“Que nossa voz seja ouvida”

Em setembro de 2004, nosso saudoso Pres. Gordon B. Hinckley instou os membros da Igreja a não se calarem diante da sempre crescente ampliação da iniquidade e da imoralidade nos meios de comunicação, particularmente a TV (Oposição ao Mal, A Liahona, pg. 3). Ele disse:

A enxurrada de imundície pornográfica e a descabida ênfase no sexo e na violência não se restringem à América do Norte. A situação está igualmente ruim na Europa e em muitos outros lugares. O triste panorama global indica uma desintegração do próprio cerne da sociedade.

As restrições legais aos comportamentos imorais estão perdendo a força por causa de decretos legislativos e decisões judiciais. Isso é feito em nome da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa e da liberdade de escolha nos assim chamados assuntos pessoais. Mas o fruto amargo dessas supostas liberdades tem sido a escravização das pessoas a hábitos e comportamentos imorais que somente conduzem à destruição. Um profeta, falando há muito tempo, descreveu esse processo de modo muito preciso, ao declarar: “E assim o diabo engana suas almas e os conduz cuidadosamente ao inferno”. (2 Néfi 28:21)

O Pres. Hinckley acha que não precisamos ficar calados, “permitindo que a imundície e a violência nos dominem, nem precisamos fugir em desespero”. Para ele, se um número suficiente de pessoas que não gosta dessa situação simplesmente abrir a boca e manifestar sua opinião contrária a esse estado de coisas, é possível reverter a situação. “Não é provável que consigamos algo pelo qual não nos manifestamos”, disse ele, acrescentando:

Que nossa voz seja ouvida. Espero que não seja de modo estridente, mas que falemos com tamanha convicção que aqueles a quem nos dirigimos saibam da força de nosso sentimento e da sinceridade de nosso empenho. (…) Falem aos que elaboram as normas, estatutos e leis; aos que governam a nível local, estadual e nacional; e aos que ocupam cargos de responsabilidade como administradores de nossas escolas. Evidentemente, haverá aqueles que nos baterão a porta na cara, que desprezarão nosso empenho. Podemos sentir-nos desanimados. Sempre foi assim. (…) Creio que o Senhor nos diria: “levanta-te e põe-te sobre teus pés e manifesta-te em defesa da virtude e da decência”.

Foi imbuído desse espírito que decidi incluir em meu blog um artigo em que manifesto minha posição contrária à legalização da união civil homossexual, o qual já me rendeu até convite para participar de programa de TV.

O passo mais recente nesse sentido deu-se neste fim de semana. Conversando com um amigo por e-mail, manifestei-lhe meu desagrado com o nível moralmente baixo de programas humorísticos como o Casseta & Planeta, da TV Globo. Enquanto discorria sobre o tema, pensei que de nada valeria aquela conversa se eu não fizesse minha opinião chegar a quem realmente deve ouvi-la, que é a produção do programa. Então procurei o site do programa e enviei-lhes o seguinte:

Eu gostaria muito de assistir ao programa, mas não posso. Ele não se encaixa em meus padrões de qualidade. O programa apela muito para o erotismo e o sexo. Humor do bom não precisa ser feito recorrendo-se a esse expediente. Enquanto isso não mudar no programa (e talvez nunca mude, certo?), não vou assisti-lo. É pena, os caras são bons e eu gostaria muito de rir com eles, mas se a cada 30 segundos vem uma piadinha de duplo sentido (ou de sentido explícito mesmo), prefiro economizar energia elétrica mantendo a TV desligada. Um abraço!

Para minha surpresa, alguém da Globo respondeu. A pessoa, que não se identificou, disse que minha crítica seria levada à direção do programa.

“Menos mau”, pensei.

Por algum motivo que foge à minha compreensão, há quem ache que humor obrigatoriamente tem que envolver sexo. Parece que piadas com termos chulos e conotação erótica despertam mais interesse. É triste. Há tanto humor bom que pode ser feito sem isso!

Este artigo tem o propósito de tentar despertar no leitor o sentimento de necessidade de manifestar-se aos meios de comunicação quando algo não o agradar. Sei que a maioria dos que vierem a ler este artigo não concordará com minha queixa contra o Casseta & Planeta — aquele meu amigo com quem eu conversava sobre o programa, por exemplo, acha minha atitude o cúmulo da “quadradice” –, mas, seja neste ou em outros aspectos, é senso comum que há muita porcaria na TV. Então não fique calado! Mande e-mails, faxes ou cartas às emissoras de rádio e TV, revistas, jornais etc. que veicularem algo de que não goste. Seja fiscal. Não se omita. Da mesma forma como alguém da Globo respondeu a mim — e, com alguma sorte, terei minha queixa realmente levada a quem de direito lá dentro –, muito provavelmente sua voz de protesto também chegará a algum lugar. Como disse o Pres. Hinckley, se um número suficiente de pessoas que não gosta dessa situação simplesmente abrir a boca e manifestar sua opinião contrária a esse estado de coisas, é possível reverter a situação. Que estamos esperando?

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4 comentários em “Que nossa voz seja ouvida”

  1. Carla disse:

    Junto minha voz a de vocês, assim como a de todos aqueles que amam a Deus, amam a si mesmos e ao seu próximo.
    Seja o que for a motivação dos criadores dos textos humorísticos, certamente não é o amor.
    Quem ama ao próximo não se desvaloriza, não se desonra, nem faz isso com os outros.
    Vivemos num mundo em que todos olham a superfície, ninguém olha para o fundo da alma uns dos outros, e assim, todos se sentem sós, usados e sem valor.
    Mas nem tudo está perdido. Temos a luz que devemos levantar.
    Como é bom poder andar há luz do meio dia e viver uma vida limpa.
    Vamos juntar nossas vozes.
    Parabéns.

  2. ana disse:

    acho que na televisão estão esquecendo valores que levam em consideraçõa uma família. Tudo que seja emitido por esse veículo de comunicação é absorvido por crianças e jovens que permitem colocarem em pratica o que estão vendo e achando engraçado.
    O fato de haver tanta violencia na sociedade, não nos da brecha para tais eventos despresiveis . Esse mundo já esta em perdição, isso digo, pelas fatalidades que ocorrem diariamente , não há limites para atrocidades .
    Podemos minimizar com ações simples , as crianças de hoje não precisam ser contaminadas pelas coisas que passam na tv como desenhos que retratam lutas e rivalidades , esse veículo deveria sim, ser usado como entretenimento ter um teor cultural , informações e prestação de serviço.
    A televisão está ficando no mesmo patamar da intenet, que tem armadilhas a cada canal ou a cada pagina.
    A respeito das pegadinhas que inclui sadomasoquismo , com apresentadores… sem comentarios , só ressalto que esse tipo de demonstração , levam aos jovens de cabeça vazia, a praticarem como trotes nas escolas como já sabemos.

  3. Marcelo Todaro disse:

    Ananta,

    Permita-me dar-lhe os parabéns por sua integridade e firmeza de caráter.

    Que nosso Pai Celestial a abençôe para que permaneça assim para sempre.

    Um abraço!

  4. Nossos profetas e líderes tanto mundiais quanto locais são os Atalaias do Senhor. São responsáveis por nos advertir dos males que nos rodeiam. Mas nós podemos ser atalaias em nossos lares, em nosso trabalho, em nossa escola e na sociedade, devemos advertir nosso próximo dos perigos da pornografia, violência, desonestidade e de todos os os denominados abomináveis pelo Senhor.
    Devido ao grande avanço nos meios de comunicação ficou mais fácil para o inimigo disfarça o pecado e torná-lo atraente. Muitos valores estão sendo perdidos, famílias estão sendo desagregadas, e quem desconhece os efeitos disso tudo acaba aceitando e contribuindo para que a humanidade perca de vez o senso do que é o certo.
    Nós Santos dos Últimos devemos ser sólidos, sim, devemos abrir nossas bocas, expressar de que forma isso nos afeta, e o quanto essas coisas prejudicam nosso caráter e progresso quanto aos valores ensinados em nosso lar.
    Oremos todos para que o Senhor nos proteja e nos de forças suficientes para suportar todas as imundicíes.
    Tenho 19 anos, e sei bem como isso é perigoso. Sou universitária e sempre recebo convites impróprios aos meus padrões. Busco sempre estar em sintonia com o espiríto do Senhor para que possa sempre conservar minha rota.
    Sem mais.

 

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