Dr. Rey: ‘não cometa o erro que cometi’

O renomado cirurgião plástico Dr. Rey

O mundialmente renomado cirurgião plástico brasileiro Dr. Rey

Se você é SUD e não sabe quem é o Dr. Rey, pergunto-lhe: em que dimensão paralela você viveu nos últimos anos? 😉

O paulistano Roberto Miguel Rey Júnior é cirurgião plástico, apresentador de TV e protagonista do reality show americano que o lançou no estrelato.

Resumidamente: Rey e seus irmãos foram adotados quando crianças por um ex-missionário mórmon americano que os levou para viverem em Utah, EUA, onde foram criados como membros da Igreja. Rey formou-se em medicina, fez mestrado e doutorado e acabou realizando um trabalho notável como cirurgião plástico de celebridades de Beverly Hills, chamando a atenção da mídia, indo parar na TV e alcançando considerável sucesso em diversos programas.

Em 1999 veio ao Brasil para reencontrar seu pai biológico e fazer cirurgias gratuitas em pacientes pobres, tudo acompanhado pela TV.

Em 2004 tornou-se estrela do reality show Dr. 90210, apresentado no Brasil pela RedeTV! com o nome de Dr. Hollywood. Em 2007 desenvolveu uma bem sucedida linha de shapewear e outra de cuidados pessoais. Todos os anos embarca em missões humanitárias para operar crianças com deformidades físicas. Já realizou mais de 30 mil cirurgias. Sua marca registrada é sua “cicatriz invisível” em cirurgias de aumento de mama, bem como elevação estética mamária sem prótese e abdominoplastia com baixa incisão. Tem sido criticado por seu estilo deveras informal.

No Brasil, já participou de programas de TV e hoje milita na política pelo Partido Ecológico Nacional.

Em depoimento informal gravado em video num evento recente no interior de São Paulo, Rey falou sobre um ponto espinhoso de sua vida: o fato de não ter atendido o chamado do Senhor para servir como missionário de tempo integral. Como todos os rapazes da Igreja sabem, a missão de tempo integral é um sagrado dever do sacerdócio para todos os rapazes dignos que são fisicamente aptos e mentalmente capazes de atender ao chamado para servir.

Todavia, como os rapazes da Igreja também sabem, não somos forçados ou compelidos a cumprir os mandamentos do Senhor. Somos persuadidos, sim, mas não obrigados. Se um rapaz decidir não sair em missão, é livre para tal. Foi o que Rey fez. O arbítrio serve para isso.

Muito embora o arbítrio nos deixe livres para fazer nossas escolhas, não nos deixa livres para escolher as consequências dessas escolhas. Um outro rapaz que desistiu do serviço missionário para se tornar fuzileiro naval dos EUA descobriu por traumáticas experiências que não poderia ter feito escolha pior (recomendo fortemente a leitura desse artigo também).

Rey concorda que renunciar ao privilégio de servir ao Senhor em favor de qualquer coisa oferecida pelo mundo é uma escolha ruim. Veja o que ele diz:

Como disse o Élder Richard G. Scott, do Quórum dos Doze Apóstolos, na Conferência Geral de abril de 2006: “Você nunca se arrependerá de servir como missionário, mas é provável que se arrependa caso decida não fazê-lo.”

Eu mesmo servi missão aos 19 anos. Mesmo tendo enfrentado severas e dolorosas dificuldades para cumprir esse mandamento do Senhor, jamais tive qualquer fiapo de arrependimento por isso.

Assino embaixo quando Rey pede de joelhos: faça uma missão de tempo integral.

Mais uma vez: “Você nunca se arrependerá de servir como missionário, mas é provável que se arrependa caso decida não fazê-lo.”

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4 comentários em Dr. Rey: ‘não cometa o erro que cometi’

  1. Marcos disse:

    Marcelo boa tarde.

    Com toda sinceridade, sempre achei um pouco cruel o sentimento de irmãos da igreja em relação aos jovens que decidem não cumprir uma missão de tempo integral. Vi vários jovens desprezados (mesmo que de maneira sutil) e quase sem apoio. Pois pra muitos membros nem um bom partido para um casamento eles são. Sempre fui um membro muito popular na igreja, bastante estudioso e fiel na medida do possível em minha juventude. Pelo fato de ter um reconhecimento dentro da capela e estima de muitos amigos não fui tão criticado e marginalizado pelo fato de ter decidido não cumprir uma missão de dois anos. Sinceramente nos anos que antecederam a minha saída da igreja, percebi um sistema de missionários bastante decadente principalmente na seleção, muitos jovens despreparados e mal educados. Ou eu tive o azar de estar numa ala / estaca onde os piores dos piores eram enviados ou no geral o sistema está ruim. Vários casos de missionários se envolvendo com moças da igreja, acessando sites pornográficos, vivendo mais em redes sociais do que na missão. Até Élder comprando aparelhos celulares para revenda eu vi. Eu me lembro em 1998 quando fui ensinado e batizado, a qualidade dos missionários em geral, o comprometimento com a missão, era algo de dar gosto. Hoje não sei mais como anda o nível dos missionários, mas já nos meados de 2013 estavam péssimos. Além de missões onde era notório a preocupação com números e batismos como se estivessem desesperados, a qualidade das palestras caiu muito. Quando me batizei tinha um conhecimento muito bom pra entrar nas águas e ser confirmado. Mas, recentemente, percebia jovens que estavam indo se batizar no sábado, mas faltavam no domingo pra ir a praia. Não fiz missão, mas enquanto mórmon ativo trabalhei, me dediquei e tentei fazer a diferença, muitos dos meus dia livres eram sacrificados a igreja e aos irmãos, deixei de passar um bom tempo com minha família pra ajudar a família de outros (não que eu me arrependa). Então pra finalizar é isso, não concordo com o demérito aos jovens que não decidem fazer missão em oposição a jovens que fazem missão (nem sempre com amor e qualidade) mas que acabam se tornando em heróis voltando da terceira guerra mundial. Acho que o arbítrio precisa ser respeitado, e a fidelidade e o empenho do membro em geral ser levado em conta. Não se ele fez missão ou não.

    Obrigado pela atenção e fique bem.

    Um cordial abraço.

    Marcos Santos.

    • Marcelo Todaro disse:

      Marcos,

      Suas experiências e as minhas são fundamentalmente diferentes. Já servi em diversos cargos de liderança (atualmente sirvo em mais um deles), inclusive na missão, em diferentes regiões do país, e nunca tive o desprazer de testemunhar fatos como os que você descreve.

      Mas não estou dizendo que seu relato é impreciso ou inverídico, afinal sei que as pessoas são falhas e cometem erros (eu mesmo já cometi e continuo cometendo muitos), portanto algo assim pode eventualmente ocorrer. O detalhe é que isso não é motivo ou deve servir de desculpa para não buscarmos corrigir esses erros.

      Parte da correção reside em reconhecermos que, enquanto houver gente nascendo no mundo, vai haver gente errando. É um fato da vida. O que fazer a respeito?

      Em seu discurso Preocupação pela Ovelha Perdida, proferido na Conferência Geral de abril de 2008, o Élder Joseph B. Wirthlin, do Quórum dos Doze, sugere algo sobre o qual convido você a refletir. Disse ele:

      Com exceção do Senhor, todos cometemos erros. A questão não é saber se cairemos ou tropeçaremos, mas, sim, como reagiremos. (…) Sabiam que a Igreja é um lugar em que pessoas imperfeitas se reúnem — mesmo com todas as suas fraquezas mortais — para aprender como se tornarem melhores? Todos os domingos, em todas as capelas do mundo, encontramos homens, mulheres e crianças mortais e imperfeitos, que se reúnem esforçando-se para tornarem-se melhores, para aprender por meio do Espírito e incentivar e apoiar uns aos outros. Nunca vi nenhuma placa na porta de nossas capelas com os dizeres: “Entrada Permitida Somente para Pessoas Perfeitas”.

      É por causa de nossas imperfeições que precisamos da Igreja do Senhor. É nela que as doutrinas de redenção de Cristo são ensinadas e Suas ordenanças de salvação são ministradas. A Igreja nos incentiva e motiva a ser pessoas melhores e mais felizes. Também é um lugar em que podemos entregar-nos ao serviço ao próximo.

      O Senhor sabe que cometeremos erros. É por isso que Ele sofreu por nossos pecados. Ele quer que voltemos a nos erguer e nos esforcemos para melhorar.

      Um dos passos para cumprir o conselho do Élder Wirthlin é não criticar líderes e outros membros, pois eles são pessoas humanas e imperfeitas tanto quanto você e eu. Que não cometamos o pecado denunciado pelo Salvador em Mateus 7:3-5.

      O que quero dizer é que precisamos olhar para as falhas dos outros com os mesmos olhos de misericórdia e perdão com que esperamos ser vistos pelas nossas. Até porque também inúmeras vezes o Senhor nos advertiu que só seremos perdoados por nossas falhas se perdoarmos as dos outros. Em uma dessas advertências Ele nos diz:

      “Eu, o Senhor, perdoarei a quem desejo perdoar, mas de vós é exigido que perdoeis a todos os homens. E devíeis dizer em vosso coração: Que julgue Deus entre mim e ti e te recompense de acordo com teus feitos.” (D&C 64:10-11, destaque meu.)

      Dentro desse contexto, sem dúvida, olhar torto para um rapaz por ter decidido não ir para a missão é uma atitude digna de repreensão. Mas creio que até você é capaz de reconhecer que, espiritualmente falando, recusar o privilégio de servir ao Senhor no campo missionário acarreta em perda de bênçãos eternas. Creio que posso afirmar, sem medo de errar, que se sua decisão tivesse sido outra, hoje você estaria espiritualmente mais feliz e realizado.

      Se eu fosse uma moça solteira em busca de um casamento celestial, sem dúvida daria preferência a um missionário retornado. É mais provável conseguir um casamento desse tipo com alguém que viveu a experiência de servir no campo missionário do que o contrário. Isso se explica por uma mera relação de causa e efeito: o serviço e o sacrifício trazem bênçãos. E eu ia, sim, preferir alguém que tivesse essa bagagem. Mas também não significa que terminantemente recusaria a experiência de me relacionar com alguém que não tivesse servido missão, desde que estivesse solidamente comprometido com o evangelho. O detalhe é que, depois de tudo que se sabe, tanto por teoria quanto por prática, não se pode dizer que um rapaz que decide desobedecer ao mandamento de servir como missionário esteja solidamente comprometido com o evangelho. Não conheço ninguém que deliberadamente se recusa a obedecer a um importante mandamento do Senhor (qualquer que seja o mandamento) que esteja espiritualmente bem. E eu, se fosse moça, não arriscaria meu futuro espiritual e minha vida eterna me casando com alguém nessa condição, por mais gente boa que fosse (pois o mero ser gente boa não garante as recompensas terrenas e celestiais que me empenho em conquistar).

      Mas tenho uma boa notícia: ainda há muitas oportunidades de serviço pra você. Se quiser experimentar um bem estar espiritual e uma proximidade com o Senhor como jamais imaginou ser possível alcançar, exerça o sacerdócio servindo-Lhe em Sua Igreja. Ele irá recompensá-lo abundantemente por isso. Falo por experiência própria e com conhecimento de causa.

      Espero ter ajudado.

      Um abraço!

      • Marcos disse:

        Bom dia Marcelo,

        Sim ajudou. Realmente pude refletir um pouco mais. Gostei desse site e sua atitude em defender o que acredita é muito louvável. Infelizmente as experiências que vivi em relação a alguns missionários foi real e muito triste de se testemunhar. Mas pelo que você me passou em sua resposta, podes com convicção afirmar que o trabalho missionário segue firme e com qualidade. Na verdade criei essa dúvida devido a exposição a vários assuntos complicados. Apesar de inativo, amo e respeito a Igreja assim como minha família (Fomos selados no templo em Recife). Algumas vezes conversamos sobre a época que eramos membros. As variadas experiências que lá tivemos e um tom nostálgico acaba sempre se fazendo presente. Todavia não tenho mais a certeza em meu coração sobre coisas que um dia defendi em relação a Igreja. Mas filtrei o que me sempre me elevou e carrego comigo e ainda se faz presente em minha família. Mas isso é uma longa história. Venho agradecer a sua atenção e esclarecimentos, com certeza fazes um excelente trabalho por aqui.

        Um fraternal abraço, fica bem.

        Marcos Santos.

        • Marcelo Todaro disse:

          Marcos, talvez você queira ler a íntegra do discurso do Élder Wirthlin cujo link coloquei em minha resposta anterior. Seguramente ele lhe dará mais coisas em que refletir para ajudá-lo nas decisões que terão influência eterna em sua vida e na de sua família.

          E talvez meu artigo A vida depois da missão de tempo integral, no qual descrevo os motivos que me levaram a um período de inatividade e como me recuperei disso depois, também o ajude.

          Grande abraço!

 

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