A Marcha das Vadias e a hipocrisia feminista

Como fotógrafo que sou, semana passada fui efusivamente incentivado a fazer a cobertura fotográfica de uma das Marcha das Vadias, ocorrida há dois dias (17/6/12). Educada e respeitosamente, recusei.

Para quem ainda não sabe, a Marcha das Vadias é um movimento feminista radical que protesta contra a crença de que as mulheres que são vítimas de estupro pediram isso devido a suas vestimentas. Durante a passeata, as mulheres usam não só roupas cotidianas, mas também roupas provocantes: blusinhas transparentes, lingerie, mini saias, shortinhos, salto alto e muitas vezes nudez quase total.

O movimento teve início após diversos casos de abuso sexual contra mulheres na Universidade de Toronto, Canadá, ocorridos no início de 2011. Na ocasião, o policial Michael Sanguinetti aconselhou as mulheres para que “evitassem se vestir como vadias para não serem vítimas”. A declaração do oficial causou ira no setor feminista mais radical, que achou que o fato de se vestirem provocantemente não deveria servir de pretexto para ataques sexuais. Então organizou um protesto que levou 3 mil pessoas às ruas de Toronto, intitulado Marcha das Vadias. O protesto inspirou feministas radicais em diversas partes do mundo que já realizaram marchas similares, sempre marcadas por gestos e atitudes ousadas e nudez explícita.

A causa feminista embutida na agora consagrada Marcha das Vadias evoluiu para mais que simplesmente protestar contra abusos sexuais e passou a levantar outras bandeiras feministas, como a da defesa do aborto, por exemplo, que nada têm a ver com o motivo do protesto original e é uma causa tão errada que já foi até abandonada por Sara Winter, fundadora da filial brasileira do grupo feminista radical ucraniano Femen — fato, inclusive, tão relevante que virou notícia até na imprensa estrangeira. Neste artigo atenho-me apenas à causa original — a do vestir-se provocantemente —, até porque já tenho um artigo sobre o aborto.

Moral torta

Acho interessante observar como os valores morais dessas pessoas divergem da lógica e do bom senso. Reivindicar o direito de se vestir de modo provocante na esperança de não despertar nenhum tipo de sensação ou pensamento no sexo oposto é o mesmo que esperar que um macaco não sinta ou pense nada ao ver uma banana. Então esperam que os homens se portem com o recato que elas próprias não querem ter. Aí, quando um ataque ocorre, fazem-se de vítimas.

Minha opinião parece estar de acordo com o senso comum. Pesquisa do IPEA apontou que 58,5% dos entrevistados concordam com a ideia de que se as mulheres soubessem como se comportar haveria menos estupros (veja o último parágrafo da página do link).

Não estou de forma alguma tentando justificar a violação do corpo feminino por pervertidos e estupradores. A menos que o agressor seja mentalmente incapaz de responder pelos próprios atos — caso em que nem deveria estar em liberdade —, não há justificativa para a agressão sexual ou para a de qualquer natureza. Todavia, é muito cômodo e conveniente para certas mulheres tirarem de si mesmas sua parte de responsabilidade por um ato que elas próprias podem contribuir para evitar, se quiserem.

Ao falar em recato não quero dizer que a mulher deve trajar-se como freira, e sim que deve evitar fazê-lo de modo provocante, o que inevitavelmente causa excitação na maioria dos homens. As mulheres simplesmente não podem esperar que isso não aconteça. É ingenuidade, imaturidade, insensatez e irresponsabilidade para consigo mesmas.

A mulher que não tem recato não pode reclamar da falta de recato dos outros. Não pode querer não ser vista como objeto quando se veste e se comporta como um. Não pode querer que não haja consumidores da imagem que ela própria promove. Elas deveriam querer chamar a atenção sobre seu caráter, personalidade, cultura e inteligência, não sobre seu corpo — mesmo se não lhes restar outra coisa para mostrar.

É como vi publicado no Facebook dia desses:

mulher

A culpa que cabe aos homens nesse lamentável episódio não fica só no desrespeito às mulheres. Reside também em dar a uma certa classe delas exatamente o que quer: atenção. Há mulheres que se vestem provocantemente por saberem que serão olhadas e desejadas, o que lhes faz uma tremenda massagem no ego e infla sua vaidade. Será que alguma delas se vestiria assim sabendo que ninguém a notaria? Os homens precisam aprender que o pior castigo para quem quer chamar a atenção é ser ignorado.

O fator Geisy Arruda

Um episódio clássico que ilustra bem o que quero dizer é o de Geisy Arruda. Como digo no artigo Geisy Arruda: vítima ou cúmplice?, muito embora o tipo de reação hostil de que foi vítima não fosse o que Geisy tinha em mente, o resultado foi muito melhor do que esperava: a mídia instantaneamente a transformou em celebridade. Se aparecer era o que Geisy queria, conseguiu. Mas se as pessoas tomassem a iniciativa de ignorá-la quando se veste daquele jeito, ela saberia que seria inútil fazê-lo, já que não chamaria a atenção de ninguém e não haveria combustível para alimentar sua vaidade. Ao reagir da forma como fez, a turba ensandecida da Uniban de certa forma só fez dar a Geisy o que queria.

Fadado ao fracasso

É o mesmíssimo caso das mulheres que exibem o corpo nessas Marchas das Vadias. Felizmente, o grupo que se reúne nelas está longe de ser uma amostra representativa do universo feminino. É só uma minoria exibicionista indiferente ao fato de que só o que conseguem ao exibir sua vulgaridade em público fora da época do Carnaval é aumentar a efervescência hormonal de voyeurs e aproveitadores. É muita tolice achar que pervertidos e estupradores de plantão passarão a ser castos respeitadores de mulheres só por elas se aproveitarem do protesto para exibir sua nudez em público sem risco de serem presas por atentado ao pudor. Se esperam com isso contribuir para a diminuição das estatísticas de ataques sexuais contra mulheres, sugiro esperarem sentadas (e de preferência vestidas).

É difícil para mim conceber que não tenham consciência de que esses protestos não mudarão nada. Aliás, como disse a ex-feminista radical Sara Winter, o feminismo “não é um movimento de libertação, mas uma lavagem cerebral para criar um exército de mulheres que odeiam homens e outras que não obedecem regras”. Na opinião dela — com a qual concordo integralmente —, os movimentos feministas estão fadados ao fracasso. Ela diz que as feministas, em sua maioria, exigem 100% de adesão às teses do movimento e não toleram divergências ideológicas. “O feminismo brasileiro não tem saída. É feito de fofocas, intrigas, humilhações, perseguições e rachas.” (Leia a entrevista completa dela em que explica por que abandonou o feminismo.)

A raiz do erro

Seja pela atitude permissiva da mulher sobre a erotização de si mesma ou pelo fraquejar do homem diante da gratuita provocação sexual a que é exposto, o caso apenas comprova a perene decadência moral da sociedade, que por sua vez é sintoma de um único mal: a falta de Deus e do evangelho de Jesus Cristo na vida das pessoas. Se essas mulheres vivessem o evangelho, demonstrariam ser virtuosas vestindo-se com recato, caso em que estariam menos passíveis de sofrer agressões sexuais. Se os homens o fizessem, deixariam-nas em paz e demonstrariam respeito por elas. A violência sexual é só mais uma das muitas perversas mazelas sociais decorrentes da sistemática violação da lei de Deus, tanto por homens quanto por mulheres.

É nesses momentos que me lembro das palavras do Senhor:

Porque eu, o Senhor Deus, deleito-me na castidade das mulheres. E as libertinagens são para mim abominação; assim diz o Senhor dos Exércitos. (Jacó 2:28)

E lembro também da inspiradas palavras de Susan W. Tanner, Presidente Geral das Moças de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, falando sobre a santidade do corpo:

Com a plenitude do evangelho na Terra, temos novamente o privilégio de conhecer essas verdades sobre o corpo. Joseph Smith ensinou: “Viemos a este mundo com o objetivo de obter um corpo e de apresentá-lo puro, diante de Deus, no Reino Celestial. O grande plano de felicidade consiste em ter um corpo. O diabo não tem corpo, e nisso consiste seu castigo” (The Words of Joseph Smith, ed. Andrew F. Ehat e Lyndon W. Cook [1980], p. 60).

Satanás aprendeu essas mesmas verdades eternas a respeito do corpo, mas seu castigo é não ter um. Por isso, tenta fazer de tudo para conseguir que maltratemos essa preciosa dádiva ou façamos mau uso dela. Ele encheu o mundo de mentiras e falsidades sobre o corpo. Ele tenta muitas pessoas a profanarem essa grande dádiva por meio da falta de castidade e de recato, das libertinagens e vícios. Ele seduz alguns a desprezarem o próprio corpo; outros, ele tenta para que o adorem. Em ambos os casos, ele induz o mundo a considerá-lo como um mero objeto. Diante de tantas falsidades satânicas a respeito do corpo, quero erguer hoje a voz em defesa da santidade dele. Testifico que o corpo é uma dádiva que deve ser tratada com gratidão e respeito.

Recomendo enfaticamente a todas as mulheres a leitura na íntegra da mensagem de Sandra Tanner aqui.

Conclusão

Se você chegou ao fim deste artigo entendendo que estou culpando unicamente as mulheres pelas agressões de que são vítimas, peço-lhe o especial obséquio de lê-lo novamente, com calma e atenção, do começo ao fim, sem pular parte alguma. Não estou defendendo a tese de que a mulher é a única culpada por agressões sexuais quando acontecem. Estou, sim, defendendo a tese de que vestir-se de modo provocante é tão imprudente quanto sair de casa sem trancar a porta devido aos riscos intrínsecos que, por mais que não se queira, não podem ser ignorados.

Esclarecido? 😉

 

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2 comentários em A Marcha das Vadias e a hipocrisia feminista

  1. Larissa Imperador disse:

    Concordo plenamente contigo Marcelo. Uma das frases que mais escuto dessas mulheres que gostam de mostrar o corpo é “O que é bonito é pra ser mostrado”….Nossa, qta insensatez…nao percebem o terreno perigoso que estao se metendo.
    “A virtude inclui o recato: no pensamento, na linguagem, no vestuário e na atitude. E o recato é o alicerce da castidade. Assim como ninguém anda descalço por trilhas onde existem cascavéis, no mundo atual, é essencial para nossa própria segurança que sejamos recatadas.”
    (Elaine S. Dalton)
    Parabens pelo excelente texto Marcelo Todaro!

 

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