O papel da mulher no plano de Deus

Recentemente vi-me na necessidade de mostrar a uma certa mulher o quão enganada estava a respeito de sua responsabilidade perante o marido, um digno portador do sacerdócio a quem não honrava como tal.

Procurando no material da Igreja referências a respeito do papel da mulher no plano de Deus, lembrei-me de um artigo publicado na seção Notícias Locais de uma edição antiga da revista A Liahona — provavelmente de maio de 2003 — que, de tão importante que me pareceu na época, fiz questão de escanear e guardar nos meus arquivos para que o tempo não o apagasse das páginas da revista e de minha memória.

Então, para essa minha amiga e para todos (e todas) que se perguntam o que Deus espera delas, transcrevo abaixo o artigo publicado naquela edição da Liahona, de autoria do Élder Paulo R. Grahl, segundo conselheiro da então Presidência da Área Brasil Sul de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.


Os papéis específicos, distintos e divinamente estabelecidos de homem e mulher encontram-se hoje bastante distorcidos e pervertidos pela mente libertina e irresponsável da assim chamada “sociedade moderna”. Em diversos países, projetos de lei têm legalizado o aborto [e] a união matrimonial de pessoas do mesmo sexo, com a possibilidade de adoção de filhos. Tais medidas têm sistematicamente angariado a simpatia, a tolerância e a aprovação de um número crescente de indivíduos, instituições e órgãos governamentais. Premiadas produções cinematográficas procuram atribuir ao homossexualismo uma condição de algo perfeitamente normal, natural e aceitável.

Uma das mais desastrosas consequências dessa terrível confusão dos sexos e da deturpação do verdadeiro papel de homens e mulheres no plano de Deus é a conceituação da mulher-objeto: objeto de prazer, de sensualidade e de luxúria. Isto se faz plenamente evidente nos meios de comunicação, na literatura, nos filmes, nas novelas, na música, nos programas humorísticos, nas piadas e no linguajar em geral.

A aclamação e aceitação popular, porém, não têm o poder de alterar a natureza daquilo que é essencialmente bom ou mau, do que é certo ou errado. No tocante ao sexo, temos a palavra divina nas escrituras, assim como a orientação inspirada de nossos profetas e apóstolos da atualidade:

E criou Deus o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou“. (Gênesis 1:27, grifo do autor.)

TODOS OS SERES HUMANOS — homem e mulher — foram criados à imagem de Deus. Cada indivíduo é um filho (ou filha) gerado em espírito por pais celestiais que o amam e, como tal, possui natureza e destino divinos. O sexo (masculino e feminino) é uma característica essencial da identidade e do propósito pré-mortal, mortal e eterno de cada um. (A Família — Proclamação ao Mundo, A Primeira Presidência e o Quórum dos Doze.)

Na concepção divina, a mulher tem características únicas e um papel de extraordinária importância que a tornam incomparável entre todas as criações de Deus. Nas belas palavras dos Provérbios encontramos esta linda definição:

Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis. (…) Levantam-se seus filhos e chamam-na bem-aventurada; seu marido também, e ele a louva. Muitas filhas têm procedido virtuosamente, mas tu és, de todas, a mais excelente!” (Provérbios 31:10, 28-29.)

Entre as sagradas incumbências confiadas às mulheres no plano de felicidade e salvação dos filhos de Deus estão os papéis de:

  • Mãe — O mais sublime de todos, fazendo da mulher uma parceira da Deidade no maravilhos milagre da geração da vida, onde se possibilita aos espíritos criados por Deus receberem corpos de carne e ossos, algo tão essencial para a plena realização dos indivíduos na esfera mortal e na eternidade. Nenhuma tarefa, ocupação ou responsabilidade deveria receber mais interesse, atenção e fidelidade por parte das filhas de Deus.
  • Esposa — Torna a mulher uma companheira idônea e legitimamente associada ao marido na busca dos mais sagrados objetivos idealizados para homens e mulheres, por meio da constituição da família, considerada a célula básica da sociedade.
  • Adjutora — Nessa função ela desempenha, com muita paciência e positivismo, o papel de conselheira e defensora do marido, dando-lhe alento, conforto e estímulo em seus grandes e pesados encargos e desafios.
  • Professora — Ela reconhece que lhe cabe porção maior de tempo na decisiva tarefa de ensinar e orientar os filhos. Nessa função ela é insubstituível. Creches, babás, berçários, escolas e avós nunca poderão cumprir a contento essa responsabilidade que pertence à mãe por comissionamento divino.
  • Dona de casa — Nesse papel, a mulher torna-se uma verdadeira artesã. Com muita imaginação, criatividade, iniciativa e ordem ela consegue tornar seu lar um verdadeiro paraíso da beleza, bem-estar e felicidade. A correta noção desta responsabilidade impede que a mulher se sinta entediada, inferiorizada ou diminuída na execução das tarefas domésticas, que muitas vezes a submetem a uma rotina que pode ser muito desgastante.

Lamentavelmente, essa divina imagem da mulher, investida de poder e capacidade ímpares entre os demais seres humanos, tem sido seriamente alterada, ou até mesmo perdida, em meio a uma torrente de idéias, filosofias [e] movimentos de libertação, os quais procuram levá-la para fora do lar com o intuito de ajudá-la a “encontrar seu espaço na sociedade” e a “competir no mercado de trabalho em igualdade com os homens”. Uma das principais causas para a desestruturação das famílias e o desencaminhamento dos filhos é a ausência da mãe no lar. Antes de se tomar a decisão de que uma esposa trabalhe fora de casa, seria prudente que o casal avaliasse profundamente as razões, as necessidades e as consequências dessa escolha. O próximo passo seria buscar a orientação e a aprovação divina para [ela]. O papel de provedor foi, desde o princípio, confiado ao pai e ao marido pelo próprio Deus e essa definição continua vigente. Somente na ausência ou impossibilidade do pai é que a mãe assumiria o papel de provedora. A mulher que se dedica a obter uma educação formal ou acadêmica, o que é louvável, pode muito bem empregar esses conhecimentos e capacidades para qualificar e incrementar a educação de seus próprios filhos, para o engrandecimento da família e para a prestação de serviço não remunerado na Igreja e na comunidade.

Pela atenção aos conselhos das escrituras e dos profetas modernos, as irmãs da Igreja poderão manter-se imunes às graves ameaças que pairam sobre as mulheres em geral neste mundo de tantos desafios e tribulações. As palavras do Senhor a Emma Smith, esposa e companheira do profeta Joseph Smith, recebidas por intermédio de seu próprio marido, podem servir de bússola para todas as mulheres que estiverem sinceramente interessadas em alcançar seu pleno potencial e cumprir fielmente sua divina e sagrada missão:

“Escuta a voz do Senhor teu Deus, enquanto me dirijo a ti, Emma Smith, minha filha; pois em verdade eu te digo: Todos os que recebem meu evangelho são filhos e filhas em meu reino. Dou-te uma revelação com respeito a minha vontade; e se fores fiel e andares nos caminhos da virtude perante mim, preservar-te-ei a vida e receberás uma herança em Sião. (…) O dever de teu chamado será confortar meu servo Joseph Smith Júnior, teu marido, em suas aflições, com palavras consoladoras, com espírito de mansidão. (…) E em verdade eu te digo que deverás deixar as coisas deste mundo e buscar as coisas de um melhor. (…) Portanto rejubila-te e alegra-te e apega-te aos convênios que fizeste. (…) Guarda meus mandamentos continuamente e receberás uma coroa de retidão. E, a não ser que faças isso, onde estou não poderás vir.” (D&C 25:1-2,5,10,13,15)

Convido todas as irmãs, jovens e adultas, a revisar seu entendimento e percepção da vontade do Senhor a seu respeito. Por meio de estudo, oração e ponderação, a orientação divina virá de forma serena, clara e confortadora. Fé, coragem e determinação serão necessárias para que os devidos ajustes e mudanças ocorram a partir daquilo que receberão por meio de inspiração e revelação pessoal.

Ao longo de toda minha vida tenho sido ricamente abençoado pelo Senhor através do exemplo de virtude, fidelidade, abnegação e devoção ao lar e à família por parte de minhas avós, minha mãe, minha sogra, minha adorável esposa e minhas filhas. Outros grandes modelos tenho visto em tantas dedicadas mulheres desta Igreja, às quais externo sincera gratidão e admiração. Testifico sobre o nome e divino papel da mulher no plano eterno de Deus, em nome de Jesus Cristo. Amém.

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7 comentários em O papel da mulher no plano de Deus

  1. Teresa disse:

    Os homens de Deus poderão ser como os homens do mundo.
    O mundo já tem muitos homens agressivos; precisamos de homens ternos.
    Já há muitos homens grosseiros; precisamos de homens gentis.
    Há muitos homens ríspidos; precisamos de homens refinados.
    Existem muitos homens que têm fama e fortuna; precisamos de mais homens de fé/princípio.
    Já existe ambição bastante; precisamos de mais bondade.
    Existe orgulho suficiente; precisamos de mais virtude.
    Já temos popularidade demais; precisamos de mais pureza.

    É ou não verdade?
    Se eu dissesse o que me estou a controlar para dizer, provavelmente este comentário iria ser apagado.
    Lutar contra os papeis tradicionais a que inferiorizam a mulher… e mais não posso dizer…
    IGUALDADE DE GÉNERO/FEMINISMO/A LUTA CONTINUA/CONTRA O SEXISMO/EXIGIMOS QUE PAREM A DESCRIMINAÇÃO/QUEREMOS UM CARTÃO DE CIDADANIA

    • Marcelo Todaro disse:

      Oi, Teresa.

      Você disse:

      Os homens de Deus poderão ser como os homens do mundo.

      Em que aspecto?

      O mundo já tem muitos homens agressivos; precisamos de homens ternos.
      Já há muitos homens grosseiros; precisamos de homens gentis.
      Há muitos homens ríspidos; precisamos de homens refinados.
      Existem muitos homens que têm fama e fortuna; precisamos de mais homens de fé/princípio.
      Já existe ambição bastante; precisamos de mais bondade.
      Existe orgulho suficiente; precisamos de mais virtude.
      Já temos popularidade demais; precisamos de mais pureza.

      É ou não verdade?

      Muito verdade. Corretíssimo!

      Se eu dissesse o que me estou a controlar para dizer, provavelmente este comentário iria ser apagado.

      Ué, Teresa, você pode dizer o que quiser, desde que o faça com a mesma educação e respeito com que espera ser tratada. Não há motivo para você ser grosseira e mal educada para expor suas ideias, há?

      Lutar contra os papeis tradicionais a que inferiorizam a mulher… e mais não posso dizer…

      Não entendi… Onde foi que você viu alguma “inferiorização” no artigo? Não vi nenhuma. O que vi foi justamente o contrário: o enaltecimento da mulher como o ser sublime que é.

      IGUALDADE DE GÉNERO/FEMINISMO/A LUTA CONTINUA/CONTRA O SEXISMO/EXIGIMOS QUE PAREM A DESCRIMINAÇÃO/QUEREMOS UM CARTÃO DE CIDADANIA

      Nossa, que exagero…

      Bem, Teresa, eu realmente não entendo em quê exatamente fazer da mulher um ser igual ou parecido com o homem a torna melhor. Você acha o homem melhor que a mulher? Pois eu já acho o contrário. Em diversos aspectos eu gostaria de ser menos como sou e mais como elas são. Mas nem por isso vou sair por aí pregando igualdade com as mulheres. Como diz o velho ditado, “cada macaco no seu galho”.

      Acho justíssima, sim, a reivindicação do fim da discriminação, mas isso não implica em tornar a mulher igual ao homem em alguns aspectos. Como disse a ex-feminista radical Sara Winter (que fez parte do grupo Femen), o feminismo “não é um movimento de libertação, mas uma lavagem cerebral para criar um exército de mulheres que odeiam homens e outras que não obedecem regras”. Na opinião dela — com a qual concordo integralmente —, os movimentos feministas estão fadados ao fracasso. Ela diz que as feministas, em sua maioria, exigem 100% de adesão às teses do movimento e não toleram divergências ideológicas. “O feminismo não tem saída. É feito de fofocas, intrigas, humilhações, perseguições e rachas.” Saiba mais no meu artigo A Marcha das Vadias e a hipocrisia feminista.

      Um abraço!

  2. Karina disse:

    Em partes concordo,

    Mas e as mulheres que sofrem na mãos dos seus maridos logo depois de casarem, as mulheres disputam com os homens na sociedade por esse motivo.

    Homens que deixam seus lares para ir a guerra ou para vadiar, homens que batem em mulheres sem motivo algum, dentre outras barbaridades masculinas.

    Se os homens cumprissem seus papeis na sociedade, certamente as mulheres cumpririam o seus.

    Torço para encontrar um bom companheiro, mas não posso contar com essa sorte, tenho que planejar uma vida em que eu consiga me sustentar sozinha tbm, um PLANO B digamos, arquitetado bem antes do PLANO A. Os homens precisam ter discência tbm.

    Infelizmente o texto acima não contém os reais motivos que levam uma mulher a ser como um homem!

  3. Marcelo Todaro disse:

    O comentário do leitor Fábio (e-mail fabiozetum@y…) foi apagado por violar os termos do aviso “IMPORTANTE”, abaixo, e por sua óbvia intenção de meramente denegrir, tumultuar e criticar por criticar.

  4. Marcelo Todaro disse:

    O comentário do leitor Wesley Bastos de Siqueira foi apagado por violar os termos do aviso “IMPORTANTE”, abaixo.

  5. Érica disse:

    Sou eternamente grata ao Pai Celestial por conhecer Seu plano. Ao ler sua publicação, refleti mais uma vez do quão importante é o papel da mulher no Plano de nosso Pai, enquanto um lado meu alegra-se outro se entristece por saber que há muitas mulheres que não vê desta forma e que serão cobradas. Oro ao Bom Pai Celestial para que ajude essas mulheres à mudar suas atitudes e ações, porque sei que quando isso acontecer o mundo se tornará Sião.

  6. Chris Ayres disse:

    Isso vai exatamente de encontro com o discurso do Pres. Boyd K. Packer, onde basicamente ele fala do homem e do Sacerdócio, mas mais tarde incluiu que o entendimento destas palavras é tão necessário tanto para homens quanto para mulheres:

    http://www.lds.org/liahona/1994/11/what-every-elder-should-know-and-every-sister-as-well?lang=eng

    Mulheres que não apóiam o marido no serviço ao Senhor e não os inspiram no dia a dia, trabalhando juntamente com eles, não competindo com eles ou exigindo nada deles, geralmente ficam sem saber o porquê de o relacionamento não ter dado certo no final.

    “As mulheres de Deus jamais podem ser como as mulheres do mundo.
    O mundo já tem muitas mulheres agressivas; precisamos de mulheres ternas.
    Já há muitas mulheres grosseiras; precisamos de mulheres gentis.
    Há muitas mulheres ríspidas; precisamos de mulheres refinadas.
    Existem muitas mulheres que têm fama e fortuna; precisamos de mais mulheres de fé.
    Já existe ambição bastante; precisamos de mais bondade.
    Existe orgulho suficiente; precisamos de mais virtude.
    Já temos popularidade demais; precisamos de mais pureza.”

    Margaret D. Nadauld

    Muitas mulheres debocham do sacerdócio justamente por terem escolhido ser parte da grande maioria das mulheres do mundo, sem saber que elas são mais comuns do que indispensáveis.

 

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