Diário pessoal: bênção para mais de um

Atualizado em 21/09/2015

registrosUma das primeiras coisas que aprendi ao tornar-me membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi que devemos criar e manter um diário pessoal. A esse respeito, o Presidente Wilford Woodruff (quarto presidente da Igreja, de 1889 a 1898) escreveu:

Alguns talvez não considerem relevante manter um registro de nosso trabalho ou do trabalho de Deus, mas a meu ver é importante. Do contrário, os profetas não teriam sido inspirados a exortar-nos a sermos fiéis nesse aspecto. O Senhor disse-nos que o que selarmos na Terra será selado no céu e o que registrarmos na Terra será registrado no céu, e o que não for selado ou registrado na Terra não será selado nem registrado no céu. [Ver D&C 128:7–8.] Portanto, parece importante mantermos um registro verdadeiro e fiel de todas as coisas.

Alguns podem achar que [manter um diário] envolve muito trabalho. Mas é um esforço que vale a pena, pois traz inúmeros benefícios. Considero os momentos de minha vida que passei escrevendo meu diário e registrando eventos históricos um tempo despendido de modo extremamente proveitoso. Se não houvesse nenhum outro motivo para escrever no diário [a não ser] o privilégio de relê-lo no futuro e permitir que nossos filhos o leiam, apenas isso já compensaria o esforço.

Aconselho-os a registrarem todas as suas bênçãos e a preservarem-nas. (…) Exorto-os a fazerem um registro de todos os atos oficiais de sua vida. Se vocês batizarem, confirmarem, ordenarem ou abençoarem qualquer pessoa ou ministrarem aos enfermos, façam um registro disso. (…) Se o poder e as bênçãos de Deus se manifestarem quando vocês forem protegidos de perigos, (…) registrem tais acontecimentos. Façam um relato das interações de Deus com vocês diariamente. Registrei por escrito todas as bênçãos que recebi e não as venderia nem por ouro.

Acaso não devemos respeitar Deus o bastante para fazermos um registro das bênçãos que Ele derrama sobre nós e dos atos oficiais que realizamos em Seu nome na face da Terra? Creio que sim.

Em vez de negligenciar esta parte de nosso trabalho, todos que puderem devem manter um diário e registrar os acontecimentos à medida que se descortinarem perante nós no cotidiano. Isso será um legado valioso para nossos filhos e de grande benefício para as gerações futuras, pois lhes transmitiremos um histórico verdadeiro da ascenção e progresso da Igreja e reino de Deus na Terra nesta última dispensação, em vez de deixarmos o terreno aberto para que nossos inimigos redijam uma história falsa da verdadeira Igreja de Cristo.

(“Ensinamentos dos Presidentes da Igreja — Wilford Woodruff”, capítulo 13.)

Eis porque me empenho em escrever o meu. Confesso publicamente que nem sempre esse empenho foi grande como deveria. Quando estudei o capítulo do livro acima citado, minha consciência pesou um pouco. Então registrei o seguinte em meu diário:

Como designação de leitura para este mês, os membros adultos da Igreja leram o capítulo 13 do manual acima citado, intitulado “Diário: De Maior Valor do que o Ouro”, que contém o trecho acima. Quando o li, dei-me conta de que estou em dívida com esta minha obra. Tenho me mantido tão ocupado com a lida diária que nem aos domingos lembro-me de atualizá-lo. Isso precisa mudar.

Tenho grande consciência da importância de uma obra como esta, como o Pres. Woodruff mencionou. Na versão de meu diário que está na Internet escrevi o seguinte:

“Reler minhas próprias experiências ajudou-me a perceber o quanto eu era feliz e não sabia! Percebi também que certas coisas aqui escritas poderiam ter salvo minha pele em situações difíceis, pois algumas respostas para questões vitais estavam aqui mesmo. É por isso que exorto a todos quantos vierem a ler estas palavras que tomem coragem e iniciem seus próprios relatos pessoais. Há muito mais importância neles do que pode parecer!”

Não sei até que ponto esta obra será apreciada no futuro, mas alguém saberá dar-lhe algum valor, razão pela qual estou constantemente preocupado com sua continuidade mesmo que eu não escreva nela tanto quanto deveria. Assunto não falta.

Algumas pessoas testificaram terem se sentido beneficiadas pelo que leram na parte de minhas experiências publicada na Internet. Escreveram-me contando como foram ajudadas a edificar sua fé e testemunho e agradecendo-me por manter uma versão online de meu diário. Uma dessas pessoas era um jovem pesquisador chamado Targino que, após ler sobre minha experiência missionária e dirigir-me perguntas, conseguiu receber um testemunho do Espírito que o conduziu ao batismo e até à missão de tempo integral. A opinião mais recente me foi enviada nesta semana, na qual a moça diz:

Tanto quanto permite meu tempo na Internet, tenho lido seu blog. Recentemente comecei a ler a sessão Missão de Tempo Integral. Não sabe como meu testemunho pessoal se fortaleceu ao ler sobre sua conversão! Sei que seu objetivo com o blog e a moderação do grupo Mórmons do Brasil não é a vanglória própria, mas acho que as pessoas não podem deixar de observar sua diligência, constância, sabedoria e forte testemunho presentes em cada linha sua.

Hoje li Alma 56-58 e fiquei pensando sobre a missão de Amon entre os lamanitas. A missão e o testemunho de um só homem e vejamos os frutos: entre outros muitos milagres e conversões, lemos sobre um exército de 2000 jovens cuja fé, de tão inabalável, livrou a cada um deles das mãos de homens mais experientes e fortes.

Nesse final de semana conheci o Targino pessoalmente. Ele me contou, muuuuuito resumidamente, como você o ajudou quando ele era um pesquisador. Irmão Marcelo, por isso e por muito mais, queira receber minha gratidão pessoal também.

(Entende agora por que eu falei sobre Amon?)

Obrigada por escolher e permitir, a cada dia, que Deus o use como instrumento em Suas mãos.

Sinto-me grato e recompensado cada vez que alguém me conta que meu testemunho e experiência foram-lhe úteis de alguma forma. Foi para isso que me senti inspirado a publicar essas partes de meus registros pessoais. Meu diário não é um registro secreto que deve ficar trancado a sete chaves, e sim um livro aberto à disposição de quem quer que possa beneficiar-se dele. Eis porque partes dele estão neste blog.

O trabalho de redação de meu diário começou quinze dias após meu batismo, que aconteceu em 5 de agosto de 1984. Haviam-se passado três meses de meu aniversário de dezoito anos. Foi uma época precedida de grande tormento emocional e espiritual, na qual vi-me às voltas com muitas perguntas sem resposta sobre a vida e seus dilemas. Conflitos pessoais e familiares entremeavam meus dias e ainda não tinha encontrado meu lugar dentro de mim mesmo. Era como se me sentisse um estranho no espelho.

Comecei este trabalho usando uma velha máquina de escrever portátil, que foi talvez o mais útil e valioso presente de minha vida, dado por meu pai em meu aniversário de doze anos, em 1978. Aquela maquininha de escrever laranja da marca “Hermes Baby” acompanhou-me por quase uma década, tendo inclusive ido comigo para a missão. Usei-a para escrever cartas, trabalhos escolares e para transformar em palavras meus pensamentos e sentimentos no início da existência de meu diário. Foi justamente o trabalho nele que solidificou meu gosto pela redação. Como resultado do hábito de registrar minha intimidade em papel, produzi entre 1984 e 1987 mais de 1400 páginas de texto datilografado. Em 1988, em decorrência do contato com a ciência da computação na faculdade, abandonei o uso da máquina de escrever mecânica e passei a utilizar o computador.

O surgimento do computador em meu cotidiano permitiu desempenhar este trabalho não só com agilidade incrivelmente maior como também com mais elegância e atenção aos detalhes, coisa que máquinas de escrever mecânicas não permitiam. Tendo, então, filtrado e reescrito o texto datilografado original, os fatos narrados na versão eletrônica da obra foram apenas aqueles que julguei relevantes, portanto é de se esperar que muita coisa tenha sido justificadamente omitida em relação ao que havia sido originalmente escrito no período entre 1984 e 1987. Embora até hoje conserve comigo aqueles originais, desejo que apenas a versão eletrônica seja tornada pública, cujo conteúdo é o que mantenho atualizado.

Oro para que este trabalho continue abençoando não só minha vida como a de quem quer que possa beneficiar-se dele.

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2 comentários em Diário pessoal: bênção para mais de um

  1. Jalile Perez disse:

    Olá!!!

    Senti o desejo de comentar em seu blog-diário porque no fim deste post você colocou “Oro para que este trabalho continue abençoando não só minha vida como a de quem quer que possa beneficiar-se dele.”

    Bom, eu me beneficiei desse seu trabalho. Sou mebro da igreja desde que nasci e sou presidente das moças de minha ala. Surgiu a oportunidade de discursar sobre o tema “diário”. Logo pensei que seria muito fácil, mas no decorrer da semana fui copelida pelo Espírito a buscar novas histórias então encontrei seu site.

    Parabéns pelo seu trabalho que me possibilitou ver coisas novas e passar essa idéia para outras pessoas.
    Acredito que seu blog cumpriu o objetivo.

    Obrigada

    Jalile Perez

  2. Marília Magalhães disse:

    Nossa, irmão Marcelo, que honra constar nos seus registros pessoais! 🙂

    Manter um diário é mais uma lição que “re-aprendo” com seu exemplo. Mais uma vez, muito, mas muito obrigada MESMO!

 

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