Publicado em 14 de julho de 2025 e atualizado em 14 de julho de 2025

Dias atrás, fiz uma publicação no Facebook comentando com ironia o impacto de uma decisão tomada pelo presidente americano Donald Trump sobre o Brasil. Dois dias depois, compartilhei uma notícia internacional que criticava duramente a postura do presidente americano. Em nenhum momento defendi viés ideológico algum, apenas apontei fatos e emiti uma opinião pessoal. Ainda assim, algo curioso aconteceu: o algoritmo da rede passou a me bombardear com conteúdos de viés político oposto ao que presumiu ser o meu. A plataforma estava claramente tentando me provocar, me puxar para o confronto, plantar discórdia.
Foi então que confirmei um fato já bem conhecido: o algoritmo não busca apenas cliques ou curtidas. Ele deseja controle. Nesse momento, percebi que há algo mais profundo e preocupante por trás disso: uma estratégia de manipulação que não é apenas tecnológica, mas espiritual.
A experiência me fez refletir sobre o que, de fato, está por trás da lógica dessas plataformas. Não se trata apenas de algoritmos frios e impessoais decidindo o que mostrar com base em curtidas ou compartilhamentos. Há uma inteligência comercial por trás — e não escondem isso — cujo objetivo declarado é manter o usuário o maior tempo possível conectado, interagindo, reagindo, consumindo. Isso está bem documentado em depoimentos como o de Frances Haugen, ex-funcionária do Facebook, que afirmou ao Senado americano que a plataforma promove sistematicamente conteúdos que geram indignação, porque isso aumenta o engajamento e, consequentemente, o faturamento com publicidade. A própria Meta, empresa que controla o Facebook, confirmou em documentos internos que seus algoritmos são projetados para reforçar conteúdos emocionalmente divisivos.
Pior que isso: conforme destacado em reportagem do UOL, a Meta tem adotado estratégias que visam maximizar o tempo de uso de suas plataformas, chegando a considerar o sono dos usuários como rival!
Essa manipulação, embora racionalizada sob o argumento do lucro, levanta uma questão espiritual profunda: o que acontece com nosso espírito quando somos expostos repetidamente a mensagens que estimulam raiva, medo, escárnio ou desconfiança?
A pergunta não é apenas o que essas plataformas querem da nossa atenção, mas o que elas estão fazendo com o nosso espírito. Em D&C 50:23 o Senhor ensina: “E aquilo que não edifica não é de Deus, e é trevas.”
O propósito de tudo o que consumimos, inclusive nas redes sociais, deveria ser a edificação — seja intelectual, emocional ou espiritual. No entanto, quando deixamos que algoritmos decidam o que vemos e sentimos, abrimos espaço para que forças externas ditem o tom do nosso dia. O resultado muitas vezes é cansaço mental, irritação, julgamento apressado e uma inquietação constante que sufoca a voz mansa e suave do Espírito. Não é difícil perceber que essa condição pode, aos poucos, nos afastar da luz — e nos aproximar de um estado em que nos tornamos mais reativos do que reflexivos, mais indignados do que inspirados.
Diante desse cenário, não é necessário abandonar completamente as redes sociais, mas é urgente usá-las com discernimento. Em meu artigo Discernimento: a chave para vencer a mentira secular e espiritual, enfatizei que a capacidade de distinguir entre o que vem de Deus e o que vem do adversário é uma das habilidades espirituais mais essenciais em nossos dias. Essa mesma chave se aplica aqui: antes de reagir a uma postagem ou se envolver em uma discussão acalorada, podemos parar e perguntar sinceramente: “Isso me aproxima ou me afasta da Luz de Cristo?”
Esse tipo de pergunta nos devolve o controle e, mais importante, reconecta-nos ao Espírito, que é o único capaz de nos guiar com segurança em meio ao ruído digital. A promessa das escrituras é clara: “Se estiverdes preparados, não temereis” (D&C 38:30). Preparar-se espiritualmente também é saber navegar pelo mundo digital sem ser engolido por ele.
Não se engane: Satanás não precisa mais sussurrar ao pé do ouvido quando tem um feed inteiro para fazer isso por ele. E se o algoritmo aprendeu a nos prender com gatilhos emocionais, é porque há muito tempo o adversário já sabia como manipular orgulho, medo e indignação. A diferença é que agora essa influência vem disfarçada de conveniência, deslizando suavemente pela tela enquanto silencia nossa sensibilidade espiritual. Neste mundo barulhento, escolher o silêncio, o discernimento e a luz já não é apenas uma questão de saúde mental, é uma questão de salvação. A cada toque na tela, estamos escolhendo não só o que consumimos, mas a quem estamos ouvindo.