Uma análise crítica da abordagem dos ativistas do politicamente correto

Publicado em 11 de dezembro de 2023 e atualizado em 12 de fevereiro de 2024

Meme que circula nas redes sociais mostrando como a obra Sítio do Picapau Amarelo não poderia ter surgido nos dias atuais

Esse meme que está circulando nas redes sociais não é só uma piada, é uma caricatura da sociedade moderna: intolerante, intransigente, impaciente, que não admite que se brinque com estereótipos nem que se tenha opinião, pois tudo e qualquer coisa virou motivo de ofensa.

Eu mesmo tinha neste blog alguns artigos que, na época em que foram publicados, não me tornariam alvo da cultura do cancelamento que existe hoje. Mesmo tendo sido absolutamente respeitoso em minha redação, recentemente decidi suspender as publicações por precaução. Para alguns, não basta ser respeitoso, tem que surfar na onda do politicamente correto que está em constante “evolução”.

Hoje em dia, ou você concorda com tudo isso, ou se cala, ou se torna vítima de linchamento público, quando não é perseguido/ameaçado/processado. Tudo em nome de uma inclusão que só respeita um lado. É um ativismo hipócrita porque cobra atitudes que não está disposto a dar em troca.

Tentando vencer pelo cansaço, esse ativismo brutamontes soca goela abaixo na sociedade opiniões que estão (bem!) longe de serem unanimidade.

Assista o video abaixo para entender o que quero dizer.

Na edição de ontem do programa Fantástico, por exemplo, foi exibida uma reportagem que era uma nítida e clara glamurização da homossexualidade, como se isso fosse um valor a ser almejado.

O mesmo programa comumente defende causas antirracistas que, embora absolutamente corretas em sua essência, acabam saturando devido à atmofera sufocante criada pela massificação do tema. O absurdo chega a tal nível que há quem defenda até a sandice de que beber café é racismo!

Que algumas pessoas queiram inventar novos gêneros sexuais todos os dias com a subsequente criação de uma linguagem neutra que se adapte a isso, ou unirem-se em matrimônios de tipos diferentes daquele estabelecido por Deus, ou qualquer outra coisa em que se achem no direito de acreditar, não é o problema. Ninguém questiona o fato de que todos merecem igualdade e respeito, não importa sua identidade de gênero, raça, etnia ou credo, pois somos todos irmãos, filhos de um mesmo Pai e Criador que a todos ama indistintamente.

O problema é a abordagem desses temas pelos ativistas. Ela está errada. Não vão conseguir a adesão maciça da defesa dessas causas distorcendo fatos e depois mostrando os dentes para quem discorda.

Parte do problema, na minha opinião, também é o excesso de atenção que a mídia dá a essas pessoas. Na intenção de noticiar absurdos, a mídia acaba por promovê-los.

A quem interessa essa tentativa de escravizar a opinião pública em favor das ideologias da moda? Não é às minorias que esse ativismo casca-grossa supostamente defende.

Se você é um desses ativistas e espera contar com a bênção de nosso Pai Celestial nessa guerra santa contra o ódio e o preconceito, tenho algo a lhe contar: você está sendo enganado. Você e todos que engolem e apoiam essa postura.

Para entender porque, vamos voltar ao princípio de tudo. O problema vem de longe. Bem longe.

Para contextualizar o assunto, eu gostaria que você primeiro lesse o artigo A Rebelião de Satanás. Ele fornece os fundamentos que ajudam a entender o que estou para dizer.

Agora que o leu, preste bem atenção: você está sendo usado como marionete no jogo sujo do “bode velho”. Como se sente sabendo disso?

Note que não estou dizendo que não deve haver respeito e igualdade entre todos, pois isso é algo que, como seguidor de Jesus Cristo, também defendo. A diferença está na abordagem.

A tentativa de massificar uma opinião na mente coletiva e obrigá-la a concordar com ela na base do grito e da ameaça é que é a manipulação a que me refiro. Essa tática começou lá atrás, por ocasião dos eventos descritos no artigo do link acima. Quem quer que adote postura semelhante, ao contrário de defender uma boa causa, na realidade só está servindo à causa do inimigo.

Chamo a atenção para um trecho do artigo citado acima (destaque meu):

A coerção e a força, por exemplo, são usadas hoje por tiranos que buscam obter poder sobre nações e por ativistas políticos que procuram restringir a liberdade religiosa e coagir a sociedade a aceitar uma conduta pecaminosa.

A maneira certa de fazer as coisas, que pode garantir resultados bem mais satisfatórios, é esta:

Nenhum poder ou influência pode ou deve ser [exercido] (…) a não ser com persuasão, com longanimidade, com brandura e mansidão e com amor não fingido; com bondade e conhecimento puro, que grandemente expandirão a alma, sem hipocrisia e sem dolo (D&C 121:41-42, destaques meus).

Assim fazendo, não se cria antagonismos nem atritos. Você convence pelo amor, não pela dor.

A causa de todos os males do mundo é a mesma: a falta do Evangelho de Jesus Cristo no coração das pessoas. Como escreveu o Élder Wilford W. Andersen no artigo Religião e Governo:

As únicas soluções reais para os muitos problemas graves que o mundo atual enfrenta são espirituais, e não políticas ou econômicas. O racismo, a violência e os crimes de ódio, por exemplo, são problemas espirituais, e sua única solução real é espiritual.

Note, então, que rosnar para quem pensa diferente nunca produzirá um resultado tão eficiente quanto amar o pecador tal como Cristo ama e respeitar as escolhas dessa pessoa tal como Cristo respeita.

Eu diria também que a atitude de ficar se ofendendo sem motivo não é inteligente. Como ensinou o Élder David A. Bednar:

(…) no fundo é impossível para uma pessoa ofender outra. Na verdade, achar que alguém nos ofendeu é fundamentalmente falso. Ofender-nos é uma escolha que fazemos; não é uma condição infligida ou imposta a nós por alguém ou algo. (…) Achar que alguém ou algo pode fazer com que nos sintamos ofendidos, zangados ou magoados é um insulto ao nosso arbítrio moral e reduz-nos a meros objetos sujeitos à ação. Contudo, como agentes, todos temos o poder de agir e escolher como nos conduziremos diante de uma situação ofensiva ou aviltante. (…) Nenhum de nós pode controlar as intenções ou o comportamento dos outros. Contudo, nós é que determinamos a maneira como agiremos. Peço que nunca se esqueçam de que todos somos agentes investidos do arbítrio moral e podemos optar por não nos ofendermos.

Então, se alguém discordar de você, mesmo que essa pessoa seja rude ou desrespeitosa, opte por não se ofender. Há virtude e sabedoria nisso. Fará com que você não se sinta sobrecarregado com o fardo da vingança e preso às correntes da mágoa. Você ficará mais leve se simplesmente der de ombros e seguir em frente.

Há muito mais a ser dito sobre isso. Fique à vontade para expor sua opinião nos comentários abaixo.

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