SALT LAKE CITY, 26 de maio de 2009 — A decisão de hoje da Suprema Corte da Califórnia é bem vinda. O problema resolvido pela corte era se os cidadãos da Califórnia expressaram de forma válida seu direito de apoiar sua própria constituição para definir o casamento como sendo entre um homem e uma mulher. A corte reafirmou categoricamente a ação deles.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias reconhece os sentimentos profundamente defendidos por ambos os lados, mas afirma enfaticamente sua crença de que o casamento deve ser entre homem e mulher. A sólida instituição do casamento entre homem e mulher tem profundas implicações em nossa sociedade. Tais implicações vão desde o que é ensinado a nossas crianças nas escolas às liberdades individuais e coletivas de expressão e prática religiosa.

De acordo com isso, a Igreja mantém-se firme no que crê ser o melhor para a saúde e o bem estar da sociedade como um todo. Ao fazê-lo, novamente reafirma que todos somos filhos de Deus e merecemos ser tratados com respeito. A Igreja crê que o debate sério sobre tais problemas não é ajudado quando elementos extremos dos lados do debate demonizam um ao outro.

Original em inglês neste artigo da Sala de Imprensa da Igreja.

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Ocasionalmente recebo contatos de visitantes de meu blog trazendo-me elogios, dúvidas e críticas. Estas geralmente não são contra o blog ou contra mim, e sim contra a Igreja.

Há algum tempo venho me correspondendo por e-mail com uma pessoa que se identifica apenas pelo pseudônimo de “Árabe Quarentão”. Desde quando me procurou pela primeira vez, vem trazendo dúvidas sobre a Igreja e muitos tópicos relacionados a ela. Tenho procurado responder todas as suas perguntas com o máximo de amor cristão e atenção possível.

No início ele foi muito cordial e polido, mas, em sua última mensagem, enviada esta noite, pareceu ter perdido a paciência comigo pelo fato de eu não concordar com seus raciocínios. Abordou novamente temas já discutidos em mensagens anteriores como se nenhuma resposta houvesse sido dada antes. Trouxe artigos críticos à Igreja pedindo para saber se era verdade o que diziam, como se estivesse me testando. Insiste que a Igreja errou em algumas coisas e que deve desculpas por isso. Tem procurado pelos em casca de ovo para criticar a Igreja e seus líderes e membros.

Em outras palavras, ele é do tipo que, na falta da fé, busca sinais para crer. De sua última mensagem destaco:

OBS: Não consigo raciocinar de maneira clara como uma pessoa inteligente e estudada como você, após eu mostrar tantas contradições (próprias contradições dos líderes em suas citações discursivas, por exemplo), pode seguir uma religião tão “confusa” e “contraditória” como a dos mórmons, como exemplo: não aceitar negros no sacerdócio até 1978, ter praticado a poligamia no passado, ter “segredos” nos Templos Mórmons, que muitos afirmam ter ele plagiados dos maçons (Joseph Smith foi um maçon), enfim, tantas contradições latentes que não consigo imaginar um ser normal e questionável como é o homem, ter coragem de seguir uma religião desse tipo. Desculpe minha sinceridade.

A questão polêmica do Livro de Mórmon, quais provas cabais ele tem? As moedas nefitas, as couraças, as espadas, as ossadas, etc? Não teria sido uma “novela” escrita por uma mente fértil como a de Smith?

A Bíblia possui até hoje os locais citados, isso é um fato incontestável. E os locais citados no livro de mórmon? Onde se encontram?

(…)

No meu entender só falta o pedido de “desculpas” público pelo erro do passado em ter negado aos negros o sacerdócio mórmon, aí sim estaria perto do termo “cristão” ensinado por Jesus no Novo testamento. Um ato de humildade e resignação.

Tudo isso é chover no molhado. Todas essas dúvidas já foram exaustivamente respondidas por eruditos e líderes da Igreja e estão à disposição de quem quiser encontrá-las. Mas parece assombroso que, na busca por informações sobre a Igreja, algumas pessoas só encontram as críticas e nunca as respostas verdadeiras.

Jamais me propus a responder críticas e não abri exceção desta vez. Crítica é sintoma de ceticismo, que se combate com testemunho. Por isso, minha resposta concentrou-se apenas num único ponto de sua mensagem: como posso permanecer membro da Igreja apesar das “contradições” encontradas por ele. Eis o que respondi:

Amigo,

Por favor, preste atenção no que digo abaixo como nunca em sua vida prestou atenção em algo.

O cerne de seu problema em entender essas coisas reside exatamente aqui:

“Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14).

Atente bem para isto: “elas se discernem ESPIRITUALMENTE“. Consegue compreender o que isso significa?

Você poderá passar a vida inteira procurando provas materiais, lógicas e racionais da veracidade do Livro de Mórmon e não as encontrará nunca. Da mesma forma, também não encontrará de muitas coisas contidas na Bíblia: Jardim do Éden (onde foi?), Adão e Eva (existiram mesmo?), dilúvio (como pode não haver vestígio algum dele?) e o principal de tudo: a ressurreição de Cristo (como pode alguém passar três dias morto e voltar à vida?).

Eu já lhe disse numa mensagem anterior e torno a repetir: é tão incoerente pedir provas dessas coisas quanto é pedir do Livro de Mórmon. Se você aceita os relatos bíblicos sem pedir que sejam materialmente provados, tem que aceitar o Livro de Mórmon também, sob pena de estar sendo incoerente: por que não pedir de um e pedir do outro? Ou pede de ambos ou não pede de nenhum. Um peso, uma medida.

Felizmente, Deus nos proveu um meio de saber toda a verdade pelo poder do Espírito Santo sem necessidade dessa tolice de ficar procurando provas materiais de fatos espirituais. Afirmo-lhe que Ele (Deus) fez as coisas de modo a manter essas provas materias ocultas do homem justamente para que ele (o homem) as procure pela fé. Deus quer que desenvolvamos fé. Se temos provas materiais, para que precisamos da fé? Não é isso o que Ele quer.

Portanto, como eu disse, se você quer provas materiais da veracidade do Livro de Mórmon e de muitas coisas ditas na Bíblia, passará toda sua vida procurando e nunca as encontrará, pois ELAS NÃO SÃO PARA SEREM ENCONTRADAS. Não é intenção de Deus que o sejam. Entende isso? Deus não quer que acreditemos nessas coisas por podermos ver e tocar em provas materiais delas, pois assim não precisaríamos ter fé. E a fé é importante porque as maiores e melhores recompensas que Ele tem para nos dar nesta vida e na próxima só são alcançadas por meio da fé. Como Ele é o principal interessado em nos conceder tais recompensas, jamais fará nada que nos impeça de recebê-las — e isso inclui dar provas materiais que dispensem a necessidade de desenvolver fé. Na verdade, a coisa funciona exatamente ao contrário: primeiro vem a fé, depois vêm as provas. A mesma fé que lhe permite saber que Ele existe é a que lhe permitirá saber que o Livro de Mórmon é verdadeiro, caso esteja sinceramente interessado.

Portanto, se, como você mesmo disse, não consegue compreender porquê alguém inteligente e estudado como eu aceita e segue o mormonismo, volte-se a 1 Coríntios 2:14: “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”.

Mais uma vez: a chave da questão está em “elas se discernem ESPIRITUALMENTE“.

Aceito e sigo o mormonismo exatamente por causa disso. Aceito e sigo o mormonismo porque sei que Deus tem boca e fala e tive fé suficiente para buscar com Ele uma resposta. Aceito e sigo o mormonismo porque Ele testificou a mim que esta é a única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo na face de toda a Terra — não apenas mais uma igreja que PRETENDE ser de Cristo, mas a única que Ele aceita como Sua, pois não foi edificada pelas mãos de homens, mas pelas Dele EM PESSOA, visitando o jovem Joseph Smith e iniciando por meio Dele a restauração do Evangelho e da Igreja que há muito havia se perdido no mundo.

Não dou a mínima para o que diz Wikipédia ou seja lá qual for o site. Não estou nem aí para os críticos e opositores. E isso por um motivo muito simples: o fato de Deus ter falado comigo (e crítico ou opositor nenhum JAMAIS poderá dizer o contrário) dizendo o que disse para mim é PROVA mais que suficiente de que estou no lugar certo. As críticas que você citou são palavras de homens, são o racional de homens e, não raro, são a deturpação, a distorção e a calúnia de homens. Quão espiritualmente miserável seria eu se necessitasse dos homens para provar-me a verdade de Deus! Pra quê intermediários se posso recorrer diretamente a Ele, sem interferências nem distorções?

Ou seja, se Deus em pessoa me disse que a Igreja é verdadeira, a única explicação lógica para o que os homens dizem é que só podem estar errados. Ou será que Deus estaria errado e os homens certos?

Eis aí meu racional para permanecer onde estou já há 25 anos: ou Deus está certo ou os homens estão. Ambos não podem estar certos ao mesmo tempo. Se Deus é perfeito e não pode errar, então, pela lógica, quem está errado é o homem que diz o contrário do que Ele diz.

Eis porque não dou a mínima para o que dizem os críticos. Existe uma explicação racional para todos os questionamentos levantados por eles, mas não tenho a mínima necessidade de buscar essas explicações pelos motivos que já expus.

A propósito, você insiste em bater na tecla de que a Igreja deve desculpas por coisas que você acha nebulosas na história da Igreja. Já comentei esse tópico antes dizendo que a Igreja não deve desculpas por nada, pois sustentamos que tudo que foi feito o foi por ordem de Deus e, quando fazemos o que Ele manda, estamos sempre certos, não importa o que os homens pensem.

Para encerrar, quero dizer apenas uma coisa: quer saber se a Igreja, o Livro de Mórmon e tudo mais são verdadeiros e vêm de Deus? Então pare de procurar provas materiais e abra-se para o que o Espírito Santo tem a dizer. É Dele que as respostas vêm. Enquanto você não o fizer, vai continuar batendo cabeça atrás de provas que nunca encontrará. Então a vida terá passado e você terá perdido a oportunidade de experimentar a maior alegria que poderia ter tido nesta vida, que é a mesma de que desfruto.

Por fim, peço-lhe encarecidamente que leia o seguinte discurso, que foi proferido para pessoas que têm as mesmas dúvidas que você:

www.lds.org/conference/talk/display/0,5232,89-2-404-6,00.html


É isso. Espero ter cumprido bem o conselho do apóstolo Pedro:

“…estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3:13).

Você acha que cumpri bem esse conselho? Comente!

 

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Na manhã de ontem, 18 de maio, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, em sessão solene, prestou homenagem para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias devido a seu trabalho em defesa das famílias e pelos serviços humanitários e comunitários prestados pelo Programa Mãos que Ajudam.

A sessão foi presidida pelo deputado estadual Chico Sardelli e contou com a presença de vários líderes públicos e eclesiásticos. Entre eles destacaram-se Stanley Ellis, membro da Presidência da Área Brasil que representou a liderança da Igreja; o professor e vereador Marcos Cintra, atual Secretário Municipal do Trabalho do Município de São Paulo, e vereadores de cidades vizinhas, deputados estaduais e assessores parlamentares, setentas de área e presidentes de estaca.

A cerimônia foi aberta com a banda da Polícia Militar do Estado de São Paulo tocando o Hino Nacional. Na sequência, alguns parlamentares presentes fizeram uso da palavra. Entre eles, o secretário municipal Marcos Cintra, que lembrou: “Não sou membro da Igreja, mas tenho admiração e respeito por ela há cerca de 15 anos. Tenho amigos que são membros. São admiravéis. Um em especial, Élder James E. Faust, que serviu como apóstolo e deixou sua marca no Brasil”. Vale lembrar que em 1996, quando vereador da cidade de São Paulo, Marcos Cintra trabalhou junto à Câmara de Veradores para que Élder Faust recebesse o título de cidadão paulistano. Marcos Cintra ainda afirmou: “Eles seguem os princípios e amor de Cristo em ações. Vivem sua religião”.

Durante a sessão, Maria José Ribes, Diretora do Conselho Multiestacas de Assuntos Públicos de São Paulo, relatou e mostrou vídeos das ações do Programa Mãos que Ajudam. Após suas palavras, um coral de 80 missionários do Centro de Treinamento Missionário fizeram uma apresentação musical tocante. Sentir o espírito da força missionária fez muitas pessoas ficarem emocionadas. Na plateia, muitos membros choraram. O presidente da Estaca São Paulo Parque Pinheiros, presidente Afrodízio Nascimento, assistiu a solenidade e expressou seus sentimentos em poucas palavras: “Fiquei tão emocionado. Senti um espírito muito forte. Foi incrível”.

Na parte final da reunião, o Élder Stanley Ellis, 2º conselheiro na Presidência da Área Brasil, dirigiu a palavra. Élder Ellis agradeceu em nome de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias a homenagem. Lembrou a força da Igreja de Jesus Cristo no Estado de São Paulo. “Nesta região foi organizada a primeira estaca e construído o primeiro templo da Igreja em terras latinoamericanas. Hoje, no Brasil, são mais de 1 milhão e 100 mil membros, dos quais 300 mil neste estado”. O Élder Ellis também ressaltou o trabalho desenvolvido em favor das famílias, enfatizou a crença em Jesus Cristo, o Salvador, e testificou sobre a veracidade da Igreja. Emocionado, compartilhou seu amor pelo Brasil e seu povo.

Após suas palavras, recebeu das mãos do Deputado Estadual Chico Sardelli placa em homenagem à Igreja de Jesus Cristo. Sua esposa, representando as irmãs da Igreja, recebeu flores. Já o Élder Fernando Araújo, setenta de área que os acompanhava, recebeu uma placa em homenagem ao Programa Mãos que Ajudam.

Perto do final, outro momento marcante deu-se quando a cantora Suellen Yamaguchi apresentou a música “Suas Mãos” enquanto imagens da vida e ministério do Salvador Jesus Cristo eram projetadas no telão.

Para encerrar a sessão solene, o deputado Chico Sardelli enfatizou o papel da Igreja na sociedade: “O que vimos aqui hoje retrata uma parte desse trabalho grandioso. Confesso que estou feliz. Sou temente a Deus e quero fazer o meu melhor. Hoje aprendi muito sobre A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”. Depois, virou seu olhar para o Élder Ellis e afirmou: “Élder Ellis, muito obrigado. Em nome desta casa de leis eu agradeço a Igreja de Jesus Cristo por esses serviços prestados”.

No final, informou ainda que protocolou na Assembleia projeto de lei que instituirá o dia 23 de setembro no Estado de São Paulo como “Dia da Proclamação ao Mundo: A Família”. Como agradecimento, Elder Ellis entregou ao deputado Sardelli literatura sobre a Igreja, um CD do Coro do Tabernáculo e o quadro “Proclamação ao Mundo: A Família”. O secretário municipal Marcos Cintra recebeu o mesmo material das mãos do Élder Araújo. E cada parlamentar recebeu um kit com a Proclamação ao Mundo, O Cristo Vivo e Regras de Fé.

No hall monumental da Assembleia foi exposto material sobre a Igreja de Jesus Cristo. Missionários da Missão Brasil São Paulo Sul e voluntários do programa Mãos que Ajudam, que vestiam o colete alusivo ao programa, receberam os visitantes nessas exposições. Na saída, os convidados caminharam por esse espaço.

Houve cobertura da imprensa oficial do estado. Antes da cerimônia, Élder Stanley Ellis concedeu entrevista para a TV Assembleia.

Leia também matéria publicada no site oficial da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Com informações do departamento de assuntos públicos da Igreja.

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Nesta mesma hora há exatos sete dias encerrava-se mais uma Conferência Geral da Igreja, a 179a desde que a Igreja foi organizada, em 1830.

Depois que disse o amém da última oração da sessão, surpreendi-me ao notar estar possuído por um suave porém profundo sentimento de alegria, satisfação e gratidão. Não foi algo que aconteceu porque assim o desejei — tanto que, como eu disse, fui pego de surpresa por ele. Foi algo que brotou espontaneamente dentro de mim e me possuiu de tal forma que causou uma forte impressão que perdurou por vários dias.

Já tive esse sentimento outras vezes, por isso conheço bem sua origem. Ele veio do Espírito do Senhor, como se fosse uma recompensa por meu empenho em manter-me digno Dele e por meu esforço em participar das sessões da conferência da melhor forma possível. A palavra que melhor define o que eu tinha a dizer naqueles momentos é gratidão.

Hoje, 12/4, foi o domingo de jejum e testemunhos em minha Estaca. Fiz questão de subir ao púlpito de minha ala para prestar testemunho dessa experiência. Acrescentei que, por ser domingo de páscoa, celebramos a ressurreição de Cristo, da qual tudo que sei é o que consta nas Escrituras. Não sei mais que isso porque eu não estava lá para ver quando Ele foi crucificado, sepultado e ressuscitado, mas sei que tais fatos são tão verdadeiros quanto sei que estou vivo. E sei não porque eu tenha um mero desejo de acreditar, pois isso não seria suficiente. Sei porque o mesmo Espírito que, uma semana antes, deu-me aquele doce sentimento de alegria e gratidão por ser membro da Igreja, dá-me também a confirmação de que Jesus ressuscitou, que vive hoje, que é nosso Salvador e é o cabeça desta Igreja — a única verdadeira Igreja de Jesus Cristo na face da terra.

Sou muito feliz por saber disso. Sinto alegria e paz. Sinto confiança no futuro. Sei que a mortalidade não é uma experiência vã e tem um propósito eterno bem definido e glorioso. Não há, sobre a face da Terra, ninguém mais feliz e grato que eu por saber dessas coisas.

Se você quiser sentir uma amostra de como me sinto, assista o vídeo abaixo. Ele mostra o Coro do Tabernáculo Mórmon cantando o hino Vinde, Ó Santos num magistral arranjo de Marck Wilberg. Ao final, preste atenção na emoção que estará sentindo e multiplique-a por dez. Então saberá como me sinto.

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Sim, os mórmons são alvo, mas não vamos nos preocupar muito com isso

 

Por ORSON SCOTT CARD

Como consequência da Proposição 8 está aberta a temporada de caça aos mórmons. Os produtores da série Big Love da HBO estão na melhor posição para dar um grande tabefe na cara dos mórmons (A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias).

A série joga o foco sobre membros de uma das facções dissidentes que deixaram a igreja mórmon por causa da questão da poligamia. Para entender o que isso significa para os mórmons, vale falar um pouco de história.

Quando o profeta mórmon Wilford Woodruff declarou em 1890 que era da vontade de Deus que os Santos dos Últimos Dias não mais tivessem múltiplas esposas, alguns mórmons prenderam-se ao “Princípio do Casamento Plural” e rejeitaram a autoridade do presidente da Igreja. O episódio foi parecido com o ocorrido quando os protestantes declararam que não mais seguiriam o papa. As seitas poligâmicas estão hoje para os mórmons como os batistas estão para os católicos.

A maneira mais rápida de ser excomungado da igreja mórmon é defendendo o casamento plural.

Mas as seitas poligâmicas ainda promovem a maior parte de seu recrutamento dentre os mórmons, havendo uma luta constante entre a Igreja e os polígamos.

Muitos desses polígamos ainda crêem que é nos templos mórmons que seus casamentos precisam ser solenizados. O templo é um ponto focal na religião deles — mas, se admitirem serem polígamos, não podem entrar.

Por isso, faz sentido do ponto de vista artístico que os episódios de Big Love concentrem-se no esforço deles de entrar no templo. Os episódios refletem a preocupação real de alguns polígamos e é acurado em mostrar a igreja oficial fazendo tudo que pode para mantê-los de fora.

Não se pode entrar nos templos depois que são dedicados, a menos que você seja um membro da Igreja que guarde os mandamentos — e os polígamos flagrantemente não o fazem.

O que o Big Love está fazendo não é nenhuma novidade. Grupos antimórmons têm tentado descrever, pintar ou mostrar versões das cerimônias do templo por muitos anos. Quem quiser saber o que acontece nos templos pode descobrir sem muito esforço. Então por que os mórmons estão zangados com a investida do Big Love na exposição antimórmon?

É ofensivo quando crentes de uma religião expõem os ritos sagrados de outra ao ridículo público. Por isso estamos ofendidos — mas não surpresos.

Os mórmons sempre foram a exceção da política americana de tolerância religiosa. Por toda nossa história na América os mórmons têm sido oprimidos pelo governo, mortos ou expulsos pelas turbas, caluniados e difamados — sempre pelos próprios compatriotas americanos que professam crer na tolerância religiosa.

Portanto, embora não gostemos do que Big Love está fazendo, não estamos fazendo muito a respeito. Aprendemos por observação que protestos e boicotes só aumentam a publicidade e, portanto, a audiência, de tais produções hostis, como o episódio que mostrou o templo no Big Love.

Por isso, o conselho oficial da Igreja para seus membros é: ignorem-no (sabia mais aqui).

Minha resposta favorita veio de Terrance D. Olson, professor da Brigham Young University que faz pesquisas em estudos familiares. Seu ensaio publicado no Meridian Magazine é uma adorável explanação de como a tolerância funciona e como ela eleva a todos. Aqueles que se recusam a respeitar coisas sagradas de outros, diz ele, ferem a si mesmos mais que tudo.

Meu próprio ensaio no MormonTimes.com, publicado pelo Deseret News, de propriedade da Igreja, urge enfaticamente meus irmãos mórmons a não escreverem cartas raivosas, pois a ira nunca persuade ninguém e expressá-la não é uma atitude cristã.

Muitos mórmons estão vendo o episódio do templo de Big Love no contexto da efusão de manifestações de ódio e amargura dos que se opuseram à Proposição 8 mais veementemente. Os mórmons têm sido alvos de boicotes comerciais. Alguns perderam seus empregos porque contribuíram para a campanha que defendeu o casamento.

O resultado é que alguns de nós desejaram agir como os piores de nossos oponentes. Depois que um boicotou o negócio de um amigo, tornou-se um pouco mais difícil não querer convocar um boicote.

Geralmente, embora preferíssemos que todos lidassem pacificamente com as diferenças de opinião, preferimos ser os perseguidos do que os perseguidores. As poucas vezes em nossa história em que tomamos essa iniciativa, os resultados nos envergonharam por gerações. Tolerância funciona melhor.

O que os mórmons mais guardam na memória é isto: somos uma Igreja mundial. Podemos estar percorrendo um caminho acidentado nos EUA neste momento, (…) mas isso não tem nada a ver com a maneira como a Igreja está crescendo no México, Brasil, Nigéria ou Taiwan.

O Big Love é só um entretenimento. Nada do que façam vai diminuir o caráter sagrado do que acontece dentro de nossos templos.

Nosso trabalho primordial é ajudar as pessoas que entram e saem da Igreja a viver uma vida mais como a de Cristo. Às vezes, quando uma profunda questão moral está envolvida, nos envolvemos em ação política. Mas, quando o fazemos, esperamos que outros não gostem disso e levamos algumas pancadas.

Quanto mais nos atacam, mais pessoas nos trazem como aliados e, ocasionalmente, como conversos à nossa fé. Portanto animem-se, irmãos e irmãs!

Orson Scott Card é escritor e crítico. Artigo traduzido e publicado com permissão do autor. Original em inglês aqui.

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