‘Eu, o Senhor, deleito-me em honrar aqueles que me servem em retidão e verdade’

Entrei na escola muito cedo. Meus pais acreditavam que, devido a seus problemas de saúde, quanto antes eu me formasse menos risco correriam de não poderem me ajudar em minha formação. Lembro-me claramente de um fato ocorrido no início do ano de 1973: a professora de artes do Colégio Farroupilha, em Porto Alegre, não acreditou que eu tivesse só seis anos de idade já estando na terceira série do primário.

Não demorou muito para ficar claro que o tiro pretendido por meus pais saiu pela culatra. Sem o apropriado desenvolvimento psicoemocional para acompanhar o adiantamento escolar almejado por eles, sofri três reprovações ao longo de minha vida escolar.

É verdade que não se pode culpar unicamente minha precocidade escolar por isso. Meu pai tinha um emprego que o obrigava a mudar de região do país a cada dois anos. Naquela época — década de 1970 e início da de 1980 — o ensino no Brasil não era padronizado como é hoje: cada região (ou mesmo cada estado) do país determinava seu próprio conteúdo programático para as escolas. Como resultado, a cada dois anos eu era forçado a me adaptar a novos conteúdos, perdendo a sequência que vinha acompanhando na região anterior. Pelo menos duas dessas três reprovações — na quarta série do primeiro grau e no segundo ano do segundo grau — tiveram esse motivo.

Em casa, creio não ter sido adequadamente orientado por meus pais. Não só a cobrança e a pressão por resultados era enorme como também — e talvez por causa disso — não foram poucas as vezes em que fui forçado a fazer as lições de casa e a estudar para provas sob a dolorosa ameaça de cintos, chinelos e palmadas, sem falar das não menos dolorosas feridas causadas por palavras ásperas mais cortantes que as fivelas dos cintos. Assim pressionado, na busca do resultado a qualquer custo acabei me tornando especialista na arte de colar nas provas — e às vezes nem isso era garantia de bons resultados.

Por tudo isso, o ato de estudar, que deveria ser prazeroso e recompensador, acabou se tornando uma das experiências mais frustrantes de minha vida, cujas marcas e consequências carrego até hoje.

Meu primeiro vestibular aconteceu em 1984, quando concorri a uma vaga no curso de Engenharia Elétrica no então Campus II da Universidade Federal da Paraíba, hoje Universidade Federal de Campina Grande. Na época, o curso era avaliado pela Editora Abril como o terceiro melhor de Engenharia Elétrica do país. Para me preparar para ele, além da formação oferecida pelo Colégio Marista de Maceió, fiz também um mês de cursinho pré-vestibular. Meu empenho acabou resultando na conquista de uma vaga dentre os primeiros trinta aprovados.

Ter sido aprovado assim, com tal classificação e logo na primeira tentativa, foi um belo golpe de sorte. O resultado não significou que eu estivesse realmente preparado para os rigores de um curso pesado e exigente como aquele. Eu não tinha base em matemática e física boa o suficiente para acompanhá-lo, nem era organizado e disciplinado para estudar enquanto tentava preencher as lacunas de uma formação escolar deficiente. Tal deficiência logo cobrou seu preço: comecei a perder disciplinas importantes, como Cálculo, Álgebra Vetorial, Álgebra Linear e Física. Isso só acrescentou mais frustração à minha formação.

Quando finalmente resolvi admitir que remava numa canoa furada contra a maré em noite de tempestade, tentei mudar de curso. Fiz outros dois vestibulares. Mas a sorte do primeiro não deu o ar da graça nos outros.

Desmotivado pelos insucessos acadêmicos e tendo que trabalhar para ajudar meus pais, cuja saúde se deteriorava rapidamente, a faculdade foi ficando em segundo plano até que a abandonei por completo.

Por quase duas décadas não tive qualquer contato com nada que dissesse respeito a um curso superior. Por uma série de outros motivos, eu não sabia se algum dia teria esse contato de novo, embora um diploma me fizesse tremenda falta.

Essa falta começou a falar ainda mais alto em tempos recentes, quando minha consciência passou a me cobrar uma atitude.

Em um semáforo recebi um panfleto de uma instituição de ensino superior particular, a Universidade de Uberaba (Uniube), que oferecia cursos superiores à distância. Um dos cursos era Letras, com duração de três anos. Como sempre fui bom em português, inglês e redação e já trabalhava na área, achei que seria a chance ideal de unir o útil ao agradável, ao prático (à distância) e ao rápido (três anos). Fiquei especialmente animado quando soube que o vestibular consistiria de uma simples e reles prova de redação, sem nenhuma das demais disciplinas normais de um vestibular que me exigiriam voltar à sala de aula de um cursinho para tirar o atraso de anos e anos fora da escola. “Tá pra mim!”, pensei.

Não deu outra: passei em segundo lugar.

O problema é que não foram aprovados candidatos em número suficiente para formar uma turma no polo local. O polo também não promoveu suficientemente o curso para que se realizassem outros vestibulares para ele. Passou-se um ano e venceu-se a validade da prova que eu havia feito. Para não perder a vaga tão facilmente conquistada, eu teria que optar por outro curso dentre os poucos disponíveis no polo. Acabei escolhendo Pedagogia por ter um campo de atuação mais amplo que Letras, embora eu realmente quisesse este.

Nesse meio tempo, minha mulher havia começado a me pressionar para que eu tentasse o vestibular para o curso à distância de Letras da Universidade Aberta do Brasil (UAB), no polo Maceió da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). O problema é que esse vestibular seria como qualquer outro, com todas as disciplinas de um vestibular normal. Concorrendo com a garotada que está saindo agora de escolas e cursinhos com tudo fresco na cabeça, eu teria que voltar à sala de aula por pelo menos um ano para me preparar se quisesse fazer uma prova consciente e com alguma chance de aprovação. Mas eu não tinha tempo, nem energia, nem recursos para isso. Se decidisse me aventurar a concorrer nesse novo vestibular, seria só com a cara e a coragem.

Embora eu não tivesse a mínima esperança de aprovação, a idéia de agarrar o touro pelos chifres aos poucos foi deixando de parecer assustadora, por algum motivo. Caso conseguisse o milagre de passar (eu já tinha conseguido um, afinal), poderia economizar os quase 9 mil reais que custaria o curso na Uniube e ainda contaria com o benefício do peso do nome de uma universidade federal no diploma, prestígio de que a Uniube não desfruta. Então decidi inscrever-me.

E aqui começa a parte espiritual da experiência.

A oferta de cursos à distância no polo Maceió da UAB/UFAL incluia licenciaturas em Pedagogia e Física e Bacharelado em Sistemas de Informação. Comecei a preencher o formulário de inscrição determinado a optar por Pedagogia. Mas, por algum motivo, na hora de selecionar o curso desejado senti um nítido e quase palpável desconforto com a idéia de fazer Pedagogia. Eu não sabia porquê, só sabia que senti claramente que deveria deixá-lo de lado.

“Tá, então qual?”, pensei.

Quando bati os olhos em “Sistemas de Informação”, a mesma fonte do desconforto anterior gritou dentro de mim: “É esse!”.

Não entendi bem por que deveria ser Sistemas de Informação, mas esse curso também está dentro de minha área profissional e tinha a vantagem de ofertar 10 vagas mais que os outros. “Então tá, vou nesse”, disse a mim mesmo. Afinal, se era para não passar, não faria diferença. Com uma vaga já garantida na Uniube, a perspectiva da derrota não me incomodava.

E assim foi que, sem ter aberto livro nenhum para ler uma única linha de matéria alguma, fui fazer a prova da UAB/UFAL.

Como não entro numa briga para perder e estava entrando naquela em tremenda desvantagem, tinha que encontrar algo que compensasse. E encontrei. Desde a inscrição até o momento da prova, pedi ao Senhor não que colocasse em minha mente conhecimento que nunca obtive, mas que me ajudasse a raciocinar com clareza e a recuperar dos sombrios subterrâneos de minha embolorada memória algum fiapo do conhecimento adquirido no longínquo passado de minha vida escolar.

Saí do exame sem saber o que pensar sobre o possível resultado. A prova foi mais difícil do que eu esperava, mas não fiquei surpreso, afinal eu não tinha me preparado. Conferindo o gabarito oficial, constatei que, das sessenta questões, acertei apenas trinta e três. Achei que praticamente a metade não seria suficiente para ser classificado. “Valeu a tentativa”, pensei, conformado.

Mas, nos dias seguintes, algo dentro de mim dizia que não perdesse as esperanças. Foi por isso que aguardei a divulgação do resultado oficial com ansiedade.

Quando finalmente saiu, tive que ler meu nome várias vezes para me convencer de que realmente estava entre os classificados. Era difícil acreditar que estivesse.

Mas ao lado dele havia um número “12” cujo significado eu não estava entendendo. No alto da coluna correspondente ao 12 havia um “Classificação” que não fazia sentido para mim. “Décimo-segundo lugar? Não pode ser!”, pensei.

Mas era. Quando analisei as notas dos demais candidatos, notei que a diferença entre o primeiro colocado e eu era ínfima. Eu realmente tinha conseguido o milagre de ser classificado em décimo-segundo lugar sem ter sequer olhado para a capa de um livro após tantos anos!

Esse feito é ainda mais notável considerando que:

  1. Na época em que tentei aqueles outros dois vestibulares, quando eu estava com todo gás, em ritmo de curso de engenharia e com tudo fresco na cabeça, não obtive o trunfo de agora, em circunstâncias bem mais adversas;
  2. De todos os cursos oferecidos em todos os polos da UAB/UFAL, Sistemas de Informação em Maceió foi o mais concorrido. Segundo soube depois, a concorrência para esse curso foi similar à do curso presencial de Medicina!

Não estou me vangloriando de forma alguma. Estou é reconhecendo a misericórdia e amoroso cuidado do Senhor em me ajudar a conquistar esse trunfo que, a mim, parece assombroso. Eu jamais teria conseguido sem a ajuda Dele. Durante a prova, senti o toque de Seu Espírito em minha mente na precisa identificação das questões possíveis de serem respondidas dispensando o conhecimento que não tenho e usando apenas o raciocínio lógico. Mesmo nas que respondi no chute, ainda houve um certo número delas que acertei usando apenas meus sentimentos sobre elas. Enquanto elaborava a redação, em dado momento de concentração no texto fui surpreendido por um aviso Dele carimbado em minha mente: “Você está se desviando do tema”. Então fui reler o que havia escrito e percebi que o desvio se deu porque eu estava sem idéias. Mentalmente pedi ajuda a Ele, que respondeu sugerindo-me uma idéia sobre a qual discorrer, graças ao que a nota de minha redação foi maior até que a do primeiro colocado no concurso.

Mas, afinal, onde entra o curso de Letras da Uniube nessa história?

Não tenho dúvida de que fui inspirado pelo Senhor a me interessar por aquele curso porque era a preparação para uma bênção maior que viria depois. Com uma vaga garantida em uma faculdade, Ele queria despertar-me o sentimento de necessidade de me agarrar à oportunidade com unhas e dentes e ir em frente a qualquer custo. Não fosse por isso, eu talvez não tivesse cedido à pressão de minha mulher para arriscar o vestibular da UAB/UFAL, apesar de achar que falharia — e, mais uma vez, eu realmente teria falhado sem a ajuda Dele.

Se eu disser que apenas a misericórdia do Senhor explica Sua mão guiando meus passos e minhas vitórias, estaria sendo injusto comigo mesmo. É verdade, como eu disse, que eu não teria conseguido sem Ele, mas o fato é que tenho me empenhado em conquistar o direito à Sua ajuda. Como Ele mesmo disse:

Pois assim diz o Senhor: Eu, o Senhor, sou misericordioso e benigno para com aqueles que me temem e deleito-me em honrar aqueles que me servem em retidão e verdade até o fim” (D&C 76:5).

Eis aí a chave para atrair as bênçãos dos céus: obediência. Tenho me dedicado a fazer minha parte para que então o Senhor possa fazer a Dele. Como sempre, constato que o sacrifício vale a pena.

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O dia em que fui atalaia de um apóstolo, parte II


Élder Quentin L. Cook,
do Quórum dos Doze Apóstolos

Em maio de 2008 tive o sagrado privilégio de trabalhar na segurança pessoal de um membro do Quórum dos Doze Apóstolos em um serão multi-estaca ocorrido em minha cidade. Eu achava que a ocasião seria única em minha vida, pois moro em uma região do país que não costuma ser regularmente visitada por membros do Quórum dos Doze, como São Paulo e Curitiba. Por isso, quando soube que haveria novamente um apóstolo entre nós e em tão curto espaço de tempo, fiquei surpreso com a repetição do privilégio. Além do mais, por aqui não é comum haver Autoridades-Gerais presidindo conferências de estaca e é extremamente raro que essa Autoridade-Geral seja um membro do Quórum dos Doze. Em meus 24 anos como membro da Igreja, nunca tinha visto isso acontecer, como aconteceu neste fim de semana.

Como membro do sumo-conselho de minha estaca encarregado do comitê de recepção e segurança, foi novamente meu privilégio coordenar o trabalho de garantir a proteção pessoal do apóstolo. A experiência anterior foi de grande ajuda para o desempenho de minha função neste evento.

Mas minha atuação como segurança do Élder Cook foi quase totalmente figurativa. Não só os membros mais uma vez comportaram-se exemplarmente como também Élder Cook mostrou-se uma pessoa afável e de grande cordialidade. Sorria muito para todos e demorou-se apertando as mãos de todos que teve chance. Sua amabilidade fez com que algumas pessoas sentissem liberdade para pedir-lhe que posasse para fotos com elas, pedidos que ele atendeu com gentileza até quando o relógio insistia em apontar-lhe a hora de ir embora.

Estando ao lado dele participei de quatro sessões de conferência, a última das quais um serão para as quatro estacas da cidade. Ele e sua esposa nos presentearam com o relato de experiências pessoais muito inspiradoras. Ao contrário de Élder Bednar, ano passado, Élder Cook pouco falou de doutrina. Ele preferiu trazer-nos as recomendações de amor e apreço aos membros da Igreja no Brasil expressas pelos outros membros do Quórum dos Doze e pelo próprio Presidente Monson. Contou também experiências da intercessão do Senhor na dedicação de templos, falou da recente experiência vivida no início deste mês com jornalistas e líderes de outras religiões na sessão de casa aberta do Templo de Draper Utah, falou do Concílio de Nicéia e das críticas que recebemos de outros cristãos por não aceitarmos esse credo, contou experiências inspiradoras de reuniões familiares em sua casa, descreveu parte de sua convivência com os demais membros do Quórum dos Doze de com a Primeira Presidência e, em todas as sessões, prestou seu testemunho sobre a divindade de nosso Salvador Jesus Cristo, Alguém que sei que ele, como qualquer apóstolo, conhece pessoalmente.

Que ninguém menospreze ou faça julgamentos precipitados sobre as palavras de Élder Cook baseado no que escrevi no parágrafo anterior, julgando-as de pouca importância. Não descrevi nem uma centésima parte de tudo que ele nos disse nas quatro sessões da conferência. O fato é que todas as suas palavras tinham o propósito de elevar nossa fé e desenvolver nosso testemunho. Esse propósito foi plenamente cumprido.


Elder Cook e esposa (no centro) com convidados após jantar a ele oferecido.
Na foto, estou bem atrás dele.

Mas, de tudo que ele disse, houve algo que me deixou particularmente marcado. Ao final da sessão do sacerdócio da conferência, no sábado à tarde, testificou já ter tido experiências espirituais em número e relevância suficientes para permitir-lhe asseverar que Jesus Cristo vive, que é Deus e é o cabeça de Sua Igreja.

Quando ouvi isso, fiz uma breve reflexão sobre meu caso. Também já tive e continuo tendo experiências espirituais em número e relevância suficientes para ser capaz de asseverar as mesmas coisas, com o mesmo grau de certeza quanto o que me permite dizer que estou vivo. A diferença entre Élder Cook e eu é que, para ele, fé não é mais requisito para ter esse conhecimento do Salvador, pois seu conhecimento já é perfeito. Ou seja, por já conhecer o Salvador pessoalmente, não precisa mais da fé para saber que Ele vive. Esse não é meu caso — ainda.

Mesmo assim, posso ter certeza igual. Não preciso conhecer pessoalmente Jesus Cristo para saber que Ele vive e que é nosso Deus e nosso Salvador, pois “pelo poder do Espírito Santo podeis saber a verdade de todas as coisas” (Moroni 10:5).

Por isso, senti-me feliz por perceber que, assim como aquela testemunha especial do Salvador, posso prestar o mesmo testemunho. Qualquer um pode. Esse conhecimento espiritual está ao alcance de todos que o buscarem “com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo” (Moroni 10:4).

Pelo mesmo caminho, qualquer um pode saber, como eu sei, diretamente de Deus, que esta é a única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo. Eis porque também posso afirmar, com tanta certeza quanto sei que estou vivo, que Quentin L. Cook é um dos Doze Apóstolos de Cristo nos dias atuais. Dou minha vida por esse testemunho, se for preciso, pois não posso negar o que me foi e continua sendo revelado pelo poder do Espírito Santo.

Felizmente, vivemos hoje em tempos em que raramente alguém precisaria dar a vida em defesa de sua fé, como ocorreu no início do Séc. XIX, época em que os pioneiros da Igreja eram perseguidos e mortos por causa de sua religião. Hoje em dia podemos desfrutar de um razoavelmente elevado grau de respeito por nossa escolha religiosa, de modo que não corremos risco de sermos fisicamente hostilizados por causa dela. O sacrifício a que nos submetemos pelo Senhor atualmente é bem mais sutil — e, justamente por isso, às vezes bem mais difícil: o de um coração quebrantado e um espírito contrito. Falando a respeito na Conferência Geral de outubro de 2007, o Élder Bruce D. Porter explicou:

Aqueles que têm o coração quebrantado e o espírito contrito estão dispostos a cumprir toda e qualquer coisa que Deus lhes pedir, sem resistência ou ressentimento. Paramos de fazer as coisas à nossa maneira e aprendemos a fazê-las à maneira de Deus.

É justamente essa mudança de vida que permite que o Espírito se manifeste a nós, dando-nos testemunho e conhecimento a respeito de Cristo, de Seu grande sacrifício expiatório e da realidade de estar vivo e ser nosso Salvador. É disso que testifico quando afirmo poder prestar o mesmo testemunho dado por Élder Cook. E como eu queria que o resto do mundo soubesse o quanto isso é bom!

Agradeço ao Senhor pela visita de Élder Cook, que assentou mais um tijolo no templo de minha fé, do qual Jesus Cristo é a principal pedra de esquina.

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‘Se não te acautelares, cairás’

Sou uma pessoa deveras ocupada. Minha única e principal ferramenta de trabalho — o computador — geralmente fica ligada cerca de 17 horas por dia. As outras 7 costumam ser as horas que passo dormindo. Ou seja, do momento em que acordo até o momento de dormir, o computador trabalha sem parar, seja no desempenho de meu trabalho ou, em bem menor escala, na leitura de notícias ou em algo que me relaxe a mente. É óbvio que tenho minhas pausas para refeições, lanches, cochilos, família, saídas para resolver pepinos na rua, etc. — do contrário, já teria desenvolvido uma bela Lesão por Esforços Repetitivos (LER) — e justamente por isso é que preciso estender minhas horas de trabalho até tarde da noite para dar conta de tudo que me proponho a fazer.

Enquanto estou trabalhando preciso manter um elevado nível de concentração, o que, não raro, drena boa parte de minhas energias. Nesses momentos, costumo esquecer tudo que não diga respeito ao foco de minha atenção. O esquecimento não é voluntário, e sim fruto da necessidade de manter-me concentrado. O problema é que essa concentração costuma durar a maior parte dessas 17 horas diárias de atividade, de modo que, às vezes, outras necessidades são involuntariamente deixadas de lado. Não raro, isso gera atritos familiares quando tende-se a achar que meus esquecimentos são intencionais ou fruto de uma suposta indiferença de minha parte.

Quando cheguei para a primeira das reuniões dominicais na Igreja, nesta manhã, dei-me conta de que havia esquecido uma importante prioridade: estudar o capítulo de hoje do manual Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith (o conteúdo do manual, com texto em PDF e áudio em MP3, pode ser acessado aqui). Isso porque passei boa parte do sábado anterior concentrado em uma importante atividade ao computador — não era trabalho, mas era voltada a atender uma necessidade familiar — e pouca coisa além disso encontrou espaço em minha mente. Quando a hora de me recolher chegou, eu estava mentalmente exausto demais para tirar algum proveito do necessário estudo diário do Evangelho (que inclui o manual a que me refiro acima), que também exige concentração para que seja proveitosa.

Quando me dei conta disso, esta manhã, um sinal de advertência acendeu-se em minha mente. Senti-me mal por ter esquecido de estudar a lição de hoje do manual, até porque eu poderia muito bem ter sido requisitado para dá-la na classe do sacerdócio caso houvesse um desfalque de professor. Como membro do sumo-conselho de minha estaca, é minha responsabilidade estar sempre com lições e discursos preparados na eventualidade de ser necessário substituir um professor ou discursante faltoso. E hoje falhei com essa responsabilidade.

Ponderando a respeito, percebi que, nos últimos tempos, as distrações têm se colocado à minha frente em maior volume e com mais insistência. Infelizmente, o evento de hoje não foi único, mas precisa ser o último.

É sabido que essa é uma das táticas usadas pelo inimigo — que não é imaginário nem figurativo, mas bem real — para distrair nossa atenção e, em última instância, nos afastar do Espírito e de Deus. Sabemos que ele não descansa enquanto não consegue nos fazer cair. No caso de um irmão bem próximo a mim, essa queda foi e está sendo dramática e traumática para ele e sua família. E é justamente isso que nosso inimigo quer: tornar-nos tão miseráveis quanto ele próprio (veja 2 Néfi 2:27).

Se não tomarmos cuidado, o estudo do Evangelho ficará cada vez mais em planos inferiores. Esse pode ser o primeiro passo na direção do pecado e/ou da apostasia.

Tudo isso passou-me pela mente enquanto ponderava. Assustei-me com o tamanho do risco ao qual estava me expondo sem perceber. Que bom que acordei em tempo.

Durante o Sacramento de hoje, pedi ao Senhor perdão e ajuda para resistir às distrações que estavam começando a me fazer esquecer a necessidade de manter um estudo regular e consistente do Evangelho. Em resposta, o Senhor inundou-me com um sentimento de paz e de que meus pecados estavam perdoados, mas deixou em minha mente um alerta muito claro: “Se não te acautelares, cairás”.

Fico feliz e grato por saber que sou digno da atenção e do amoroso cuidado do Senhor e que Ele me aconselha pessoalmente sobre os rumos que devo tomar. Este blog e meu diário pessoal reservado estão repletos de relatos de interações Dele comigo, demonstrando que vale a pena manter-se digno da intercessão Dele em nosso favor. Se posso neste momento deixar com o leitor um conselho é o de que vale a pena voltar-se para Deus, mudar de vida e ser digno das bênçãos que, de outra forma, não se obtém. Faça o teste e diga-me depois se não tenho razão!

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Feliz 2009!

Clique na imagem para ver meus votos de um grande 2009 para você com show de slides contendo fotos de minha família.

 

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‘Eis que falarei em tua mente e em teu coração’, parte II

Quem me conhece de perto sabe quão importante o AppleMania.info é para mim. Ele não é apenas uma fonte de satisfação pessoal, mas também de dinheiro. Há poucos prazeres na vida equiparáveis à satisfação de ganhar dinheiro fazendo-se algo de que se gosta. E adoro ser um veículo de informação e formação de opinião. Por isso, adoro o AppleMania.

O site está hospedado em um grande datacenter nos EUA por intermédio de uma empresa paulista provedora de serviço de hospedagem de sites. Grandes datacenters alugam espaço em seus servidores para empresas que, por sua vez, sub-locam para terceiros. Conforme o plano de hospedagem contratado, esses terceiros podem ainda sub-sub-locar o espaço. É meu caso. O plano que contratei é o que chamam de revenda virtual, que me permite hospedar sites de terceiros que ficam sob minha administração. Esses terceiros pagam a mim pelo serviço e eu, por minha vez, pago pelo do provedor, que por sua vez paga pelo do datacenter.

Como gerente das contas de hospedagem de diversos clientes, tenho à disposição um painel de controle chamado Web Host Manager, ou WHM. Nesse painel posso criar contas e planos de hospedagem, alterar suas características, suspender ou encerrar seu funcionamento e controlar os mais diversos aspectos técnicos dos sites sob minha administração. O datacenter tem controle semelhante sobre as contas criadas por mim no meu WHM.

Os dois possíveis motivos que me levariam a suspender o funcionamento do site de um cliente seriam inadimplência ou problemas técnicos. Felizmente, nunca precisei fazê-lo com o site de ninguém por nenhum dos dois motivos. Mas, desde que o AppleMania foi criado, em 30 de janeiro de 2007, já fui submetido a essa situação pelo datacenter três vezes. E nunca me foi dito porquê.

A última vez foi no último dia 25/11 (terça-feira). Era fim de tarde e, repentinamente, sem razão aparente, o site foi suspenso pelo datacenter. Quando isso aconteceu das duas outras vezes, tudo que o serviço de suporte do provedor informou, de acordo com informações do datacenter, foi que algum código de programação no site executou uma ação que “derrubou” o servidor, mas nunca me foi dito que código ou que ação foi essa. Sem saber o que houve, eu não tinha como evitar novas ocorrências.

Pela experiência das duas outras ocorrências, eu sabia o que deveria fazer: enviar e-mail ao suporte do provedor solicitando a reativação da conta. O provedor reencaminharia a solicitação ao datacenter e este providenciaria a reativação. Geralmente esse processo demora algumas ou várias horas, mas funciona.

Tão logo enviei o e-mail, porém, descobri em meu WHM uma opção que me permitiria reativar a conta sem ter que pedir nada a ninguém nem esperar resposta. Como a opção estava disponível, acionei-a. O site voltou a funcionar. Enviei novo e-mail ao suporte pedindo para desconsiderar meu e-mail anterior, pois eu tinha conseguido resolver o problema sozinho.

Mas, poucos minutos depois, para minha surpresa, o site havia sido suspenso de novo. E não só isso: a conta do AppleMania no WHM havia sido apagada!

Não entendi nada.

Novo e-mail para o suporte pedindo explicações. Nenhuma resposta. Aliás, ao contrário do histórico de atendimento satisfatório da empresa, era a primeira vez em que fui deixado no escuro.

O site do provedor informa alguns telefones para atendimento emergencial, um fixo e dois celulares. O fixo ninguém atendia. Os celulares estavam ambos desligados. No atendimento online, ninguém presente. O dia terminou sem que eu soubesse o que havia ocorrido nem tivesse qualquer perspectiva de solução.

Como detesto incertezas, em circunstâncias normais eu estaria altamente angustiado. Mas algo dentro de mim me confortava. Eu sabia qual era a fonte dessa paz, por isso não me afligi. Naquela noite, antes de ir dormir, orei agradecendo ao Senhor por mais uma provação e pedindo que me ajudasse a encará-la com serenidade e a encontrar o caminho da solução. Consegui dormir bem, apesar da incerteza.

Tão logo iniciou-se o horário de atendimento da empresa na manhã seguinte, liguei. Os telefones que antes ninguém atendia passaram a dar ocupado permanentemente, como se tivessem sido tirados do gancho. Os celulares continuavam desligados. Meus e-mails continavam sem resposta.

De repente, ocorreu-me que o AppleMania poderia ter sido simplesmente apagado do servidor junto com a conta no WHM. O banco de dados dele representava quase dois anos de suado trabalho que jamais poderiam ser perdidos. Essa perspectiva me assombrava. Foi com isso em mente que enviei novo e-mail ao suporte (já que os telefones não funcionavam) perguntando se haveria como garantir que essa tragédia não acontecesse. Novamente, fui solenemente ignorado.

Pareceu-me que eu estava sendo vítima de algum tipo de boicote.

Muitas hipóteses passaram por minha mente para o propósito daquela provação. Cheguei a considerar a possibilidade de que o Senhor houvesse permitido uma eventual perda de todo meu trabalho de quase dois anos como meio de me fazer mudar de rumo na vida. Se essa perda realmente se confirmasse, eu não iria começar tudo de novo e teria mesmo que procurar outra coisa para fazer. Talvez fosse isso o que Ele quisesse. Já passei por situações assim drásticas que, na verdade, foram a maneira do Senhor de me fazer alterar o curso de minha vida. Foi esse pensamento que me trouxe consolo e não permitiu que eu me descabelasse em desespero.

Mas eu teria que ir em frente para ver como o filme terminaria. Por isso, perto da hora do almoço daquela quarta-feira, procurei e encontrei alguém no suporte online do provedor, com quem consegui falar. Perguntei qual era a previsão para o retorno do AppleMania. A resposta foi: “Não há previsão alguma”.

Legal…

Não me restou alternativa senão esperar. Mas não esperei inerte. Enquanto houve luz do dia, tentei insistentemente os telefones. Os celulares continuavam desligados. Os fixos continuavam dando ocupado e assim permaneceram até o fim do horário de atendimento daquele dia, quando então, já no minuto seguinte, voltaram a tocar sem serem atendidos. E nada de resposta a meus e-mails.

Na quinta-feira, nova tentativa por telefone. Finalmente fui atendido por alguém. A pessoa mostrou estar bem a par de minha situação, mas, por algum estranho motivo, seu tom de voz e suas palavras tinham um tom acusatório. Ela não disse diretamente, mas seu recado nas entrelinhas foi: “É tudo culpa sua”. Insisti que não sabia o que eu poderia ter feito que pudesse ter prejudicado o funcionamento do servidor e causado a suspensão da conta e que, sem sabê-lo, não poderia evitar que ocorresse novamente. A pessoa do outro lado disse que o provedor havia sido repreendido pelo datacenter porque reativei a conta por mim mesmo, por isso foi apagada do WHM. “Ora, se isso não era permitido, por que a opção estava lá disponível sem nenhum aviso para que não fosse usada?”, perguntei. Ela não respondeu, mas acrescentou que já havia pedido ao datacenter a reativação da conta e que ainda não tinha recebido resposta do pedido. Implorei que insistissem com eles para que o site voltasse a funcionar, pois eu dependia dele para trabalhar. A pessoa prometeu empenho.

Mas não cumpriu a promessa. Ao fim do dia, o site continuava no limbo do cyberespaço. Tentei ligar novamente: ninguém atendeu. Um dos celulares que antes só dava desligado desta vez tocou — mas, também, não foi atendido.

Aliás, no telefonema pela manhã a pessoa justificou o fato de seus telefones só terem dado ocupado no dia anterior dizendo que houve um problema na central telefônica deles. O interessante é que o suposto problema só ocorreu no exato intervalo do horário de atendimento…

Em oração antes de ir dormir naquela quinta-feira, novamente abri meu coração ao Senhor e roguei-lhe orientação. Como sempre, coloquei-me disposto a me submeter à sua vontade com alegria e gratidão. Tudo o que eu queria era uma definição (afinal, detesto indefinições) sobre o que deveria fazer: insistir ou desistir.

Quando acordei, na manhã de sexta, fui tomado por um sereno porém firme sentimento de que eu deveria falar grosso com o provedor. De repente, tornou-se claro que não seria possível que o datacenter simplesmente não tivesse respondido um eventual pedido de reativação da conta depois de três dias, solução que costuma ser dada em poucas horas. Não pude deixar de pensar que eu estava sendo enganado.

Enquanto considerava as alternativas, a palavra Procon começou a pulular em minha mente. Mas uma rápida pesquisa na Internet revelou-me que situações como essa abrem espaço para pedidos de reparação na justiça, mais especificamente para um tipo de ação judicial de reparação por danos materiais e lucros cessantes.

Ponderando sobre a possibilidade de informar o provedor de que eu lançaria mão dessa alternativa caso o problema continuasse sem solução, senti-me confortável e seguro quanto à idéia. Então, como sempre faço quando estou prestes a tomar uma decisão importante, segui o conselho que o Senhor nos deu para momentos como esse:

Mas eis que te digo que deves estudá-lo bem em tua mente; depois me deves perguntar se está certo e, se estiver certo, farei arder dentro de ti o teu peito; portanto sentirás que está certo.

Mas se não estiver certo, não terás tais sentimentos; terás, porém, um estupor de pensamento que te fará esquecer o que estiver errado. (D&C 9:8-9).

A resposta que o Senhor me deu confirmou o sentimento de paz e segurança quanto à idéia. Não só isso: foi interessante observar como o Espírito sugeriu-me termos e expressões que eu deveria incluir no e-mail para garantir o sucesso da iniciativa. O resultado não foi um texto truculento ou rancoroso, mas conciliatório — tal como, aliás, sempre são as soluções do Senhor. Escrevi-lhes que estava disposto a conversar e que preferia a solução negociada à litigiosa, mas que eu já tinha esperado demais por uma resposta que julgava impossível já não ter sido dada se solicitada. Se uma solução não fosse dada naquela sexta, na segunda seguinte eu autorizaria meus advogados (dois amigos advogados que incluí na linha CC do e-mail) a entrarem com uma ação de reparação por danos materiais e lucros cessantes contra o provedor.

Tiro e queda!

A pessoa do provedor com quem eu havia conversado no dia anterior se derreteu em desculpas (algumas difíceis de engolir) e se empenhou pessoalmente em resolver o problema. Cerca de duas horas depois, o site já estava de volta à atividade.

Um dos amigos advogados para quem enviei cópia daquele e-mail respondeu-me em particular perguntando se eu queria que enviasse ao provedor uma notificação extrajudicial. Felizmente, naquele momento não seria mais necessário.

Foi a primeira vez em minha vida que recorri a uma ameaça de ação judicial para resolver problema em uma relação comercial. Aliás, nunca recorri a esse expediente para resolver problema de tipo algum. Sou do tipo que dá um boi para não entrar em uma briga e dois para permanecer fora dela. Só mesmo uma inspiração vinda do Alto me faria sair de minha linha de ação padrão, ainda mais por meio de um e-mail contendo alguns termos e expressões inequivocamente inspirados e que surtiram o efeito desejado.

Infelizmente, porém, minha confiança naquela empresa foi quebrada e, apesar de todas as desculpas e promessas de não repetição do problema, não me sinto mais confortável para permanecer como cliente dela. Até porque o fato de nunca me terem sido informados os motivos de todas as três suspensões da conta significa que, sem poder evitar o problema, é certo que se repetirá — e não há porquê eu deva ver esse filme de novo.

Sinto-me muito feliz e grato por fazer por merecer orientação de Deus em momentos de dificuldade, digno de ver cumprida em mim a promessa que fez ao dizer:

Sim, eis que eu te falarei em tua mente e em teu coração, pelo Espírito Santo que virá sobre ti e que habitará em teu coração. Ora, eis que este é o espírito de revelação; eis que este é o espírito pelo qual Moisés conduziu os filhos de Israel através do Mar Vermelho, em terra seca. (D&C 8:2-3).

[ATUALIZADO em 5 de janeiro de 2009] — Em 24/12 último (véspera de Natal), já tendo concluído o processo de migração de todos os meus sites para o novo servidor, enviei comunicado ao provedor antigo solicitando o encerramento de minha conta nele. Foi somente hoje, 12 dias depois, que recebi resposta. Imagine se eu ainda fosse cliente deles e tivesse tido um problema qualquer que requeresse suporte nesse período! Pelo visto, caí fora bem na hora.

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O primeiro dízimo de uma vida

O que você vê ao lado é o recibo de pagamento do primeiro dízimo de meu filho, Giancarlo, de 4 anos. O recibo foi preenchido por ele mesmo. É claro que a iniciativa não foi dele, pois há poucas coisas na vida que ele já é capaz de compreender. Mas minha iniciativa tem o intuito de, no futuro, servir-lhe de lembrete da importância de obedecermos aos mandamentos de Deus e de nossa responsabilidade perante Ele de ensinar Seu Evangelho aos filhos.

Aceito sem reservas o dízimo como um mandamento de Deus. Cumpro-o fiel e integralmente. Já tive diversas demonstrações do cumprimento da promessa feita por Ele a quem paga o dízimo:

Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes.

E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos. (Malaquias 3:10-11)

Tenho uma marcante experiência que ilustra o cumprimento dessa promessa.

Em abril de 2003, a placa-mãe do computador portátil que eu usava para trabalhar foi danificada por um curto-circuito na fonte. A máquina já tinha três anos de uso. Além disso, a vida útil da bateria já havia terminado e passei alguns meses utilizando a máquina sem bateria mesmo. Uma nova custava algo em torno de 300 dólares (pela cotação da época, sairia por cerca de R$ 700, fora imposto de importação e frete) e eu não tinha esse dinheiro, nem mesmo para mandar consertar a máquina.

Minhas alternativas eram: ficar sem computador por não poder pagar uma pequena fortuna pelo conserto ou afundar-me ainda mais em dívidas para pagá-lo. Nenhuma das alternativas era boa e eu não via outras. Passei vários dias angustiado, sem saber o que fazer. Então resolvi recorrer ao Senhor em busca de socorro.

Minhas orações logo começaram a receber resposta. Passei a sentir-me mais aliviado e calmo em relação a essa aflição. A idéia de acionar o suporte do fabricante da máquina parou de causar-me arrepios pelo provável alto custo do reparo. Comecei a sentir que poderia confiar no Senhor para essa solução. Passei alguns dias ponderando a respeito dessas impressões até que decidi segui-las.

Antes de pegar o telefone e acionar o serviço de suporte, dobrei meus joelhos e disse ao Senhor o que estava prestes a fazer. Em resposta, senti-me absolutamente confortado. “Paz seja contigo. Confia em mim”, foram as palavras postas em minha mente naquele momento. Senti perfeita confiança no que estava por fazer, mesmo sem saber de antemão como poderia pagar pelo conserto. Imaginei que o Senhor providenciaria um meio de ganhar o dinheiro necessário para isso, talvez vendendo meus dicionários ou prestando algum serviço extra. Eu não sabia.

Fiquei sabendo semanas mais tarde. Através da secretária do gerente de suporte do fabricante, fui informado de que a troca do circuito danificado e da fonte de alimentação haviam sido aprovadas para serem feitas como se a máquina ainda estivesse na garantia, por algum misterioso motivo. Eis porquê o Senhor havia me dito que não me preocupasse: Ele havia preparado essa bênção para mim.

Por si só ela já era grande o bastante para me deixar prostrado perante Ele. Mesmo sem bateria, o importante era ter a máquina funcionando. Mas o tamanho da surpresa Dele para mim ainda estava para ser revelado.

Duas semanas depois da data estimada para a devolução da máquina, nem sinal dela. Liguei para o serviço de suporte pedindo notícias. Estavam aguardando a chegada de uma peça que tinham mandado importar. “Ué, mas a informação que me foi dada era de que a máquina já estava pronta!”, respondi à atendente. Foi então que ouvi a notícia que só não me fez cair de costas porque eu já estava sentado: a peça que haviam mandado importar, e que também foi incluída na garantia, era a bateria que eles não tinham obrigação nenhuma de trocar!

Atribuo essa bênção maravilhosa à obediência à lei do dízimo.

…e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu…

A melhor aula sobre o dízimo que já tive na vida foi dada pelo Élder Lynn G. Robbins, dos Setenta, na Conferência Geral de abril de 2005. Em seu discurso, ele deu uma bela lição sobre o assunto baseada no episódio bíblico da viúva de Sarepta, cuja leitura recomendo fortemente a quem quiser compreender melhor a importância da lei do dízimo e as bênçãos associadas a ela.

Eis porque estou ensinado esse princípio a meu filho desde sua tenra idade. Quero para ele as mesmas bênçãos que recebo e quero que sejam perpétuas. Que nosso Pai Celestial me ajude a incutir nele o sentimento de necessidade de ser-Lhe fiel até o fim.

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Se uma guerra não pode ser evitada, que seja de idéias, não de pedras

O mundo testemunhou fatos históricos esta semana. O mais significativo deles foi a eleição de Barack Obama para presidente dos Estados Unidos. Aproveitando o dia de eleição, um grupo de Estados americanos incluiu no pleito de terça-feira (5) propostas sobre diversos assuntos, incluindo mudanças na legislação sobre aborto, drogas, educação e casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em três desses Estados — Califórnia, Flórida e Arizona —, a maioria da população optou por dizer não ao casamento gay. No caso da Califórnia, cerca de 52% dos eleitores decidiram aprovar a inclusão na Constituição estadual da seguinte frase: “Apenas o casamento entre um homem e uma mulher é válido e reconhecido na Califórnia”. Ao todo, 27 Estados americanos já haviam proibido o casamento gay antes desta eleição, casamento que havia sido legalizado na Califórnia pela Suprema Corte estadual em junho.

Inconformados, cerca de dois mil homossexuais californianos organizaram muitos protestos contra a proibição, conhecida como Proposition Nº 8. Parte desses protestos concentrou-se ao redor do Templo de Los Angeles, provocando o fechamento temporário do templo. Os manifestantes gritavam palavras de ordem contra a Igreja por ter apoiado a Proposta 8 e incentivado os membros a apoiá-la inclusive com doações financeiras. Os membros californianos da Igreja atenderam ao chamado da Primeira Presidência e, segundo estimativas, doaram ao todo cerca de US$ 20 milhões à causa vencedora. Por isso, os homossexuais revoltados acusam a Igreja de ter comprado o resultado, dentre outras calúnias bem menos suaves.

No cerco que promoveram ao Templo de Los Angeles, os enraivecidos defensores da causa gay picharam e escalaram seus muros gritando “Vergonha!” e “Fanáticos!”. O site do jornal Los Angeles Times publicou dezenas de fotos dos manifestantes escalando os muros do templo, fazendo sinais e, nos casos mais inflamados, sendo presos pela polícia. De acordo com notícias, um ativista gay ligou para o templo dizendo que estariam protestando do lado de fora em caráter permanente enquanto o casamento gay não fosse legalizado. Dentre as pichações no muro do templo lia-se “Voltem para Utah” e “Mórmons vão para o inferno”.

Ainda segundo notícias, os manifestantes prometeram perseguir a Igreja, atacar sua condição de isenta de impostos e infernizar a vida dos membros que fizeram doações em dinheiro à causa anti-casamento gay, relacionados no site Mormonsfor8.com.

Um artigo do site FamilyLeader.info conta que um membro da Igreja residente na área comentou o episódio dizendo: “Não entendo bem a reposta de nossa polícia (embora eu mesmo seja policial). Se isso estivesse acontecendo em uma sinagoga de judeus ou em uma igreja católica, estaríamos prendendo pessoas por crime de ódio. Tal como as coisas estão neste momento, os manifestantes estão sentados no muro do templo e a polícia está no chão, do lado de dentro. Membros da Igreja em nossa região foram convocados na noite passada para irem à sede da estaca e passarem a noite lá para proteger o edifício do vandalismo — é como se fosse há 150 anos”.

Curiosamente, a política de raivosa intimidação promovida pelos ativistas gays contra a Igreja deixou de lado todas as demais agremiações religiosas que também apoiaram a Proposta 8. Embora nenhum prédio de outras igrejas tenha sido atacado como foi o Templo de Los Angeles, gays e aliados têm destilado veneno contra cristãos de modo geral.

Um artigo do site WorldNetDaily.com observa que blogs gays têm efervescido em ameaças contra os que professam crença em Cristo. “Queimem suas igrejas e depois cobrem impostos das cinzas”, escreveu um ativista gay em um blog. Em outro, alguém disse: “Espero que os anti-8 tenham facas bem grandes”. Escreveu-se também: “Alguém na Califórnia poderia botar fogo nos templos mórmons de lá, POR FAVOR? Falo sério! Façam isso!”

Ameaças contra a vida também foram feitas pelos gays, segundo o WorldNetDaily. Um deles disse: “Creia-me: tenho uma longa lista de nomes de mórmons e católicos que foram grandes apoiadores da Proposta 8… Aconselho-os a tomarem cuidado”. Outro escreveu: “Se você estiver planejando um casamento heterossexual na Califórnia… esteja preparado para enfrentar os piqueteiros. Designem alguém para tomar conta do estacionamento… Vocês terão muitas despesas inesperadas. Adicionem US$ 500 a seu orçamento para segurança… Estejam preparados para colocar flores em outros locais além da recepção… ou para um gosto esquisito no bolo de casamento. Tenham medo. Tenham muito medo. Estamos em toda parte”.

Em Salt Lake City, cidade onde se situa a sede da Igreja, também houve hostilidades contra ela. Segundo este artigo (com vídeo) do KLS.com, entre 3 e 5 mil pessoas se concentraram ao redor da Praça do Templo gritando ofensas contra a Igreja. Testemunhas disseram que houve quem fizesse ameaças de morte ao Presidente da Igreja, Thomas S. Monson.

Mas entre os gays também há pessoas de bom senso que, embora aborrecidas, condenam tais atitudes extremadas. De acordo com o artigo do WorldNetDaily, Matt Barber, diretor de assuntos culturais do Liberty Counsel, chamou as ameaças de “crimes de ódio” por seu intento de gerar violência contra alguém por causa de sua crença e convocou o Human Rights Project, o National Gay and Lesbian Task Force e “outros líderes dentro do lobby homossexual” a incentivar o fim de tais ameaças.

Jacob Whipple, organizador da manifestação de Salt Lake City, teve que se desculpar pelos ânimos exaltados de alguns. “Peço desculpas. Isso passou um pouco do limite. Não quero ferir sentimentos de qualquer lado do problema”. Um membro do legislativo do Estado de Utah lembrou à multidão que o mundo os estava observando. “Que protestemos com civilidade e respeito, pois apreciamos a liberdade de religião e de expressão”.

Em resposta aos prostestos, a Igreja pronunciou-se dizendo:

É perturbador que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tenha sido a única a levantar a voz como parte de seu direito democrático em uma eleição livre.

Os membros da Igreja na Califórnia e milhões de outros de todas as religiões, etnias e afiliações políticas que votaram a favor da Proposição 8 exerceram o mais sacrossanto e individual direito dos Estados Unidos: o de livre expressão e voto.

Apesar de aqueles que discordam de nossa posição terem o direito de fazerem seus sentimentos serem conhecidos, é errado transformar a Igreja e seus lugares sagrados de adoração em alvo, já que são parte do processo democrático.

Novamente, conclamamos aos envolvidos no debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo a agir em espírito de respeito mútuo e civilidade uns para com os outros. Ninguém, em nenhum dos lados da questão, deve ser difamado, perseguido ou submetido a informação errônea.

Sensibilizada por tais eventos, a Igreja Católica Apostólica Romana prestou apoio formal a A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias na luta pela família e contra o casamento gay.

Agora, a minha opinião.

Ódio não é coisa de Deus. Quem quer que o promova está a serviço do inimigo de Deus, que é Satanás. Mesmo quem não acredita em Deus (ou em Satanás) sabe que fomentar o ódio é errado. Essa não é a maneira certa de se lutar por um ideal.

Se a lista de igrejas e instituições que apoiaram a Proposta 8 tem várias páginas de extensão — batistas, católicos, episcopais, protetantes, cristãos sem denominação específica, judeus, negros, etc. —, por que só nós é que estamos sendo alvo do ódio gay? Por quê só um pequeno grupo em particular tem que estar sob ataque quando a maioria de uma população expressou sua opinião através de uma eleição livre?

Nós, membros da Igreja, somos ensinados a votar e agir de acordo com os ditames de nossa consciência e concedemos a todos o mesmo direito.

Tenho amigos gays e por eles sinto amor fraternal. Não concordo com o estilo de vida deles e eles sabem disso, mas nem por isso perco o respeito por eles. Na Igreja somos ensinados a amar os pecadores, mas não o pecado.

Acredito que os gays e seus aliados que deixaram sua indignação transformar-se em vandalismo acabaram prestando um desserviço à própria causa. O pedido de Matt Barber, as desculpas de Jacob Whipple e as palavras do legislador de Utah são prova disso.

Pessoalmente, fiquei satisfeito em saber que a Proposição 8 foi aceita e a Constituição da Califórnia terá a inclusão da definição de casamento como sendo apenas entre um homem e uma mulher. Meus motivos para isso estão claramente expostos em meu artigo Por que sou contra o casamento gay. A diferença é que, se minha causa tivesse saído perdedora, como a deles saiu, eu não iria para a rua vandalizar os gays nem escreveria ameaças contra eles em blogs. Por mais antinatural e atentador contra as leis de Deus eu ache que é o homossexualismo e por mais que me sinta incomodado pela atitude gay de tentar impor sua vontade à força e no berro, isso não me dá o direito de querer fazer o mesmo. O que vimos nessas manifestações foi claramente a poderosa e perniciosa influência de Satanás na vida de pessoas sem Deus.

Por lei, a Igreja tem o direito de se manifestar em questões de ordem moral. E é também o que faço neste blog. Foi o que fiz quando me manifestei contra o casamento gay ao vivo em rede nacional de TV. Dentro dos limites estabelecidos pelas leis de Deus e dos homens, todos temos o direito de manifestar nossas idéias. Mas o que os gays fizeram ultrapassou em muito esses limites. Tais atitudes devem ser condenadas e reprimidas. Se acham que têm o direito de lutar pela aprovação de seus valores pela lei dos homens (já que jamais conseguirão mudar as leis de Deus em favor de seus interesses), devem fazê-lo na arena correta: a dos poderes legislativo e judiciário. Foi exatamente isso o que a Igreja fez. Essa é a maneira certa. Se uma guerra não pode ser evitada, que seja de idéias, não de pedras. Convoco meus irmãos homossexuais a fazerem o mesmo. O espaço para comentários deste artigo está aberto para isso.

[ATUALIZAÇÃO, 10/nov/2008]: Meu amigo Oswaldo de Moura mandou-me artigo escrito por um oficial da polícia de Los Angeles, Paul Bishop, que é membro da Igreja e que participou do trabalho de vigiar os protestos dos gays. Ele resumiu o que viu, ouviu, sentiu e aprendeu com as manifestações de ódio dos gays e de seus aliados e, no fim, dá conselhos de deslumbrande beleza e inspiração sobre como lidar com esse tipo de oposição — conselhos que me fizeram perceber que preciso me arrepender em alguns pontos.

Leia o artigo completo (em inglês), ilustrado com diversas fotos, em www.ldsmag.com/ideas/081110hate.html.

[ATUALIZAÇÃO, 14/nov/2008]: Enquanto mais capelas estão sendo vandalizadas, vidros quebrados, muros pichados e outras coisas mais nos estados de Utah e da Califórnia, um envelope branco contendo um pó branco foi encontrado em meio à correspondência endereçada ao Templo de Salt Lake. Os bombeiros foram chamados, o templo foi evacuado e pessoas que tocaram o envelope estão sendo examinadas enquanto não se sabe o que o envelope contém. Outro envelope com pó branco foi enviado ao Templo de Los Angeles. A polícia e o FBI estão investigando o caso. Veja reportagem (em inglês) com vídeo. Há também reportagens em português das agências Reuters e Associated Press.

Sete localidades e edifícios já foram queimados desde 16 de agosto em Brigham City, no norte de Utah, cidade fundada por Brigham Young onde se concentra grande grupo de descendentes dos pioneiros e é a cidade natal do Élder Boyd K. Packer, do Quórum dos Doze, e também onde o Pres. Lorenzo Snow está enterrado. Os silos de grãos incendiados e outras duas propriedades são de pessoas que doaram dinheiro para a campanha pró-Proposição 8. Veja reportagem (em inglês) com vídeo.

Inconformado e sem entender o porquê de toda essa sandice, um católico que doou US$ 20 mil a favor da Proposição 8 escreveu protesto solidário a A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Leia (em inglês) aqui.

Os élderes Dallin H. Oaks, do Quórum dos Doze, e Lance B. Wickman, dos Setenta, deram entrevista em que falam sobre a Proposta 8.

Comentário interessante que li em uma comunidade do Orkut:

“Os mais liberais (homosexuais), que cobram das pessoas uma mente aberta e sem preconceitos e levantam a bandeira da aceitação e da igualdade, estão dando uma bela demonstração de como lidar com os que não aceitam sua maneira de ser.”

É o velho “faça o que digo, mas não faça o que faço”. Isso tem um nome: hipocrisia.

[ATUALIZAÇÃO, 15/nov/2008]: A Primeira Presidência da Igreja emitiu nota oficial em que diz:

Desde quando o povo da Califórnia votou por reafirmar a santidade do casamento tradicional entre homem e mulher, em 4 de novembro de 2008, locais de adoração têm sido alvo de opositores da Proposição 8 com protestos e, em alguns casos, vandalismo. Pessoas de fé têm sido intimidadas por simplesmente exercer seus direitos democráticos. Estas não são ações dignas dos ideais democráticos de nossa nação. O fim de uma eleição livre e justa não deve ser o início de uma resposta hostil nos EUA.

A Igreja tem plena consciência das diferenças de opinião neste assunto sensível e difícil. Os motivos desta posição em defesa do casamento já foram divulgados. No entanto, parte do que temos visto desde que os californianos votaram a favor da Proposição 8 tem sido profundamente desapontador.

Ataques a igrejas e intimidação a pessoas de fé não têm lugar no discurso civil sobre questões controversas. Pessoas de fé têm o direito democrático de expressar sua visão em praça pública sem temer represálias. Esforços para tirar cidadãos da discussão pública devem ser deplorados por pessoas de boa vontade em todo lugar.

Conclamamos os que têm discordâncias honestas sobre o assunto a desencorajar a prática de atos extremos por alguns que estão polarizando ainda mais nossas comunidades e fazer com que ajam em espírito de respeito mútuo e civilidade uns para com os outros.

[ATUALIZAÇÃO, 3/dezembro/2008]: O site do jornal Los Angeles Times publicou ontem opinião do editor em que se diz abismado com a reação ilógica e incoerente dos gays e liberais californianos contra a Igreja, considerando que, se a iniciativa de incentivar firmemente seus membros a apoiar a Proposição 8 tivesse vindo, por exemplo, dos judeus, não só não teria havido tamanha revolta dos gays e liberais como também, se tivesse havido, a reação da sociedade teria sido bem mais pungente. Ele se pergunta o porquê dessa diferença de tratamento e pondera: “É que os mórmons são a mais vulnerável das denominações religiosas culturalmente conservadoras e, portanto, o alvo mais fácil para uma campanha organizada contra a liberdade de consciência religiosa”. A leitura do artigo completo é altamente recomendável para ampliar a compreensão da questão.

 

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Fé para obter de Deus uma resposta

Dia desses alguém visitou este meu blog e me enviou mensagem através da página de contato. A pessoa identificou-se apenas como “Philo2000”. Em sua mensagem ele disse:

Marcelo,

Olha, tá certo, eu vi a sua participação no Superpop, sua opinião é válida, está concomitante aos ensinos da Igreja, você foi prudente e coerente. É muito inteligente.

Mas Marcelo, olha, o negócio são os documentos históricos da Igreja, o famosíssimo History of the Church. Marcelo faz um tempão que eu preciso conversar com alguém estudado da Igreja.

Marcelo, olha, o primeiro livro da história da Igreja é o diário de Joseph Smith, lá o profeta deixa bem claro: eu traduzi parte das placas de Kindhoker. Marcelo, ele mesmo escreveu que traduziu, ele mesmo escreve no diário que elas eram o registro de um descendente do Faraó. Marcelo, elas eram inscrições em uma caixa de chá Chinesa! Assim não DÁ! não tem testemunho que segure essa! E pior, irmão, lá no site do Mórmon Wiki a igreja diz que Joseph nunca traduziu essas Placas.

A igreja concorda com o que Joseph escreveu mas diz que ele não traduziu nada, pois se provou serem uma farsa. Isso é o bastante para desqualificá-lo como profeta! Bastou isso.

Sem nem entrar no assunto de Zelph, lamanita que ficou branco, e muito menos o fato de na América não terem existido nefitas, lamanitas, jareditas… Olha aqui nós tivemos maias, incas e aztecas, guaranis, tupis, sioux, etc

Os estudos desses povos não mostram em nenhuma época contato com civilizações tão avançadas como as descritas no Livro de Mórmon. Os nefitas eram avançadissimos, tinhas grandes edifícios, democracia, templos cristãos, não dava pra Cristo ter vindo à América causar um grande terremoto e destruição como aquele que acreditamos será na Segunda Vinda, a visita do Salvador teria instituído o Cristianismo em toda a América. Não há resquício, vestígio, etc. NADA.

Essa coisas não podem se resolver somente pela fé, porque o Livro de Mórmon é considerado um registro histórico e história é ciência, e não FÉ.

Testemunho? é pura PNL, é só ficar repetindo e dizendo “Eu sei que a igreja é verdadeira”. Quando a gente ora tem um sentimento de paz e logo a igreja que vincular esse sentimento à confirmação de alguma coisa. A gente sente paz orando por qualquer coisa. É só orar e sentir um pouco aliviado.

E o egípcio reformado?

Santa paciência, Marcelo!

Abração e um beijo no coração.

Essa pessoa deve ter passado um bom tempo examinando esses sites cheios de lixo antimórmon. É triste ver que seu testemunho não resistiu a uma prova tão elementar como essa. Buscar conhecimento nesse tipo de site é como pedir aos nazistas que contem a história dos judeus. O pior é que há quem acredite no que os nazistas dizem dos judeus.

Há muitos sites históricos e científicos que mostram os “judeus” pelo ponto de vista que não interessa aos “nazistas”, dentre os quais destaco o The Neal A. Maxwell Institute for Religious Scholarship. Eu poderia fazer uma bela compilação deles aqui, mas me pergunto se isso é mesmo necessário. Se temos o grande Dono da Verdade à disposição para nos ajudar a angariar luz e conhecimento por meio do estudo das escrituras e da oração, não entendo porquê alguém precisa de outra fonte.

Em minha resposta escrevi:

Caro Philo2000,

Obrigado por sua visita a meu blog e por seu contato.

Veja bem, não tenho conhecimento técnico, científico, histórico ou secular de qualquer tipo em grau suficiente para confirmar ou contestar qualquer das alegações da Igreja ou de seus críticos.

O detalhe é que não tenho nem quero ter.

Não preciso de nenhum conhecimento secular para saber que Deus falou comigo e me disse que esta Igreja é a Dele, que Joseph Smith foi (e ainda é) um profeta Dele, que o Livro de Mórmon provém Dele e tudo mais.

Não li essas coisas em um livro nem ouvi de algum homem. Foi o próprio Deus Todo-Poderoso quem o disse a mim diretamente, sem intermediários.

Então como é que eu poderia duvidar da palavra Dele?

Meu raciocínio é bem simples: se Criador do Universo me disse que estas coisas são verdadeiras e se há homens que alegam o contrário, em qual dos lados possivelmente está a falha?

Se você admite que Deus é perfeito, então sua conclusão lógica é a de que a falha não pode estar no lado Dele, portanto necessariamente tem que estar no lado do homem.

Eis porque nenhum dos seus questionamentos me incomoda. Sinto-me perfeitamente seguro dentro do conhecimento de que Deus falou comigo (e você JAMAIS poderá dizer que não falou) e disse o que disse. E essa verdade eu defendo até minha última gota de sangue, se for preciso.

No seu caso, parece-me que o problema não é uma eventual constatação da “falsidade” das alegações da Igreja, e sim a perda da fé em Deus. Se você exige provas seculares da veracidade da doutrina e história da Igreja para sustentar sua fé, então deve exigir também das alegações da Bíblia quanto ao Jardim do Éden, Adão e Eva, Arca de Noé e até do próprio Salvador Jesus Cristo e Sua ressurreição — tudo isso são coisas cuja comprovação só se pode obter espiritualmente. Trata-se do mesmo alicerce espiritual fundamentando ambos os lados: Bíblia e Livro de Mórmon. Retire esse alicerce e ambos desmoronam. Eis o que acho ter acontecido em seu caso.

O fato é que sua eventual perda de fé em Deus em nada modifica o fato de que Ele existe e pode nos falar pessoalmente sobre a veracidade dessas coisas, desde que assim o desejemos e nos sujeitemos a ouvir Sua resposta à maneira Dele, não à nossa.

Diga-me uma coisa: qual seria sua atitude se, apesar do que diz todo esse lixo antimórmon por aí, Deus lhe dissesse pessoalmente que a Igreja e o Livro de Mórmon são verdadeiros? Preferiria acreditar no lixo ou Nele? Se você responder que preferiria crer Nele, então por que é que ainda está indo buscar respostas no lixo?

Fica aí o questionamento para você pensar.

Agora diga-me você, nos comentários abaixo, se não é uma questão de lógica o fato de que, se Deus é prefeito, não há como Ele dar respostas diferentes às pessoas sobre um mesmo assunto. Ele não pode dizer a mim que Joseph Smith é um de Seus profetas e a outro que não é. Ele não é Deus de confusão.

Isto posto, nosso desafio é exercer nossa fé para obter Dele uma resposta. Uma vez obtida, e sabendo-se inequivocamente ter vindo Dele, não faz sentido supor que pode haver qualquer fundo de verdade nas alegações em contrário. Doutra forma, admite-se que Deus não é perfeito e não conhece a verdade, premissa que aqui admitimos ser falsa.

Falando francamente, NUNCA me interessei em averiguar onde estão os erros nas ladainhas dos críticos. Não me sinto na necessidade de dar-lhes resposta. Primeiro, porque nada do que digam ou façam me atinge. Segundo, porque não há limite para a fertilidade da criatividade humana, capaz de inventar as mais tresloucadas teorias com as quais tentam embasar suas acusações. E aqui retornamos ao ponto de partida: como saber quem está com a razão?

A saída é a mesma: exercendo fé para obter de Deus uma resposta. Quem quer que o faça e aja de acordo com a resposta recebida Dele, jamais estará errado — digam os homens o que disserem.

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“Que nossa voz seja ouvida”

Em setembro de 2004, nosso saudoso Pres. Gordon B. Hinckley instou os membros da Igreja a não se calarem diante da sempre crescente ampliação da iniquidade e da imoralidade nos meios de comunicação, particularmente a TV (Oposição ao Mal, A Liahona, pg. 3). Ele disse:

A enxurrada de imundície pornográfica e a descabida ênfase no sexo e na violência não se restringem à América do Norte. A situação está igualmente ruim na Europa e em muitos outros lugares. O triste panorama global indica uma desintegração do próprio cerne da sociedade.

As restrições legais aos comportamentos imorais estão perdendo a força por causa de decretos legislativos e decisões judiciais. Isso é feito em nome da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa e da liberdade de escolha nos assim chamados assuntos pessoais. Mas o fruto amargo dessas supostas liberdades tem sido a escravização das pessoas a hábitos e comportamentos imorais que somente conduzem à destruição. Um profeta, falando há muito tempo, descreveu esse processo de modo muito preciso, ao declarar: “E assim o diabo engana suas almas e os conduz cuidadosamente ao inferno”. (2 Néfi 28:21)

O Pres. Hinckley acha que não precisamos ficar calados, “permitindo que a imundície e a violência nos dominem, nem precisamos fugir em desespero”. Para ele, se um número suficiente de pessoas que não gosta dessa situação simplesmente abrir a boca e manifestar sua opinião contrária a esse estado de coisas, é possível reverter a situação. “Não é provável que consigamos algo pelo qual não nos manifestamos”, disse ele, acrescentando:

Que nossa voz seja ouvida. Espero que não seja de modo estridente, mas que falemos com tamanha convicção que aqueles a quem nos dirigimos saibam da força de nosso sentimento e da sinceridade de nosso empenho. (…) Falem aos que elaboram as normas, estatutos e leis; aos que governam a nível local, estadual e nacional; e aos que ocupam cargos de responsabilidade como administradores de nossas escolas. Evidentemente, haverá aqueles que nos baterão a porta na cara, que desprezarão nosso empenho. Podemos sentir-nos desanimados. Sempre foi assim. (…) Creio que o Senhor nos diria: “levanta-te e põe-te sobre teus pés e manifesta-te em defesa da virtude e da decência”.

Foi imbuído desse espírito que decidi incluir em meu blog um artigo em que manifesto minha posição contrária à legalização da união civil homossexual, o qual já me rendeu até convite para participar de programa de TV.

O passo mais recente nesse sentido deu-se neste fim de semana. Conversando com um amigo por e-mail, manifestei-lhe meu desagrado com o nível moralmente baixo de programas humorísticos como o Casseta & Planeta, da TV Globo. Enquanto discorria sobre o tema, pensei que de nada valeria aquela conversa se eu não fizesse minha opinião chegar a quem realmente deve ouvi-la, que é a produção do programa. Então procurei o site do programa e enviei-lhes o seguinte:

Eu gostaria muito de assistir ao programa, mas não posso. Ele não se encaixa em meus padrões de qualidade. O programa apela muito para o erotismo e o sexo. Humor do bom não precisa ser feito recorrendo-se a esse expediente. Enquanto isso não mudar no programa (e talvez nunca mude, certo?), não vou assisti-lo. É pena, os caras são bons e eu gostaria muito de rir com eles, mas se a cada 30 segundos vem uma piadinha de duplo sentido (ou de sentido explícito mesmo), prefiro economizar energia elétrica mantendo a TV desligada. Um abraço!

Para minha surpresa, alguém da Globo respondeu. A pessoa, que não se identificou, disse que minha crítica seria levada à direção do programa.

“Menos mau”, pensei.

Por algum motivo que foge à minha compreensão, há quem ache que humor obrigatoriamente tem que envolver sexo. Parece que piadas com termos chulos e conotação erótica despertam mais interesse. É triste. Há tanto humor bom que pode ser feito sem isso!

Este artigo tem o propósito de tentar despertar no leitor o sentimento de necessidade de manifestar-se aos meios de comunicação quando algo não o agradar. Sei que a maioria dos que vierem a ler este artigo não concordará com minha queixa contra o Casseta & Planeta — aquele meu amigo com quem eu conversava sobre o programa, por exemplo, acha minha atitude o cúmulo da “quadradice” –, mas, seja neste ou em outros aspectos, é senso comum que há muita porcaria na TV. Então não fique calado! Mande e-mails, faxes ou cartas às emissoras de rádio e TV, revistas, jornais etc. que veicularem algo de que não goste. Seja fiscal. Não se omita. Da mesma forma como alguém da Globo respondeu a mim — e, com alguma sorte, terei minha queixa realmente levada a quem de direito lá dentro –, muito provavelmente sua voz de protesto também chegará a algum lugar. Como disse o Pres. Hinckley, se um número suficiente de pessoas que não gosta dessa situação simplesmente abrir a boca e manifestar sua opinião contrária a esse estado de coisas, é possível reverter a situação. Que estamos esperando?

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“Eis que falarei em tua mente e em teu coração”

O Guia de Estudo das Escrituras define o termo escritura como “palavras escritas ou faladas por homens santos de Deus quando sob a inspiração do Espírito Santo”. Considerando que o Espírito inspira muitos desses homens santos no desempenho da obra do Senhor, muita escritura nova é produzida a cada dia. Eis porque diversos profetas modernos nos ensinaram e continuam ensinando que devemos manter registros pessoais das coisas que recebemos de Deus por inspiração do Espírito, pois esse registro se torna escritura sagrada para quem o escreve e o lê. Meu próprio diário pessoal já se revelou uma poderosa escritura sagrada para mim mesmo e para outros, como testifico neste artigo deste blog.

Tenho um caderno no qual costumo registrar tópicos das reuniões de liderança das quais participo na Igreja. Ele está repleto de anotações sobre tarefas a fazer, citações de escrituras inspiradoras, designações de minha liderança e muitas outras coisas. Uma seção especial desse caderno foi destinada a registrar instruções dadas por uma autoridade-geral da Igreja que presidiu a conferência de minha estaca em janeiro de 2006. Era o Élder César Milder, dos Setenta. Com exceção dos poucos membros do Quórum dos Doze Apóstolos cujo privilégio de ouvir pessoalmente já tive, o Élder Milder é um dos homens mais inspirados de quem já recebi instruções.

Na seção do sacerdócio daquela conferência, o Élder Milder projetou diversos slides com instruções e mensagens inspiradoras. Fiz questão de anotar cada vírgula do que nos mostrou. Sorver todo aquele conhecimento, experiência e inspiração foi uma experiência assaz edificante para mim. Muitas pérolas de conhecimento doutrinário e inspiração do Espírito nos foram transmitidas na ocasião. Foi por meio daquele homem muito especial que recebi uma das mais poderosas revelações de minha vida, por meio da qual o Senhor manifestou-me, de uma maneira que me fez estremecer, Sua opinião sobre algo que eu planejava fazer e que mudou o curso de minha vida, o de minha família e, conseqüentemente, nossos destinos eternos. Posso dizer que, se hoje tenho uma família selada a mim no templo, em grande parte foi graças ao que o Élder Milder testificou ter sido inspirado a dizer-nos naquela conferência. Como poderia eu deixar de registrar tão marcantes instruções e impressões?

Parte das instruções e ensinamentos que nos deu naquela seção do sacerdócio diz respeito justamente ao recebimento de revelações pessoais de Deus. Os slides que nos mostrou diziam:

  • Sem revelações, não podemos governar a Igreja do Senhor (nem nossas vidas, nem nossas famílias);
  • Trata-se geralmente de um processo sereno e interior, porém real e muito poderoso;
  • Somente com revelação podemos fazer o trabalho do Senhor conforme a vontade Dele, à maneira Dele e no momento Dele;
  • A maior parte das revelações é recebida da seguinte maneira: Sim, eis que eu te falarei em tua mente e em teu coração, pelo Espírito Santo que virá sobre ti e que habitará em teu coração. Ora, eis que este é o espírito de revelação; eis que este é o espírito pelo qual Moisés conduziu os filhos de Israel através do Mar Vermelho, em terra seca. (D&C 8:2-3);
  • Vivemos bem aquém de nossos privilégios;
  • À medida que nos elevarmos à altura de nossos privilégios de revelação, poderemos erguer a Igreja como nunca (ou nossa vida, ou nossa família);
  • Revelação não acontece apertando botões, mas esforçando-nos freqüentemente com o auxílio do jejum, do estudo das escrituras e de reflexão pessoal;
  • Pedimos que ensinem outras pessoas a respeito da revelação;
  • Temos confiança em sua capacidade de procurar e receber revelação pessoal;
  • Nossos rebanhos na Igreja merecem pastores que conheçam Jesus Cristo e saibam como receber revelação.

Isso e muito mais está registrado naquele caderno que não vendo nem ao preço de meu peso em ouro (quase 100 kg).

Muitas pessoas já receberam revelação por meio da visão de seres celestiais, ou ouvindo uma voz, ou por sonhos. Na maioria das vezes, contudo, a revelação vem através de impressões resultantes da mescla de pensamentos e sentimentos confirmadores de sua origem celestial. Não há uma fórmula única para todos: cada um está sujeito a receber revelações de Deus da maneira como atender melhor a Seus propósitos. Minha experiência pessoal com o recebimento de revelações me ensinou que, conforme evoluímos espiritualmente, o Espírito pode nos transmitir a vontade ou conselho do Senhor por meio de pensamentos que nem sempre vêm acompanhados de sentimentos confirmadores, mas sobre cuja origem divina não há dúvidas. Somente a prática e o desenvolvimento do dom do discernimento podem nos ensinar a separar os pensamentos oriundos Dele dos de nossa própria mente.

Esta manhã tive mais uma dessas experiências, a qual gostaria de compartilhar com o leitor.

Como membro do sumo-conselho de minha estaca, dirigi-me bem cedo à capela sede da estaca para mais uma reunião. Como tenho algum conhecimento musical, a presidência da estaca geralmente me convida a reger o hino de abertura das reuniões. Outro irmão é convidado a fazer a primeira oração e um terceiro, a deixar um pensamento espiritual. Então começam as deliberações do dia.

Enquanto aguardava o início, decidi ler as escrituras. Mas meus pensamentos foram externamente conduzidos no sentido de abrir um volume de escritura ao qual eu não vinha dando atenção ultimamente: justamente aquele meu caderno de anotações.

Seguindo a inspiração que recebi, comecei a folheá-lo desde o início. Ele me trouxe doces recordações da época em que servi como conselheiro no bispado de minha ala. Algumas páginas mais e alcancei o trecho em que fiz as anotações da conferência presidida pelo Élder Milder. A inspiração agora foi no sentido de deter-me naquele trecho e lê-lo com atenção. Eu não sabia porquê deveria fazê-lo, simplesmente senti que deveria. Como sei que essa é a maneira de conduzir do Espírito, deixei-me levar por tal sentimento de dever. Não sou tolo para questionar o Espírito do Senhor.

Alguns minutos mais tarde, a reunião foi aberta. Como de praxe, fui convidado para reger. Mas o hino escolhido era um dos poucos que eu ainda não conhecia. Então outro irmão foi convidado a reger, ao passo que fui designado a dar o pensamento. Enquanto cantávamos o hino, eu pensava sobre o quê poderia falar para inspirar meus irmãos. E, enquanto ponderava, veio mais uma inspiração: eu deveria falar sobre o que havia lido no caderno.

Foi então que entendi porquê fui compelido a reler as anotações de meu caderno: porque eu deveria falar delas para meus irmãos. Algum deles deveria estar precisando ouvir o que eu iria dizer.

Quando me dei conta disso, fui tomado por um penetrante sentimento de satisfação e gratidão ao Senhor por ter sido instrumento em Suas mãos para ajudar a edificar a fé de alguém.

E, mais uma vez, registro e compartilho essa experiência em cumprimento ao ensinamento do Pres. Wilford Woodruff:

Exorto-os a fazerem um registro de todos os atos oficiais de sua vida. Se vocês batizarem, confirmarem, ordenarem ou abençoarem qualquer pessoa ou ministrarem aos enfermos, façam um registro disso. (…) Se o poder e as bênçãos de Deus se manifestarem quando vocês forem protegidos de perigos, (…) registrem tais acontecimentos. Façam um relato das interações de Deus com vocês diariamente. Registrei por escrito todas as bênçãos que recebi e não as venderia nem por ouro.

Acaso não devemos respeitar Deus o bastante para fazermos um registro das bênçãos que Ele derrama sobre nós e dos atos oficiais que realizamos em Seu nome na face da Terra? Creio que sim.

Em vez de negligenciar esta parte de nosso trabalho, todos que puderem devem manter um diário e registrar os acontecimentos à medida que se descortinarem perante nós no cotidiano. Isso será um legado valioso para nossos filhos e de grande benefício para as gerações futuras, pois lhes transmitiremos um histórico verdadeiro da ascenção e progresso da Igreja e reino de Deus na Terra nesta última dispensação, em vez de deixarmos o terreno aberto para que nossos inimigos redijam uma história falsa da verdadeira Igreja de Cristo. (”Ensinamentos dos Presidentes da Igreja — Wilford Woodruff”, capítulo 13, pg. 130-131. A íntegra do capítulo sobre a importância da manutenção de registros pessoais pode ser lida na versão em PDF do livro, que pode ser baixada neste endereço do site da Igreja.)

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Esclarecendo o massacre de Mountain Meadows

Já faz algum tempo que me sinto compelido a publicar algo que esclarecesse um triste episódio envolvendo membros da Igreja do Séc. XIX e que críticos da Igreja adoram usar contra ela.

O texto abaixo é uma tradução livre deste artigo publicado na edição de setembro de 2007 da revista Ensign, às pgs. 14-21.

Meu desejo é o de que este artigo chegue aos olhos e corações de todos os interessados em conhecer a posição oficial da Igreja e compreendam que ela não tem motivos para desculpar-se por algo que não fez.

Como leitura adicional, sugiro esta notícia (em inglês) do Deseret News, que informa não terem sido descobertas evidências de que Brigham Young, presidente da Igreja na época, ordenou o massacre.


 

O Massacre de Mountain Meadows

Por Richard E. Turley Jr.
Diretor do Departamento de História e Família da Igreja

Este mês [setembro de 2007] marca o 150° aniversário de um terrível episódio na história de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Em 11 de setembro de 1857, cerca de 50 a 60 milicianos do sul de Utah, ajudados por aliados indígenas americanos, massacraram aproximadamente 120 emigrantes que viajavam em carroças para a Califórnia. O crime horrível, que poupou apenas 17 crianças de até seis anos, ocorreu em um vale montanhoso chamado Mountain Meadows, cerca de 35 milhas a sudeste de Cedar City. As vítimas, a maioria do Arkansas, estavam a caminho da Califórnia sonhando com um futuro brilhante.

Por um século e meio, o Massacre de Mountain Meadows tem chocado e angustiado quem toma ciência dele. A tragédia provocou profundo pesar nos parentes das vítimas, inflingiu dor e sentimentos de culpa coletiva nos descendentes dos perpretadores e nos Santos dos Últimos Dias em geral, provocou críticas contra a Igreja e levantou questionamentos dolorosos e difíceis. Como pôde isso ter acontecido? Como pôde ter havido participação de membros da Igreja em tal crime?

Dois fatos tornam o caso ainda mais difícil de compreender. Primeiro, nada que nenhum dos emigrantes aparentemente fez ou disse, mesmo que seja tudo verdade, chega perto de justificar suas mortes. Segundo, a grande maioria dos perpretadores levava uma vida decente e pacífica antes e depois do massacre.

Como qualquer episódio histórico, os fatos compreendendo os eventos de 11 de setembro de 1857 requerem compreensão das condições da época, mas apenas um breve resumo deles pode ser compartilhado em poucas páginas de um artigo nesta revista. Para uma leitura mais completa e documentada do evento, o leitor deve consultar o livro O Massacre de Mountain Meadows. [O livro, de autoria dos historiadores SUD Ronald W. Walker, Richard E. Turley e Glen M. Leonard, será publicado em breve pela Oxford University Press.]

Panorama histórico

Em 1857, um exército de cerca de 1500 soldados dos Estados Unidos marchava em direção ao Território de Utah, com mais que viriam em seguida. Nos anos anteriores, discórdias, falhas na comunicação, preconceitos e disputas políticas de ambos os lados criaram um crescente racha entre o território e o governo federal. Diante de tal retrospecto, é fácil ver que ambos os lados exageraram na reação — o governo enviou um exército para acabar com uma suposta traição em Utah e os membros da Igreja criam que o exército vinha para oprimi-los, compeli-los ou mesmo destrui-los.

Em 1858, esse conflito — posteriormente chamado de Guerra de Utah — foi resolvido através de uma conferência de paz e negociação. Uma vez que os milicianos de Utah e as tropas do exército dos EUA nunca chegaram a lutar em campo de batalha, a Guerra de Utah foi caracterizada como “sem sangue”. Mas a atrocidade em Mountain Meadows tornou-a longe de ser sem sangue.

Tal como as tropas estavam a caminho do oeste no verão de 1857, assim também estavam milhares de emigrantes. Alguns deles eram membros da Igreja convertidos indo para Utah, mas a maioria tinha a Califórnia como destino, muitos deles com grandes rebanhos de gado. A temporada de emigração trouxe muitas companhias de carroças a Utah, uma vez que os Santos dos Últimos Dias preparavam-se para o que acreditavam que seria uma invasão militar hostil. Eles já haviam sido violentamente expulsos do Missouri e de Illinois nas duas décadas anteriores e temiam que a história se repetisse.

Brigham Young, presidente da Igreja e governador do território, e seus conselheiros formaram políticas baseadas nessa percepção. Eles instruíram as pessoas a economizar grãos e a preparar-se para guardá-los nas montanhas caso precisassem fugir para lá quando as tropas chegassem. Sequer uma semente de grão deveria ser perdida ou vendida a mercadores ou emigrantes de passagem. As pessoas também estavam guardando munição e mantendo suas armas de fogo em ordem, e os milicianos do território foram postos em alerta para defender o território contra a aproximação das tropas, se necessário.

Essas ordens e instruções foram espalhadas para os líderes em todo o território. O Élder George A. Smith, do Quórum dos Doze Apóstolos, levou-as ao sul de Utah. Ele, Brigham Young e outros líderes pregaram ardentemente contra o inimigo que percebiam no exército que se aproximava e buscaram aliança com os índios para resistir às tropas.

Essas políticas de guerra exacerbaram as tensões e conflitos entre os emigrantes que iam em direção à Califórnia e os colonos Santos dos Últimos Dias conforme as caravanas passavam pelos assentamentos de Utah. Os emigrantes ficavam frustrados quando não conseguiam se reabastecer no território como esperavam. Tiveram dificuldades para comprar grãos e munição e seus rebanhos, alguns dos quais contendo centenas de cabeças de gado, tinham que competir com os rebanhos dos colonos pelo pasto e água limitados ao longo do caminho.

Algumas histórias tradicionais de Utah sobre o que ocorreu em Mountain Meadows incorporaram a alegação de que envenenamento também contribuiu para aumentar o conflito — os emigrantes do Arkansas teriam deliberadamente envenenado uma nascente e uma carcaça de boi próximos à cidade de Fillmore, no centro de Utah, causando doença e morte dentre os índios locais. De acordo com essa história, os índios enfureceram-se e seguiram os emigrantes até Mountain Meadows, onde teriam cometido a atrocidade sozinhos ou forçado hesitantes colonos Santos dos Últimos Dias a unirem-se a eles no ataque. A pesquisa histórica mostra que essas histórias não são precisas.

Embora seja verdade que parte dos rebanhos dos emigrantes estivesse morrendo ao longo do caminho, inclusive próximo a Fillmore, as mortes pareceram resultado de uma doença que afetou os rebanhos nas jornadas da década de 1850. Os humanos contraíam a doença dos animais infectados através de cortes, ferimentos ou pelo consumo da carne contaminada. Sem essa compreensão moderna, as pessoas suspeitavam que o problema tivesse sido causado por envenenamento.

A escalada da tensão

O plano de atacar a companhia de emigrantes foi originado dentre a liderança local da Igreja em Cedar City, que havia sido recentemente alertada de que as tropas federais poderiam entrar a qualquer momento através da passagem ao sul de Utah. Cedar City era a última cidade na rota para a Califórnia para o reabastecimento de grãos e suprimentos, mas ali também os emigrantes se frustraram. Produtos básicos não estavam disponíveis na loja da cidade e o dono do moinho cobrou um boi inteiro — um preço exorbitante — para moer algumas dúzias de medidas de grãos. Semanas de frustrações logo cobraram seu preço. Com a tensão crescendo, um dos emigrantes alegou possuir a arma que matou Joseph Smith. Outros ameaçaram unir-se às tropas federais contra os Santos dos Últimos Dias. Alexander Fancher, capitão da caravana dos emigrantes, repreendeu esses homens.

As afirmações daqueles homens muito provavelmente foram ameaças vazias feitas no calor do momento, mas, no ambiente em transformação de 1857, os líderes de Cedar City levaram as declarações daqueles homens a sério. O delegado da cidade tentou prender alguns dos emigrantes sob a alegação de intoxicação pública e blasfêmia, mas foi forçado a recuar. A companhia de carroças seguiu seu caminho para sair da cidade cerca de uma hora depois, mas os agitados líderes de Cedar City não estavam dispostos a deixar o assunto morrer. Planejaram chamar a milícia local para perseguir e prender os ofensores e talvez confiscar parte de seu gado. Carne e grãos faziam parte da comida que os Santos dos Últimos Dias pretendiam usar para sobreviver se tivessem que fugir para as montanhas quando as tropas chegassem.

O prefeito de Cedar City, o comandante da milícia e o presidente de estaca Isaac Haight descreveram o descontentamento contra os emigrantes e pediram permissão para chamar a milícia em um despacho expresso ao comandante distrital da milícia, William Dame, que vivia nas proximidades de Parowan. Dame era também presidente da estaca de Parowan. Após convencer um conselho a discutir o assunto, Dame negou o pedido. “Não dêem importância às ameaças deles”, escreveu ele no despacho de volta à Cedar City. “Palavras são como o vento: elas não injuriam ninguém. Mas se eles (os emigrantes) cometerem atos de violência contra os cidadãos, informem-me imediatamente e tais medidas serão adotadas para assegurar a tranquilidade”. [James H. Martineau, “The Mountain Meadow Catastrophy,” July 23, 1907, Church Archives, The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints.]

Ainda querendo punir os emigrantes, os líderes de Cedar City então formularam um novo plano. Como não podiam usar a milícia para prender os ofensores, persuadiriam os índios Paiute para darem à companhia do Arkansas uma “lição”, matando alguns ou todos os homens e roubando seu rebanho. [John D. Lee, Mormonism Unveiled: The Life and Confessions of the Late Mormon Bishop, John D. Lee (1877), 219.]

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O ataque foi planejado para uma parte da caravana para a Califórnia que fugiu por uma passagem estreita do cânion do Rio Santa Clara, várias milhas ao sul de Mountain Meadows. Essa área estava sob a jurisdição da milícia do Fort Harmony, liderada por John D. Lee, que foi convencido a participar do plano. Lee era também um “fazendeiro indígena” fundeado pelo governo federal para os índios Paiutes locais. Lee e Haight tiveram uma longa conversa durante a noite sobre os emigrantes, na qual Lee disse a Haight que acreditava que os Paiutes “matariam a todos, homens, mulheres e crianças” se fossem incitados a atacar. [Mormonism Unveiled, 220.] Haight concordou e os dois planejaram depositar toda a culpa pela matança aos pés dos índios.

Os normalmente pacíficos Paiutes relutaram quando foram apresentados ao plano pela primeira vez. Apesar de ocasionalmente assaltarem os estoques de emigrantes em busca de comida, não tinham tradição de ataques em larga escala. Mas os líderes de Cedar City prometeram-lhes uma pilhagem e os convenceram de que os emigrantes estavam alinhados com as tropas “inimigas” que matariam os índios junto com os colonos mórmons.

Em 6 de setembro, domingo, Haight apresentou o plano ao conselho de líderes locais que ocupavam posições eclesiásticas, civis e militares. O plano encontrou resistência dos que o ouviram pela primeira vez, produzindo um acalorado debate. Finalmente, o conselho de membros perguntou a Haight se ele havia consultado o Presidente Brigham Young a respeito. Respondendo que não, Haight concordou em enviar um mensageiro expresso a Salt Lake City com uma carta explicando a situação e pedindo orientação.

O cerco de cinco dias

Mas, no dia seguinte, pouco antes de Haight enviar a carta a Brigham Young, Lee e os índios fizeram um ataque prematuro ao campo de emigrantes em Mountain Meadows ao invés de no local planejado no cânion de Santa Clara. Vários dos emigrantes foram mortos, mas os que sobraram resistiram ao ataque, forçando um recuo. Os emigrantes rapidamente organizaram seus carroções em círculo, protegendo-se dentro dele. Dois outros ataques ocorreram nos dois dias seguintes dos cinco que durou o cerco.

Após o ataque inicial, dois milicianos de Cedar City, julgando ser necessário conter a volatilidade da situação, atiraram em dois cavaleiros emigrantes descobertos poucas milhas fora do círculo. Eles mataram um dos cavaleiros, mas o outro escapou e voltou para o círculo, levando a notícia de que os matadores de sua companhia eram homens brancos, não índios.

Os conspiradores foram apanhados em sua teia de enganos. Seu ataque aos emigrantes tinha falhado. Seu comandante militar logo saberia que eles tinham grosseiramente desobedecido suas ordens. Um despacho havia sido enviado a Brigham Young em Salt Lake City. Uma testemunha do envolvimento dos brancos havia espalhado a notícia dentre os emigrantes. Se os emigrantes sobreviventes fossem libertados e seguissem seu caminho para a Califórnia, logo se espalharia a notícia de que os mórmons estavam envolvidos no ataque. Um exército já se aproximava do território e, se a notícia de sua participação no ataque chegasse a eles, criam os conspiradores, resultaria em ação militar retaliatória que ameaçaria suas vidas e as vidas de seu povo. Além disso, esperava-se para qualquer dia a chegada de outras caravanas de emigrantes para a Califórnia em Cedar City e depois a Mountain Meadows.

Ignorando a decisão do conselho

Em 9 de setembro, Haight viajou a Parowan com Elias Morris, um dos dois capitães da milícia e seu conselheiro na presidência da estaca. Novamente, pediram permissão a Dame para convocar a milícia e, novamente, Dame reuniu o conselho de Parowan, que decidiu que homens deveriam ser enviados para ajudar os combalidos emigrantes a prosseguir em seu caminho em paz. Posteriormente, Haight lamentou: “Eu daria um mundo, se o tivesse, se tivéssemos sustentado a decisão do conselho”. [Andrew Jenson, notas da conversa com William Barton, Jan. 1892, arquivo Mountain Meadows, Jenson Collection, Church Archives.]

Ao invés, quando a reunião terminou, Haight e seu conselheiro encontraram Dame sozinho e compartilharam com ele informações que não tinham dito ao conselho: os emigrantes encurralados provavelmente sabiam que homens brancos estavam envolvidos nos ataques iniciais. Essa informação levou Dame, agora isolado do moderado consenso de seu conselho, a repensar sua decisão anterior. Tragicamente, ele cedeu. Quando a conversa terminou, Haight achou que tinha sua permissão para usar a milícia.

Na chegada a Cedar City, Haight imediatamente convocou duas dúzias de milicianos, a maioria policiais, para juntar-se aos que já esperavam próximo ao acampamento dos emigrantes em Mountain Meadows. Aqueles que haviam deplorado a violência contra seu próprio povo no Missouri e em Illinouis estavam agora prestes a virtualmente seguir o mesmo padrão de violência contra outros, mas em escala mortal.

O massacre

Na sexta-feira, 11 de setembro, Lee entrou no acampamento dos emigrantes com uma bandeira branca e, de certa forma, convenceu-os a aceitar termos perigosos. Ele lhes disse que a milícia os escoltaria em segurança na passagem pelos índios de volta a Cedar City, mas tinham que deixar para trás seus bens e entregar as armas, sinalizando aos índios suas intenções pacíficas. Os desconfiados emigrantes debateram o que fazer, mas, no fim, aceitaram os termos, já que não tinham alternativa melhor. Estavam sitiados há dias, com pouca água, os feridos estavam morrendo e não tinham munição suficiente para suportar mais um ataque.

Como combinado, as crianças mais novas feridas deixaram o acampamento primeiro, levadas em dois carroções, seguidos pelas mulheres e crianças que podiam andar. Os homens e garotos mais velhos ficaram por último, cada um escoltado por milicianos armados. A procissão marchou por cerca de uma milha até que, num sinal previamente combinado, cada miliciano virou-se e atirou no emigrante próximo a ele, enquanto os índios saíram de seus esconderijos para atacar as aterrorizadas mulheres e crianças. Os milicianos que acompanhavam os dois primeiros carroções mataram os feridos. Apesar dos planos de culpar os Paiutes pelo massacre — e dos persistentes esforços posteriores em fazê-lo —, Nephi Johnson depois susteve que seus companheiros milicianos foram responsáveis pela maior parte da matança.

Comunicado tardio

A mensagem expressa de resposta do Presidente Young a Haight, datada de 10 de setembro, chegou em Cedar City dois dias depois do massacre. Sua carta relatava notícias recentes de que não havia tropas do exército americano em condições de alcançar o território antes do inverno. “Portanto, vejam que o Senhor respondeu nossas preces e, novamente, evitou a desgraça concebida para cair sobre nossas cabeças”, escreveu ele.

“No que diz respeito às caravanas de emigrantes passando por nossos assentamentos”, prosseguiu Young, “não devemos interferir nelas antes de serem notificadas a seguirem seu curso. Vocês não devem se meter com elas. Esperamos que os índios façam o que acharem melhor, mas vocês devem tentar preservar um bom relacionamento com eles. Não há outras caravanas indo para o Sul, que eu saiba. (…) Os que estão lá devem deixá-los ir em paz. Apesar de precisarmos estar alertas e sempre prontos, devemos também possuir a nós mesmos com paciência, preservando-nos e tendo sempre em mente os mandamentos de Deus.” [Brigham Young to Isaac C. Haight, Sept. 10, 1857, Letterpress Copybook 3:827–28, Brigham Young Office Files, Church Archives.]

Quando Haight leu as palavras de Young, chorou como criança e só conseguiu dizer as palavras “tarde demais, tarde demais”. [James H. Haslam, entrevista por S. A. Kenner, relatado por Josiah Rogerson, Dec. 4, 1884, material impresso, 11, em Josiah Rogerson, Transcripts and Notes of John D. Lee Trials, Church Archives.]

Conseqüências

As 17 crianças sobreviventes, consideradas “novas demais para contar histórias”, foram adotadas por famílias locais. [John D. Lee, “Lee’s Last Confession,” San Francisco Daily Bulletin Supplement, Mar. 24, 1877.] Representantes do governo resgataram as crianças em 1859 e as devolveram aos membros de suas famílias no Arkansas. O massacre ceifou cerca de 120 vidas e afetou irremediavelmente as vidas das crianças sobreviventes e de seus parentes. Um século e meio depois, o massacre permanece sendo um assunto profundamente doloroso para seus descendentes e outros parentes.

Embora Brigham Young e outros líderes da Igreja em Salt Lake City tenham sabido do massacre logo após o ocorrido, a percepção da extensão do envolvimento dos assentados e os terríveis detalhes do crime só chegaram aos poucos ao longo do tempo. Em 1859, eles desobrigaram de seus chamados o presidente de estaca Isaac Haight e outros proeminentes líderes da Igreja em Cedar City que tiveram participação no massacre. Em 1870, excomungaram Isaac Haight e John D. Lee da Igreja.

Em 1874, um juri territorial acusou judicialmente nove homens por sua participação no massacre. A maioria deles eventualmente foi presa, embora apenas Lee tenha sido julgado, condenado e executado pelo crime. Outros acusados tornaram-se provas do Estado e outros ficaram foragidos da lei por muitos anos. Outros milicianos que participaram do massacre lutaram pelo resto de suas vidas contra um terrível sentimento de culpa e tiveram pesadelos recorrentes por causa do que fizeram e testemunharam.

As famílias dos homens que planejaram o crime sofreram com o ostracismo imposto por seus vizinhos ou com alegações de que maldições haviam caído sobre eles. Por décadas, os Paiutes também sofreram injustamente, pois muitos os consideravam culpados pelo crime, chamando-os e a seus descendentes de “quemiadores de carroções”, “selvagens” e “hostis”. O massacre tornou-se uma mancha indelével na história da região.

Hoje, alguns dos descendentes das vítimas do massacre e seus parentes são Santos dos Últimos Dias. Esses indivíduos estão em uma posição incomum, pois sabem como é ser um membro da Igreja e também um parente de vítima.

James Sanders é bisneto de Nancy Saphrona Huff, uma das crianças que sobreviveram ao massacre. “Ainda sinto dor; ainda sinto raiva e tristeza por causa do massacre”, disse o irmão Sanders. “Mas sei que as pessoas que fizeram isso responderão perante o Senhor e isso me traz paz”. O irmão Sanders, que serve como consultor de história da família em sua ala no Arizona, disse que saber que um ancestral seu foi morto no massacre “não afeta minha fé, pois ela é baseada em Jesus Cristo, não em nenhuma pessoa da Igreja”.

Sharon Chambers, de Salt Lake City, é bisneta da sobrevivente Rebecca Dunlap. “As pessoas que fizeram isso perderam seu rumo. Não sei o que havia em suas mentes ou em seus corações”, disse ela. “Sinto pesar pelo que aconteceu a meus ancestrais. Também sinto pesar pelo fato de haver quem culpe todo um grupo, ou toda uma religião, pelos atos de alguns”.

O Massacre de Mountain Meadows tem causado dor e controvérsia por 150 anos. Nas últimas duas décadas, os descendentes e outros parentes dos emigrantes e dos perpretadores têm às vezes trabalhado juntos para preservar a memória das vítimas. Esses esforços tiveram o apoio do Presidente Gordon B. Hinckley [décimo-quinto presidente da Igreja, falecido em janeiro de 2008], representantes do Estado de Utah e de outras instituições e indivíduos. Dentre os frutos dessa cooperação estão a construção de dois memoriais no local do massacre e a colocação de placas em homenagem aos emigrantes do Arkansas. Grupos de descendentes, líderes e membros da Igreja e autoridades civis continuam a trabalhar pela reconciliação e participarão de vários serviços memoriais neste mês em Mountain Meadows.

 

Leitura adicional recomendada: A Paz e a Violência entre os Membros da Igreja no Século 19

 

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Abertura de terra do Templo de Manaus


Ilustração do futuro Templo de Manaus

Na bela manhã ensolarada de hoje (20/6), às margens do Rio Negro, em Manaus, líderes e membros da Igreja na região puderam participar de um evento tão esperado: a cerimônia de abertura de terra para a construção do Templo de Manaus Brasil.

A temperatura era de 30 graus, amena para um lugar conhecido pelo forte calor. O céu, com um lindo azul, trouxe ainda mais alegria para aqueles que testemunharam o início de uma obra que trará mais luz e entendimento ao povo da cidade.

Presidida pelo Élder Charles Didier, que estava acompanhado de seus conselheiros na Presidência da Área Brasil, Élderes Ulisses Soares e Stanley G. Ellis, juntamente com suas respectivas esposas, a cerimônia contou com a presença do prefeito da Cidade de Manaus, Serafim Corrêa, e do vereador Arlindo Jr., além do Élder Itinose, Setenta de Área e atualmente servindo como presidente da Missão Brasil Manaus.

“Hoje é um dia de preparação”, disse o Élder Ellis, palavras endossadas pelo Élder Didier, que deixou a mensagem final e proferiu a oração dedicatória para a construção do templo. Élder Soares contou que o terreno havia sido escolhido há 13 anos e que “chegou o dia tão esperado”.


Presidência da Área Brasil: Élder Ulisses Soares (2º Cons., à esq.),
Élder Charles Didier (Pres.) e Élder Stanley G. Ellis (1º Cons.)

Há 18 anos foi organizada a Missão Brasil Manaus, em julho de 1990. O então presidente da Missão, Cláudio Costa, ensinava aos missionários a importância de encontrar e batizar famílias completas. “Templo significa famílias. Para uma dia termos um templo nesta cidade, precisamos batizar famílias hoje”, enfocava o presidente Costa. Atualmente na Presidência dos Setenta, o Élder Claudio R. M. Costa afirmou: “A Casa do Senhor será a maior bênção concedida à cidade de Manaus. O Templo de Manaus será um dos mais movimentados do mundo”. Ele relatou que os membros da Igreja na região fizeram grandes sacrifícios, primeiro viajando sete dias para irem ao Templo de São Paulo, depois quarenta horas para irem ao Templo de Caracas na Venezuela. O Pres. Geraldo Lima, presidente da Estaca Manaus Cidade Nova que já liderou 13 das 20 caravanas ao templo na Venezuela, contou: “Sempre que voltávamos do Templo de Caracas havia muita felicidade, apesar do grande sacrifício. Em breve teremos essa mesma alegria todos os dias aqui em nossa cidade com o futuro Templo de Manaus.”

Para Alice Chaves, 35 anos e batizada desde os 14, “Esta é a maior bênção neste momento de nossas vidas. Lembrei-me de quando tudo começou, quando me batizei e agora vejo as promessas se cumprindo como um milagre”, recordou emocionada e feliz.

Após a oração dedicatória, os membros da Presidência da Área Brasil pegaram a pá e abriram a terra de forma simbólica. Élder Didier então convidou algumas irmãs para fazerem o mesmo, enfatizando: “Irmãs, vocês vão ajudar muito neste futuro templo.”

Nesses 18 anos da Missão Manaus, a cidade que tinha só uma estaca em 1990, tem hoje 8 delas com mais de 44 mil membros que se reúnem em 22 capelas aos domingos.

Além da matéria publicada hoje pelo jornal Amazonas em Tempo, estiveram presentes outros repórteres de rádio e TV locais.

O Templo de Manaus Brasil foi anunciado no dia 23 de maio de 2007 e será o sexto templo construído no País, depois de São Paulo, Recife, Porto Alegre, Campinas e mais recentemente, Curitiba.

Com informações do departamento de assuntos públicos da Igreja

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Por que saí do Orkut (e por que já voltei)

Não lembro exatamente quando entrei no Orkut, nem a convite de quem. Quando me associei a ele, o Orkut ainda era um serviço jovem: foi inaugurado em 24 de janeiro de 2004 pelo programador turco Orkut Büyükkokten, funcionário da Google Inc. que emprestou seu nome ao serviço controlado pela empresa.

(Se você ainda não sabe o que é o Orkut, saiba aqui.)

Na época, o serviço não existia em português e a grande maioria dos associados era de orígem norte-americana, por isso escrevi em inglês todos os dados da primeira versão de meu perfil. Mas já estava em curso a grande invasão de brasileiros que veio a tomar o Orkut de assalto. Essa invasão despertou a ira de certos grupos de usuários americanos (seguramente “aborrecentes” com vento na cabeça), que até chegaram a criar comunidades de fomento ao ódio contra a maciça presença de brasileiros no Orkut. Não adiantou. Hoje, os brasileiros predominam: são 53,94%, contra apenas 15,1% de americanos, segundo dados estatísticos de junho de 2008.

Ainda segundo estatísticas recentes, 61,46% dos inscritos têm entre 18 e 25 anos. Isso pode explicar a fenomenal proliferação de comunidades dedicadas a temas totalmente boçais, como “Nunca andei de zebra”, “Ih, chuveu! Cabelo ecolheu“, “Eu já fui um espermatozóide”, “É pavê ou pacomê?” (e chega por aqui, pois boçalidade pode ser contagiosa). Outras há dedicadas a enaltecer a miséria espiritual humana, como a “Te INCOMODO?? Que peeena!”, em torno da qual deve orbitar gente que pensa que pode atingir o sucesso pisando em todos e achando-se com razão — no momento da redação deste artigo havia nessa comunidade mais de quatro milhões de inscritos, nenhum deles conversando sobre o tópico da comunidade.

Eu estava inscrito em apenas três: a “Todaro Family”, criada por mim para tentar reunir interessados na pesquisa genealógica da família; a “Data Control Maceió”, dedicada a ex-professores e alunos da filial da implodida rede de ensino de informática na qual trabalhei como instrutor; e a “Mormon Thought”, para membros, pesquisadores, opositores e caluniadores da Igreja.

Lamento ter que dizer que esta última teve grande peso em minha decisão de sair do Orkut.

Quando assim decidi, minha lista de amigos somava 130 pessoas, em sua maioria membros da Igreja. Do restante, quase todos eram pessoas com quem eu compartilhava o sobrenome, as quais “fisguei” ao longo do tempo na vã esperança de que se interessassem em contribuir com uma pesquisa genealógica que poderia beneficiar também a eles próprios. Umas poucas pessoas formavam um terceiro grupo sem relação com os outros dois. Sempre procurei manter essa lista o mais enxuta possível, eliminando desconhecidos cujo motivo para tê-los adicionado eu sequer conseguia lembrar — portanto, que não representavam para mim nada além de um número na lista. Prefiro qualidade à quantidade.

Das três comunidades, a única da qual eu ocasionalmente participava era a Mormon Thought. Nunca apreciei nela o fato de ser aberta a difamadores e caluniadores da Igreja. Minha única motivação para permanecer nela era a boa quantidade de grandes conhecedores da doutrina e da história da Igreja, além de outros membros cujas opiniões demonstravam grande afinidade com o Evangelho Restaurado de Jesus Cristo e com os quais eu me identificava. Seu criador é um dos que reúnem ambos os atributos. Ele justifica a abertura da comunidade aos críticos dizendo que o debate ajuda a esclarecer dúvidas de pesquisadores genuínos e crê na validade da prática da argumentação. Ele gosta de debater. Foi com esse intuito que sugeriu ao UOL a criação do fórum “mormonismo” na época em que o UOL hospedava fóruns sobre os mais variados assuntos. Depois que o UOL acabou com eles, criou a comunidade Mormon Thought no Orkut, igualmente aberta ao debate entre membros e não-membros (leia-se críticos). Ele também está inscrito no meu grupo Mórmons do Brasil, mas como as regras do grupo não admitem críticas à Igreja, ele não tem com quem debater e essa deve ser a razão pela qual não participa ativamente do grupo.

No que me diz respeito, a presença de críticos na Mormon Thought não seria problema não fosse o fato de haver gente interessada unicamente em atirar pedras, atitude reprimida apenas quando ultrapassado certo limite que, para mim, era frouxo demais. Eu não tinha prazer em participar dessa comunidade por esse motivo. Não vejo qualquer razão para ser preciso ficar respondendo críticas maliciosas de certos opositores ignorantes, mal informados ou mal intencionados, respostas essas que alimentam mais críticas e assim por diante. Sempre que via isso acontecer, lembrava-me da seguinte passagem do Livro de Mórmon:

Não obstante, houve alguns entre eles que quiseram interrogá-los para ver se, com seus astutos ardis, conseguiriam enredá-los em suas próprias palavras e, assim, obter um testemunho contra eles (Alma 10:13).

Creio ser contra esse tipo de situação que o Senhor nos adverte ao dizer:

Não haverá disputas entre vós, como até agora tem havido; nem haverá disputas entre vós sobre os pontos de minha doutrina, como até agora tem havido. Pois em verdade, em verdade vos digo que aquele que tem o espírito de discórdia não é meu, mas é do diabo, que é o pai da discórdia e leva a cólera ao coração dos homens, para contenderem uns com os outros. Eis que esta não é minha doutrina, levar a cólera ao coração dos homens, uns contra os outros; esta, porém, é minha doutrina: que estas coisas devem cessar. (3º Néfi 11:28-30).

Eis porque nunca me envolvi em debates dessa natureza. Não vejo nisso rigorosamente nenhum proveito. Aquele que tem o “espírito de discórdia” mencionado pelo Senhor não está pronto para abraçar o Evangelho, portanto a discussão é inútil, além de violar o mandamento do Senhor citado acima. Quando estiver pronto, o pesquisador sincero se enquadrará na situação descrita pelo Senhor em D&C 29:7: “meus eleitos ouvem minha voz e não endurecem o coração”, caso em que nenhum debate será necessário.

Quando o momento era oportuno, minha participação na Mormon Thought limitava-se a contar experiências, prestar testemunho e divulgar artigos de meu blog que eu jugava de interesse dos membros fiéis da Igreja lá presentes — e apenas deles.

Foi nessa comunidade que fiquei sabendo da existência de outra, dedicada exclusivamente a ex-membros da Igreja hoje congregados nela apenas para cuspir no prato em que comeram. Curioso para saber o que diziam, eu a visitava com alguma regularidade. Mas, sempre que o fazia, saia enojado. A profusão de calúnias e escárnios gratuitos contra tudo que diga respeito à Igreja e todos os envolvidos com ela — líderes, especialmente — é algo impossível de entender. Mentem sem pudor. Salvo raras e honrosas exceções, aqueles apóstatas estão tão afundados no erro que não percebem a sordidez e a falsidade impregnadas nas próprias palavras.

Um exemplo significativo das mentiras a que me refiro é o que disse de mim um ex-membro que hoje se declara ateu: “O Todaro só posta na Mormon Thought quando é pra fazer propaganda do seu blog” — mentira do tipo que aqueles apóstatas adoram espalhar. O ateu em questão sabe que é mentira, ainda assim optou por mentir. Dizer a verdade não dá ibope entre eles.

Outra mentira, do tipo que faz a alegria dos amantes da violação do 9º dos Dez Mandamentos — “Não dirás falso testemunho contra teu próximo” —, foi proferida por alguém que afirmou que meu único intuito ao divulgar meus artigos na Mormon Thought é procurar trabalho (pois neste blog informo que sou webmaster).

O interessante é que nenhum deles me critica “na cara”. Todos o fazem pelas costas. Que cada um julgue por si para saber que nome se dá a esse tipo de atitude.

Há outros exemplos. O ex-missionário que fez de mim alvo da tentativa de assédio moral de que trato no artigo Esses antimórmons são uma graça! foi mais longe. Publicou em seu blog um artigo absolutamente fantasioso sobre minha participação no Superpop de Luciana Gimenez. Ele parece estar obcecado pelo fato de eu não ter usado o programa para armar um grande barraco contra os gays, como queria. Por isso, todo seu texto é carregado de injúrias, calúnias e difamações contra mim. Depois, produziu um vídeo em que lê e interpreta sua criação, que poderia muito bem servir de roteiro de uma comédia pastelão (devo reconhecer que, pelo menos, ele interpreta bem). Como tenho o vídeo do Superpop, seria muito fácil para mim — e humilhante para ele — provar o caráter alucinado de seu texto, se eu quisesse. Mas não vou meter a mão nesse vespeiro por tão pouco. Afinal, que grande dano ele está causando? Rigorosamente nenhum! Como contou o Pres. Gordon B. Hinckley em seu discurso Tardio em irar-se, proferido na Conferência Geral de outubro de 2007:

Certa ocasião, um homem que fora difamado por um jornal “procurou Edward Everett para perguntar o que deveria fazer a respeito. Everett disse: ‘Não faça nada! Metade das pessoas que compraram o jornal jamais viram o artigo. Metade dos que o viram, não leram. Metade dos que o leram, não entenderam. Metade dos que entenderam, não acreditaram. Metade dos que acreditaram não deram a mínima importância'” (Sunny Side of the Street, novembro de 1989; ver também Zig Ziglar, “Staying Up, Up, Up in a Down, Down World” [2000], p. 174).

Tantos de nós fazem um grande estardalhaço por coisas sem importância. Ficamos ofendidos com muita facilidade. Feliz é o homem que pode deixar de lado os comentários ofensivos de outrem e seguir seu caminho.

Estou convencido de que tanta pobreza espiritual não pode ter origem unicamente humana. Eis porque afirmo ser pesada a influência de Satanás naquele meio, ele que é “o pai de todas as mentiras” (Moisés 4:4). É como escrevi em meu artigo Esses antimórmons são uma graça!: “Que apostatem, se quiserem, mas não percam a dignidade! Nada há mais triste que um apóstata moralmente vazio”.

Em visita recente ao grupo deles, encontrei um ex-professor do Instituto de Religião da Igreja, hoje convertido à fé evangélica batista, queixando-se de ter sido vítima de uma injustiça cometida por uma mulher que ele afirmava — sem qualquer prova substancial — ser membro da Igreja. Segundo ele, a mulher o acusou de algo que não fez e o ameaçou de processo judicial. No intuito de ajudá-lo, inscrevi-me na comunidade para dizer-lhe, entre outras coisas, o seguinte: “Se você não fez aquilo de que ela lhe acusa, não tem porquê se preocupar. Deixe que ela se vire tentando provar a acusação, caso seja capaz, e vá dormir tranqüilo”. A partir daí, começamos a trocar algumas mensagens particulares e por algum tempo pareceu-me que eu tinha conquistado uma nova amizade, tanto que me senti à vontade para aceitar seu convite de adição como amigo no Orkut. O fato de eu também ter sido evangélico batista por um breve período de minha adolescência serviu como ponto de afinidade.

Só que, para minha decepção, as afinidades acabaram quando descobri que meu novo amigo era um dos que se empenhava em jogar gasolina na fogueira dos erros daquele grupo de apóstatas. Ele também participa da Mormon Thought, na qual critica abertamente a Igreja e suas práticas e doutrina, às vezes fazendo exatamente o que descreve Amuleque em Alma 10:13. Fiquei triste em vê-lo atirando lama no nome da Igreja, sem qualquer fundamento para tal, em diversos tópicos de ambas as comunidades. Descobri também que ele aplaude e enaltece a obra de meu principal “fã”. Aliás, ele bem que tentou incendiar as coisas entre esse “fã” e eu e, quando viu que eu não entraria na onda dele, exclamou: “Que pena!”. É público e notório que ele se diverte vendo o circo pegar fogo, por isso vive tentando ateá-lo.

Para ser franco, não sei porquê fiquei surpreso. Afinal, onde foi que o conheci? Numa comunidade de apóstatas escarnecedores. O que se poderia esperar dele? Dentre os 130 integrantes de minha lista de amigos, ele era o único que não demonstrava qualquer respeito por minha tão amada religião — que também foi dele, aliás. Por isso, removi-o da lista explicando-lhe que eu não estaria sendo coerente comigo mesmo se permitisse que permanecesse nela. Sua remoção não significava uma declaração de inimizade, mas do fim das afinidades que justificavam sua permanência dentre os 130. Como posso considerar amigo alguém que pisa e cospe em algo que me é tão caro e que demonstra não ter qualquer respeito e consideração pela fé alheia?

Foi somente então que percebi quanto tempo eu estava desperdiçando no Orkut, preocupado em saber o que os detratores diziam da Igreja à qual um dia pertenceram, tanto na comunidade criada para eles quanto naquela na qual acho que não deveriam estar. Que queiram ter um espaço só para eles, tudo bem, mas eu não via e ainda não vejo qualquer necessidade de conviver com a apostasia. A preocupação em saber o que diziam tinha se tornado um vício que precisava ser quebrado. Sair meramente da Mormon Thought não resolveria o problema, pois seu conteúdo é público e a curiosidade acabaria levando-me lá de volta, quando então começaria tudo de novo. A maneira que encontrei de fazê-lo foi semelhante à que se faz no combate de alguns tipos de vício: cortando o mal pela raiz.

Eliminar um vício em alguns casos pode ser um processo longo e penoso. Que o digam os viciados em tabaco e outras drogas, por exemplo. No caso do meu vício da “vigilância” sobre aqueles apóstatas do Orkut, o único pesar que senti pelo corte radical foi a perda de contato com alguns dos 130 que me eram realmente caros — o missionário que me batizou em 1984, a missionária que ensinou minha mulher, alguns membros de minha ala e alguns parentes, dentre outros de quem me orgulhava em ter em minha lista. Fora isso, a transição se deu de modo absolutamente sereno. Acredito que tal serenidade deve demonstrar maturidade emocional e espiritual suficientes para permitir-me pensar sempre em termos de elevação de minha reverência e estatura espiritual. De fato, se há algo que NÃO se pode dizer sobre minha experiência com aqueles apóstatas é que foi edificante e inspiradora. Pelo contrário, foi deprimente e lamentável. Compare-se isso com a experiência de ler a transcrição da mensagem deixada pelo Pres. Thomas S. Monson em Brasília, no último dia 2, na qual transmitiu palavras que, se seguidas, aproximam qualquer criatura de seu Sublime Criador.

O problema com o Orkut não é o Orkut em si, e sim o que se faz nele. O Orkut é meramente um dos incontáveis serviços disponíveis na Internet que podem servir de bênção ou de maldição, dependendo de como são usados. A partir de quando percebi que meu rumo nele começou a ser desviado em direção à maldição, tratei de cortar o mal pela raiz, como disse acima. Essa decisão seguramente não é definitiva nem irrevogável, pois o Orkut pode perfeitamente servir a propósitos dignos, edificantes e inspiradores. É o que pretendo fazer tão logo me sinta desintoxicado do veneno destilado pelos que se empenham em crucificar Cristo mais uma vez.


ATUALIZADO em 29/6:

Eu sabia que meu exílio voluntário não duraria muito. Acabou hoje.

O que me incentivou a voltar foi o convite de Sister Muir, esposa do presidente da Missão Brasil Maceió. O casal está concluindo seu chamado missionário de três anos e amanhã embarca de volta para seu lar, em Utah, EUA. Ao se despedir de minha mulher e de mim, convidou-nos a nos reencontrarmos no Orkut. Não tive como recusar. Sinto-me honrado pela companhia de pessoas assim dignas, ainda que seja uma companhia virtual.

Sim, o Orkut também serve a propósitos relevantes e inspiradores. É o único uso que pretendo fazer dele daqui por diante.

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Tempo de Escolher: mensagem do Presidente Thomas S. Monson em Brasília

Mensagem do Presidente Thomas S. Monson
Reunião com os Membros em Brasília, Brasil
Segunda-feira, 2 de junho de 2008

 

Tempo de Escolher

Pres_MonsonSou especialmente grato por estar com vocês esta noite, irmãos e irmãs, no encerramento de uma visita memorável que o casal Nelson e eu fizemos ao Brasil. No sábado à noite presenciamos o belo programa cultural apresentado pelos membros, em Curitiba, antes da dedicação do templo. Ontem, em quatro sessões inspiradoras, dedicamos o magnífico Templo de Curitiba. Esta tarde, tivemos o privilégio de nos reunir com o Vice-Presidente do Brasil, José Alencar. Levaremos conosco lembranças inestimáveis desta visita ao seu belíssimo país.

Tenho pensado ultimamente sobre as escolhas que fazemos na vida. Há um sábio conselho na Bíblia, em Eclesiastes, capítulo 3, versículos 1, 2, 4 e 6: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; (…) tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; (…) tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora”. E eu acrescento: “Tempo de escolher”.

Eu lhes pergunto: Que escolhas vocês farão na vida? Irmãos e irmãs, nós somos aquilo que escolhemos ser. Nossas escolhas determinam o nosso destino.

Sempre gostei muito da letra de um dos nossos hinos [nº 149]:

A alma é livre para agir
E seu destino decidir;
Suprema lei deixou-nos Deus
Não forçará os filhos Seus
Apenas faz-nos escolher
O bem ou o mal neste viver,
Conselhos dá-nos, com amor,
Cuidado, graças e favor.

Gostaria de sugerir-lhes quatro decisões, quatro escolhas, que nos ajudarão a determinar nosso destino.

Primeira: escolher ouvir.

Segunda: escolher aprender.

Terceira: escolher trabalhar.

E quarta: escolher amar.

No que se refere a ouvir, espero que vocês ouçam as pessoas que os amam e que desejam sinceramente o melhor para vocês. Vocês, jovens, ouçam sua mãe e ouçam seu pai, pois cada qual se ajoelha diariamente e ora por vocês, implorando ao Pai Celeste que proteja e oriente vocês nas escolhas que fazem.

Espero que possamos ouvir o conselho de nossos líderes, que são inspirados para nos guiar no caminho que devemos escolher. Que possamos também ouvir os sussurros do Espírito Santo. Prometo-lhes que, se ouvirmos o Espírito Santo, se houver um desejo justo em nosso coração e se nossa conduta refletir esse desejo, seremos guiados por esse Santo Espírito.

Certa noite, há muitos anos, eu dirigia para casa, depois de uma atividade. Seguia por uma rua que percorrera raras vezes. Ao tomar a direção leste, um pensamento me ocorreu: “Numa destas casas mora uma família que viveu em nossa ala quando eu era bispo, muitos anos atrás. Como a irmã Thomas e sua família estariam passando?” Mantive a velocidade, pois tinha um compromisso dali a pouco. Mas o Espírito parecia dizer-me que eu devia voltar e ir até a casa da irmã Thomas. Fiz a volta com o carro, localizei a casa, estacionei na entrada da garagem e bati à porta da frente. Ninguém respondeu. Bati novamente. Nada, ainda. Entrei novamente no carro e ia voltando para a rua, quando notei que alguém abrira a porta de entrada. Voltei a estacionar o carro no mesmo lugar, saí e caminhei em direção à porta. Ali estava a irmã Thomas, uma mulher amável, de cabelos prateados, que freqüentara minha ala muitos anos antes. “Irmã Thomas, que bom ver a senhora. Como vai?” Sua mão parecia tatear à procura da minha.

“Reconheço a voz, mas não posso vê-lo. Estou cega.”

Só então compreendi por que o Senhor havia-me guiado a fim de parar e ver a amiga querida de tempos atrás. Ao conversar com ela e com os membros da família, soube que nesse dia em especial era o aniversário de falecimento de sua filha mais velha. Ela, principalmente, carecia de consolo, e sentira o desejo de receber uma bênção de um portador do sacerdócio de Deus. Senti-me honrado por dar-lhe essa bênção.

É minha oração que cada um de nós leve uma vida digna, para receber a orientação de nosso Pai Celeste; que possamos ouvir os sussurros do Espírito Santo para termos a oportunidade de responder a esses sussurros e estar em sintonia com a influência orientadora de nosso Pai Celestial. Uma das mais doces experiências da mortalidade é servir de instrumento nas mãos de Deus para abençoar a vida de outras pessoas. Façamos a promessa de ouvir.

A [decisão] seguinte: que escolhamos aprender. Não é suficiente só ouvir, se não aprendemos. Conservemos no coração o conselho do Senhor que se encontra em Doutrina e Convênios: “Nos melhores livros buscai palavras de sabedoria; procurai conhecimento, sim, pelo estudo e também pela fé” (D&C 88:118).

Que livros seriam fontes mais excelentes e esclarecedoras para nosso aprendizado do que as escrituras — a Bíblia, o Livro de Mórmon, Doutrina & Convênios e A Pedra de Grande Valor? Estudando esses livros sagrados, aprendemos lições de valor eterno. Por exemplo, podemos aprender paciência ao estudar com afinco a vida de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Conseguem imaginar a decepção que Ele deve ter sentido — sabendo que tinha as chaves da vida eterna e que Ele era o detentor do caminho para que vocês e eu entrássemos no reino celestial de Deus — ao levar Seu evangelho ao povo que O rejeitou e recusou ouvir Sua mensagem? Mesmo assim, Ele teve paciência. Cumpriu Sua responsabilidade em vida, mesmo até a cruz do Calvário. Há muitas lições que podemos aprender quando estudamos a vida de nosso Salvador. A paciência é uma delas.

Também podemos aprender, estudando a vida dos líderes da Igreja. Aprendi muito estudando esses grandes homens, cuja amizade tive o privilégio de desfrutar em todos esses anos. O Presidente David O. McKay foi um exemplo vivo de bondade. Nunca o ouvi erguer a voz; falava com brandura a todos os que conhecia. O Presidente N. Eldon Tanner, que serviu como conselheiro na Primeira Presidência por muitos anos, foi um homem de autêntica integridade. O Presidente Kimball exemplificava a humildade. Além disso, era uma pessoa alegre, apesar dos problemas com a saúde. O Presidente Hinckley dedicou-se inteiramente à obra do Senhor e trabalhou incansavelmente para cumprir suas designações. Cada um desses grandes homens, ao lado de quem servi, me ensinaram lições que jamais esquecerei. Convido-os a juntar-se a mim no compromisso de aprender.

A decisão a seguir, que trabalhemos. Não é suficiente desejar, não é suficiente sonhar, não é suficiente prometer, não é suficiente se comprometer. Literalmente, precisamos fazer. O Senhor disse: “Aquele que lança a sua foice com vigor faz reserva, de modo que não perece” (D&C 4:4). E Néfi declarou: “Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor” (1 Néfi 3:7). Foi Tiago, no Novo Testamento, quem resumiu para nós essa lição: “E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos” (Tiago 1:22).

Um dos grandes exemplos de trabalho na vinha de Deus foi o Élder LeGrand Richards, que serviu como membro do Quórum dos Doze Apóstolos por 31 anos. Foi amado pelos membros da Igreja no mundo inteiro. Não houve sequer um dia em sua vida no qual não padecesse com dores. Devido a um problema na bacia, foi-lhe permitido não se ajoelhar durante as orações, mas ele nunca usou esse privilégio. Ele se ajoelhava ao lado dos membros dos Doze, embora todos nós pudéssemos ver estampada em seu semblante a imensa dor física causada pelo ato de se ajoelhar. Todas as semanas, comparecia às conferências de estaca — e algumas ficavam bem longe de sua casa. Viveu para edificar e fortalecer os outros, sempre obediente ao conselho do Apóstolo Pedro: “Estai sempre preparados para responder (…) a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (I Pedro 3:15). O Élder Richards é o autor do livro Uma Obra Maravilhosa e um Assombro, que, desde sua publicação, é usado pelos missionários no mundo todo.

Há muitos anos, fui designado a estar, no mesmo fim de semana, em duas diferentes cidades da Califórnia, nos Estados Unidos. Fui à primeira, em São Francisco, e depois embarquei no avião que me levaria a Los Angeles, onde teria a oportunidade de reunir-me com a liderança dos jovens adultos da região sul da Califórnia. Ao acomodar-me na poltrona do avião, o assento ao meu lado estava vazio. O avião subiu e dirigiu-se para Los Angeles. Uma jovem e simpática comissária de bordo sentou-se no lugar ao meu lado. Percebi que ela estava lendo o livro Uma Obra Maravilhosa e um Assombro. Eu lhe disse: “Você deve ser membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

Ela respondeu: “Não, não. Por que a pergunta?”

“Bem, você está lendo um livro escrito por um membro muito importante dessa Igreja”.

Ela disse: “É mesmo? Ganhei o livro de uma amiga, mas não sei nada sobre ele. Fiquei curiosa e decidi lê-lo”.

Resolvi então prestar meu testemunho àquela moça. Disse-lhe também que eu tivera o privilégio, anos antes, de ajudar o Élder Richards na impressão do livro que agora ela lia. Falei-lhe sobre o Élder Richards e sobre muitos milhares de pessoas que aceitaram a verdade depois de ler esse mesmo livro. Passei o restante do tempo do vôo respondendo às perguntas que ela me fez. Ao término da viagem, perguntei-lhe se podia pedir aos missionários que a visitassem. Também perguntei se ela gostaria de visitar nosso ramo em São Francisco. Ela respondeu “sim” às duas perguntas. Seu nome era Yvonne Ramirez, e quando cheguei em casa, escrevi ao presidente da Estaca São Francisco e transmiti-lhe essa informação. Poucas semanas depois, recebi uma ligação daquele presidente de estaca, que disse: “Irmão Monson, acho que o senhor vai gostar de saber que hoje, Yvonne Ramirez, comissária de bordo da United Airlines, a jovem que se sentou ao seu lado no vôo de São Francisco a Los Angeles, tornou-se o mais novo membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”. Fiquei radiante.

Todos nós temos a responsabilidade de trabalhar. Que possamos cumprir essa responsabilidade.

Por fim, que possamos amar. Vocês se lembram da resposta que o Salvador deu ao doutor da lei, quando este perguntou: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei?”

Ele respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:36-39).

Que sempre nos lembremos do conselho do Senhor contido no Livro de Mórmon, em Terceiro Néfi, capítulo 11, versículos 28 a 30: “Não haverá disputas entre vós, (…) Pois em verdade, em verdade vos digo que aquele que tem o espírito de discórdia não é meu, mas é do diabo, que é o pai da discórdia e leva a cólera ao coração dos homens, para contenderem uns com os outros. Eis que esta não é minha doutrina, levar a cólera ao coração dos homens, uns contra os outros; esta, porém, é minha doutrina: que estas coisas devem cessar”.

Shakespeare escreveu: “Eles não amam aqueles que não demonstram ter seu amor”. Como podemos demonstrar nosso amor a Deus e nosso amor por nosso próximo? Por meio da obediência aos mandamentos de Deus e aos conselhos de Seus servos. Temos o privilégio de obedecer à lei do dízimo, obedecer ao código da moralidade e de obedecer, em todos os aspectos de nossa vida, à palavra de nosso Pai Celestial. Podemos saber o quanto nós O amamos pela maneira como nós O servimos e pela maneira como servimos ao nosso próximo.

Novamente, irmãos e irmãs, que possamos assumir o compromisso de ouvir, de aprender, de trabalhar e de amar. Ao cumprir esses compromissos, teremos a orientação de nosso Pai Celeste e sentiremos a verdadeira alegria em nossa vida. Isso não significa que devamos simplesmente fazer um pedido ou sonhar, mas sim, que devemos decidir fazer tudo para cumprir nosso compromisso. Se quisermos, nós o faremos.

Vamos, pois, prosseguir com nossas resoluções? Será que podemos mudar nossos hábitos, se isso for necessário? Declaro-lhes que sim. Por exemplo, gostaria de contar-lhes a experiência que um amigo compartilhou comigo, há anos. Ele falou sobre sua infância. “Meu irmão gêmeo e eu tivemos uma infância difícil. Tinhamos uma mãe adorável e um pai excelente, mas ele era dependente do álcool. Aos sábados, sempre tínhamos a tarefa de sair à noite para trazê-lo para casa. Certa ocasião, meu irmão e eu comemorávamos nosso 16º aniversário. Tínhamos convidado amigos para uma festinha lá em casa, e estávamos brincando e nos divertindo, quando nosso pai entrou, completamente bêbado. Nossos amigos, constrangidos, foram embora. Mamãe tinha uma expressão de dor marcando-lhe a face. Dissemos ao nosso pai coisas bem duras, como: ‘Não consegue ficar sóbrio, pai? Nem no nosso aniversário?'” Meu amigo prosseguiu relatando o ocorrido: “Meu pai voltou-se para nós dois e disse: ‘Rapazes, perdoem-me. Prometo que nunca mais vou tomar uma gota de álcool'”.

Aquela família já havia ouvido essa promessa várias vezes. Embora os dois jovens tivessem uma atitude áspera com o pai, a mãe sabiamente lhes disse: “Filhos, seu pai é portador do sacerdócio, e sei que um dia ele o honrará. Por isso, quero que honrem seu pai”.

Meu amigo declarou: “Meu pai foi fiel à promessa que fez. Nunca mais tocou na bebida. Tornou-se o pai mais bondoso e prestativo que um filho podia ter. Nossa mãe encheu-se de alegria.”

O pai desse meu amigo faleceu algum tempo depois. Mas aquela mãe, que teve a capacidade de acreditar que a palavra de um homem pode ser sua garantia, se for sincera, de acreditar que ele podia escolher mudar e cumprir sua palavra, viveu para ver seu marido mudar. Ela também viveu para ver os dois gêmeos serem chamados para servir como presidentes de missão na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Presto-lhes meu testemunho esta noite de que, quando o Salvador disse aquelas palavras registradas no livro do Apocalipse, Ele na verdade deu a vocês e a mim um conselho que nos ajudaria a ser fiéis ao que prometemos. Lembram quais foram as Suas palavras? “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa” (Apocalipse 3:20).

É minha oração esta noite que tenhamos ouvidos para ouvir, que possamos escutar quando Ele bater à porta, que valorizemos o convite do nosso Senhor e tenhamos sabedoria para abrir de par em par a porta de nosso coração e os portais de nossa mente, para que Jesus Cristo entre e permaneça em nós. Será que abriremos espaço para Ele em nosso coração? Teremos tempo para Ele em nossa vida? Eu insisto, a escolha cabe a nós, de nos lembrar de que nossas escolhas e nossas decisões determinam nosso destino.

Irmãos e irmãs, eu lhes deixo o meu amor. Foi um privilégio poder estar aqui esta noite. Pude sentir o seu espírito e eu os elogio por seu testemunho da verdade.

Se viverem o evangelho, as outras pessoas verão o bem que se origina dele. Vocês vão servir de inspiração para que elas conheçam a Igreja e abracem a mensagem do evangelho. O número de membros da Igreja no Brasil está crescendo. Quando a irmã Monson e eu viemos para cá pela primeira vez, em 1969, havia somente duas estacas e uma missão. Na contagem mais recente, no final de 2007, havia 27 missões, 218 estacas e 50 distritos. Em 1940, havia menos de 200 membros no país como um todo. Quando o primeiro templo em São Paulo foi dedicado, em 1978, havia 54.000 membros. Hoje, há mais de um milhão de membros, e o crescimento é constante.

Deixo-lhes a minha bênção. Que nosso Pai Celeste continue sempre ao seu lado, e abençoe cada um todos os dias, é minha oração, em nome de Seu Filho Amado, nosso Salvador e Redentor — o próprio Jesus Cristo, nosso Senhor —, Amém.

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Esses antimórmons são uma graça!

Atualizado em 14/11/2015

Tenho tido uma experiência sui generis observando um grupo de apóstatas da Igreja tentando disseminar na mente de membros ativos — eu inclusive — a mesma semente de dúvida que os levou pelo caminho da apostasia e da franca oposição e perseguição à Igreja.

Tudo começou com minha ida ao programa Superpop, de Luciana Gimenez, na Rede TV, para expressar minha opinião contrária ao casamento gay, experiência detalhadamente descrita neste artigo. Foi a partir de então que alguns desses antimórmons elegeram-me como um de seus alvos.

Como fui ao programa munido de um balde d’água em vez de gasolina, “mórmon covarde” foi uma das expressões mais suaves usadas por eles para descrever-me em uma comunidade do Orkut da qual participam. Choveram xingamentos e impropérios contra mim. Na maior parte dos casos, é de gente que queria ver o circo pegar fogo. Como não lhes dei essa diversão, encontraram nisso um pretexto a mais para pegar no pé de um “mórmon”.

É interessante ver como perderam não só o testemunho, mas também a educação, o respeito, a dignidade e o senso de ética. Alguns perderam até a honestidade. Parece que agora sua razão de viver é procurar cada mínimo pretexto para cuspir no prato em que comeram. Quando não encontram, inventam. Mentem. Deturpam. Criticam por criticar. Fazem-no por esporte, caso em que nem é preciso haver qualquer sombra de fundamento nas críticas, basta estarem carregadas de difamação, sarcasmo, infâmia, sordidez, injúria, calúnia, maledicência, escárnio e outros atributos menos dignos — denunciando a evidente influência de Satanás nesse tipo de comportamento.

Uma dessas pessoas — um ex-missionário que se exibe no Orkut em fotos só de cueca, o mesmo que me chamou de “mórmon covarde” — resolveu partir para confronto direto comigo deixando em meu perfil recados provocadores em que me desafia a responder seus questionamentos sobre doutrina e práticas da Igreja. Quando li o primeiro, dei risada. Não por haver graça em uma óbvia manifestação da influência do inimigo na vida de um precioso filho de meu Pai Celestial, mas por sua vã esperança em plantar a semente da dúvida em minha mente. É mais fácil o céu cair em minha cabeça do que alguém conseguir que eu duvide do testemunho que recebi de Deus — caso em que seria melhor mesmo que o céu caísse em minha cabeça!

Após pensar por um momento no que eu poderia dizer-lhe em resposta, acabei escrevendo isto:

Não tenho resposta para suas perguntas. E o testemunho que tenho da Igreja impede-me de crer que a maneira como você vê as coisas seja verdadeira. Não vejo rigorosamente nada errado no que ela ensina ou faz. Creio firmemente que essa certeza me foi dada por Deus e, por isso, sou capaz de defender essa certeza até minha última gota de sangue, se for preciso. Eis porque a única coisa que tenho a dizer a você é: “Que julgue Deus entre mim e ti e te recompense de acordo com teus feitos” (D&C 64:11).

Isso não significa que precisemos ser inimigos. Você pode ter abandonado a Igreja, mas continua sendo meu irmão. Por isso, devo-lhe o mesmo respeito e consideração que dispenso a meu bispo, por exemplo. Eis porque não vou debater doutrina com você e vou apenas orar para que nosso Pai Celestial o abençôe.

Não sei se leu e ignorou solenemente o que escrevi ou se simplesmente não leu, o fato é que, pouco depois, deixou outro recado igualmente provocador — o qual, a exemplo do primeiro, foi sumariamente apagado. Não ri desta vez. Na verdade, fiquei triste por vê-lo empenhado em negar o Espírito que um dia recebeu. Ele vai mais além: faz questão de demonstrar publicamente que quebrou e continua quebrando todos os convênios que um dia fez com nosso Pai, debochando de coisas sumamente sagradas e que deveriam ser guardadas para si. Foi inevitável deixar de lembrar das palavras do Profeta Joseph Smith:

“Eis que, antes de o perceber, é abandonado a si mesmo, para recalcitrar contra os aguilhões, perseguir os santos e lutar contra Deus” (D&C 121:38).

Era óbvio que aquele meu irmão estava querendo aparecer e causar choque. Soube que ele vem fazendo o mesmo com outros membros da Igreja. Parece que se sente na obrigação de “denunciar” o que lhe parece errado na doutrina e práticas da Igreja.

A melhor maneira de combater esse tipo de assédio é ignorando-o. Por isso, a princípio decidi fazer só isso mesmo. Mas não me senti espiritualmente confortável em meramente ignorá-lo desta vez. Ao invés, senti que deveria prestar-lhe meu testemunho novamente. Então escrevi isto:

Sei que não adianta nada dizer o que estou para dizer, mas, ainda assim, senti que deveria.

Se, depois de ter chegado ao conhecimento e ao testemunho que tenho, alguém apontasse uma arma carregada contra minha testa ameaçando-me de morte se eu não negasse a Igreja e minha fé, eu preferiria a morte. Ela me seria mais doce do que negar o testemunho que me foi dado pelo Espírito sobre a Igreja e sobre tudo que ela ensina e pratica.

Então, meu estimado irmão, saiba que está perdendo seu tempo comigo com esses questionamentos inóquos. Você não será capaz de colocar o menor fiapo de dúvida em minha mente. Esses questionamentos são seus, não meus. Como eu já disse antes, não vejo rigorosamente nada errado na doutrina, nos ensinamentos e nas práticas da Igreja. Meu testemunho é forte demais para ser abalado com suas dúvidas humanas. Se realmente quer plantar a semente da dúvida em minha mente, tem que pedir a Deus que o faça. Só Ele pode tirar de mim o que me deu. Não é você, com suas palavras de homem, que será capaz disso.

Se, ainda assim, quiser desperdiçar seu tempo comigo, é livre para fazê-lo. Mas seus recados em meu perfil continuarão sendo sumariamente apagados. É inútil para você continuar com isso. Conselho de amigo.

Sei que devo ter fé e esperança, mas no momento elas me faltam no caso dessa pobre alma escravizada pelo inimigo. Até o momento, ele não parece disposto a libertar-se desse jugo. Ao invés, demonstra ávida disposição para sentar-se na roda dos escarnecedores dedicados a debochar da Igreja e de seus membros, comunidade da qual um dia fez parte.

“Até quando, ó (…) escarnecedores, desejareis o escárnio?” (Provérbios 1:22)

Esse caso lembra-me outro episódio em que um participante de meu grupo Mórmons do Brasil justificou sua saída do grupo dizendo que não poderia mais fazer parte dele por ter “enxergado a verdade”. A verdade, no caso, era a apostasia. Ele e sua noiva, ex-missionária, converteram-se a uma denominação evangélica. No que me diz respeito, estaria tudo bem não fosse o fato de o rapaz ter-se engajado em uma espécie de “cruzada santa” para convencer-me de que eu estava errado em não me demover de meu lugar, como ele fez. O sujeito foi tão insistente que chegou a ser inconveniente. Não adiantou dizer-lhe repetidas vezes que, se queria que eu me convencesse de sua lógica humana, teria que pedir a Deus que o fizesse, pois só Ele poderia tirar-me o testemunho que me deu. Também não adiantou simplesmente ignorar suas mensagens, pois, quanto mais eu o ignorava, mais ele insistia, por certo imaginando que meu silêncio indicava dúvida e fraqueza. Parecia praga de mulher traída! Ele realmente estava convencido de que fazia um favor a Deus com aquela obcessão em fazer-me “abrir os olhos”. Só consegui que parasse quando disse-lhe que, ao contrário do que supunha, eu não estava prestando a mínima atenção a nada do que dizia. Isso parece tê-lo ofendido. Então se foi, não sem antes dizer que ia rogar a Deus que me iluminasse e me fizesse “despertar do sono do inferno”…

Acho que esse pessoal nunca conheceu (ou esqueceu) o poder do testemunho do Espírito. Deve supor que sua falível lógica humana tem mais poder de convencimento que o testemunho prestado pelo Deus Todo-Poderoso, ao qual agora perseguem. Ao mesmo tempo em que acho graça de suas inúteis tentativas de demover-me do testemunho que recebi de Deus, entristeço-me com a perspectiva de que venham a passar para o outro lado do véu ainda submersos no lamaçal da apostasia. Que apostatem, se quiserem, mas não percam a dignidade! Nada há mais triste que um apóstata ética e moralmente vazio.

Compadeço-me deles e oro por eles. E também presto-lhes meu testemunho na esperança de ainda haver em seu coração uma centelha que seja da luz de Cristo que se dedicam a apagar. Para eles, deixo como admoestação as palavras do Élder Joseph B. Wirthlin, do Quórum dos Doze Apóstolos, proferidas em discurso na Conferência Geral de abril de 2008 (a íntegra do discurso pode ser lida e assistida aqui):

Alguns estão perdidos por se desviarem do caminho. Com exceção do Senhor, todos cometemos erros. A questão não é saber se cairemos ou tropeçaremos, mas, sim, como reagiremos. Alguns se afastam do redil depois de cometerem erros. Isso é muito triste. Sabiam que a Igreja é um lugar em que pessoas imperfeitas se reúnem — mesmo com todas as suas fraquezas mortais — e se tornam melhores? Todos os domingos, em todas as capelas do mundo, encontramos homens, mulheres e crianças mortais e imperfeitos, que se reúnem em fraternidade e caridade, esforçando-se para tornarem-se melhores, para aprender por meio do Espírito e incentivar e apoiar uns aos outros. Nunca vi nenhuma placa na porta de nossas capelas com os dizeres: “Entrada Permitida Somente para Pessoas Perfeitas”.

(…)

O Senhor sabe que cometeremos erros. É por isso que Ele sofreu por nossos pecados. Ele quer que voltemos a nos erguer e nos esforcemos para melhorar. Há alegria entre os anjos de Deus pelo pecador que se arrepende.

A vocês que se afastaram por terem sido ofendidos, peço que deixem sua mágoa e raiva de lado. Peço que encham o coração de amor. Há um lugar para vocês aqui. Venham, juntem-se ao redil, consagrem suas habilidades, talentos e aptidões. Vocês se aperfeiçoarão com isso, e outros serão abençoados por seu exemplo.

Para os que se afastaram por causa de questões de doutrina, não podemos desculpar-nos por pregar a verdade. Não podemos negar a doutrina que nos foi dada pelo próprio Senhor. Em relação a esse princípio, não fazemos concessões.

Entendo que às vezes as pessoas discordam da doutrina. Podem até chegar a ponto de chamá-la de loucura, mas repito as palavras do Apóstolo Paulo, que disse que às vezes as coisas espirituais podem parecer loucura para os homens. Apesar disso, “a loucura de Deus é mais sábia do que os homens” (I Coríntios 1:25; ver também v. 18).

Na verdade, as coisas do Espírito são reveladas pelo Espírito. “O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (I Coríntios 2:14).

Testificamos que o evangelho de Jesus Cristo está na Terra hoje. Ele ensinou a doutrina de Seu Pai: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo” (João 7:17).

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