O dia em que fui atalaia de um apóstolo, parte II


Élder Quentin L. Cook,
do Quórum dos Doze Apóstolos

Em maio de 2008 tive o sagrado privilégio de trabalhar na segurança pessoal de um membro do Quórum dos Doze Apóstolos em um serão multi-estaca ocorrido em minha cidade. Eu achava que a ocasião seria única em minha vida, pois moro em uma região do país que não costuma ser regularmente visitada por membros do Quórum dos Doze, como São Paulo e Curitiba. Por isso, quando soube que haveria novamente um apóstolo entre nós e em tão curto espaço de tempo, fiquei surpreso com a repetição do privilégio. Além do mais, por aqui não é comum haver Autoridades-Gerais presidindo conferências de estaca e é extremamente raro que essa Autoridade-Geral seja um membro do Quórum dos Doze. Em meus 24 anos como membro da Igreja, nunca tinha visto isso acontecer, como aconteceu neste fim de semana.

Como membro do sumo-conselho de minha estaca encarregado do comitê de recepção e segurança, foi novamente meu privilégio coordenar o trabalho de garantir a proteção pessoal do apóstolo. A experiência anterior foi de grande ajuda para o desempenho de minha função neste evento.

Mas minha atuação como segurança do Élder Cook foi quase totalmente figurativa. Não só os membros mais uma vez comportaram-se exemplarmente como também Élder Cook mostrou-se uma pessoa afável e de grande cordialidade. Sorria muito para todos e demorou-se apertando as mãos de todos que teve chance. Sua amabilidade fez com que algumas pessoas sentissem liberdade para pedir-lhe que posasse para fotos com elas, pedidos que ele atendeu com gentileza até quando o relógio insistia em apontar-lhe a hora de ir embora.

Estando ao lado dele participei de quatro sessões de conferência, a última das quais um serão para as quatro estacas da cidade. Ele e sua esposa nos presentearam com o relato de experiências pessoais muito inspiradoras. Ao contrário de Élder Bednar, ano passado, Élder Cook pouco falou de doutrina. Ele preferiu trazer-nos as recomendações de amor e apreço aos membros da Igreja no Brasil expressas pelos outros membros do Quórum dos Doze e pelo próprio Presidente Monson. Contou também experiências da intercessão do Senhor na dedicação de templos, falou da recente experiência vivida no início deste mês com jornalistas e líderes de outras religiões na sessão de casa aberta do Templo de Draper Utah, falou do Concílio de Nicéia e das críticas que recebemos de outros cristãos por não aceitarmos esse credo, contou experiências inspiradoras de reuniões familiares em sua casa, descreveu parte de sua convivência com os demais membros do Quórum dos Doze de com a Primeira Presidência e, em todas as sessões, prestou seu testemunho sobre a divindade de nosso Salvador Jesus Cristo, Alguém que sei que ele, como qualquer apóstolo, conhece pessoalmente.

Que ninguém menospreze ou faça julgamentos precipitados sobre as palavras de Élder Cook baseado no que escrevi no parágrafo anterior, julgando-as de pouca importância. Não descrevi nem uma centésima parte de tudo que ele nos disse nas quatro sessões da conferência. O fato é que todas as suas palavras tinham o propósito de elevar nossa fé e desenvolver nosso testemunho. Esse propósito foi plenamente cumprido.


Elder Cook e esposa (no centro) com convidados após jantar a ele oferecido.
Na foto, estou bem atrás dele.

Mas, de tudo que ele disse, houve algo que me deixou particularmente marcado. Ao final da sessão do sacerdócio da conferência, no sábado à tarde, testificou já ter tido experiências espirituais em número e relevância suficientes para permitir-lhe asseverar que Jesus Cristo vive, que é Deus e é o cabeça de Sua Igreja.

Quando ouvi isso, fiz uma breve reflexão sobre meu caso. Também já tive e continuo tendo experiências espirituais em número e relevância suficientes para ser capaz de asseverar as mesmas coisas, com o mesmo grau de certeza quanto o que me permite dizer que estou vivo. A diferença entre Élder Cook e eu é que, para ele, fé não é mais requisito para ter esse conhecimento do Salvador, pois seu conhecimento já é perfeito. Ou seja, por já conhecer o Salvador pessoalmente, não precisa mais da fé para saber que Ele vive. Esse não é meu caso — ainda.

Mesmo assim, posso ter certeza igual. Não preciso conhecer pessoalmente Jesus Cristo para saber que Ele vive e que é nosso Deus e nosso Salvador, pois “pelo poder do Espírito Santo podeis saber a verdade de todas as coisas” (Moroni 10:5).

Por isso, senti-me feliz por perceber que, assim como aquela testemunha especial do Salvador, posso prestar o mesmo testemunho. Qualquer um pode. Esse conhecimento espiritual está ao alcance de todos que o buscarem “com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo” (Moroni 10:4).

Pelo mesmo caminho, qualquer um pode saber, como eu sei, diretamente de Deus, que esta é a única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo. Eis porque também posso afirmar, com tanta certeza quanto sei que estou vivo, que Quentin L. Cook é um dos Doze Apóstolos de Cristo nos dias atuais. Dou minha vida por esse testemunho, se for preciso, pois não posso negar o que me foi e continua sendo revelado pelo poder do Espírito Santo.

Felizmente, vivemos hoje em tempos em que raramente alguém precisaria dar a vida em defesa de sua fé, como ocorreu no início do Séc. XIX, época em que os pioneiros da Igreja eram perseguidos e mortos por causa de sua religião. Hoje em dia podemos desfrutar de um razoavelmente elevado grau de respeito por nossa escolha religiosa, de modo que não corremos risco de sermos fisicamente hostilizados por causa dela. O sacrifício a que nos submetemos pelo Senhor atualmente é bem mais sutil — e, justamente por isso, às vezes bem mais difícil: o de um coração quebrantado e um espírito contrito. Falando a respeito na Conferência Geral de outubro de 2007, o Élder Bruce D. Porter explicou:

Aqueles que têm o coração quebrantado e o espírito contrito estão dispostos a cumprir toda e qualquer coisa que Deus lhes pedir, sem resistência ou ressentimento. Paramos de fazer as coisas à nossa maneira e aprendemos a fazê-las à maneira de Deus.

É justamente essa mudança de vida que permite que o Espírito se manifeste a nós, dando-nos testemunho e conhecimento a respeito de Cristo, de Seu grande sacrifício expiatório e da realidade de estar vivo e ser nosso Salvador. É disso que testifico quando afirmo poder prestar o mesmo testemunho dado por Élder Cook. E como eu queria que o resto do mundo soubesse o quanto isso é bom!

Agradeço ao Senhor pela visita de Élder Cook, que assentou mais um tijolo no templo de minha fé, do qual Jesus Cristo é a principal pedra de esquina.

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2 comentários em O dia em que fui atalaia de um apóstolo, parte II

  1. Poxa Marcelo, que grande privilégiio e experiências você teve!!

    Nós que moramos aqui em SP, realmente, temos maior frequência em ver as Autoridades Gerais.

    Adorei teu blog!

    Abraços…

    http://blogdacamilla78.wordpress.com

  2. José Carlos Silvestre disse:

    Valeu Marcelo por sua experiência pessoal e pelo que passas a todos nós através do seu blog, obrigado e abraços.

 

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