Perdoar o caos no casamento: uma jornada de evolução e redenção

Publicado em 7 de abril de 2024 e atualizado em 23 de abril de 2024

Representação artística de mulher segurando um buquê de flores de lótus com homem agressivo em segundo plano. A flor de lótus é um símbolo profundamente significativo em várias culturas e tradições espirituais e representa a pureza espiritual, a superação das adversidades e o florescimento mesmo em meio à escuridão.

Esta é a história real de um menino que não era amado pelos pais. Deles só recebia indiferença e desprezo. Cedo deixou o lar para fugir dos abusos e maus tratos. Viveu nas ruas e mendigou. Ao entrar na adolescência, descobriu o sexo com prostitutas e foi apresentado às drogas e a tudo que um mundo frio e cruel tem de mais virulento.

Não preciso dizer que o menino se tornou um adulto totalmente desajustado.

Mas o Senhor estava com ele e o ajudou a encontrar uma profissão na qual conseguiu se estabelecer e se tornar bem sucedido. Mesmo assim, não deixou de ser um desajustado.

Um dia, caiu em si e reconheceu que precisava da ajuda de Deus. Achou que essa ajuda poderia ser na forma de uma mulher devota ao Senhor e que tivesse a mesma profissão dele. Foi o que pediu a Deus.

E o pedido foi atendido. Conheceu e se casou com uma mulher membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias que exercia a mesma profissão dele. Caridosa e altruísta, essa mulher assumiu a missão de ajudá-lo a entrar nos eixos. Ela fez com que ele conhecesse o evangelho e fosse batizado.

Mas não demorou para ficar claro para ela que o desafio seria muitíssimo maior do que pareceu a princípio. Apesar do que ele vinha aprendendo na Igreja e do compromisso que assumiu com Deus, começou a tratá-la com o mesmo desprezo e indiferença com que foi tratado pelos pais. Das ruas em que viveu levou para o lar o apetite pela pornografia, pelas drogas e pela crueldade com quem lhe dedicava amor e atenção. Embora nunca a tenha agredido fisicamente, agredia-a com palavras, que ele sabia doerem nela mais que paus e pedras. As humilhações e a violência verbal a que submetia a esposa eram uma constante.

Seus pungentes sofrimentos levaram-na a súplicas ao Senhor e jejuns mais frequentes que os meus pelos meus próprios sofrimentos, que também eram pungentes, mas não tão humilhantes quanto os dela. E o Senhor respondeu a ela. Nas palavras dela, o Senhor lhe disse o seguinte, sobre como deveria agir em relação a seu endiabrado marido:

Ame. É o que eu faria em teu lugar.

Se queres tornar-te semelhante a mim, simplesmente o ame sem esperar nada dele, pois em verdade ele é vazio de tudo aquilo que gostarias que tivesse para te dar, enquanto tu és cheia do dom de amar.

Nele habitam legiões de espíritos malignos que, através de tua fé em meu poder, expulsarás pelo amor, pela oração e pelo jejum. Em verdade te digo que ele não tem fé para conseguir isso sozinho. Precisa de tua incessante intercessão por ele. Ninguém pode dar o que não tem.

E por isto eu te incumbi dele. Porque necessita de uma mulher com o teu potencial de amar, a fim de que, através de teu grande amor, ele possa aprender a sentir e a dar amor.

Qualquer outra mulher a esta altura já o teria abandonado, mas tu não o abandonaste apesar de tudo o que recebeste dele – e também o que não recebeste.

Ainda que ele tente te fazer pensar que não és uma grande mulher, não acredite, porque ninguém mais que eu – e ele também – sabe quão grande mulher és.

Observaste que ele jamais pediu o divórcio que sempre ameaça pedir? Em verdade te digo que não o fez por saber que precisa de ti. Sabe que foste dada a ele como âncora da qual jamais deve se desatar, ou voltará a ser como o barco à deriva que um dia foi.

Eis porque foste escolhida para cuidar dele.

Em verdade te digo que ele precisa de teu socorro. E eu não te daria tal desafio se não pudesses vencê-lo.

Ele é digno de tua compaixão e caridade.

Não leves em conta nada do que ele faz ou diz. Apenas doa-te amorosamente a ele, sem nada esperar. E no devido tempo tudo mudará e terás felicidade. Teu amor irá transformá-lo exatamente no que ele nunca conseguiu ser.

Foi para isso que te enviei a ele como resposta ao pedido que me fez por uma mulher de Deus que tivesse a mesma profissão dele.

Em verdade, em verdade te digo que ele não sabe o que faz.

Se o amares incondicionalmente como eu o amo, um dia ele tomará consciência o que fez. E neste dia reconhecerá, se arrependerá e clamará por teu perdão.

Segundo ela, o Senhor lhe disse também que lhe deu essa provação não para saber se podia suportá-la, mas como, pois disso dependia seu ingresso no Reino Celestial.

Tudo o que o Senhor lhe disse nessa e em outras revelações combina com o fato de que, como seguidores de Jesus Cristo que somos, devemos perdoar mesmo quando parece que as pessoas não merecem nosso perdão. O Salvador ensinou:

Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai Celestial vos perdoará a vós. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas. (Mateus 6:14-15)

Creio que ela foi inspirada a compartilhar suas revelações comigo, pois a maior parte me servia perfeitamente. Com ela aprendi muito a respeito do propósito de minhas próprias aflições.

Aprendi que viver o evangelho é uma vocação que nem todos têm. E foi também por isso que o Salvador tomou sobre si os pecados de todos. Se assim não fosse, aqueles que não têm essa vocação, ou a têm em menor grau, estariam perdidos.

A pessoa que na época me causava sofrimento foi posta em minha vida para me lapidar espiritualmente, para que eu reagisse do mesmo modo que o Senhor reagiu às injustiças que sofreu, para que eu desenvolvesse a compaixão e a misericórdia que Ele tem por ela e me fizesse silencioso diante das angústias que me infligia.

Somente com os desafios da convivência com ela é que eu teria como desenvolver a natureza de Cristo. Se essa convivência fosse fácil, eu estaria fadado à estagnação em meu aperfeiçoamento e no refinamento de meu espírito. E seria mais difícil chegar à Sua estatura, que é a estatura da mansidão, da brandura, da compaixão, da compreensão, do perdão, da sujeição, do autocontrole, de silenciar completamente e ser incapaz de revidar uma única injustiça sequer, sabendo que o sofrimento que me era infligido só acontecia porque eu ainda estava aquém de discernir aquilo que Ele discerne e que depois passei a discernir também: a estatura de amá-la a ponto de, apesar de todo o sofrimento que me causava, pedir ao Pai para perdoá-la por não saber o que fazia.

Pude entender claramente que ela era a personificação dos judeus que crucificaram Cristo com suas atitudes espiritualmente irresponsáveis. Era o meu Anás, meu Caifás, meu Judas e meu Tomé, que duvidava das verdades que eu tentava lhe testificar.

Somente por meio do convívio com uma pessoa assim é que minha capacidade de me portar de modo semelhante a Cristo podia ser testada. E somente quando tive a clara visão de que esse é o preço da exaltação é que pude começar a ver o privilégio que na verdade era a presença dela em minha vida. Ela era a fornalha na qual eu devia me atirar para separar as impurezas do ouro puro.

O Salvador disse que veio ao mundo para os doentes e não para os sãos. Agora compreendo melhor o que isso quer dizer. Não foram as pessoas boas que proporcionaram a Ele a oportunidade de mostrar que era idêntico ao Pai, e sim aquelas que lhe trouxeram mais dores e aflições.

Atualmente aquele casal não é mais um casal, assim como também não sou com a mulher do meu caso. Nossos cônjuges não se arrependeram de seus pecados. Cada um a seu lado, ambos suportamos a cruz até quando o Senhor achou que já tínhamos sido provados e lapidados o suficiente.

A partir de então só me restou agir conforme a luz que recebi. Se quero ser exaltado, tenho a necessidade de agir de modo divino, pois Sua segunda vinda está muito mais perto do que jamais esteve e isto ficou muito claro na Conferência Geral deste fim de semana. Na verdade, como há muito venho dizendo, sinto que terei o privilégio de presenciar esse glorioso dia ainda em minha mortalidade.

Leitura adicional recomendada: O propósito das provações: das trevas para a gloriosa luz

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