Como o Senhor pode interferir em nosso trabalho quando é para nosso bem

Publicado em 6 de dezembro de 2023 e atualizado em 14 de fevereiro de 2024

Profissionalmente falando, 2023 foi o ano mais desafiador de minha carreira. Também foi o ano em que recebi do Senhor Suas maiores intercessões em meu favor. O antigo ditado popular “Deus escreve certo por linhas tortas” provou-se verdadeiro.

Tendo sido alertado por Ele de que o ano seria bem mais difícil do que tinha sido o anterior, não hesitei em cumprir à risca as instruções que recebi Dele para que eu conseguisse sobreviver ao ano. O motivo disso eu não demoraria a descobrir.

O choque

Eu trabalhava em uma grande multinacional há quase uma década. Eu era o primeiro e mais experiente ocupante do cargo, por isso assumi uma posição de protagonismo, na qual exercia um papel crítico e fundamental para a área.

Apesar disso, para minha chocante surpresa, fui demitido sem justa causa. Foi tão abrupto que nem me deram chance de fazer cópia de meus trabalhos para repassar instruções a quem fosse desempenhar minhas tarefas. Enquanto eu ainda era orientado sobre o processo de desligamento, meu acesso ao sistema da empresa já estava sendo bloqueado. Eu deveria me retirar de suas dependências tão logo concluísse o exame médico demissional, que aconteceu logo após ter sido comunicado da demissão. Pareceu até uma ação orquestrada. Senti-me como um penetra que foi flagrado e gentilmente convidado a me retirar da festa.

Já de volta em casa, ainda em choque, quando enviei mensagem de despedida a meus antigos colegas em nosso grupo do WhatsApp, com os quais nem me foi dada chance de falar pessoalmente, a primeira coisa que meu chefe fez foi me expulsar do grupo, sem nem me dar oportunidade de ver alguma resposta que alguém poderia eventualmente ter me dirigido.

Toda a evolução no controle de qualidade da atividade que implementei na área foi solenemente ignorada e irremediavelmente perdida. As coisas voltaram à estaca zero em que estavam na década anterior. Um incalculável e desnecessário desperdício.

A raiz da questão é que tempos antes tive o azar de ganhar um chefe narcisista que, por algum bizarro motivo, me elegeu como alvo. Ele já vinha dissimuladamente menosprezando minhas conquistas e sabotando meu progresso profissional. Por fim, beneficiado pela omissa conivência do RH, para onde eu inutilmente havia encaminhado reclamação sobre suas atitudes, maldosamente armou minha saída quando teve chance.

A bóia salva-vidas

Se há algo na vida que me causa profunda indignação é a injustiça. E eu acabara de sofrer uma das mais perversas. Essa injustiça abalou não só o meu bem estar, como o de minha família. Mas, graças a minha disposição em seguir as instruções que eu havia recebido do Senhor quando me alertou que o ano seria, digamos, “emocionante”, senti Sua confortadora mão guiando meus pensamentos e sentimentos naqueles momentos de aflição. Se eu não O tivesse obedecido, a magnitude do terremoto talvez tivesse conseguido desestruturar meus alicerces espirituais e familiares.

Ele me mostrou que consentiu com aquela injustiça para atender um propósito bem definido. Havia uma recompensa para ser obtida depois. Ela não poderia ser concedida de outra forma porque eu estava por demais envolvido no trabalho para enxergar o contexto como um todo, como quando uma imagem está próxima demais dos olhos para que se seja capaz de vê-la por completo. As entrelinhas da experiência ocultavam uma lição que eu precisava aprender.

Também observei o cumprimento do que considero uma de Suas mais fortes promessas: “Minha é a vingança, eu recompensarei, diz o Senhor” (Romanos 12:19). Ele inflige ao ofensor uma punição justa, pois a misericórdia não pode roubar a justiça (ver Alma 42:25), enquanto amorosamente nos assegura: “Deixai o julgamento somente para mim, porque ele é meu e eu recompensarei. [Mas que] a paz seja convosco” (D&C 82:23). O tipo de agravo que sofri não é deixado impune e a lei do retorno é implacável: a pessoa responsável pelo mal que me causou já está recebendo o que merece.

Aprendizado

A experiência também tem me proporcionado oportunidade de praticar o que talvez seja um dos mais difíceis mandamentos de Deus a ser obedecido: perdoar e não guardar rancor. Perdoar quem nos faz bem é fácil, o oposto é que não é. Sendo um mandamento Dele, ninguém mais que Ele está interessado em nos ajudar nisso. Mas Ele não o fará se não tomarmos a iniciativa, do contrário nos tornamos complacentes e isso destrói nosso progresso. Como escreveu o Élder Kevin R. Duncan: “O perdão é um glorioso princípio de cura. Não precisamos ser vítimas duas vezes. Podemos perdoar.”

Eis uma experiência que comprovou a importância de se ouvir a voz do Senhor. Quem sabe em que buraco eu estaria enfiado se não o tivesse feito?

“Eu não teria me enfiado em buraco nenhum”, dirá o orgulho do cético. Pode ser. Mas quem conta com a intercessão do Criador dos céus e da Terra em seu favor pode ser alertado quando estiver na iminência de cair em um, como eu fui, e sair dele mais facilmente caso caia. Seria inteligente de minha parte me contentar com menos?

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