Esses antimórmons são uma graça!

Atualizado em 14/11/2015

Tenho tido uma experiência sui generis observando um grupo de apóstatas da Igreja tentando disseminar na mente de membros ativos — eu inclusive — a mesma semente de dúvida que os levou pelo caminho da apostasia e da franca oposição e perseguição à Igreja.

Tudo começou com minha ida ao programa Superpop, de Luciana Gimenez, na Rede TV, para expressar minha opinião contrária ao casamento gay, experiência detalhadamente descrita neste artigo. Foi a partir de então que alguns desses antimórmons elegeram-me como um de seus alvos.

Como fui ao programa munido de um balde d’água em vez de gasolina, “mórmon covarde” foi uma das expressões mais suaves usadas por eles para descrever-me em uma comunidade do Orkut da qual participam. Choveram xingamentos e impropérios contra mim. Na maior parte dos casos, é de gente que queria ver o circo pegar fogo. Como não lhes dei essa diversão, encontraram nisso um pretexto a mais para pegar no pé de um “mórmon”.

É interessante ver como perderam não só o testemunho, mas também a educação, o respeito, a dignidade e o senso de ética. Alguns perderam até a honestidade. Parece que agora sua razão de viver é procurar cada mínimo pretexto para cuspir no prato em que comeram. Quando não encontram, inventam. Mentem. Deturpam. Criticam por criticar. Fazem-no por esporte, caso em que nem é preciso haver qualquer sombra de fundamento nas críticas, basta estarem carregadas de difamação, sarcasmo, infâmia, sordidez, injúria, calúnia, maledicência, escárnio e outros atributos menos dignos — denunciando a evidente influência de Satanás nesse tipo de comportamento.

Uma dessas pessoas — um ex-missionário que se exibe no Orkut em fotos só de cueca, o mesmo que me chamou de “mórmon covarde” — resolveu partir para confronto direto comigo deixando em meu perfil recados provocadores em que me desafia a responder seus questionamentos sobre doutrina e práticas da Igreja. Quando li o primeiro, dei risada. Não por haver graça em uma óbvia manifestação da influência do inimigo na vida de um precioso filho de meu Pai Celestial, mas por sua vã esperança em plantar a semente da dúvida em minha mente. É mais fácil o céu cair em minha cabeça do que alguém conseguir que eu duvide do testemunho que recebi de Deus — caso em que seria melhor mesmo que o céu caísse em minha cabeça!

Após pensar por um momento no que eu poderia dizer-lhe em resposta, acabei escrevendo isto:

Não tenho resposta para suas perguntas. E o testemunho que tenho da Igreja impede-me de crer que a maneira como você vê as coisas seja verdadeira. Não vejo rigorosamente nada errado no que ela ensina ou faz. Creio firmemente que essa certeza me foi dada por Deus e, por isso, sou capaz de defender essa certeza até minha última gota de sangue, se for preciso. Eis porque a única coisa que tenho a dizer a você é: “Que julgue Deus entre mim e ti e te recompense de acordo com teus feitos” (D&C 64:11).

Isso não significa que precisemos ser inimigos. Você pode ter abandonado a Igreja, mas continua sendo meu irmão. Por isso, devo-lhe o mesmo respeito e consideração que dispenso a meu bispo, por exemplo. Eis porque não vou debater doutrina com você e vou apenas orar para que nosso Pai Celestial o abençôe.

Não sei se leu e ignorou solenemente o que escrevi ou se simplesmente não leu, o fato é que, pouco depois, deixou outro recado igualmente provocador — o qual, a exemplo do primeiro, foi sumariamente apagado. Não ri desta vez. Na verdade, fiquei triste por vê-lo empenhado em negar o Espírito que um dia recebeu. Ele vai mais além: faz questão de demonstrar publicamente que quebrou e continua quebrando todos os convênios que um dia fez com nosso Pai, debochando de coisas sumamente sagradas e que deveriam ser guardadas para si. Foi inevitável deixar de lembrar das palavras do Profeta Joseph Smith:

“Eis que, antes de o perceber, é abandonado a si mesmo, para recalcitrar contra os aguilhões, perseguir os santos e lutar contra Deus” (D&C 121:38).

Era óbvio que aquele meu irmão estava querendo aparecer e causar choque. Soube que ele vem fazendo o mesmo com outros membros da Igreja. Parece que se sente na obrigação de “denunciar” o que lhe parece errado na doutrina e práticas da Igreja.

A melhor maneira de combater esse tipo de assédio é ignorando-o. Por isso, a princípio decidi fazer só isso mesmo. Mas não me senti espiritualmente confortável em meramente ignorá-lo desta vez. Ao invés, senti que deveria prestar-lhe meu testemunho novamente. Então escrevi isto:

Sei que não adianta nada dizer o que estou para dizer, mas, ainda assim, senti que deveria.

Se, depois de ter chegado ao conhecimento e ao testemunho que tenho, alguém apontasse uma arma carregada contra minha testa ameaçando-me de morte se eu não negasse a Igreja e minha fé, eu preferiria a morte. Ela me seria mais doce do que negar o testemunho que me foi dado pelo Espírito sobre a Igreja e sobre tudo que ela ensina e pratica.

Então, meu estimado irmão, saiba que está perdendo seu tempo comigo com esses questionamentos inóquos. Você não será capaz de colocar o menor fiapo de dúvida em minha mente. Esses questionamentos são seus, não meus. Como eu já disse antes, não vejo rigorosamente nada errado na doutrina, nos ensinamentos e nas práticas da Igreja. Meu testemunho é forte demais para ser abalado com suas dúvidas humanas. Se realmente quer plantar a semente da dúvida em minha mente, tem que pedir a Deus que o faça. Só Ele pode tirar de mim o que me deu. Não é você, com suas palavras de homem, que será capaz disso.

Se, ainda assim, quiser desperdiçar seu tempo comigo, é livre para fazê-lo. Mas seus recados em meu perfil continuarão sendo sumariamente apagados. É inútil para você continuar com isso. Conselho de amigo.

Sei que devo ter fé e esperança, mas no momento elas me faltam no caso dessa pobre alma escravizada pelo inimigo. Até o momento, ele não parece disposto a libertar-se desse jugo. Ao invés, demonstra ávida disposição para sentar-se na roda dos escarnecedores dedicados a debochar da Igreja e de seus membros, comunidade da qual um dia fez parte.

“Até quando, ó (…) escarnecedores, desejareis o escárnio?” (Provérbios 1:22)

Esse caso lembra-me outro episódio em que um participante de meu grupo Mórmons do Brasil justificou sua saída do grupo dizendo que não poderia mais fazer parte dele por ter “enxergado a verdade”. A verdade, no caso, era a apostasia. Ele e sua noiva, ex-missionária, converteram-se a uma denominação evangélica. No que me diz respeito, estaria tudo bem não fosse o fato de o rapaz ter-se engajado em uma espécie de “cruzada santa” para convencer-me de que eu estava errado em não me demover de meu lugar, como ele fez. O sujeito foi tão insistente que chegou a ser inconveniente. Não adiantou dizer-lhe repetidas vezes que, se queria que eu me convencesse de sua lógica humana, teria que pedir a Deus que o fizesse, pois só Ele poderia tirar-me o testemunho que me deu. Também não adiantou simplesmente ignorar suas mensagens, pois, quanto mais eu o ignorava, mais ele insistia, por certo imaginando que meu silêncio indicava dúvida e fraqueza. Parecia praga de mulher traída! Ele realmente estava convencido de que fazia um favor a Deus com aquela obcessão em fazer-me “abrir os olhos”. Só consegui que parasse quando disse-lhe que, ao contrário do que supunha, eu não estava prestando a mínima atenção a nada do que dizia. Isso parece tê-lo ofendido. Então se foi, não sem antes dizer que ia rogar a Deus que me iluminasse e me fizesse “despertar do sono do inferno”…

Acho que esse pessoal nunca conheceu (ou esqueceu) o poder do testemunho do Espírito. Deve supor que sua falível lógica humana tem mais poder de convencimento que o testemunho prestado pelo Deus Todo-Poderoso, ao qual agora perseguem. Ao mesmo tempo em que acho graça de suas inúteis tentativas de demover-me do testemunho que recebi de Deus, entristeço-me com a perspectiva de que venham a passar para o outro lado do véu ainda submersos no lamaçal da apostasia. Que apostatem, se quiserem, mas não percam a dignidade! Nada há mais triste que um apóstata ética e moralmente vazio.

Compadeço-me deles e oro por eles. E também presto-lhes meu testemunho na esperança de ainda haver em seu coração uma centelha que seja da luz de Cristo que se dedicam a apagar. Para eles, deixo como admoestação as palavras do Élder Joseph B. Wirthlin, do Quórum dos Doze Apóstolos, proferidas em discurso na Conferência Geral de abril de 2008 (a íntegra do discurso pode ser lida e assistida aqui):

Alguns estão perdidos por se desviarem do caminho. Com exceção do Senhor, todos cometemos erros. A questão não é saber se cairemos ou tropeçaremos, mas, sim, como reagiremos. Alguns se afastam do redil depois de cometerem erros. Isso é muito triste. Sabiam que a Igreja é um lugar em que pessoas imperfeitas se reúnem — mesmo com todas as suas fraquezas mortais — e se tornam melhores? Todos os domingos, em todas as capelas do mundo, encontramos homens, mulheres e crianças mortais e imperfeitos, que se reúnem em fraternidade e caridade, esforçando-se para tornarem-se melhores, para aprender por meio do Espírito e incentivar e apoiar uns aos outros. Nunca vi nenhuma placa na porta de nossas capelas com os dizeres: “Entrada Permitida Somente para Pessoas Perfeitas”.

(…)

O Senhor sabe que cometeremos erros. É por isso que Ele sofreu por nossos pecados. Ele quer que voltemos a nos erguer e nos esforcemos para melhorar. Há alegria entre os anjos de Deus pelo pecador que se arrepende.

A vocês que se afastaram por terem sido ofendidos, peço que deixem sua mágoa e raiva de lado. Peço que encham o coração de amor. Há um lugar para vocês aqui. Venham, juntem-se ao redil, consagrem suas habilidades, talentos e aptidões. Vocês se aperfeiçoarão com isso, e outros serão abençoados por seu exemplo.

Para os que se afastaram por causa de questões de doutrina, não podemos desculpar-nos por pregar a verdade. Não podemos negar a doutrina que nos foi dada pelo próprio Senhor. Em relação a esse princípio, não fazemos concessões.

Entendo que às vezes as pessoas discordam da doutrina. Podem até chegar a ponto de chamá-la de loucura, mas repito as palavras do Apóstolo Paulo, que disse que às vezes as coisas espirituais podem parecer loucura para os homens. Apesar disso, “a loucura de Deus é mais sábia do que os homens” (I Coríntios 1:25; ver também v. 18).

Na verdade, as coisas do Espírito são reveladas pelo Espírito. “O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (I Coríntios 2:14).

Testificamos que o evangelho de Jesus Cristo está na Terra hoje. Ele ensinou a doutrina de Seu Pai: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo” (João 7:17).

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