A razão da esperança que há em mim

Atualizado em 4/12/2015

Ocasionalmente recebo contatos de visitantes de meu blog trazendo-me elogios, dúvidas e críticas. Estas geralmente não são contra o blog ou contra mim, e sim contra a Igreja.

Há algum tempo venho me correspondendo por e-mail com uma pessoa que se identifica apenas pelo pseudônimo de “Árabe Quarentão”. Desde quando me procurou pela primeira vez, vem trazendo dúvidas sobre a Igreja e muitos tópicos relacionados a ela. Tenho procurado responder todas as suas perguntas com o máximo de amor cristão e atenção possível.

No início ele foi muito cordial e polido, mas, em sua última mensagem, enviada esta noite, pareceu ter perdido a paciência comigo pelo fato de eu não concordar com seus raciocínios. Abordou novamente temas já discutidos em mensagens anteriores como se nenhuma resposta houvesse sido dada antes. Trouxe artigos críticos à Igreja pedindo para saber se era verdade o que diziam, como se estivesse me testando. Insiste que a Igreja errou em algumas coisas e que deve desculpas por isso. Tem procurado pelos em casca de ovo para criticar a Igreja e seus líderes e membros.

Em outras palavras, ele é do tipo que, na falta da fé, busca sinais para crer. De sua última mensagem destaco:

Não consigo raciocinar de maneira clara como uma pessoa inteligente e estudada como você, após eu mostrar tantas contradições (próprias contradições dos líderes em suas citações discursivas, por exemplo), pode seguir uma religião tão “confusa” e “contraditória” como a dos mórmons, como exemplo: não aceitar negros no sacerdócio até 1978, ter praticado a poligamia no passado, ter “segredos” nos Templos Mórmons, que muitos afirmam ter ele plagiados dos maçons (Joseph Smith foi um maçon), enfim, tantas contradições latentes que não consigo imaginar um ser normal e questionável como é o homem, ter coragem de seguir uma religião desse tipo. Desculpe minha sinceridade.

A questão polêmica do Livro de Mórmon, quais provas cabais ele tem? As moedas nefitas, as couraças, as espadas, as ossadas, etc? Não teria sido uma “novela” escrita por uma mente fértil como a de Smith?

A Bíblia possui até hoje os locais citados, isso é um fato incontestável. E os locais citados no livro de mórmon? Onde se encontram?

(…)

No meu entender só falta o pedido de “desculpas” público pelo erro do passado em ter negado aos negros o sacerdócio mórmon, aí sim estaria perto do termo “cristão” ensinado por Jesus no Novo testamento. Um ato de humildade e resignação.

Tudo isso é chover no molhado. Todas essas dúvidas já foram exaustivamente respondidas por eruditos e líderes da Igreja e estão à disposição de quem quiser encontrá-las. Mas parece assombroso que, na busca por informações sobre a Igreja, algumas pessoas só encontram as críticas e nunca as respostas verdadeiras.

Jamais me propus a responder críticas e não abri exceção desta vez. Crítica é sintoma de ceticismo, que se combate com testemunho. Por isso, minha resposta concentrou-se apenas num único ponto de sua mensagem: como posso permanecer membro da Igreja apesar das “contradições” encontradas por ele. Eis o que respondi:

Amigo,

Por favor, preste atenção no que digo abaixo como nunca em sua vida prestou atenção em algo.

O cerne de seu problema em entender essas coisas reside exatamente nisto: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14).

Atente bem para isto: elas se discernem ESPIRITUALMENTE. Consegue compreender o que isso significa?

Você poderá passar a vida inteira procurando provas materiais, lógicas e racionais da veracidade do Livro de Mórmon e não as encontrará nunca. Da mesma forma, também não encontrará de muitas coisas contidas na Bíblia: Jardim do Éden (onde foi?), Adão e Eva (existiram mesmo?), dilúvio (como pode não haver vestígio algum dele?) e o principal de tudo: a ressurreição de Cristo (como pode alguém passar três dias morto e voltar à vida?).

Eu já lhe disse numa mensagem anterior e torno a repetir: é tão incoerente pedir provas dessas coisas quanto é pedir do Livro de Mórmon. Se você aceita os relatos bíblicos sem pedir que sejam materialmente provados, tem que aceitar o Livro de Mórmon também, sob pena de estar sendo incoerente: por que não pedir de um e pedir do outro? Ou pede de ambos ou não pede de nenhum. Um peso, uma medida.

Felizmente, Deus nos proveu um meio de saber toda a verdade pelo poder do Espírito Santo sem necessidade dessa tolice de ficar procurando provas materiais de fatos espirituais. Afirmo-lhe que Deus fez as coisas de modo a manter essas provas materias ocultas do homem justamente para que as procure pela fé. Deus quer que desenvolvamos fé. Se temos provas materiais, para que precisamos da fé?

Portanto, se você quer provas materiais da veracidade do Livro de Mórmon e de muitas coisas ditas na Bíblia, passará a vida toda procurando e nunca as encontrará, pois ELAS NÃO SÃO PARA SEREM ENCONTRADAS. Não é intenção de Deus que o sejam. Entende isso? Ele não quer que acreditemos nessas coisas por podermos ver e tocar em provas materiais delas, pois assim não precisaríamos ter fé. E a fé é importante porque as maiores e melhores recompensas que Ele tem para nos dar nesta vida e na próxima só são alcançadas por meio da fé. Como Ele é o principal interessado em nos conceder tais recompensas, jamais fará nada que nos impeça de recebê-las — e isso inclui dar provas materiais que dispensem a necessidade de desenvolver fé. Na verdade, a coisa funciona exatamente ao contrário: primeiro vem a fé, depois vêm as provas. Não devemos buscar sinais para satisfazer nossa curiosidade nem para apoiar nossa fé. Ao contrário, o Senhor dará sinais aos que crerem quando julgar conveniente (ver D&C 58:64). A mesma fé que lhe permite saber que Ele existe é a que lhe permitirá saber que o Livro de Mórmon é verdadeiro, caso esteja sinceramente interessado.

Portanto, se, como você mesmo disse, não consegue compreender porquê alguém inteligente e estudado como eu aceita e segue o mormonismo, volte-se a 1 Coríntios 2:14: “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”.

Mais uma vez: a chave da questão está em “elas se discernem ESPIRITUALMENTE“.

Aceito e sigo o mormonismo exatamente por causa disso: porque sei que Deus tem boca e fala e tive fé suficiente para buscar com Ele uma resposta. Aceito e sigo o mormonismo porque Ele testificou a mim que esta é a única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo na face de toda a Terra — não apenas mais uma igreja que PRETENDE ser de Cristo, mas a única que Ele aceita como Sua, pois não foi edificada pelas mãos de homens, mas pelas Dele EM PESSOA, visitando o jovem Joseph Smith e iniciando por meio Dele a restauração do Evangelho e da Igreja que há muito havia se perdido no mundo.

Não dou a mínima para o que diz Wikipédia ou seja lá qual for o site. Não estou nem aí para os críticos e opositores. E isso por um motivo muito simples: o fato de Deus ter falado comigo (e crítico nenhum JAMAIS poderá dizer que não falou) dizendo o que me disse é PROVA mais que suficiente de que estou no lugar certo. As críticas que você citou são palavras de homens, são o racional de homens e, não raro, a deturpação, distorção e calúnia de homens. Quão espiritualmente miserável seria eu se necessitasse dos homens para provar-me a verdade de Deus! Pra quê intermediários se posso recorrer diretamente a Ele, sem interferências nem distorções?

Ou seja, se Deus em pessoa me disse que a Igreja é verdadeira, a única explicação lógica para o que os homens dizem é que só podem estar errados. Ou será que Deus estaria errado e os homens certos?

Eis aí meu racional para permanecer onde estou já há 25 anos: ou Deus está certo ou os homens estão. Ambos não podem estar certos ao mesmo tempo. Se Deus é perfeito e não pode errar, então, pela lógica, quem está errado é o homem que diz o contrário do que Ele diz.

Eis porque não dou a mínima para o que dizem os críticos. Existe uma explicação racional para todos os questionamentos levantados por eles, mas não tenho a mínima necessidade de buscar essas explicações pelos motivos que já expus.

A propósito, você insiste em bater na tecla de que a Igreja deve desculpas por coisas que você acha nebulosas na história da Igreja. Já comentei esse tópico antes dizendo que a Igreja não deve desculpas por nada, pois sustentamos que tudo que foi feito o foi por ordem de Deus e, quando fazemos o que Ele manda, estamos sempre certos, não importa o que os homens pensem.

Para encerrar, quero dizer apenas uma coisa: quer saber se a Igreja, o Livro de Mórmon e tudo mais são verdadeiros e vêm de Deus? Então pare de procurar provas materiais e abra-se para o que o Espírito Santo tem a dizer. É Dele que as respostas vêm. Enquanto você não o fizer, vai continuar batendo cabeça atrás de provas que nunca encontrará. Então a vida terá passado e você terá perdido a oportunidade de experimentar a maior alegria que poderia ter tido nesta vida, que é a mesma de que desfruto.

Por fim, peço-lhe encarecidamente que leia este discurso, que foi proferido para pessoas que têm as mesmas dúvidas que você.

É isso. Espero ter cumprido bem o conselho do apóstolo Pedro:

“…estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3:15).

Você acha que cumpri bem esse conselho? Comente!

Leitura adicional recomendada:

 

 

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