Se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela

No dia 14 empreendemos mais uma viagem ao templo. Tive a grata satisfação de liderar nossa caravana mais uma vez. E, mais uma vez, viajamos um belo ônibus dotado de dois andares, ar condicionado, suspensão a ar, DVD/som ambiente, frigobar, banheiro e espaço maior entre as poltronas — detalhe fundamental para um “baixinho” como eu.

Na viagem de ida exibi para os irmãos um filme de três horas sobre a vida do Rei Davi, do Velho Testamento. Na volta, também com três horas, um filme sobre Moisés.

A viagem foi tranqüila na ida e na volta. Mas na ida presenciamos um fato que, somado a outro ocorrido com o ônibus da caravana de uma das estacas de Natal, deu-me uma demonstração da veracidade das palavras de Davi em um de seus Salmos.

Tudo transcorria tranqüilamente na viagem de ida até que, por volta de 10 da noite, bem próximo à entrada da cidade de Palmares, em Pernambuco, uma carreta carregada de milho que seguia bem à nossa frente capotou. Embora eu estivesse sentado na primeira fileira de poltronas no andar de cima e, portanto, desfrutando de uma ampla visão panorâmica da estrada, eu estava distraído com o filme sobre Davi, por isso não vi o acidente acontecer. Só me dei conta do ocorrido depois que nosso ônibus parou bem atrás da carreta capotada. Ela ficou atravessada, tombada para o lado direito, ocupando mais da metade da largura da pista simples. A cabine entrou dentro de um canavial à beira da estrada.

A carga de milho da carreta esparramou-se pela pista, tornando até o caminhar difícil para quem desceu dos veículos. Foi como tentar andar em um chão coberto de bolinhas de gude. Um motoqueiro que tentou passar caiu, pois não conseguiu controlar a moto.

Um bispo de outra ala que nos acompanhava foi ver se podia fazer algo para socorrer os ocupantes do veículo. Ele conseguiu resgatar uma mulher que havia ficado com a cabeça presa na cabine da carreta. Era a esposa do motorista. Ambos estavam embriagados.

Apesar dos cortes que mancharam de sangue a camisa branca do bispo, a mulher do motorista saiu andando da carreta e não parecia ter sofrido maiores ferimentos. Não fiquei sabendo a condição de seu marido.

Não faço idéia de como o motorista da carreta conseguiu tombá-la numa linha reta e num trecho da estrada sem irregularidades ou buracos. A única hipótese que me ocorre é que, como estava embriagado, deve ter perdido a concentração e começado a sair da estrada em direção ao acostamento à direita. Ao perceber isso, deve ter feito um movimento brusco para a esquerda, esperando voltar para a estrada. Isso explicaria o tombamento para a direita. Com o veículo carregado e talvez em alta velocidade, não deve ter sido difícil fazê-lo tombar.

Nosso motorista comentou comigo depois que, com a pista coberta por grãos de milho, ficou com medo de pisar no freio, pois corria o risco de não conseguir parar e bater na carreta tombada. Mesmo assim, paramos em segurança.

Isso fez-me pensar no risco em potencial corrido por motoristas que vinham em sentido contrário no momento do capotamento e mesmo pelos que vinham logo atrás, como nós. Um motorista embriagado é um perigo em qualquer circunstância.

Cerca de vinte minutos depois, já com os paramédicos prestando os primeiros socorros, seguimos viagem.

No dia seguinte, já no templo, ouvi uma história que me fez ficar igualmente reflexivo. O ônibus da caravana de uma das estacas de Natal foi vítima de uma tentativa de assalto na estrada. Bandidos atiraram uma enorme pedra contra o parabrisa do ônibus para que, ao parar, o veículo fosse assaltado. Já ciente da tática dos bandidos, o motorista não parou e seguiu viagem com o parabrisa quebrado mesmo.

A pedra atirada contra o ônibus dos irmãos de Natal não era simplesmente uma pedra: era um pedaço do asfalto da pista. Ao atingir o ônibus, estourando com violência o parabrisa direito e penetrando na cabine, ela passou entre o motorista e um irmão sentado no assento do assistente, não atingindo nenhum dos dois.

Contaram os irmãos de Natal que, mais adiante, o motorista parou em um posto policial. Havia lá nada menos que três outros ônibus com o parabrisa quebrado pelo mesmo motivo.

Ambos os episódios mostraram-me a importância de, mediante nossa dignidade, termos direito à proteção do Senhor para não sermos vitimados pela iniquidade alheia. A carreta tombada por causa da embriaguez do motorista poderia ter atingido outros veículos, como o nosso. A pedra atirada por bandidos no parabrisa do ônibus dos irmãos de Natal poderia ter acertado o motorista, caso em que um grave acidente poderia ter ocorrido. Em ambos os casos, todos saíram ilesos e puderam chegar em segurança e paz à Casa do Senhor para servir-Lhe.

Antes de iniciarmos a viagem de volta e antes de fazermos a oração, contei aos irmãos o ocorrido com a caravana de Natal e de como, assim como fez conosco, o Senhor abençoou e protegeu aqueles nossos irmãos para que chegassem em segurança e paz à Sua Casa. Lembrei-os que tínhamos muito o que agradecer ao Senhor e que devíamos pedir-Lhe que, da mesma forma, nos protegesse de males e perigos na volta para casa. E Ele assim o fez.

Nenhum dos dois episódios foi capaz de abalar minha tranqüilidade e confiança na proteção do Senhor. Não senti medo na viagem de volta. Eu sabia que Seus santos anjos estavam a nosso redor, protegendo-nos. Um doce e profundo sentimento de satisfação preencheu-me em certo momento da viagem. Esse sentimento era o envelope de uma mensagem enviada a mim pelo Senhor, na qual Ele dizia estar satisfeito com meu empenho em servir-Lhe no Evangelho. Realmente, eu não tinha e não tenho rigorosamente nada a temer.

Se o Senhor não guardar os ônibus e seus motoristas e passageiros, em vão se torna toda a segurança dos veículos e o treinamento dos condutores. Como disse Davi: “se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” (Salmos 127:1).

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Um comentário em Se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela

  1. fatima disse:

    ola Marcelo
    obrigado por ter deixado ler o seu diario,
    estava mesmo a precisar …nao sei o porque,ando espiritaulmente em baixo
    tambem tenho experiencias maravilhosas,do evangelho
    um bom natal e que o ano 2008,te traga tudo de bom
    bjs
    fatima de portugal

 

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