscar sinais para satisfazer nossa curiosidade nem para apoiar a fé. Ao contrário, o Senhor dará sinais aos que crerem quando julgar conveniente (ver D&C 58:64). Apesar disso, ele continuou insistindo que queria uma “pequena prova” para que acreditasse, uma “micro introdução”.

    Respondi que a iniciativa tem que ser dele, não minha. “Não posso desenvolver sua fé, você é que tem que fazê-lo por si mesmo”, disse-lhe. E sugeri que experimentasse começar a orar e a ler as Escrituras para iniciar o processo de exercitar a fé.

    Bom, faço isso depois. Não tenho nenhuma gibiblia aqui perto.

    “Gibíblia” foi o trocadilho que usou para debochar da Bíblia, comparando-a a um gibi.

    Triste, não?

    Nem sei se adiantou mostrar-lhe versões online da Bíblia e do Livro de Mórmon caso tivesse interesse em lê-los, pois ele não respondeu mais.

    Pelo menos a semente está plantada. Sou um otimista incorrigível. 😉

     

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    Ganhar (muito!) dinheiro com pornografia? Não, obrigado

    Uma de minhas atividades profissionais é construir, hospedar e dar manutenção em websites.

    A esse respeito, recebi ontem um e-mail de apenas duas linhas de uma mulher de nome estrangeiro que se dirigia a mim como “Mr. Todaro”, embora a mensagem estivesse em português. Ela dizia:

    Olá Mr. Todaro,

    Quanto você cobra para fazer um site com 5 páginas?

    Respondi dando meus valores. Ela retornou:

    Pois te pago 3.500 dólares pelo site e mais 275 dólares por mês ajustáveis a cada 6 meses! Procuro um webmaster que aceite fazer sites pornô. Sou empresária de uma atriz pornô e ela precisa de um site.

    O site deve conter:

    – Sobre a atriz
    – Portifólio
    – Algumas fotos e videos da atuação
    – Página para contato
    – Página inicial com informações básicas

    O site seria em inglês, visto que a atriz é canadense. Estamos a procura de um webmaster na América Latina.

    Se possivel, madar a resposta em inglês, pois minha chefe irá ler amanhã e eu estarei de folga por 1 mês e 3 dias.

    Aguardo sua reposta.

    US$ 3500 para criar um site? Uau! Pelo câmbio de hoje, isso equivale a mais de R$ 6500. Nunca pensei em ganhar tanto dinheiro fazendo um site de cinco páginas, por mais complexo que fosse.

    O que aparentava ser uma surpreendente generosidade nessa oferta nada mais era que um sinal explícito da soberba abastança do meio pornográfico. Sempre soube que a pornografia é uma indústria poderosa. Nos EUA, a receita auferida com pornografia é maior do que todas as receitas combinadas de profissionais do futebol, beisebol, basquete e franquias. Há dezenas de milhões de sites pornográficos de acesso pago prosperando na Internet. Atrizes pornô podem ganhar vários milhões de dólares por ano. Algumas se tornam tão ricas que se aposentam ainda jovens.

    O problema está nas implicações morais e espirituais dessa atividade. Homens e mulheres engajados na prática do sexo explícito — e com frequência depravado — para alimentar essa indústria cometem um dos mais graves pecados previstos nas leis de Deus, perdendo em gravidade apenas para o assassinato. Como todo pecado, sua inspiração vem de uma única fonte: o inimigo de Deus e do homem.

    Qual é a motivação de Satanás ao induzir o homem a cometer esse e todo tipo de pecado? Como nos ensina o profeta Leí, Satanás procura tornar todos os homens tão miseráveis como ele próprio (ver 2 Néfi 2:27). E por que? Basicamente porque tem ciúmes de nós pelo fato de possuirmos um corpo físico e ele não — e nisso consiste parte de sua condenação. Por isso, tenta conseguir que façamos mau uso de nosso corpo. Como ensinou a irmã Susan W. Tanner, Presidente Geral das Moças de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, falando sobre nosso corpo:

    Com a plenitude do evangelho na Terra, temos novamente o privilégio de conhecer essas verdades sobre o corpo. Joseph Smith ensinou: “Viemos a este mundo com o objetivo de obter um corpo e de apresentá-lo puro, diante de Deus, no Reino Celestial. O grande plano de felicidade consiste em ter um corpo. O diabo não tem corpo, e nisso consiste seu castigo” (The Words of Joseph Smith [As Palavras de Joseph Smith], ed. Andrew F. Ehat e Lyndon W. Cook [1980], p. 60).

    Satanás aprendeu essas mesmas verdades eternas a respeito do corpo, mas seu castigo é não ter um. Por isso, tenta fazer de tudo para conseguir que maltratemos essa preciosa dádiva ou façamos mau uso dela. Ele encheu o mundo de mentiras e falsidades sobre o corpo. Ele tenta muitas pessoas a profanarem essa grande dádiva por meio da falta de castidade e de recato, das libertinagens e vícios. Ele seduz alguns a desprezarem o próprio corpo; outros, ele tenta para que o adorem. Em ambos os casos, ele induz o mundo a considerá-lo como um mero objeto. Diante de tantas falsidades satânicas a respeito do corpo, quero erguer hoje a voz em defesa da santidade dele. Testifico que o corpo é uma dádiva que deve ser tratada com gratidão e respeito.

    A íntegra da mensagem da irmã Tanner pode ser lida aqui.

    Por mais que eu precise de dinheiro, meu senso de compromisso com Deus não me permitiria aceitar uma oferta cuja origem é uma atividade tão flagrantemente inspirada por aquele que nos odeia a ponto de querer para nós a mesma condenação que trouxe sobre si. O dinheiro que eu ganharia com isso e tudo que esse dinheiro me permitiria comprar seria uma maldição travestida de bênção.

    Então respondi (em inglês, conforme solicitado):

    Obrigado. Sua oferta parece ser realmente muito boa. No entanto, não posso aceitá-la por estar relacionada a uma atividade que vai contra meus princípios.

    Espero poder servi-la com o melhor de mim noutra oportunidade.

    Achei que o assunto morreria aí. Eu não esperava resposta alguma ou, quando muito, um “obrigado pela atenção”. Achei que a menção a “princípios” que me impediam de aceitar o trabalho deixaria claro o porquê de minha recusa. Mas, poucas horas depois, veio outra mensagem (em inglês, da própria atriz) dizendo:

    Por que não pode aceitar a oferta, homem? Quais são seus princípios? Tudo bem, pago US$ 5500 pelo site e US$ 590 pelas atualizações.

    Quando li isso, comecei a rir sozinho. Seriam mais de R$ 10 mil pelo site e mais de R$ 1100 por mês pelas atualizações. “Caramba! Esse pessoal é louco!”, pensei enquanto ria.

    Obrigado por sua nova oferta.

    Sou um membro devoto de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mais conhecida pelo apelido de “igreja mórmon”). Ela ensina que a pornografia é qualquer material que faz alusão ou descreve o corpo humano ou conduta sexual de modo a provocar sentimentos sexuais. É prejudicial ao espírito tal como tabaco, álcool e drogas são ao corpo. O uso de material pornográfico de qualquer tipo viola um mandamento de Deus: “Não (…) cometerás adultério (…) nem farás coisa alguma semelhante” (D&C 59:6).

    Por isso, evito a pornografia em qualquer de suas formas e me oponho à sua produção, distribuição e uso. Eis porque, não importa quanto dinheiro me ofereça, não posso aceitá-lo. Lamento. Como eu disse antes, espero poder servi-la com meu melhor em outro tipo de website.

    Mas ela simplesmente ignorou o que eu disse e fez mais uma oferta. Veja que loucura:

    OK, ofereço US$ 10 mil pelo site + US$ 2 mil pelas atualizações. Esse tipo de serviço custaria muito mais aqui no Canadá. Ofereço também algo que ninguém poderia oferecer-lhe: conheço muita gente famosa. Nem todos são da indústria pornográfica. Posso apresentar você a eles, então você teria muitos outros clientes. Que me diz?

    Então talvez seja por isso que esteja atrás de um webmaster sulamericano: pagar muito menos. Faz-me lembrar o caso da indústria americana de eletrônicos de consumo, que terceiriza sua produção usando empresas chinesas, cuja mão de obra é bem mais barata. Não vejo muito problema nisso, chama-se economia de mercado. Eu não me importaria em ganhar menos do que ganharia um webmaster canadense para produzir esse material. Afinal, R$ 18 mil reais por um site e R$ 3,7 mil por mês por atualizações até parece salário de marajá do funcionalismo público. Mas o canto dessa seria não me seduz. Minha consciência e meus convênios com o Senhor no batismo e no templo não estão à venda.

    Aprecio o que está tentando fazer por mim e a fantástica quantidade de dinheiro que me oferece. Mas, por favor, tente entender que meus princípios e minha fé não têm preço. São muito mais que uma mera crença: são o que me definem. Não posso aceitar sua oferta nem mesmo por um milhão de dólares ou mais.

    Lamento. Por favor, não insista. Obrigado.

    Nem isso a fez levar-me a sério. Ela simplesmente triplicou a oferta em dinheiro.

    Mas, quando viu que com dinheiro não me convenceria, começou a oferecer a si mesma também. Aí senti-me afrontado e simplesmente parei de responder-lhe. Mesmo assim, continuou insistindo.

    O que tenho curiosidade em saber é: por que insistir comigo quando há uma infinidade de opções à disposição ao redor do mundo? Tenho certeza que não seria difícil encontrar quem aceitasse até a mais modesta das propostas que me fez. Acredito que a resposta esteja no fato de que tentar convencer-me a mudar de ideia deve ter se tornado questão de honra para ela, por isso rebaixou-se até o ponto de usar a si própria como mercadoria dizendo coisas como “muitos homens desejariam estar no seu lugar”. Ela não deve estar habituada a ser rejeitada por um homem. Deve também ser do tipo de pessoa que pensa que todo homem tem seu preço. Bem, então terá que aprender que não é bem assim.

    Ela tem razão. Muitos homens realmente desejariam estar no meu lugar, mas por outro motivo.

    Como me lamento por ela!

    Mais tarde constatei que eu estava certo: ela acabou confessando que estava mesmo sentindo sua honra desafiada, daí a insistência. E o fato de se sentir ignorada por mim deve ter agido como gasolina jogada sobre o descontrolado incêndio de sua vaidade e orgulho. Veja só (e pasme com) o que disse:

    Todo homem tem um preço. Qual é o seu? Como bônus, dou-lhe 25 noites de sexo comigo e tudo mais que eu disse acima. Posso dar-lhe tudo que quiser. Ganho mais de 15 milhões de dólares por mês. Não há nada que eu não possa lhe dar. Vamos lá, diga-me seu preço! Não importa se me pedir 3 ou até 5 milhões de dólares. Agora virou questão de honra para mim. Se disser sim, vai ficar rico e ter tudo que quer: carros, casas, viagens, TVs, mulheres jovens e qualquer coisa que queira. Se disser não, nunca mais escrevo a você novamente. Então você tem que escolher: continuar pobre com sua religião ou ter a vida com que sempre sonhou. Pense no seu filho. Você pode dar-lhe um ótimo futuro: todos os brinquedos que ele quiser, estudo em qualquer país do mundo, estudo em uma boa faculdade e posso também conseguir para ele o emprego que quiser (não importa qual). Vou me matar se você não aceitar e você será responsável por isso. Minha secretária é testemunha. Então, por favor, responda-me agora. Responda-me pelo menos mais uma vez (de preferência dizendo sim), não é algo difícil de fazer.

    Tive que dar uma boa risada quando falou em suicídio. Não levei nada disso a sério e duvido que ela fosse cumprir uma fração do que prometeu se eu aceitasse. Acho mesmo que se trata apenas de orgulho ferido por minha firmeza de caráter. Na verdade, durante a noite, enquanto eu dormia e continuava sem responder seus e-mails, ela enviou uma série de outras mensagens, inclusive com ameaças de me difamar na imprensa se eu não aceitasse suas ofertas. Mandou-me uma foto sua (bem vestida) para que eu visse como é linda, na esperança de que eu mudasse de ideia. Como nem assim recebeu resposta, chegou até a enviar um e-mail cheio de xingamentos e palavrões, certamente tentando provocar em mim uma reação. Sua secretária escreveu também dizendo ter recebido dela um telefonema aos prantos dizendo que fui “rude, infantil e burro” e que estava tendo o pior dia de sua vida por causa de uma pessoa “antiprofissional como você”.

    Eu mereço…

    Até onde isso tudo é sério ou é piada, não sei. Só sei que, após alguma ponderação em espírito de oração, senti-me confortável com a ideia de usar de um pouco de compaixão para dar-lhe uma última resposta em consideração à pessoa que é como minha irmã.

    Entendo que você deve ser daquele tipo de mulher capaz de conseguir tudo que quer com sexo e dinheiro e para a qual homem algum diz não. Quando um homem se atreve a fazê-lo, você acha que é questão de honra fazê-lo mudar de ideia, como se você fosse algum tipo de deusa grega como Afrodite. Sou perfeitamente capaz de entender isso.

    O que NÃO sou capaz de entender é, se seu interesse é apenas em ter um site, por que você insiste comigo quando certamente há um imenso número de outros webmasters no mundo que alegremente seguiriam seu canto da sereia e para os quais você nem teria que fazer nenhuma das promessas que me fez.

    Por favor, tente entender que viemos de mundos diferentes. Meu mundo não é movido a sexo e dinheiro. Não sonho com aquele tipo de vida descrito por você. Meu mundo é movido pelo evangelho de Jesus Cristo. O tipo de vida com o qual sonho não pode ser comprado com dinheiro e não pode ser discernido por nossas mentes naturais. Como disse Paulo:

    “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1 Coríntios 2:14)

    Não posso esperar que você entenda isso, mas posso esperar que respeite minha decisão da mesma forma que respeito seu direito de usar seu livre arbítrio como quiser. Estou fazendo exatamente isso: usando o meu como quero.

    Meu Deus não é o dinheiro. E não preciso me desculpar por isso.

    Espero poder contar com sua compreensão e respeito tal como você pode contar com o meu.

    Algumas horas mais tarde, finalmente recebi a resposta que esperava: “Tudo bem. Obrigada por sua atenção”. Depois até desculpou-se por seu mau comportamento, explicando que realmente nunca antes havia recebido um não de um homem e que o meu foi algo difícil de engolir. Bingo!

    Caso encerrado. 🙂

    [ATUALIZADO em 28/3] — Encerrado nada! O caso teve um surpreendente (e um tanto frustrante) desdobramento que relato no artigo seguinte a este, Nem tudo que reluz é ouro, já dizia minha avó. Por isso, encerrei os comentários deste artigo e peço ao leitor que, se quiser comentar, faça-o no artigo seguinte. Obrigado.

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