Quando a resposta do Espírito é o silêncio

Referente a julho de 2006

Aconselho-os a registrarem todas as suas bênçãos e a preservarem-nas. (…) Exorto-os a fa­zerem um registro de todos os atos oficiais de sua vida. Se vocês batizarem, confirmarem, or­denarem ou abençoarem qualquer pessoa ou ministrarem aos enfermos, façam um registro disso. (…) Se o poder e as bênçãos de Deus se manifestarem quando vocês forem protegidos de perigos, (…) registrem tais acontecimentos. Façam um relato das interações de Deus com vocês diariamente. Registrei por escrito todas as bênçãos que recebi e não as venderia nem por ouro.

Acaso não devemos respeitar Deus o bastante para fazermos um registro das bênçãos que Ele derrama sobre nós e dos atos oficiais que realizamos em Seu nome na face da Terra? Creio que sim.

Em vez de negligenciar esta parte de nosso trabalho, todos que puderem devem manter um diário e registrar os acontecimentos à medida que se descortinarem perante nós no cotidia­no. Isso será um legado valioso para nossos filhos e de grande benefício para as gerações futuras, pois lhes transmitiremos um histórico verdadeiro da ascenção e progresso da Igreja e reino de Deus na Terra nesta última dispensação, em vez de deixarmos o terreno aberto para que nossos inimigos redijam uma história falsa da verdadeira Igreja de Cristo. (Ensi­namentos dos Presidentes da Igreja: Wilford Woodruff, pg. 131-132.)

Como designação de leitura para este mês, os membros adultos da Igreja leram o capítulo 13 do manual acima citado, intitulado “Diário: De Maior Valor do que o Ouro”, que contém o trecho acima. Quando o li, dei-me conta de que estou em dívida com esta minha obra. Tenho mantido-me tão ocupado com a lida diária que nem aos domingos lembro-me de atualizá-lo. Isso precisa mudar.

Tenho grande consciência da importância de uma obra como esta, como o Pres. Woodruff mencionou. Eu mesmo escrevi o seguinte a esse respeito:

Reler minhas próprias experiências ajudou-me a perceber o quanto eu era feliz e não sabia! Percebi também que certas coisas aqui escritas poderiam ter salvo minha pele em situações difíceis, pois algumas respostas para questões vitais estavam aqui mesmo. É por isso que exorto a todos quantos vierem a ler estas palavras que tomem coragem e iniciem seus próprios relatos pessoais. Há muito mais importância neles do que pode parecer!

Não sei até que ponto esta obra será apreciada no futuro, mas alguém saberá dar-lhe algum valor, razão pela qual estou constantemente preocupado com sua continuidade mesmo que eu não escreva nela tanto quanto deveria. Assunto não falta.

Assim, para ser fiel ao ensinamento do Pres. Woodruff de que devemos registrar todos os atos oficiais de nossa vida, devo registrar que recentemente, como membro do bispado de minha ala, participei pela primeira vez de um conselho disciplinar. O bispo convocou o conselho para julgar a situação de uma irmã com dificuldades em um certo mandamento do Senhor particularmente importante. Ela já tinha sido anteriormente submetida a um conselho disciplinar informal no qual o bispo estabeleceu metas que ela não cumpriu. Assim, fez-se necessário um novo conselho, desta vez formal, que foi realizado à revelia dela por não ter demonstrado interesse em participar, apesar da insistência do bispo.

O bispo fez a seus dois conselheiros uma detalhada exposição dos fatos que levaram aquela irmã à situação atual e de tudo o que já foi feito para ajudá-la. Contou inclusive que são amigos de longa data e, por isso, conhece de perto sua situação. Então abriu o tempo para nossas perguntas. Depois, cada um foi para uma sala separada da capela para orar e conhecer a vontade do Senhor quanto àquela Sua filha.

Em minha oração eu disse ao Senhor que, diante do que nos foi exposto, eu era da opinião de que a irmã precisava ser excomungada. Disse-Lhe que eu estava disposto a dar esse voto quando voltássemos à sala do bispado e pedi-Lhe que confirmasse dentro de mim se essa era Sua vontade.

O Espírito não respondeu com alguma palavra específica em minha mente nem sentimento especial em meu peito. A resposta que obtive foi simplesmente silêncio, acompanhado de paz. A serenidade e tranqüilidade que envolviam minha opção pela excomunhão da irmã levaram-me a deduzir que o Senhor estava de acordo com meu voto.

De volta ao bispado, o bispo pediu-nos que revelássemos nossos votos. Foi com um misto de alívio e assombro que vi que a decisão foi unânime. Alívio por constatar que não me enganei em minha dedução sobre a vontade do Senhor; assombro por saber que Seus dois outros servos obtiveram a mesma resposta.

O bispo perguntou o porquê da escolha de cada um. Falei primeiro, expondo minhas razões. O outro conselheiro e o bispo disseram que não teriam nada mais a acrescentar além do que eu havia dito para justificar seus votos. Então preenchi o formulário que seria ser enviado à presidência da estaca e encerramos.

Identifico nessa experiência dois pontos altos: a unanimidade de sentimentos quanto ao que era da vontade do Senhor e o fato de que a ausência de idéias e sentimentos discerníveis durante uma tomada de decisão pode indicar que, naquele momento e circunstância, o Senhor não tem nada a acrescentar além do que já foi ponderado e decidido.

Sou grato a Ele pelo privilégio de servi-Lo no bispado desta unidade de Sua Igreja.

Meu serviço na ala não se restringe ao bispado. Como professor da classe de Princípios do Evangelho da Escola Dominical, tenho tido o sagrado privilégio de ver vidas mudarem e o Espírito ser derramado em grande abundância sobre a classe durante certas aulas. Sei que estou sendo usado pelo Senhor como instrumento para tocar corações e converter almas, especialmente a minha própria. Dou graças por isso também.

Lembro-me que, no ano passado, uma missionária disse-me que sentia prazer em trazer visitantes para a Igreja por causa de minhas aulas naquela classe. Na ala anterior, na qual eu também era professor de Princípios do Evangelho além de presidente do quórum de élderes, uma irmã recém-conversa confessou-me depois de algum tempo na Igreja que só permaneceu firme no evangelho por causa de minhas aulas. Esses são alguns dos motivos pelos quais sempre agradeço ao Pai pelos dons e talentos que me deu para ensinar Seu Evangelho.

Creio que o que explica o fato de algumas pessoas gostarem de minhas aulas não é o conhecimento que tenho de cada assunto que ensino, mas meu forte testemunho sobre eles. Do começo ao fim, cada aula que dou é mais que um mero repassar de conhecimento: é também, e principalmente, um testemunho que presto. Procuro não ensinar com a boca, mas com o coração. É muito comum nesses momentos o Espírito colocar idéias em minha mente sobre coisas que devo falar. Sei que, quando falo sobre essas idéias, o Espírito faz Seu trabalho no coração dos que as ouvem. O Espirito é, portanto, o grande professor da classe. E assim deve ser com tudo que se faz em Sua Igreja. Afinal, a Igreja é Dele, não nossa.

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3 comentários em Quando a resposta do Espírito é o silêncio

  1. Marília Magalhães disse:

    Ah, eu também me realizo dando aula! =)

    Mas eu, musicista profissional, sou sempre encarregada de música, regente ou algo similar. Hoje em dia, além de ser responsável pela música na ala, sou 1ª conselheira das Moças (na ala também). De vez em quando eu dou aula =D

    Acho que o manual Ensino: Não Há Maior Chamado não poderia ter um nome mais adequado.

  2. Marcelo Todaro disse:

    Obrigado pelos comentários, irmã.

    Lamento dizer que não sou mais professor de Princípios do Evangelho (nem mesmo conselheiro do bispado). Hoje sirvo como membro do sumo-conselho de minha estaca. De certa forma, continuo sendo um professor.

    Aliás, costumo dizer que, se alguém quiser me ver feliz na Igreja, basta dar-me uma classe para ensinar. Não preciso de mais nada. 🙂

  3. Marília Magalhães disse:

    Irmão Marcelo, nesse caso o silêncio é um sim! =)

    Repito o que já falei antes, no Mormons-br, do YahooGrupos: a resposta do Senhor, seja lá qual for, sempre vem. Às vezes não com palavras. Na narrativa que você compartilha aqui, eu creio que a paz sentida ao fim da oração e a posterior compreensão de que a resposta do Espírito (“o Senhor não tem nada a acrescentar além do que já foi ponderado e decidido”) foram um sonoro SIM, não há como negar =)

    É como explica o Presidente Kimball em O Milagre do Perdão: o Espírito Santo fala a nós de “espírito para espírito”, por isso as confirmações que recebemos dele são tão singulares e difíceis de serem colocadas em palavras.

    Sou muito grata que você seja professor na sala de Princípios do Evangelho também. Tenho altas tendências todaristas – hehehe… Eu o admiro muito!

 

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